Ruwen Ogien, o propositor da Teoria da Ética Mínima está de passagem pelo RJ e dá hoje(dia de São Jorge) uma palestra na PUC sobre o tema. Pela Teoria da Ética Mínima, desde que se respeite O OUTRO, tudo é possível dentro de uma ética mínima de comportamento. Consumo de drogas, desvio de comportamento, autoflagelação, aborto e outros temas ditos polêmicos poderiam ser praticados desde que o alvo fosse o EU PRÒPRIO e não o EU DIVIDIDO( MIM e outro, podendo ser o TI próximo e o VÓS distante). Resumindo a ópera para ela não ficar confusa: Tudo é permitido desde que você não atinja um outro, dentro de uma ética mínima. O contrôle social se encarrega do resto.
Aleister Crowley levantara esta bandeira no início do século XX e teve Fernando Pessoa como discípulo. Só que, para os anos 30, Crowley pegou pesado demais e o contrôle social o proscreveu como maldito sem direitos.
No Brasil, Raul Seixas propôs quase que o mesmo de Crowley dentro da sua teoria elástica a respeito de uma sociedade alternativa(vide letra de “SOCIEDADE ALTERNATIVA”). Devido a essa teoria, a ditadura fez Raul ir passar um tempo em Graceland e conversar com John Lennon. No terreno contracultural, Paulo Gomide( poeta) e Sergio Bandeyra(Os Brazões) tiveram uma atuação discreta, da mesma forma que Ernesto Bono e seu “Almanaque Órion”, ao caçar mitológicamente os perdidos no pensamento oriundo das barricadas de 68.
O surgimento da BLITZ(“Você não soube me amar”) representou uma anomia da teoria da ética mínima, prontamente cooptada pela indústria cultural, no sentido da adaptação de suas engrenagens ao gosto new wave em voga, deglutindo antropofágicamente as manifestações importadas do B-52´s e do TALKING HEADS. Nessa vertente cooptada, a indústria cultural trouxe a reboque o ULTRAJE A RIGOR e, posteriormente, o MAMONAS ASSASSINAS. Já pelo lado punk, “Ratos de Porão”, “Garotos Podres” e os”Inocentes” tiveram suas clonagens cleans no “Ira!” e na suprema maquiagem aplicada em João Gordo para que este se tornasse multimídia num agente de cooptação do porte da MTV e em Lobão, na apostasia de toda a sua pregação contra o leviatã da Industria Fonográfica, atuante dentro de um modelo proposto nos anos 50 e imutável até a entrada em cena do P2P e .mp3.
Dentro de uma ética mínima, até que esse seria um cenário suportável, caso a indústria não resolvesse agir juridicamente contra um consumidor que acredita que a revolução tecnológica já atingiu seu direito de consumir-fato peremptóriamente negado por ela( indústria) e rotulado como pirataria.
A indústria esquece que nem todas as manifestações se chamam Mariah Carey e que generalizações hoje em dia não tem mais lugar, já que a .net tornou possível manifestações que ela poderia controlar e, dentro de sua visão discricionária, sufocar no nascedouro. Hoje é tudo diferente e amanhã não será como ontem. Nada como um dia depois do outro.

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