quinta-feira, 30 de abril de 2009

Quem não tem Colírio usa Óculos Escuros

Tem gente que, para aparecer, pendura uma melancia no pescoço e sai pela rua gritando “Fogo!Fogo”.É o caso da Bebel Gilberto – que cancelou uma tournée ao México lindo devido ao surto da febre suína. Em vez disso, vai a Havana ver se Cuba lança um antídoto para o mal. Outro caso é o de Daniela Mercury, a quem estão creditando um affair com o ex-bispo “come-quieto” e atual Presidente do Paraguai, Fernando Lugo.
Só estão faltando as aparições de Madonna no programa do Amaury Jr. em Campos do Jordão, apresentando sua última adoção em Malawi, o novo filme pornô de Gretchen, fotos de Lucas com o pai Mick Jagger, a mãe Luciana a uns 300m de distância (mas vestida de roxo e laranja para ser identificada) e fotos da cerimônia do novo casamento “por amor” da Suzana Vieira com um cara de......24 anos. Sempre lembrando que o garoto é ilusionista.
Esses são releases que, obrigatóriamente, são deletados da minha caixa de e-mail. O que me envergonha pelos outros é que sempre têm alguém que dá nota ou faz matéria! E o pior de tudo é que esse, digamos, “jornalismo de resultados”, que era restrito aos tablóides sensacionalistas e jornais-povão está chegando a chamada grande imprensa.
Até a “Veja” deu capa para a matéria da morte daquele gigolô que explorava a Suzana Vieira. No “Jornal Nacional”, uma matéria mostrando uma pilha de dinheiro numa Delegacia da Polícia Federal ocupou o espaço que poderia ter sido dado à queda do vôo 1907. Denunciados pela omissão imperdoável, em vez de uma retratação, preferiram iniciar uma campanha alegando a insanidade mental de Paulo Henrique Amorim.
Agora, a “Folha” entra para o rol daqueles que transformam a Internet(Olha só!) em “fonte fidedigna” e veicula uma matéria sobre Dilma Rousseff, seu grupo guerrilheiro e o plano para seqüestrar Delfim Netto, à época Ministro do Planejamento, se não me engano.
Nem checaram se a “ficha de arquivo” era do padrão usado pelo DOPS Paulistano naqueles anos terríveis. O lance era publicar algo apontando a Ministra, apesar do desmentido do então líder- entrevistado na matéria, mas deixado em plano secundário. Resultado: denunciada a fraude, o diário foi obrigado a dar dois vexamosos desmentidos, caindo na troça de todos, incluindo um site que falou a verdade: ” Manda Spam Pra Folha que ela dá manchete na primeira página”.
Acredito que os iluminados que estão sentados em frentes a terminais examinando sites pornô e fingindo que editam as matérias das pautas- a maioria “recomendadas” - que seus cúmplices, digo, repórteres, são obrigados a entregar para o fechamento, não estejam se dando conta que isso tudo é que dá margem a congressistas não muito éticos no trato com o público deitarem falação de que são perseguidos pela imprensa.
Enquanto tudo isso acontece, em BH, um dito “Encontro de Professores de Jornalismo” edita uma carta-compromisso onde, numa atitude completamente corporativa, defendem a obrigatoriedade do diploma, a ética e o compromisso com a notícia. Para que? Para isso que lemos na Imprensa Diária? Para o conteúdo que é colocado na mídia alternativa?
Tem alguém ficando completamente insano. E eu garanto que não somos nem eu nem o Paulo Henrique Amorim. Todas as previsões “bem fundadas” da Imprensa são veiculadas num dia e desmentidas no outro pela realidade. Até o Ronaldo fenômeno, “que estava bichado e acabado para o futebol” faz gols definitivos em partidas decisivas. Miriam Leitão apregoa o caos em 30 segundos e esse calendário dela se mostra jupiteriano.
Alguém lembra do livro “Uma Estranha Realidade” – Bíblia psicodélica do início dos anos 70, de autoria do Carlos Castañeda e que relata as experiências dele com Mescal, Peyote e outros alucinógenos, sob a supervisão do “brujo” Don Juan? Pois é. Garanto que é isso que está acontecendo nas redações.
Todos estão achando que a obrigação profissional não passa de mais uma balada e se drogando ao extremo para cumprir excesso de pautas e entregar tudo no horário. Durante o fechamento, o iluminado divide o terminal entre os vídeos do “Panela Velha” e o texto da matéria que está editando. Ao prestar mais atenção ao orgasmo fingido que no texto, qualquer informe vira “fonte fidedigna” e qualquer xérox vira “original de documento”.
Garanto a você que eles vivem uma realidade que não é a nossa. Tenho certeza disso. Sei disso desde a época que os animais falavam. Como o Paulo Henrique Amorim.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

True Stories( ou grande mentiras)

Nossa historinha começa com titio Ozzie Osbourne, bem sucedido cantor-solo, estrela de um Reality Show milionário- que levou emissoras concorrentes da MTV a copiá-lo, ipsis litteris, tendo num deles o Gene Simmons e em outro o Hulk Hogan como Big Brothers.
Tio Ozzie está morando numa casa legal, de vez em quando grava um disco-solo e, há algum tempo atrás, até se juntou aos antigos companheiros de Black Sabbath para gravar um álbum de retorno que virou vaca.
Não se sabe o por que da ruminada, mas o grupo fez uma excursão chocha e parou no meio e não teve ninguém pra perguntar “porquêparô!parôporquê!?”. E, até há uns dias atrás, o dito tinha ficado pelo não dito e tudo naquela de é isso mesmo.
Acontece que em 2006, uma gravadora dessas caças-níqueis montou- numa cópia ampla, geral e irrestrita, uma box intitulada “Black Sabbath – The Dio Years”, numa tentativa de pegar carona na já existente “Black Sabbath – The Ozzie Osbourne Years”- lançada há exatos dez anos antes.
Para quem não sabe, Ronnie James Dio entrou no lugar de Ozzie no Sabbath, quando o vocalista original foi expulso do grupo devido a estar comendo cocaína com farofa, acompanhando tudo com um engradado de cerveja. Não é necessário dizer que Ozzie adora Dio e a “admiração” deve ser recíproca.
Como anda acontecendo com 11 entre 10 estrelas do rock, fazer uma tour caça-níqueis sempre faz bem ao ego e, principalmente, ao bolso- ainda mais quando a galera ta falida e meio caidaça.
É o que aconteceu com o Black Sabbath sem o Ozzie. Algum empresário deu a idéia, eles devem ter dado um toque no Ozzie que declinou do convite. Aí, fizeram a bobagem de chamar o Dio para encarar o tranco. Tio Ozzie, que detém uma parcela do nome do grupo, deve ter avisado a todos que: - com o nome do Sabbath? Nunquinha esse lixo sobe no palco!
Resultado: tiveram que trocar de nome e gravar um CD as pressas com novo repertório e cair na estrada. O nome agora é Heaven and Hell- título do primeiro Lp do Sabbath com Dio atacando de gritor.
Esse Black Sabbath sem Ozzie vai estar aqui em BH no próximo dia 10, lá no Chevrolet Hall. Você pagaria trezentas pratas para ir ver o “novo grupo”?

terça-feira, 28 de abril de 2009

A Microsoft saiu com uma lista(dela diga-se) dos melhores shows e que tiveram maior público já acontecidos nessas plagas. O melhor de todos, para mim, foi aquele primeiro dos Stones que rolou no Maraca, o ano eu não me lembro. Depois, em ordem de gosto, veio a listinha
Paul McCartney - 1990
Kiss - 1983
Rod Stewart -1994/95
U2 - 1997
Queen - 1980
Earth Wind & Fire - 1980
Peter Frampton - 1980
Police- 1981
Van Halen – 1983
Na minha visão de espectador, esses foram os melhores que eu vi aquí na taba tupi. Não inclui alguns que não me lembro data certa como o do Santana no Teatro Municipal, Ritchie Havens, Gênesis no Maracanãzinho, Eric Clapton naquele ex-cinema do Méier, The Trammps também no Maracanãzinho e os dois de Miles Davis que assisti completamente fissurado.
Não fui ao do Jethro Tull, não fui ao do Uriah Heep nem daquele Supertramp fajuto sem o Roger Hodson. Mas fui ao do Roger Hodson solo, fui ao Motorhead, não fui ao Deff Leppard , mas vi a galera no Rock in Rio junto com toda aquela metaleira que se apresentou, da qual eu destaco o Scorpions e o ac/dc.
Beatles é uma coisa fora de questão. Acredito que não fazia parte dos planos de Brian Epstein traze-los a um reduto cucaracha latino, pois se eles tocaram nas Filipinas, porque não vir, ao menos, a Buenos Aires? Agora, faltou ao nosso currículo uma apresentação do Pink Floyd, uma do Cream, uma de Bruce Springsteen e uma do Led Zeppelin. Isso realmente fez falta para quem sempre gostou de rock que nem eu.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Morrisey não viu o jogo

