quinta-feira, 24 de abril de 2008

Falta de Assunto

O cenário musical anda politicamente correto demais para o meu gosto. A vida real vêm dando de dez a zero nele. Basta ver esse assassinato de uma criança indefesa como mobilizou a mídia. Antigamente, quando as pessoas pareciam ser um pouco mais civilizadas, quem dava escândalo era artista. Hoje isso não acontece mais. Todos dão escândalo e agem explosivamente, perpetrando eventos inclassificáveis.
No meu tempo de século XX, artista casava em Reno(Nevada), já que aquele estado norte-americano tinha a legislação casamenteira mais permissiva conhecida. E para se separar, ia a Reno, chegava perante um juiz qualquer e alegava “crueldade mental” como motivo da separação de corpos.
Na América do Sul, a meca era Montevidéu. O casal “fugia”, passava uns quatro dias sumido e reaparecia no Uruguai, casadinho da silva. A separação acontecia mais ou menos no mesmo figurino. Bastava qualquer um dos dois “fugir” de novo e reaparecer no Uruguai com outro(a) consorte. Só a Angela Maria fez isso umas três vezes. A Teresinha – mulher do Ferrari(dentista da família) também fez isso. E muito mais gente conhecida, não necessáriamente artista ou cantora de sucesso.
Quando Cole Porter escreveu “I´ve Got you under my skin”, só os inocentes acreditaram que aquilo era para uma mulher. Na verdade, todos sabiam que aquilo era uma declaração de amor a......... cocaína, droga da qual ele era usuário.A música foi gravada em versão light(Frank Sinatra) e em versão speed(The Four Seasons). Falando em cocaína, ela foi homenageada em letras mais contundentes(Silver Train – Jagger & Richards) e até em nome de banda(Silverhead).
Já a heroína, droga usada por 11 entre dez artistas dependentes químicos, passou por várias homenagens, incluindo até filme(“O Homem do Braço de Ouro”). No rock, a homenagem mais sugestiva fica com “sweet jane”, de Lou Reed e a mais pungente na versão de “Love in Vain”(Robert Johnson) gravada pelos Rolling Stones, banda na qual- segundo a rádio boato da época das gravaçãso de “Let it Bleed” – existiam dois dependentes da pesada. Outra “homenagem” a heroína prestada pelo rock está na foto interna do album duplo “4 Way Street”(CSN&Y), na qual David Crosby aparece com o grupo no camarim, de camisa de manga comprida, com uma delas arregaçada até o cotovelo. A fofocalhada e o comentário vazaram pelos quatro cantos do planeta. Porque será, heim?
E as loucuras, heim? Keith Moon adorava mergulhar de Cadillac na piscina dos hotéis nos quais o grupo se hospedava nas tours. Rod Stewart, Ron Wood e o resto do Faces- Bêbados – conseguiram destruir um avião........ em vôo! Na primeira vez que veio ao patropi, Mr. Rod, jogando uma peladinha dentro da suite presidencial do Copacabana Palace, destruiu parte do mobiliário. Paul McCartney foi pego com maconha no Japão e quase cumpriu pena. Resultado: nunca mais pode voltar cantante a terra do sol nascente.
E, para concluir, em termos de declarações polêmicas, ninguém conseguiu suplantar John Lennon quando ele disse que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo. E, por incrível que pareça, ele não estava errado.
Já hoje, o must são barbaridades sádicas e destrutivas contra outrém, estilo Fatty Arbuckle, ao matar uma starlet enfiando uma garrafa de champagnhe em sua vagina(1919). Só que ele estava drogado e bêbado. No terceiro milênio que vivemos, a violência e a loucura são espontâneas, banais e sem motivo. Tremenda falta de assunto e de propósito.

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