quinta-feira, 31 de julho de 2008

Tok, Stok & Rock

Cultura é um negócio muito chato de se lidar. Depois da frase de Hermann Goering, quando Ministro do Interior da Prússia, que disse “Toda vez que ouço a palavra cultura me dá vontade de puxar um revólver”, ninguém da elite mostrou mais sua aversão em “iniciativas” desse porte. Já seu colega de Ministério no Reich, Joseph Goebbels, quis, ao lado de Alfred Rosenberg( outro coleguinha!) refazer o conceito de cultura, usando a propaganda para tal. A coisa funcionou por 12 anos, com alguns explorando a nação alemã em proveito próprio, levando- a aquele estado de coisas em que ela se encontrava em abril de 1945.
Depois entrou em ação a guerra fria de um lado e a dita pax americana do outro. Esta última trouxe a massificação cultural e novas formas de se ganhar dinheiro com cultura ou então explora-la em proveito próprio. Com ela, o conflito de gerações, antes sufocado, ganhou sua linguagem de expressão: o rocknroll, que, com,o não podia deixar de ser, também foi e ainda é explorado por uma porção de gente em proveito próprio. Nesse ponto, o Coronel Tom Parker manda lembranças, junto cuma porção de Brasileiros não muito bem identificados. Até o Flávio Cavalcanti ganhou grana quebrando 78RPM de Rocknroll!
Aí, fiquei dando tratos a bola de quanta gente já explorou em proveito próprio o Rock and Roll desde que eu entrei na mídia e me lembrei de tanta coisa que passou, que é um assombro ver quanta gente faturou com isso e hoje nem deve mais lembrar da coisa. Ninguém deve lembrar da “toca do rock”- uma armação do Willer Butica num subsolo do antigo cine pax, na praça da paz. Lulu, Lobão, o Rock Ebó, Sergio Bandeira e muito mais gente se apresentou lá, levando canos tremendos, já que o Butica nunca foi bom de pagar.
Já que estamos falando em Rock Ebó, a Ana Maria Vale continua até hoje vagando por Ipanema, completamente doidona e tatuada, como se fosse a mulher de branco fantasma. Ana foi a primeira vocalista que eu vi fazer topless e, na época da coisa, ela dava um caldo. Hoje, ta véia, desidratada(maracujá de gaveta perde) e sem falar coisa com coisa. O restodo grupo(Carleba, Perinho Santana, etc) deu as de vila Diogo. Carleba(dizem!) morreu de overdose há mais de uma década e nunca mais tinha pego numa bateria.
Outra coisa que quase ninguém deve lembrar é da pedreira que havia onde hoje é o shopping Leblon. Tirei lá fotos junto com Paulo bagunça o Osvaldo para a antiga Rolling Stone. A foto saiu no almanaque dos anos 70.
Outro que continua vagando por Ipanema é o Carlinhos Verdade, autor das canções menos politicamente corretas que conheço e que devem matar de raiva feministas e o movimento negro, não necessariamente nessa ordem. Uma das letras do Carlinhos diz que enquanto os negros levavam porrada nos pelourinhos, as negras davam pros senhores brancos no sentido de escapar da pancadaria e viver numa boa, numa sacanagem generalizada. Todo domingo, Carlinhos passeia pela orla vendendo seus CDs gravados em fundo de quintal.
Marinaldo Guimarães morreu. Marinaldo foi um dos líderes da revolta dos sargentos, em Brasília e, no início dos anos 70, reformado, era empresário do “Módulo 1000”- um grupo de rock progressivo, integrado pelo Candinho, Luiz Paulo Simas( que mora nos EUA), Daniel e um guitarrista que eu não lembro o nome, mas não era lá essa virtuose nas seis cordas. Luiz Paulo é autor do “plim-plim” global e faz hoje uma música meio-eletrônica, meio barro e meio tijolo, do mesmo jeito que era o rock do Módulo.
Outro desaparecido é Luiz Carlos Cabral. Cabral era de “O Sol” e depois foi da Rolling Stone. Nos anos 70 esteve na Globo e protagonizou o lance entre a Globo e o Brizola- na qual a emissora estava informando errado a apuração das eleições, como um dos editores do “Jornal Nacional”. Nunca mais.
Outro que tava desaparecido para mim , mas não para todos era o Cláudio Carvalho, que eu não via desde a época da Warner, lá na avenida Paulo de Frontin. Descobri que ele tá vivinho porque seu nome integra a lista de investidores do Opporttunity que o Paulo Henrique Amorim divulgou. Cláudio era gente boníssima e fez de tudo para me colocar na promoção da gravadora, mas eu ainda era meio metido a certinho e, se ele apostasse neu, ia dar a maior merda. Eu não tava preparado para o jogo. Seis anos mais tarde eu aderi e consegui agüentar nove meses. Já tava meio errado, mas não totalmente corrompido. O que fazer, né?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Banana isn´t my business