Ontem eu resolvi dar uma folga. Ainda mais que ia ser um domingo cinza que nem os dias da vida de Morrisey(“Everyday is Like Sunday”). Ia ser mais um domingo de final de campeonato mineiro, no qual 11 entre dez vezes a final é entre Cruzeiro e Atlético. América? Nem no ano que vêm! Tá disputando a série C e se houvesse Série Z já estaria lá há séculos.
Mas ontem eu me abstive. Não tinha assunto. Não escrevi, não fiz porra nenhuma que cheirasse a qualquer tipo de redação. Desde sábado que venho sendo sensibilizado por encontros que, eu espero, só tenham despedidas quando acontecer a falha biológica que vai interromper o funcionamento de um sistema qualquer que me seja vital.
Ainda mais que, sábado, eu titulei meu post errado! Botei "Revolução das Rosas", quando ela era "dos Cravos". Aí, não comportamento politicamente correto que resista, né?
Mas, voltando ao que interessa, o primeiro deles foi o Leonardo Wambier- filho de meu amigo Mané- o saudoso Manoel Wambier, a quem eu vi pela última vez em 83 e ele devia estar com uns 12 anos de idade, por aí. Ele, pesquisando sobre o que havia dedicado ao pai na rede, achou meu texto- de quase dois anos de idade- onde eu falava numa crônica que o Peralva escrevera sobre a chegada do Mane na Alemanha e como todos acreditavam ser ele um agente da repressão infiltrado enhtre os asilados. A crônica saíra publicada na “Folha” e todos nós tínhamos o recorte. O meu, nessa vinda para BH, se perdeu em algum canto ignoto, incerto e mal sabido.
O outro foi o e-mail de um amigo de rua de Leblon, a quem eu não vejo há exatos 36 anos e a quem ficava numa eterna procura, passando todo domingo na esquina da praia que freqüentávamos todo dia e sem encontra-lo. Acredito sinceramente que vamos reatar nosso Bromance. Éramos inseparáveis. Eu, Luiz Sergio e ele, por sorte, azar ou cagada mesmo – Sérgio Luis- naquelas amizades que fazem o calor brasileiro, seja domingo-seja o ano inteiro.
Aquele calor que não tem religião, não tem time, não tem nada de real. Tem é amizade mesmo. Vai dizer que você nunca teve alguém assim em tua vida? Pois é! Ele tocava e eu também. Ele montava uns grupos de hora para tocar em festinhas- que as vezes davam trôco, as vezes davam birita, mas sempre davam mulherzinha. Eu e o João íamos cantando e tocando bateria, num revezamento variando de acordo com o repertório. Meus “Hits” eram “Pobreza”(Leno), “Nights in White Satin”(Moody Blues),”Não se Esqueça de Mim”(Roberto Carlos)e “You´ve got to Hide Your Love Away”(Beatles). O Altino nos Teclados, o Rato no baixo e ele na Guitarra.
Tocamos em pequenos buracos pelo Grande Rio inteiro, indo da Cidade de Deus até São Gonçalo, passando pela Gamboa, Bangu, Bonsucesso, Botafogo e fomos até Juiz de Fora e Barra de São João. Nessa última festa, fui pivô da briga entre mãe e filha- as duas a fim do gordinho aqui, só que a mãe-macaca véia- era mais atirada e chegou primeiro. Só sei que a menina pegou nós dois na praia e foi um derrame daqueles, porra!
Elas moravam no Leblon também e eu não sabia. Só fui cair na real quando a coroa começou a me perseguir e a fazer cena de ciúmes. Uma vez na porta do cursinho. Outra vez no Centro da cidade, porra...........Tremendo perrengue, brother!
Mas o domingo valeu. Minha macumba fez o meu Fogão empatar com o Flamengo e , aqui, vi e ouvi(ligo a TV e deixo o áudio no Rádio)o Cruzeiro meter cincão no Galo. Melhor que isso só pão com ovo, molho inglês e Zezé di Camargo & Luciano aos berros. Topas?

sábado, 25 de abril de 2009

A Revolução das Rosas

No dia de hoje, em 1974, militares Portugueses, descontentes com a política nacional nas ainda consideradas colônias, derrubaram Marcelo Caetano e todo um continuísmo Salazarista que continuava a travar o progresso do país em relação a toda a Europa.
Essa é uma data para ser sempre lembrada como uma das últimas a expropriar o autoritarismo numa sociedade e lhe devolver a liberdade de opinião e o direito à expressão. Se na História Moderna foi desse jeito, vamos ver agora o que aconteceu em termos pop nessa data para lembrar(era o título de um programa que eu produzi na Rádio Roquette Pinto).
No no passado, nessa data o ex-baterista e vocalista Phill Collins anunciava que não ia mais gravar nem realizar turnês. Estava de saco cheio( e rico). Em 2007, Bobby Pickett- criador de “Monster Mash”- morria de leucemia em LA. Tinha 69 anos.
Sete anos antes, no programa de Jools Holland, ao vivo pelo Channel one da BBC, Eric Clapton e Bobby Whitlock se reuniam, depois de 29 anos, para executar “Layla”, com direito ao solo de Slide acompanhado pelo tecladista. Bobby era o tecladista do Derek & The Dominoes.
Em 1994, os Eagles se reuniam para gravar um especial para a MTV. Desde 1980 que eles não subiam juntos num palco e, em 1981, o Wings encerrou suas atividades. E, para encerrar, em 25 de abril de 1970, “ABC”(Jackson Five) chegava ao primeiro lugar da Billboard.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A Mão de Mao

A mão de Mao esteve metida em muita coisa. Desde o bolso de sua túnica fedida( segundo a biografia, ele não tomava banho) até em título de disco do Rock Brasileiro( ver “Metro”).
Mao não foi o único líder às voltas com a música popular. Em “No More Heroes”, os Stranglers falam de Lênin, Trotsky e Sancho Pança.
Quanto aos políticos e suas mentiras, “Politician”(Trad. Arranjado por cada bluesmen à sua maneira), regravada pelo “Cream”- em estúdio e em três versões ao vivo- é uma descrição sucinta do que alguém, investido em um mandato popular, pode fazer de mutreta.
A arte- tanto gráfica quanto sonora – sempre esteve engajada na luta política. Os grandes exemplos nos últimos 150 anos são os compositores nacionalistas(Dvorak, Sibelius e Chopin), os cartazistas soviéticos, os muralistas Mexicanos e a geração que renovou a literatura a partir dos anos 20, posteriores a Mann e a Joyce.
Alguns consideram Bob Dylan um engajado. Eu, em minha modesta opinião, considero parte de seu trabalho uma “sample copy” de Woody Guthrie- de quem, numa de suas plantações de lendas- tentou espalhar que era filho, apesar de carregar um Zimmermann denunciador na carteira de motorista.
Woody sim, foi engajadaço. Esse engajamento pode ser traduzido em duas faixas definitivas e seminais de sua autoria: “This Land is Your Land” e “The House of the Rising Sun”. A música folk americana se divide em antes e depois de suas gravações.
As gravações originais estão nos papers da Livraria do Congresso. “This Land is Your Land” teve uma regravação diluída na voz de Trini Lopez e “The House of the Risinh Sun” foi a primeiro lugar na voz de Eric Burdom, lançando o “Animals” nos Estados Unidos.
Woody teve alguns seguidores. Engajados como Pete Seeger e Leonard Cohen, e desengajados como Willie Nelson, Hank Ballard Jr, John Sebastian e Bruce Springsteen.
Este último foi até tachado de fascistão devido a “Born in the USA”, entendida errôneamente tanto pela esquerda quanto pela John Birch Society. É bom lembrar que até Ronald Reagan andou elogiando Bruce pela faixa, homenagem que depois ele deplorou em várias entrevistas.
O Homem é um animal político. Aristóteles disso isso há um tempão. E se a lógica do primeiro período deste texto provar que Política também é música, desde lá, a frase vem semeando ventos, colhendo tempestades, subindo 1800 colinas, indo de Jerusalém a todas as cidades santas conhecidas, recebendo vibrações rastas e tudo o mais que a mente humana possa colar em sua escala de oito notas. Na verdade, música serve pra isso. Para deixar o formalismo lógico-racional de lado e transmitir um recado mítico a respeito do homem e de suas criações, sejam elas boas ou ruins.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O Site do “Estadão “ hoje faz menção ao Burt Bacharach, que fez parte do imaginário dos anos 60 como um dos últimos “composers” de hits como o foram Cole Porter, Irving Berlin e Sammy Cahn.
Tanto Bacharach quanto Jim Webb falaram e disseram, deitando falação na parada com uma sucessão de hits nas vozes de Dionne Warwick, Carpenters e GlennCampbell . No caso de Glenn Campbell, acredito que tenha sido o que mais faturou, pois- ao sair dos Beach Boys- foi “Wichita Lineman”, de Jim, que o levou ao primeiro lugar das 100 mais e solidificou sua carreira de country singer.
Diz a lenda que a faixa era para ser gravada pelos Beach Boys, mas Brian Wilson- que já estava meio fora do grupo- bateu o pé e disse que, caso ele(Brian) não produzisse a faixa, o grupo não gravava. Foi o que aconteceu e Glenn- que já estava de saco cheio de cantar algo com o qual ele não tinha nada a ver-topou gravar a faixa, com a produção de quem quer que fosse- desde que ele cantasse solo. Deu certo.
Acredito que na música Brasileira, só Ari Barroso, Tom Jobim e Eumir Deodato poderiam ser incluídos nessa categoria. Este éltimo figurando também como arranjador, lado a lado com Quincy Jones, todos os dois conhecidos cmo fabricantes de hits( vide eles mesmos, George Benson e Michael Jackson.)
Outro que poderia ter percorrido esse caminho seria Marcos Valle. O Lp que tem “Azimuth” é uma prova de que isso teria sido possível. Mas, se perdeu num samba de verão, depois foi malhar e fez bobagem até não poder mais.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A Invenção da Homeopatia

