Num encontro ocorrido em St Louis nos anos 70, Chuck Berry perguntou a James Brown, qual era a recompensa pessoal que eles tinham em se esfalfarem tanto em suas apresentações energéticas e estafantes.-“Where is the payback, man?”, ao que Brown respondeu de pronto.-“Rock and Roll is here not to stay.....it´s here to pay,man....You know that, man!”. O diálogo, registrado pelo crítico e escritor Ben Fong-Torres serviu para título de uma crônica publicada na então “RollingStone” a respeito de como os participantes ativos(músicos e popstars) encaravam a atividade realizada em cima dos palcos. Se tudo era movido a grana, dizia Ben, não era o Rock que ia passar batido da relação de mercado. Para o crítico, da mesma forma que a indústria cinematográfica havia transformado Holywood num cenário fake, o mesmo estava acontecendo com a música símbolo do conflito de gerações. A indústria do disco queria seu payback. E, de preferência, em milhões de discos vendidos, promovidos por turnês estafantes, com um mínimo de quatro apresentações por semana, promovendo até dois lançamentos anuais.Foi assim que o neozelandês Gary Thain- terceiro baixista do Uriah Heep- morreu de falencia física. O dano, do qual Thain nunca se recuperou, foi causado por negligência técnica num choque de troca de fase, devido a uma aparelhagem montada às pressas num palco molhado. Fato aconteceu numa apresentação de uma das n datas marcadas para a divulgação do lp anual de 1975 (Dallas). Devido as extensas excursões marcadas por empresários, o Savoy Brown teve 18 formações, sendo que na nona não havia mais nenhum membro da formação original e o nome da banda era de propriedade de um agente. É fato notório que as canções dos Beatles, da fase 62-66, registradas na editora Northern Songs nunca pertenceram a eles. Eles recebiam apenas um percentual de direitos autorais. O mesmo aconteceu com os Rolling Stones na fase Nanker Phelge. Quem ficava com a parte leonina era Andrew Loog Oldham- primeiro produtor do grupo.
Se isso acontecia no cenário Rock, na black music não era muito diferente.Os contratados da Motown Records recebiam.......salário! É isso mesmo! Supremmes, Temptations, Stevie Wonder, Marvin Gaye, Miracles e muito mais gente passaram anos a fio recebendo um pixulézinho todo final de mês enquanto seus lançamentos chegavam aos primeiros lugares da parada de sucessos em todo o planeta.
No Brasil não era muito diferente. O falecido Guilherme Araújo- empresário da Tropicália e responsável pelas carreiras de Gil, Gal, Caetano e Bethania - tinha todas as composições de Gil e Caetano registradas na editora GAPA/SATURNO. Os Bahianos só se livraram dele no final dos anos 70, depois de anos e anos de pendengas judiciais. A diferença – e que diferença tupiniquim! – estava no reverso da medalha. Ninguém queria ser agente de Tim Maia, Raul Seixas e Luiz Melodia. Os que tentaram- Guilherme Araújo inclusive – quase caíram em descrédito perante aqueles que contratavam suas apresentações, pois eles simplesmente não compareciam.
Enquanto alguns dizem que o Rock and Roll veio para ficar, outros dizem que ele veio para pagar. Direitos de Produção, comissões, advanceds e tudo mais. Tudo isso acima é apenas uma mostra de que a chamada “vida artística” não é um mar de rosas. A fantasia mostrada pelas revistas escandalosas e de vips reside apenas nas páginas de cada edição. A verdade é Dirt. Falando nisso, alguém já viu algum capítulo desse novo seriado?

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