Realmente os tempos mudam e a gente vai vendo que quem não se adapta a novidade, dança. Em São Paulo, não se compra nem se vende mais uma dúzia de bananas. Ron Wood está internado numa clínica de desintoxicação alcoólica. Bob Dylan vai lançar um álbum quádruplo de vinil(É!!!!!)e , com a possível aprovação do PL do senador Eduardo Azeredo, as gravadoras poderão investir contra os usuários que trocam mp3 pela rede.
Pelo PL do Senador Azeredo, é ele(senador Azeredo) que vai dizer o que é o bom uso de um computador, sabiam? Quem descobriu isso não fui eu não. Foi o Sergio Amadeu, lutador pelo Software Livre e mantenedor de um blog sobre o assunto. Falando em software livre, pelo PL do senador Azeredo só é possível ao internauta usar como browser o Internet Explorer. Qualquer browser que desrespeite as regras de segurança – como o Firefox- é considerado contra a lei. E ainda tem gente que vêm em defesa, como o senador petista Aloísio Mercadante, num caso explícito de corporativismo.
Quem deve estar batendo palma com as nádegas diante desse projeto é a indústria fonográfica, já que o retrocesso causado pelo PL vai ser tal que todos os privilégios de seus executivos serão mantidos mais alguns anos, caso ele seja aprovado.
Por um bom tempo eles fugirão de auditorias feitas pelas matrizes, como foi o caso da EMI, que submeteu a subsidiária tupiniquim a uma devassa digna daquela que condenou Tiradentes. Descobriu trambique em cima de trambique e, ao demitir toda a diretoria, deu satisfação aos acionistas que queriam lucro verdadeiro em vez de lucro ficcional.
E essa idéia de Bob Dylan de lançar um álbum quádruplo em vinil? Segundo release da gravadora, o lançamento vai trazer muita coisa inédita- gravada entre 1989 e 1997. A maioria deve ser daquela fase “Tim maia” de Dylan- quando ele se converteu religiosamente pela enésima vez- oscilando entre catolicismo e judaísmo que nem meu sobrinho de cinco anos oscila entre Flamengo e Botafogo. Falando em Dylan, quem lançou memórias foi a Suze Rotolo, primeira mulher dele, ainda nos anos 60, e que segurou a barra do acidente de moto que quase o matou. O livro já virou best seller e, ao que tudo indica, vai chegar ao top first. É ela que aparece na capa do “Freewheelin Bob Dylan”.
Nota: eu escrevi senador com “s” pequeno propositalmente, numa paráfrase ao que Victor Hugo fazia a Napoleão III, que gostava de ser chamado de “Le Grand” e o escritor só o chamava de “Le Petit”. Eduardo Azeredo nunca será um Senador. Será sempre um senador. Além da história do mensalão mineiro, ele é um cagão medroso, que fugiu de BH quando governava MG, com medo do motim da PM da qual ele próprio era o comandante nominal.Aargh!

terça-feira, 29 de julho de 2008

Badalhoca Musical(O balanço da bos(t)a)