Hoje realmente foi um dia momentoso aqui em casa. Teve faxina, banho no cachorro, arrumei um salmãozinho, preparei ele para a janta e só agora é que fui cair na real de que meus três leitores aguardavam pelo meu tão caro e digitado texto.
Vou ser sincero. Ontem eu tentei ver aquele reality show da VH1 que mostra um cover de Axl Rose atrás de uma namorada e aquilo realmente é um porre. O do Gene Simmons e o da filha do Hulk Hogan são bem melhores sendo que a filha do Hulk Hogan não tem nada de Hulk e se fosse verdinha a gente deixava numa estufa, between the sheets, para ver se ela ficava madurinha. E ela madurinha, maninho............!
Tem um clip ecológico que leva no Natgeo que tem uma música fantástica, meio inglês, meio castelhano de máfia colombiana e que funciona direitinho. Meu zap vinha funcionando desde domingo, quando assisti a trechos do “Cidade de Deus” na Globo aberta. Considero esse filme o melhor acional que eu já vi, num timing e marcação de fazer Glauber Rocha morrer roxo de inveja e dizendo que o Meirelles é um cooptado, assecla de Hollywood e vítima do Imperialismo Cultural que nos domina e nos ultraja.
Por mim, eu pegaria todos esses cooptados( a exceção do Meirelles e do Walter Lima Jr) e os amarraria num banquinho, e ficaria projetando “cabezas cortadas” várias vezes, logo depois, fusão ato contínuo com o enterro de Di Cavalcanti, mixado a “Idade da Terra”. Se o cooptado não saísse da sessão querendo dar beijo na boca do Chavez e mesmo do Fidel, eu repetiria tudo ad nauseam.
Ontem eu tava conversando com um taxista e contava a ele que Hahnemann descobriu a homeopatia quando acabou o azeite em casa. Foi numa noite longa, tempestuosa e fria que isso aconteceu. Dona Hahnemann olhou para a cara dele e falou:”Benhê. O Azeite acabou”. Hahnemann respondeu: “Amanhã eu dou um jeito nisso” e já foi pensando que, naquela noite, sexo anal nem pedir. Ele não pediu. No dia seguinte de manhã, durante o café, Hahnemann lia as manchetes da “Luta Democrática” e, quando passava os olhos em “Cadáver pegou fogo no Velório”, Dona Hahnemann repetiu: “Porra, Benhê! O Azeite acabou!”. Hahnemann lembrou da noite anterior e dá gozada mixa que deu. Aí, o dr. Resolveu dar umas dinamizadas na prima que morava em cima para descontar a gozada mixa e ficou lá até a hora do almoço. Quando desceu, perguntou pelo rango e Dona Hahnemann respondeu: “Caralho, Benhê! Desde ontem eu tô falando que a porra do azeite acabou!”. Enquanto pensava em quanto sua prima sabia dinamizar sua porra, Hahnemann realizou que, para curar, só na base da insistência. Daí que todo remédio Homeopático têm que ser tomado várias vezes ao dia. Historinha legal né? Será que foi assim mesmo??
Esse texto é dedicado aos Alo(prado)patas, aos ô meu?patas e aos quatropatas. É- médico quatropata é aquele que faz plástica e enfeia, corta perna errada, Cega olho bom, ensurdece ouvido que ouve, essas coisas............

terça-feira, 21 de abril de 2009

Dia de que mesmo?

Apesar do atraso de dois dias em relação à lembrança, é digno de nota ressaltar que o único Brasileiro que já fez música falando sobre índio sem ser em tom pejorativo foi Jorge Benjor(“Todo dia era Dia de Índio”).Para “Índio quer Apito” e “Caramuru” os politicamente corretos abrem uma exceção alegando os eflúvios de Momo e os Ufanistas( seguidores de Afonso Celso de Assis Figueiredo- o Visconde de Ouro Preto) acreditam que “O Guarani” seja uma grande homenagem musical do Toninho de Campinas ao Índio Brasileiro. Eu? Acho tudo isso uma grande bobagem, ainda mais que essa história de “Dia do.....” serve apenas para que um vereador inútil faça uma proposição de mudar o nome de um logradouro ou instituir uma homenagem alusiva.
Existe até o “Dia do Disco”, que, por incrível que pareça, é o dia 20 de abril- rua carioca na qual havia um hotelzinho, pertencente a um espanhol que fora Coronel do Exército Republicano na Guerra Civil, e no qual eu ia namorar as “radiogroupies” que apareciam na Rádio América. Era da Rua Buenos Aires direto para lá, parando num boteco ao lado do quartel central dos Bombeiros, que tinha um bolinho de bacalhau que era O seguinte!
E, nesse 20 de Abril de 2009( ontem), a indústria fonográfica não tem nada a comemorar, a não ser uma sucessão de erros históricos que estão levando a música editada e vendida a um impasse, já que a nova regra de negócio para o mercado desmonta tudo que se conhecia até o início desse milênio. A existência do CD foi breve e hoje a quantidade de músicas que podem ser colocadas num dispositivo é medida pelos gigabytes que ele comporta. Assim, um pendrive de 16 gigabytes comporta o equivalente a 30 CDs de áudio ou 55 CD-ROMs de MP3.
E falando em erro histórico, ontem a IBM cometeu mais um desses erros crassos, os quais vêm cometendo desde os anos 80, quando descontinuou seu sistema operacional – o OS/2, para colocar o Windows 95 como OEM em suas máquinas. Para quem achava que vender a linha de notebooks e laptops para a chinesa LENOVO teria sido o erro final, o de ontem barrou todos em sucessão.
Por apenas 10 centavos a mais por ação, a Oracle absorveu a Sun Microsystems, cuja negociação com a IBM no papershare havia se encerrado em 9 dólares e 40. Além de pagar 9 dólares e 50 por ação, a Oracle assumiu todas as dívidas da Sun em relação a fornecedores.
Dizem que a IBM estava refugando mais porque a transação poderia ser investigada pela comissão antitruste e este seria o trigésimo primeiro processo legal nesse sentido. Eu, na minha modesta opinião de burro olhando para um palácio, acredito que, para quem já levou 30, mais um é fichinha, né mesmo?

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Tem uma enciclopédia do Rock nas bancas, feita pela Editora Europa e que é bem razoável. Está num CD-ROM da edição 154 da “Revista do CD-ROM” e traz, a critério de quem escreveu(não olhei o expediente), as 101 maiores estrelas do rock de todos os tempos.
É organizadinha, tem um banco de dados completo e a passada de olhos que dei(The Who, Twisted Sisters e ACDC), mostrou tudo que interessava dos grupos folheados. O preço é 15,90 e a edição está num box com outras duas e vale bem a pena jogar esse dinheiro fora.
Há algum tempo atrás havia uma feita com dados da TIME/LIFE, mas não era lá aquela Brastemp, já que o British Rock e algumas de suas bandas seminais eram ignorados.
Na verdade, maninhos, O melhor material continua em livros, como a enciclopédia Da Lílian Roxon, os paperbaks da NME e os livros de consulta da Billboard, estes sim inigualáveis.
A respeito de MPB, o site “CliqueMusic”, que era do Tarik de Souza, ainda continua a ditar cartas, com a melhor referência a respeito da música Brasileira a partir do meio da década de 50. Falando em Tarik, ele volta ao Canal Brasil(66) com o “MPBambas”, programaço para quem gosta de música.
Outras coisas que tem que serem lidas são as biografias de Roberto Carlos( a recolhida) e a do Carlos Imperial.Não recomendo a biografia de Tim Maia pelo Nelsinho nem o livro que o Midani escreveu sobre o período dele como o executivo de gravadoras no Brasil. O primeiro é mais romance que documento e neste último, a referência desairosa que ele faz ao Lebendinguer( dono da RGE/ FERMATA) é lamentável. Chico Buarque estava na RGE porque foi lá que ele foi aceito. É bom lembrar que antes de “A BANDA” ele estava solo, leve e solto. Deve ter sido oferecido à Philips/ Phonogram. Mas como era um ilustre desconhecido.................

domingo, 19 de abril de 2009

Droga de Vida

Graças ao mau-caratismo de alguns que se julgavam espertos, o problema das drogas fugiu do controle social e, de forma epidêmica, vem realmente assolando todas as manifestações do grupo, sejam culturais ou apenas de interação.
Esses mau-caráter, em sua esperteza burra, enxergaram diversas maneiras de se ganhar dinheiro com aquilo que era uma manifestação endêmica, porém controlada e a transformaram numa manifestação bestial que conseguiu reestruturar o crime organizado num formato pós- “Lei Seca”, articulando várias máfias completamente dependentes da droga e especializadas, cada uma delas, nos vários estágios do tráfico, a saber o plantio, o refino, o transporte, a distribuição e a comercialização.
A logística da coisa é acadêmica e todos os elos são completamente bem estruturados e separados, indo de quem oferece a droga à população até a quem oferece “serviços” no sentido de livrar a população da droga. Os extremos se tocam na constatação de que as duas metades da estrutura são interdependentes.
Os sanatórios, o poder de polícia, os advogados, terapeutas, lutadores em campanhas antidroga, o traficante e o produtor dependem do consumo. Para que haja consumo são necessários dependentes. Não é necessário dizer que o círculo vicioso sempre vai realimentar a coisa, proporcionando matéria- prima para que todos tenham atividade e demonstrem a necessidade de seus serviços. Resumindo a ópera: Isso não vai acabar nunca.
A droga e a sua existência já foram românticas em algum lugar do passado. Baudelaire,Cole Porter, Jean Cocteau, Edgar Allan Poe e até Sigmund Freud louvaram seus efeitos e ficavam admirados de sua própria performance como drogados.
Não foi a toa que Porter compôs “I´ve Got You Under My Skin”. Ou então uma conhecida dupla do Rock compareceu com “Silver Train”. Se formos pensar nas alucinações e na psicodelia, aí o comparecimento é em massa, já que pouquíssimos artistas e músicos nos anos 60 não experimentaram o LSD nas caravanas de Timothy Leary e Ken Kesey.
Hoje a droga é realmente uma droga e chatésima de se aturar. Ela realmente é um problema que desagrega e embrutece, transformando seres saudáveis em vegetais sofrendo de delírio ambulatório.
Escrevi isso nesse domingo depois de ver no “Terra” uma boa matéria sobre a penetração dessa lástima chamada “crack”. Na minha visão, quem usa isso é burro. “crack” é uma droga que não dá barato nenhum. Os relatos assinalam que você fica broxa logo de cara, insone e completamente voltado a conseguir mais, cada vez mais.
Como eu sempre fui vacinado contra opiáceos, assim que essa coisa pintou eu nem passei perto. Na minha comparação, a criação de dependência era a mesma e eu? Dependente só de buceta, zifio! No meu corpo só tem saída. Entrada? Neca!!!!!!

sábado, 18 de abril de 2009

Ser Mãe é bem Diferente!

A jornalista não identificada que escreveu uma matéria pixando a atual rainha do axé, Cláudia Leitte(esses dois tês só podem ser coisa de numerólogo) e que leva o título"Ser mãe é se divertir num Trio Elétrico", exagerou um pouco ao querer ditar um comportamento politicamente correto à cantora. Afinal, cada mãe é mãe de um jeito e como pode. Quem não pode ser mãe, se fode.
E é isso que fica parecendo essa corrida da maternidade que tanto ela como Ivete Sangalo estão disputando. Eu, particularmente, acho isso tudo ridículo, mas como tem gente que gosta e dá força, fazer o quê?
Esse problema paradoxal havido entre arte e maternidade nunca vai ficar bem resolvido. Acredito que o grande depoimento a respeito seja o de "Mamãezinha Querida", escrito pela filha da atriz Joan Crawford e que é simplesmente arrasador, principalmente quando toca nas feridas deixadas por um relacionamento que foi desejado por uma parte, abjurado pela outra e que existiu numa forma teratológica.
Outro, aí exibido ao máximo pela mídia foi o de Judy Garland e Liza Minelli, afogado no álcool e drogas por ambas e com direito a temporadas mis em sanatórios vários.
Até o momento o mais certinho, por incrível que pareça, foi o de Rita Lee Jones e família. Ela, Zezé te adendum sempre levaram a vida numa boa e toda a tempestade que aconteceu na vida de Rita é anterior ao casamento com Zezé.
Já não foi o caso de Maysa e o filho Jaime, que só foram começar a se entender no final da vida dela. Quanto ao de Elis Regina com João Marcelo, este foi usado por Ronaldo Bôscoli para justificar uma série de rolos aprontados pelas partes, tendo o filho no meio, como uma bola de pingue pongue levando raquetadas canalhas, fossem pela crônicas dele quanto pelas declarações dela.
Ser mãe é bem diferente. Como já diria o poeta, é desdobrar fibra por fibra o coração,fazendo da atividade uma profissão. Nada externo pode interferir, senão.........

sexta-feira, 17 de abril de 2009

BH: O Túmulo da Música

Hoje tem B-52´s no RJ. Aqui em BH não tem porra nenhuma. Vai ter Motorhead no festival da Skoll. Aqui em BH não vai ter porra nenhuma. E por aí vão. Bh é a lápide funerária em si. Para se ver algo, só fora daqui. Antes, além de lápide de qualquer evento, BH era o túmulo do sucesso e do artista novo. Beto Guedes, Lô Borges, Milton Nascimento, Paulinho Pedra Azul, Celso Adolfo, Marku Ribas e mais uma caralhada de gente, para aparecer na mídia, foram obrigados a dar no pé da cidade. Ir embora. Se mandar daqui. Quem ficou aqui virou cantor de jingle(Bauxita) ou foi virar go go dancer nos EUA(Júnia Falabela).
O mais legal da coisa é que quando o cara faz sucesso, aí ele vira mineiro e surgem do nada um monte de descobridores, pais e o raio que o parta, todos se dizendo aquele que deu força, etc......
Para se ter uma idéia de como BH é terra estéril, até Recife teve uma gravadora de destaque lançando artista e boa música( a Mocambo/Rozenblit). Aqui, essa idéia nunca passou pela cabeça de ninguém, a não ser dois estúdios de pé e mãos quebradas, com técnicos que não sabiam gravar nem o trivial.
Eu acho engraçado as pessoas reclamarem de um estado de coisas quando elas nunca foram nem tentadas. E essa é a tônica mineira. Reclamar de um jeito bem Raul Seixas, que sai do nada e leva o brado a lugar nenhum. A alegação maior é a de que falta dinheiro. Não acredito nisso, pois para eventos de renda líquida e certa ele sempre pinta. Por que não correr um risco? Será que nunca vai valer a pena?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Há uns 20 anos atrás, eu ia pegar um monte de CDs e ia zapeá-los atrás de alguma coisa boa e tocável.Eu também ouvia a concorrência atrás de alguma coisa que eu gostasse para tocar também. Fiz isso com muita coisa boa e alguma coisa ruim que, não entendi como, foi um sucessão. Hoje eu prefiro ver clips na VH1 mais do que qualquer outra coisa. Já ouviram e viram The Veronicas? Nunca tinha visto. Vi ontem e gostei daquelas gatonas e do arranjo de cordas.
É o terceiro grupo que descubro de cagada. O primeiro foi o Paramore. “Crushcrushcrush” é uma delícia. O outro grupo foi o Le Tigre- este me lembra bastante um B-52´s , só que um pouco mais energizado.
Música serve prá isso. Para divertir. Para, de cagada em cagada, você ir arrumando um playlist de sucessos próprios independentes daquilo que a moda estatística repete a exaustão nos sete buracos de tua cabeça. E haja exaustão. Hoje, todos os veículos optaram por ela, pois para se chegar ao sucesso de audiência, nada como massificar aquilo que “o público pede”. E será que pede mesmo? Será que existe alguma participação, alguma interação ou todos aqueles indivíduos que vemos em Faustão, Huck, Pânico et caterva não passam de vacas de presépio?
Eu , na minha época de produtor, trabalhava com tudo aquilo ensaiado. Auditório batia palmas na hora que a produção queria. Artista tinha roupa rasgada quando a produção queria. Qualquer aplauso era mínimamente estudado. Todos ali estavam representando um papel e cientes que os outros também representavam. O cantor fingia que cantava(geralmente era playback), o animador fingia que animava e o público fingia que aplaudia(era comandado pelos puxadores de aplauso- que regiam a galera mediante estímulos visuais).
Foi porisso que o Gugu dançou naquela história do PCP ameaçando as autoridades. Ele sabia que aquilo ia ao ar e tinha ciência do conteúdo. Só pensou que a coisa fosse passar batida. Quem mandou mexer logo com o Hélio Bicudo? Não adiantaram as desculpas fajutas. E o Gugu cometeu uma falta daquelas. Colocou toda a culpa em sua produção, em vez de assumir uma parcela. Resultado: transformou-se no César de Alencar da TV. Dedo duro nojento. Eu não trabalharia mais com ele nem que a vaca tossisse.
Aliás, depois que fiquei velho, fiquei meio seletivo. Como já afirmei antes, nunca mais colocarei os pés numa redação de jornalismo. Jamais em tempo algum Se me virem dentro de uma, é porque fui tacar fogo no local. O jornalismo virou um cruzamento de JB com SBT. Não se trabalha direito nem ninguém se informa.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Certezas