E continuam as comemorações de meio século do primeiro grande movimento brasileiro de música colonizada- a bossa nova. Hoje, o site do Estadão vêm até com matéria da Reuters, acreditem!- é botar muita azeitona numa empada completamente xôxa e que vêm vivendo de reprises há mais de uma década, né mesmo?
Os defensores, críticos e em especial o sr. Zuza Homem de Melo que me perdoem, mas a colonização é patente, mesmo no banquinho e no violão. No meu entender, a música mais importante do movimento é "influência do jazz"(pobre samba meu/ foi se modernizando, modernizando e se perdeu- e foi isso mesmo que aconteceu!). Mais influência que piano, contrabaixo e bateria? E a batida de "Mr." Machado(era assim que Edson Machado gostava de ser chamado)?
O que eu acho mais assim é aclamarem João Gilberto como gênio, quando, numa visão mais crítica, gênio mesmo era o Tom Jobim- que fazia a música de fato. Todo o repertório considerado genial da coisa é dele com o Newton Mendonça ou o Vinicius. Num segundo escalão vêm o resto e, mesmo assim, a escolha tem que ser criteriosa, pois o que existe de lixo é inenarrável.
Na minha visão crítica, a bossa-nova é sintetizada em uma faixa: a versão de "Ela é Carioca", gravada pelos Cariocas- que souberam, como ninguém, explorar tudo que o gênero ofereceu, gravando inclusive as vinhetas para a fase áurea da Rádio JB AM 940Khz- a rádio mais carioca(vale o trocadilho!) que já existiu, com música e informação. Se nunca houve uma mulher como Gilda, nunca houve uma rádio como a JB.
A bossa nova pegou porque tinha a proteção da intelectualidade e da crítica de artes de então. Senão, ia acontecer com ela o que aconteceu com a maioria das manifestações feitas fora dos parâmetros traçados por aqueles que gostam de falar das artes: a estante mais próxima.
Trocando em miúdos, Sérgio Porto ou seja lá quem for que falou a frase tava certo: Bossa Nova era apenas uma maneira de se tocar samba. E ela não era a primeira a sofrer com a colonização. Pixinguinha também tinha passado por isso.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Essa é que é a Novidade!

A tecnologia realmente é muito difícil de encarar, né mesmo? No momento em que digito esse texto, eu experimento meu projeto de rádio hitech second, dentro do formato AC, com tricas, sempre abrindo com uma instrumental, uma nacional no meio e fechando cum flash daqueles inesquecíveis, todos middleware anos 70/80.
Ontem , mais que cansado depois da última praiosa por algum tempo, já que vou para BH dar um trato na minha mudança definitiva, eu tava pensando nessas coisas. – Quando que, no século XX eu ia pensar numa coisa dessas? Trabalhar com trilha sonora experimental? E ainda mais ajustando- a num computador multifunção!
Todas as duas emissoras, hitech 1 e hitech 2, estão utilizando arquivos mp3 oriundos de duas fontes: o http://music.download.com/ , que é de onde sai o playlist- com arquivos cedidos para downloads pelos artistas novos e a minha antiga discoteca de vinil, a qual estou digitalizando passo a passo e já extraí 1290 faixas tocáveis em qualquer época. Têm coisa que gravadora nenhuma vai digitalizar pois eu duvido que eles ainda tenham os masters, ainda mais conhecendo por dentro como é que eles operam.
O que não entra na minha cabeça é o porquê da indústria do disco não se reformular e se adequar aos novos tempos. É muita ganância querer manter um status que já era contestado há décadas, levou uma porrada com a produção independente, sofreu bastante com o crime organizado, o qual democratizou a pirataria antes feita internamente por executivos das empresas e levou o último baque com o mp3.
Ganância para alguns, burrice para outros, o resultado está aí. Apesar de tudo o que acontece, com a venda de CDs caindo dia a dia, eles continuam a armar barricadas, a última delas tendo na frente o PL do Senador Eduardo Azeredo criminalizando a Internet e suas "atividades ilegais". O projeto, vago e arbitrário, está sob o crivo de todos que entendem suas entrelinhas completamente retrogradas e recessivas. Só de olhar bem para a fisionomia do autor do PL, nota-se que o retrocesso não está só no PL. Está nele também. Eduardo Azeredo vai passar a história em dois momentos não muito meritórios: fugiu de BH por causa de um motim da PMMG em 1997 e agora, por tentar introduzir na rede uma reserva de mercado para as grandes corporações. Re$ta $aber o que é que ele ganha com i$$0.