Ontem eu falei de Phil Spector e de sua condenação. Hoje vou falar de coisas mais hard ou mais amenas. Depende do estado de espírito de quem lê e nunca de quem o escreve. Transgredir, desrespeitar e partir para o pau é a danação do rock and roll. Basta pegar as letras de “great balls of fire”, riot in cell number nine” e “jailhouse rock”.
Todos nós estamos numa folsom prison. Todos nós estamos vagando com o pé na estrada, lendo Kerouac e ouvindo Jerry Lee. Buddy Holly nunca esteve presente, já que ele, big bopper e Ritchie Valens morreram antes do show. Nenhum deles esteve aqui. Apenas um Bill Haley e depois um Chubby Checker.
O rock não é só jeans, tênis e camiseta. Isso é atitude. O rock é bem mais do que imagina nossa curta filosofia. 55 anos de vida não são 55 dias em Pequim tomando tsingtao beer. Ou se bebe ou se filma. Não dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Orson Welles sabia disso. Hemingway também. E hajam mojitos , baby.
Hajam Kilimandjaros e crateras, hajam Ngorongoro e migrações de gnus pela savana, acompanhando a trilha ancestral, sempre percorrida, sem perguntas e respostas, já que não se discute uma imposição natural.
Da mesma forma que o instinto faz o cachorro ganir quando sente medo, o homem batuca um ritmo movido pela percussão intuitiva. Havendo música para acompanhar, grandes pagodes ou rodas se formam em cantorias. O canto e a batida acompanham a cultura desde a sociedade tribal, já que eles são a primeira marca da identidade. Cada um é membro sabendo cantar o mantra. É assim na Ásia, na áfrica e na América. Áfricásiamérica.
Da trindade acima foi gerada a totalidade da música no planeta terra. Tudo foi gerado no calor dessas três entidades máximas e continentais.
Os sons que vieram para o Brasil se criaram de um jeito diferente daqueles que foram parar em Nova York. Apesar do lugar comum que eles repetem no sentido de procurar leite materno, a mãe áfrica nunca os abandonou. Fez os dois criarem tambores e depois forneceu as baquetas e os teclados. Alguns sentidos se desingrolaram em vibrafones e marimbas. Outros em tambores, tumbas e maracás. Na chacoalhada suprema, a criação daquilo que todos chamam de ritmo, apesar de nunca terem corrido para por música no frenesi gerado. Quando os tambores foram proibidos pela casagrande, a percussão se voltou para o piano. Os melhores batuques ficaram na sala de visitas norte-americana. Mas alguns batuques vieram parar na cozinha. Sinhô sabia disso muito bem e sempre jurou pela imagem que era isso mesmo.
Uma coisa é certa: a música sempre vai existir. Pode ser que você não goste de pagode nem eu disso que eles estão chamando de funk. Para ser sincero, detesto. Tudo que lembre axé eu também faço questão em desconhecer. Mas é sucesso e tem gente mais nova que nós gostando. E quem manda na parada são eles. Não existe retrocesso.
Estamos muito velhos para atuar ou cooptar. Não sabemos como enfrentar nem como mexer. Temos que nos resignar a ouvir nossos flashbacks até quando eles deixarem. Estamos velhos.
É. Velhos que nem o rock and roll. E muito jovens para que algum falastrão apareça com um AR-15 e nos mande para o inferno. Tudo isso que nós acreditávamos já era. Lembra que nós nunca confiamos em ninguém com mais de trinta anos? Pois é: porque é que eles vão confiar? Pena? Porque nós fomos sem destino algum dia? Isso é tão antigo....................Ihhhhhh..........Nem ti conto.......

terça-feira, 14 de abril de 2009

Can I Get a Witness

Essa foi a primeira canção composta em homenagem a Phil Spector. Foi feita pelo trio Holland/Dozier/Holland, ao ouvirem a história que Marvin Gaye contou a Berry Gordy de como havia recusado a sair da Motown e entrar para a Phylles- o selo pertencente ao então Midas do pop, que havia ligado para o pai dele( o mesmo que o matou anos mais tarde) numa tentativa de convida-lo a gravar. O ano? 1963. Marvin era um estreante e tinha gravado alguma coisa sem pretensão para o selo TAMLA- um dos vários selos subsidiários que BErry Gordy usava para ir testando regionalmente suas descobertas até lança-las nacionalmente na MOTOWN.
Quanto a Phil, estava no auge- com as Ronettes e o Righteous Brothers à toda na parada e faturando um top first atrás do outro com seu “wall of Sound”. “Can I Get a Witness” foi a quinto lugar na parada pop e primeiro na de black music.
Em 1964, quando da gravação do “England Newest Hitmakers”, os Rolling Stones regravaram a faixa, com dois “session man” inesperados, que estavam em Londres e foram até o Regency Studios(DECCA) para uma visita: Gene Pitney e o próprio Phil Spector. Os dois gravaram outra faixa de bonificação(“Now I got a Witness”), que também está no LP, tanto na versão LONDON quanto na versão DECCA.
Se Jerry Lee Lewis, Elvis, Chuck Berry, James Brown e Carl Perkins foram os verdadeiros “superbads” do Rock e do Pop como artistas, Phil foi o “Superbad” por trás da mesa de som.Igual a ele só mais quatro: Mickie Most( produziu Animals e fabricou Hermans Hermitts), Bruce Botnick(Fez a barulheira gerada por Morrison e acompanhantes virar o Doors), Brian Wilson(dispensa apresentações)e Felix Pappallardi( sem ele não haveria o Cream). O resto foi todo figuração perto do que eles cinco fizeram.
Se no palco haviam superbads que eram presos por corrupção de menores, porte de armas e drogas, dirigirem bêbados, não pagarem pensões devidas e arranjarem todas as pendengas possíveis com a polícia, alguns de trás das carrapetas das mesas de som não deixavam por menos. Phil era um deles.
Convidado pelo bad boy Dennis Hopper para trabalhar em “Easy Rider”, Phil não se limitou a dar palpites na trilha sonora. Representou na película o papel do traficante que compra a heroína de Dennis e de Peter na cabeceira da pista do aeroporto.
Convidado pelos Beatles para produzi-los, foi a Londres e fez a sua versão wall para Lei it be. Convidado por Joey Ramone, ele e o grupo fizeram “Rockn Roll Radio”- a verdadeira sinfonia da vitória para jovens adolescentes.
Hoje, Phil é apenas um condenado. Condenado por uma das histórias malucas em que se meteu sem ter a mínima noção de como chegar a um ponto, qualquer que fosse ele. Será que ele matou mesmo sua mulher em 2003? Se ele tivesse uma testemunha(If he got a Witness) que o inocentasse, acredito que ela seria a faixa-encerramento da trilogia iniciada com o título desse post.
nota: hoje fazem 55 anos que Bill Haley entrou em estúdio para gravar "Rock Around The Clock"

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A Foto na Internet

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domingo, 12 de abril de 2009

Lendas Urbanas do Rock and Roll

A primeira delas é a mais batida. O casamento entre “Dark Side”(Pink Floyd) e “O Mágico de Oz”. Segundo o lendão, você tem que soltar o “DS” depois do terceiro rugido do Clarence( Para quem não sabe é o nome do Leão da Metro). Depois, a música vai se casando com cenas e criando os climas mais incríveis.
Outra do Floyd. “Echoes”(Meedle) foi feita para servir de tema da cena final de “2001- Uma Odisséia no Espaço” . Na verdade, a faixa é um retrato sonoro do comportamento dos hooligans do Manchester United, que são ouvidos cantando “You´ll Never Walk Alone”- música considerada hino do clube e gravada por Gerry & The Pacemakers nos anos 60. O grupo torcia pelo MU.
Quando Paul McCartney foi dado como morto, todo dia surgia uma lenda urbana a respeito do baixista canhoto. Em “Sgt Peppers”, se você colocasse o final de “A Day in the Life” ao contrário, você ouviria uma voz assinalando que Paul teria 28 anos se estivesse vivo. Na foto de capa(“Come Together”)batida numa esquina da Abbey Road, Paul está descalço- um sinal de sua morte pois os mortos são enterrados descalços.
Em 1968, uma estrela batizada como CTA102 começou a enviar sinais de rádio para a terra. O Byrds gravou uma música com esse título, falando sobre a ocorrência e, no refrão, eles assinalavam que o som da estrela era alto e claro, mixando no momento umas interferências eletrônicas, comose fosse o CTA. Não era. Era a guitarra de Jim McGuinn com um repeat.
Pense bem: você conseguiria compor música e letra de um álbum duplo simplesmente depois de ler as duas primeiras fases do período inicial de primeira página de um livro? Mesmo ele sendo de James Joyce? Pois é: foi isso que disseram de “Tales Of Topographic Oceans”(Yes) e, apesar dos desmentidos de Jon Anderson, a história foi repetida ad nauseam, numa demonstração de como era o processo criativo do grupo.
Agora, uma lista de coisas que se dizem foram feitas, mas que ninguém viu ou mostrou: O bootleg quádruplo do Grateful Dead, onde só uma faixa – “Truckin”- é executada nos oito lados. O bootleg da Jam Session entre Jimi Hendrix e Johnny Winter. A versão de “Chatanooga Choo Choo” cantada em dueto por Elvis Presley e Frank Sinatra( um 78 RPM) E uma foto de Robert Johnson engraxando os sapatos, na qual o garoto com a flanela é Elmore James.
Se a gente for alongar a coisa, ainda vai ter lenda para umas três laudas. Isso eu garanto. Até amanhã.

Take it....Or Leave it

Ontem eu revi “Vinicius”. Um grande documentário e que deve ser revisto sempre, ao lado de todo o resto em que se retratou a música Brasileira, que- no meu entender – é a minha coisa única na escala tônica- aquela que está no sangue e da qual vou sempre lembrando fatos e sons que ouvi e guardei na memória.
Lembro de Monsueto Menezes e “Eu quero essa mulher assim mesmo”. Lembro de “Ele é Engraxate/Ele é Engraxate/Ele é Engraxate// Batendo com a escova/ Como a vida lhe bate”. Lembro de Carlos Gonzaga , que se dividia entre o rock e o “Baião da Serra Grande”.
Lembro de uma apresentação de Jerry Adriani no SESC de Vitória(ES) na qual ele teve que tocar “Quem não quer”(Black is Black) no baixo, pois o baixista da banda que puseram para acompanha-lo não sabia a música(era novidade)- Foi em Vitória que eu aprendi, de cor e salteado – o repertório de Renato & Seus Bluecaps e Erasmo Carlos. Aqui no Rio eu sabia pouca coisa, pois a diversidade era maior e tinha mais coisa preu prestar atenção, como Wanderléia, Cleide Alves e todos aqueles que se apresentavam nos programas de rádio que eu perseguia pelo dial.
Ia sábado de tarde para o auditório da TV Rio no cassino Atlântico e depois voltava a pé para o Leblon, bundeando pela Vieira Souto e acompanhando o por do sol por trás das ilhas tijucas. Ipanema ainda tinha cheiro verde de praia e ainda pintavam algumas marias farinhas na areia.
Minha infância e adolescência foi um milk shake de Brasil com todos os sabores de calda e sorvete, fossem Bob´s ou Kibon, Lopes ou Morais. Esse tempo eu sei que não volta nunca mais e recordar essa coisa toda é mostrar a mim mesmo que eu vivi e, parafraseando Alceu Valença, sei que estou muito vivo.
Em Vitória havia um bar num edifício em frente ao Parque Moscoso que tinha um sundae de Ameixa que era repetível ad nauseam. O gosto de quero mais que ele tinha até hoje me volta na boca. Minha Vitória de criança foi soterrada pelos arranha-céus, que hoje riscam a atmosfera, transformando a ilha num paliteiro sem precedentes. Minha bisavó morava na Ladeira Caramuru e,nos fundos do terreno, meu tio-avô filho mais novo dela construiu uma casa que dava frente para a rua Imaculada Conceição. O bonde passava por trás, subindo na direção da igreja de São Gonçalo e a catedral- no caminho de ida para o palácio Anchieta.
Hoje tá tudo escondido e degradado. E não é só Vitória que degenerou. O Rio também. A especulação imobiliária dos final dos anos 60 pôs tudo por terra, literalmente falando. Até para mim que vivi pelas ruas de ipanema, lembrar do Zepelin e da casa do Plínio Doyle é um exercício de memória, pois não bate direito nada.
Do bar só lembro de um quadro na parede e da disposição das mesas. Da casa de mestre Plínio sei apenas onde ela ficava. Do mesmo jeito que a primeira academia do Jorge Francês, da oficina do Parmênio e do “seu” Artur. Localizar exatamente só vendo foto. Acho que nem o Jaguar consegue essa proeza, de ir ao local, apontar e dizer: “Era aqui”.
Lembro do dia em que aquela estátua que têm na praça da paz amanheceu com um pinico na cabeça. Ninguém nunca soube quem foi o engraçadinho. Deve ter sido excomungado por Frei Leovigildo.
Lembrar é um bom exercício. Fico mudo num canto e meu canto de silêncio me deixa delirando. Viajo no tempo. Gosto disso. To ficando véiuuuu, gentiboa.........sessentinha tá batendo.....pelanca chegando.... E eu lembrando como era bom ser só gordinho, sarado e ter o corpo todo durinho.......As meninas........Ah! As meninas..............................(Chega, porra!)

sábado, 11 de abril de 2009

Páscoa,apagões, proibições &.......?

Esta semana foi uma semana momentosa para os usuários de Internet no país. Todas as operadoras tiveram um apagãozinho para dar de presente aos seus “ consumidores”, junto com o ovo de porco que vai ser a conta. Ovo de porco será por que eu duvido e faço pouco que eles dêem o desconto que estão anunciando nas desculpas que estão dando em forma de comunicados.
Quanto a Telefônica, já está provado- neste segundo apagão – que eles não têm a chamada rede de redundância, feita exatamente para prevenir este tipo de ocorrência, isto é, a rede de redundância é um stand-by que fica preparado para entrar no ar caso haja uma falha.. Assim, quando um servidorzinho em Votuporanga pifa, ele é isolado para conserto pela RR e todo o estado de S.Paulo fica falando, ouvindo, baixando e fazendo upload na mais perfeita ordem.
Sem rede de redundância, um servidorzinho em Votuporanga pifa e todo o Estado de S.Paulo fica surdo, mudo e cego. Foi o que aconteceu e eles expediram um comunicado botando a culpa em quem? – NOS HACKERS, Gentiboa!!!!!- Acredite nisso. E isso vai colar para a ANATEL, aposto.
Já a VIVO e a TIM disseram que foi “uma pane no sistema”(sic). Acho engraçado é que as caras sem-vergonha não ficam vermelhas.
Vamos mudar um pouco de ares? Nos EUA, a AT&T avisou aos usuários que não vai mais permitir redes P2P no seus sistema. Quem quiser compartilhar arquivos de texto, áudio e vídeo que procure outra operadora. Os entendidos assinalam que isso deve estar acontecendo devido a ela(AT&T) estar fazendo uma promoção, distribuindo Netbooks entre os usuários recém- assinantes. É possível que sim, pois as novas regras foram baixadas no dia dois de abril passado, justamente no início da promoção.
Na Alemanha, a operadora T-Mobile proibiu o uso do novo aplicativo Skype, que permite aos celulares aderirem ao VOIP. O aplicativo, que teve três milhões de downloads durante a semana passada, está sendo acusado de “instabilidade técnica”. Engraçado é três milhões de usuários gostarem de conexões instáveis, num aplicativo que quem sai perdendo é a operadora e mais ninguém. Dá procê essa historinha?
O encerramento será com música, exclusivamente música: A RIAA expediu um comunicado no qual assinala que vai processar todos aqueles a quem ela considerar culpados de pirataria. Sejamos eu, tu, seja o rabo do tatu. Assim falou Zaratrustra e, inté. Feliz Páscoa. Essa história de coelhinho é que não cola. Hugh Hefner está certíssimo. As coelhinhas dele dão de dez em qualquer coelhinho Garoto.
Trívia do BLOG: O que é que você gostaria de desembalar e comer nessa páscoa? Uma coelhinha da Playboy ou um coelhinho da Garoto?

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A Passion Play

“Sexta-Feira da Paixão
Eu comi carne de bode
Cada um faz o que pode
A Deus eu peço perdão”
Com essa estrofe contida num clássico de Zito Borborema e seus Cabras da Peste, dou início a mais esse post sem compromisso, sem lenço,sem nada disso e até sem documento.
De vez em quando viro poeta e saio versejando/ as letrinhas arrumando/ prelas ficarem ordenadas e bonitinhas na minha poesia de pé quebrado.
Meu texto vale tanto quanto dez réis de mel coado. Portanto meu sexto sentido assinala que quando abro a mala das idéias saem barulhos, ruídos, onomatopéias e muita confusão sonora, que me traz a rima em cima da hora, como numa biblioteca computacional, com todas as Dlls a disposição do programador, que encaixa o implemento ao seu dispor no momento certo.
Escrever assim parece ritmo de música, que nem aqueles blues de doze acordes que eles levam lá e o pagode com refrão que toda mesa de boteco tem uma meia dúzia de 3 ou 4, batendo com a mão e derrubando a cerveja do copo, num ora veja de clichês e nenhum ritmo, tudo desafinado.
As vezes me machuco e termino inopinada a frase dum poema que assino, seja nome ou pseudônimo, nome de guerra ou apelido, escondendo o meu eu para uma eternidade de momento, tendo no pensamento a cidade e a idade do encantamento, na falsidade de uma rima quase áurea mas fictícia.
Escrevo que nem alfaiate do primeiro ano. Eu digito e erro. Ele pega na tesoura, saicortando o pano, faz o molde e depois passa a ferro, engomadinho. Fica tudo vincado no cálculo enquanto meu texto sai calculado e frio(brrrrrrrr!).
Amanhã eu volto quente e rente, com muita coragem para falar bobagem. Hoje não que é sexta-feira, meu final de viagem semanal. Ponto final.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O Banquete de Platão

O Banquete de Platão acontece dia 16 no Canecão. Pode não ser lá nenhum Fórum Atheniense o palco para esse banquete, nem vai se falar de Sócrates nem Glauco estará presente. Quem possívelmente poderá estar presente é o Marcio( Greyck – avisei ele ontem do lance!) para ver e ouvir o Platão dar sua interpretação para o clássico da MPB “É Impossível Acreditar que Perdi Você”. Eu também gostaria de estar lá, mas não posso deixar minha mulher sozinha aqui em BH.
Toni Platão é o tricolor no preto e no branco. Canta legal e seu ecletismo vai do Márcio citado acima a um Fausto Fawcett- Pejóta de espírito e também tricolor de alma. Que nem Toni Tornado, Meu irmão Marcelo e a Carol minha cunhada. Acredito que todo mundo vai estar na platéia para ouvir o Toni botar pra quebrar naquele vozeirão que ele encarna de forma lírica e com muita paixão.
Conheço o Toni desde o Hojerizah. Desde a época em que ele tinha uma Les Paul preta, esmurrada condignamente pelo Flávio Murrah. Conheço ele do boteco ao lado de onde eu morava. Ele com a galera, os papéis de mil e eu machucando as carnes das empregadinhas domésticas, entre quantidades industriais de Vodka e jogando conversa nos pés dórêia, com temas baseados em baseados.
Ê tempo bom aquêle, né mêrmo? E o Toni foi crescendo musicalmente e hoje , querendo ou não em sua realidade, tá estabelecido em seu nicho na música carioca. Toni faz parte do povo que inclui Tim Maia, Lulu Santos, Melodia, Martinália, Jorge Benjor, Dalto e muito mais gente, fazendo música que é a cara do Rio de Janeiro. Tão cariocas quanto meu Mestre Fuleiro, fundador da bateria do meu Salgueiro. Que o Toni ocupe o lugar que ele merece, tão bem descrito naquele DVD.- Toni, um abração procê e que tudo corra bem, maninho!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dentro da Tour “Kiss se foda”, o Kiss se apresenta hoje na Apoteóse. A banda se apresentou no Brasil pela última vez ontem no Anhembi. Antes disso, foi em 1998, durante a turnê do álbum 'Psycho circus' (último disco de inéditas da banda).
No ano passado, o grupo – que atualmente conta apenas com o baixista Gene Simmons e o guitarrista Paul Stanley da formação original – lançou o ao vivo 'Kiss alive 35'.
Mostrando que não é mais aquele, o Kiss teve menos espaço na mídia que o Big Brother Brasil 9 e a proibição do fumo nos lugares fechados de S.Paulo.
Mesmo assim, segundo o “Estadão”, uma hora antes do show o público já entupia mais de metade da arena do Anhembi, acontecendo de tudo com a presença de todos. Até o “Pânico” foi lá para fazer gravação com a Sabrina e um monte de muié pelada.
Eu não pagaria dez réis de mel coado para estar presente. But..........
Continuo achando que essas tour caça-níqueis não valem a pena para quem realmente é fã do artista em questão e , na verdade, presencia o crepúsculo da divindade, pois nada é como antes e, ainda mais, quando o próprio “deus em questão” já não está mais naquele olimpo de tão defasado pelo tempo. Um exemplo foi a Tour do Police. Outro foi o Duran Duran e a do B-52´s vai pelo mesmo caminho. Ouvir o disco é uma coisa. Ver ao vivo é outra e não há recordação que preencha a lacuna que o tempo pode causar em todos os aspectos. Vide Mick Jagger.

terça-feira, 7 de abril de 2009

KISS SE FODA!

Faltam exatos 23 minutos para que o Kiss pise no palco do Anhembi. Tem gente que gosta daquilo e eu, dentro da minha predileção por faixas, tenho algumas no meu player de músicas antológicas. Dentre elas, “Detroit Rock City”, “I Love it Loud”, “Do You Love me”, só para citar as três primeiras que me vieram a cabeça.
No mais acho o grupo uma tremenda forçação de barra e que só se manteve em evidência exatamente devido às fantasias, pois farofa por farofa,o Deff Leppard e o Aerosmith dão de dez a zero neles. Nem os discos ao vivo resistem a uma análise. É muito furo junto num repertório que eles, obrigatoriamente, deveriam tocar até de trás pra frente se fosse o caso.
Pra mim, Um kiss entre lésbicas e uma foto da Cássia Kiss dizem a mesma coisa que um pôster do grupo. Tudo encenação. Eu acho muito mais legal assistir ao “Gene Simmons Family Jewels” do que ir ver a galera soltar fogo pela boca e dar tirinho de canhão. Pra mim já era, moro? Não tenho mais estômago pressas falsidades.

Tecnologia também é POP!

A Ericsson divulgou nesta segunda, 6, o resultado de uma pesquisa realizada por sua área Ericsson ConsumerLab sobre consumo de TV - fixa e móvel - entre os usuários. O estudo é intitulado "IPTV e a Nova Casa".
Segundo a empresa, que desenvolve produtos e serviços na área de IPTV, o estudo teve como público-alvo usuários de alto padrão socioeconômico, basicamente classes A e B, no caso do Brasil.
A pesquisa aponta que as demandas por novos serviços e funcionalidades são muito mais altas no Brasil do que em outros países. Em alguns casos, quase 100% da amostra acharam que os novos serviços deveriam ser muito interessantes.
Uma porcentagem de 94% da amostra deseja mostrar suas fotografias digitais na TV, enquanto 93% apreciam a capacidade de poder bloquear canais específicos de TV para os seus filhos.
Apesar da demanda ser alta, o consumo de tecnologia aqui no Brasil ainda é baixo.Segundo a Ericsson, poucos utilizam seus sistemas de som surround para ouvir música, só o utilizando para ver TV. Muito poucos consumidores gravam programas de TV e a maioria ainda tem gravadores VHS.
Somando-se a isso, temos o chamado efeito “Blinkin Twelve”, que consiste no desconhecimento do usuário em como programar os aparelhos, seja por deficiência tecnológica ou de língua inglesa. O “blinkin twelve” é devido aos mostradores, de forma específica, mostrarem sempre meio dia como hora e zeros nos outros numerais.
Mais tecnologia: A CNN criou um concurso internacional para vídeos gravados com câmeras de celulares. As inscrições para o "Screening Room Mobile Phone Movie Competition" poderão ser feitas até o dia 25 de maio.
A duração máxima de cada peça inscrita é de cinco minutos e precisa necessariamente ter sido gravado a partir do celular. A edição, contudo, pode ser realizada em um computador.
A inscrição é feita através do canal da CNN no Youtube, enviando o filme como resposta ao vídeo que apresenta o concurso. O endereço é http://www.youtube.com/cnn
O vencedor será exibido no website do programa dedicado a cinema da rede, o "The Screening Room". Existe também a possibilidade de o filme premiado ser exibido durante a transmissão do programa na TV.
Os festivais já existentes não exigem que o filme tenha sido gravado a partir do aparelho. Esse é o caso do norte-americano MoFilm Festival e do brasileiro Cel.u.cine. Neles, basta que o filme seja curto, podendo ser exibido em um celular em si.
Tão vendo? Nem só de música vive o pop, que, aos pouquinhos vai aderindo a convergência digital e mostrando que ser mais pop é possível. O Radiohead e o Coldplay já aderiram a ela, da mesma forma que o Foo Fighters. Agora, basta apenas alguém das gravadoras dar um basta no estado de coisas deprimentes que vêm ocorrendo no setor para que a convergência seja uma realidade na Industria Cultural que sempre teve e sempre teá mais apelo que as outras: a música!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O Profeta do Punk

No próximo dia 15 vão fazer oito anos que Joey Ramone morreu, depois de uma luta inglória de seis anos, contra um câncer linfático arrasador. Joey e seus companheiros de Ramones são os reais pais do punk e o rock deve a eles bem mais do que a Kurt Cobain, que, em minha modesta opinião, não passou de um suicida de merda.
Os Ramones lideraram, via o CBGB de Nova Iorque, a vertente norte-americana do punk, com suas canções pulsantes e instantâneas, bem ao estilo “nada além de três minutos”. Seus dois primeiros álbuns levaram a todos os quadrantes do planeta o brado “Gabba Gabba Hey”, conseguindo anarquizar tudo e todos, de um modo completamente avassalante. As versões deles para “Lets Dance”, “Needles and Pins” e “Surfin Bird” estão para o rock da mesma forma que se rotularia uma regravação pela banda de pífaros de Caruaru das quatro estações de Vivaldi. Non sense total.
Outra marca impactante no Rock foi o encontro entre Ramones e Phil Spector, que teve como resultado um dos álbuns mais brilhantes do rock básico. “Rock and Roll Radio” é algo indelével e impossível de apagar da memória, tendo quase o significado de se perder a inocência, pois depois de perdida, nunca mais se voltará a ela. “Rock and Roll Radio” é isso em todas as suas faixas.
Assim sendo, os fãs que me desculpem, mas, na minha visão, Kurt Cobain passou em branco pela cena e 15 anos sem ele não significam porra nenhuma. Fui ver a apresentação do Nirvana no RJ e o que eu assisti foi a um dos grandes vexames que alguém possa dar em cima de um palco.
Para mim, os 15 anos sem Kurt Cobain tem o mesmo significado que a Malluh Magalhães morrendo amanhã duma complicação advinda de uma cirurgia de hemorróidas. Falei e ponto final.

domingo, 5 de abril de 2009

Ser ou não ser Pop?

O pop não é música, nem texto, nem imagem. O pop é cultura. Multimídia. Ainda mais hoje que a multimídia não é mais uma ficção. Ela é uma possibilidade acessível a quem quiser transar com ela.
A arte popular hoje passa pela tecnologia. Passa pelo editor de imagem, pelo Sampler e pelo processador de texto, gerando processos, inventando-os ou re-inventando tudo a gosto do artista.
Se antes tudo tinha que ser concreto e palpável, hoje o virtual é mais que uma questão de ordem. Tudo pode ser exibido na rede- a pele que cobre o mundo, levando dados de uma máquina computacional para outra, que, em suas metamorfoses podem ser monitores, terminais, receptores ou emissores. De dados, de cultura, de entretenimento , de coisa séria ou de simples passatempo.
Nunca a humanidade se divertiu tanto como nesse milênio no qual a revolução tecnológica engatinha. As artes exploram os sentidos, que agora incluem entre eles a interação. Nada mais se processa num só sentido. Tudo tem mão e contramão. Dois sentidos. Vida dupla e mais que uma intenção.
Não se sentir pop e se sentir numa ilha, a milhas e milhas daqui. O daqui é qualquer lugar que escolhamos para base. Nele somos o centro do universo. Andamos para frente e para trás. Temos liberdade de ação, expressão e opinião. A tecnologia nos dá acesso ao discurso e nos transforma em veículos de um homem só.
Viver o pop é viver a própria existência, numa massagem de ego comparável e comparada a qualquer atividade. Os nossos 15 minutos de fama viraram a eternidade, armazenada em diversas formas de mídia- da impressa a magnética. Seremos sempre o que queremos ser. Únicos e indivisíveis. Para um domingo cinza, chega de filosofia barata. Até amanhã. Pode ser que eu volte com música. Pode ser que eu volte com mais filosofia. Num jogo de palavras barato e obsceno, é fácil confundir a obra do mestre Picasso com a pica de aço do mestre de obras. Essa é a dúvida.

sábado, 4 de abril de 2009

Mucho, pero no Cult!

Eu já falei aqui algumas vezes que eu nunca gostei de Elvis. Na verdade, não sabia qual era o apelo que ele tinha, já que seu rebolado eu achava meio gay. O mesmo aconteceu com Marlon Brando, que não me disse nada até “O Poderoso Chefão”. James Dean? Para ser sincero eu vi “Vinhas da Ira”( acho. Não sei se foi ele) e chega. Sua morte ao volante de um Porsche RS61 foi bem mais significativa que seus três passos por Hollywood.
Na verdade, o mix cultural da minha infância tinha grandes doses de rádio, pitadas de TV e alguma coisa impressa, como “Radiolândia”, Revista do Rádio”, “Revista do Esporte” e uma coisa que tentaram reviver nesse milênio, mas que não teve o apelo que tinha na minha época – Os álbuns de Figurinhas!
Os melhores eram os da Editora Vecchi- que possuía no catáologo os clássicos “ A Locomoção Através dos Tempos”, “Rodas, Velas e Asas” e “Animais Selvagens”. Esses eu tenho completos e guardo a sete chaves.
No final dos anos 50 apareceram os álbuns com “figurinhas premiadas”- as carimbadas e difíceis de serem conseguidas. Eu consegui-a duras penas- completar o “Titulares do Futebol”, que tinha como carimbadas Oreco(Corinthians), Américo(Palmeiras) e muitos outros desconhecidos, num sortimento completamente diferente da seleção que tinha ganho o campeonato na Suécia um ano antes!
No disco, aconteceram certas semelhanças com esses álbuns de “figurinhas premiadas”. Os lançamentos variavam ao gosto da Direção Comercial das gravadoras que, quando cismavam que uma coisa não ia vender, era um santo sacrifício a Produção Internacional conseguir lançar.
Exemplos? Cream: na época certa teve apenas dois elepês lançados: O “Disraeli Gears” e o “Goodbye”. “Wheels of Fire” não foi lançado porque era……duplo! “Derek & The Dominoes” foi reduzido a single, da mesma forma que “Tommy”(The Who- o original). As desculpas não existiam e como o Brasil era um bom mercado, as direções daqui não eram obrigadas a dar explicações à matriz.
A discografia dos Beatles em catálogo só foi unificada à Britânica no final dos anos 70. O mesmo aconteceu com a dos Stones, já que-até 74- o que havia era uma mistura entre os lançamentos da London(EUA) e Decca(GB).
Muito material importante do Rock Inglês não mereceu a atenção das subsidiárias locais das gravadoras que os tinham sob contrato. Exemplos são vários, a saber- Manfred Mann, Kinks, Spencer Davis Group, John Mayall Bluesbreakers, Pretty Things, Dave Clark Five, Swingin Blue Jeans e Them. Para se ter uma idéia, “Baby Please Don´t Go”(Them, sucesso em compacto de 65 chegou ao Brasil via o filme “Good Morning Vietnam”. Querem mais?

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Cult Pero no Mucho!

Ontem o Telecine Cult projetou o filme bio-tributo de Bob Evans, que bem podia ser um Remembers(conta tudo) daqueles, mas que, na verdade, contou só as coisas boas, um declínio perigoso( o fascínio pela coca) e uma crise de depressão braba. No mais, todo o roteiro é uma elegia ao famoso “trabalhar-naquilo-que-gostar-e-ficar-rico”.
Para quem não sabe, Robert Evans foi um dos grandes executivos da Paramount por mais de 30 anos e teve a seu cargo produções como “O Poderoso Chefão”, filme pelo qual trocou Ali McGraw pelo Oscar e esta foi parar nas mãos de Steve McQueen. Na minha visão, foi uma boa troca. Na tua não tenho a mínima idéia.
Como sempre acontece, o grande erro de Evans foi a cocaína. Numa Hollywood fingida e cruel, sua dançada lhe fechou todas as portas. A recuperação aconteceu e os amigos( Jack Nicholson é um deles) lhe prestaram um auxílio luxuoso no sentido da recuperação.
Na verdade, todo esse nariz de cera acima serviu para introdução num assunto delicado: Trabalhar naquilo que se gosta. E conseguir viver disso. Tiro isso por mim. Trabalho fazendo o que eu gosto e dinheiro que é bom, neca de pitibiribas. Só ganhei dinheiro na época áurea da Antena 1. Vivia despreocupado e consegui não juntar nada. Torrei tudo.
Não vou dar uma de fanfarrão e proclamar que não me arrependo disso. Na verdade, se eu tivesse um pouquinho mais de cabeça, teria hoje uma casa própria da forma que eu sempre desejei e uma folga financeira que me permitiria gastar com o produto que mais admiro: cultura.
É duro entrar numa livraria como a Travessa e não levar tudo aquilo que deseja. Como é duro ir até a Modern Sound e sair com três Cedes. Nunca fui chegado a roupas e outros adereços corporais. Sou capaz de usar a mesma camisa durante seis anos. Tenho calças velhíssimas e jurássicas. Todos os meus sapatos são do período cretáceo e minha carteira de dinheiro e documentos presenciou a descoberta do fogo.
Minha grande diversão é reouvir e reler, já que a última coisa nova que passou pelos meus olhos foi a trilogia suja de Havana. Um dia eu ganho na Mega-Sena e aí vai ser difícil. Se eu não enfartar com a notícia, a lista de coisas a serem feitas já tem três folhas manuscritas. Um dia eu falo dessa lista.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

The Song Remains the Same

Eu sou quatro anos e 26 dias mais velho que o Rock and Roll. Sou partidário da corrente que diz que o RnR nasceu no dia 14 de abril de 1954, quando Bill Haley entrou num estúdio de gravação e, em três takes, gravou a canção antológica que viria a ser o tema principal de “Blackboard Jungle”.
Nesses 55 anos de idade, o ritmo virou coisa séria, com muita gente ganhando dinheiro com ele ou se apropriando de alguma característica que ele tenha apre$entado em termos financeiros. Até eu consegui uma graninha. Pena que eu torrei ela toda em sexo, drogas e mais rock and roll, não necessáriamente nessa ordem. E, analisando os termos quantitativos da torração, eles foram igualitários, isso é, quando um já era os outros também foram, já que o trio não conseguiu viver separado nesses últimos 54 anos, não é verdade?
Os exemplos são vários. James Brown, Chuck Berry e Jerry Lee- os três- foram condenados por abusar sexualmente de menores. Eu também abusei, mas com 18 anos de idade, só ia ter meninas de 15/17 anos no meu pé e, sinto em dizer a todos, não me fiz de rogado. Bom demais!
Com a primeira grana que eu ganhei tocando, a primeira coisa que fiz foi entrar em duas lojas e comprar, na primeira, uma Yamaha RD75- que andou até cair pedaço. Na segunda comprei um rádio SONY de três faixas que está comigo até hoje.
E o tóxico pode se revelar nessa droga de vida que levo até hoje, escrevendo texto, gravando vinheta, montando trilha e redigindo roteiro, desenhando story board, arte final e por aí vão. Mas, acho legal e, apesar da mulher reclamar e da mãe achar que eu sou vagabundo, o fundo resultante vai dando para viver pelas quebradas. Long Live Rock and Roll!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Essas são as novidades

Booker T Jones, 64 anos de idade, famoso pelo Booker T e os MG´s está de volta. Sua nova banda, bem ensaiada e com CD previsto para estar na praça no próximo dia 21 chama-se “Drive-By Truckers”. Outra novidade da coisa é que Booker T agora toca guitarra! E tão bem quanto o órgão da época dos MG’s. Mais uma surpresa? Ta bem: Neil Young toca guitarra em nove faixas. E, como os álbuns clássicos do “Booker T & MG´s”, o lançamento é totalmente composto por instrumentais.
“Potato Hole”( título do CD) é o primeiro trabalho inédito de Booker em duas décadas e conta com o auxílio de outros MG´s, que “só serão revelados pelos créditos publicados no livreto do CD”, diz o artista.
Depois de uma reunião em agosto de 2008, os membros sobreviventes do Bad Company original- Paul Rodgers, o guitarrista Mick Ralphs e o baterista Simon Kirke, vão se juntar para uma tour de dez shows no próximo verão norte-americano.
Aproveitando o ensejo, eles lançarão o DVD “Hard Rock Live”, gravado na reunião de agosto passado. O baixista contratado para o novo evento é Lynn Sorenson, que acompanha Rodgers em sua banda enquanto Howard Leese, o baixista do Heart, ficará encarregado da guitarra base. Para quem não lembra, Boz Burrell, o baixista original da banda, morreu em 2006. Os shows serão abertos pelo Doobie Brothers.
Também para este mês está previsto o lançamento do novo trabalho de Bob Dylan.