domingo, 27 de julho de 2008

Momento de Reflexão

Nunca pensei que fosse chegar a isso nesse blog. Mas, como nada é impossível e a realidade sempre supera a ficção, chegamos a esta hora da verdade! Depois de assistir ontem, em sessão dupla doméstica, "Madagascar" e "Duro de Matar 4.0", completei a total sessão trash entrando num chat de lésbicas, com o nick "Tesão Incestuoso". Foi muito engraçado, principalmente quando elas descobriam que eu era homem, he!he!he!
E olha que eu não tinha bebido porra nenhuma!(parei de beber e de comer açucar depois do meu último triquetrique- isso já faz um tempo. Fiquei com a nóia de diabetes).
E acordei hoje de manhã querendo me reposicionar perante a existência. Pensei um pouco, dei uma olhada no jornal. Dei de cara com o Eduardo Kac- não sabia que ele está morando em Chicago- e, pela manchete na capa, acredito que tenha entrevista com Johnny Alf ou alguém do tipo, contando as mágoas de ter sido preterido em relação à João Gilberto. Como eu nunca fui preterido na vida( marginalizado sim...preterido? num mi lembro....), abstraí na coisa e saí racionalizando o que é que eu já preteri. Porra! A lista é grande prá caraca!
Preteri Tom Waits, Joni Mitchell, The Tubes, Talking Heads, James Taylor, Carole King como cantora, Cat Stevens(aargh!), Barenak Ladies e a maioria das bandas de heavy metal, including Sepultura, apesar de ter participado da produção do primeiro registro deles no vinil.
Na música nacional, a lista também é bem grande, incluindo quase toda a chamada jovem guarda, dois terços da bossa nova, metade da tropicália, muita coisa do rock nativo e também da música contemporânea. Exemplo? Marisa Monte – acho ela uma bosta, estilo a Maria Rita, que também jogo as traças. Já a Pitty é o maior barato. Quanto a bunda music, sem comentários.
Acho que fiz isso tudo ao deglutir a idéia de que Mick Jagger está com 65 anos e que meus ídolos estão ficando velhos, apesar desse glimmer nunca ter despertado minha adoração de fato. Gostava mais do Brian Jones como detesto Paul McCartney solo. Acho Angus Young legal e, apesar de tocar percussão um pouco, sempre sonhei em tocar guitarra – aquelas coisas, sacumé? Qualquer dia desses, repito o clichê. Gostei dele.
Nota explicativa: esse vinil do Sepultura ao qual me refiro foi gravado pela Cogumelo(BH), como prêmio de um festival de música que eu promovi na época em que eu dirigia a rádio Antena 1-Bh(1985). O lado A era o Sepultura e o B era o Overdose- as duas bandas finalistas.

sábado, 26 de julho de 2008

Happy Birthday!

Barack Obama deixa mensagem no muro das lamentações e um jornal de Tel Aviv a revela ao mundo, mostrando que seu pedido foi simples e adequado a família. A fama começa a torná-lo uma figura mais que pública e devassada. Já Mick Jagger completa hoje 65 anos e está claro que não pretende viver da fama e de sua vida devassa.. Rumores sobre um novo álbum e nova turnê mundial dos Rolling Stones chegam aos noticiários regularmente e tudo indica que sua fortuna pessoal, estimada em 225 milhões de libras não vai parar de crescer
Essa última tour, que leva a denominação de "A Bigger Bang" foi a mais lucrativa de todas as que os stones fizeram. De acordo com a sua produção, ela arrecadou 558 milhões de dólares entre 2005 e 2007.
Michael Philip Jagger estudava economia quando conheceu Keith Richards num vagão de metrô. A banda , na verdade, era dirigida por Brain Jones, apresentado a Jagger por Richards. Foi Jones que deu ao grupo o nome Rolling Stones, tirado da música homônima de Muddy Waters. Na época, só Charlie Watts vivia profissionalmente de música, tocando jazz. Bill Wymann foi o segundo baixista, substituindo Dick Taylor, que , mais tarde, formaria "The Pretty Things". O grupo tinha mais um integrante, Ian Stewart, que o deixou antes que ele fizesse sucesso.
Mick Jagger cantou uma imensa e intensa lista de sucessos, incluindo "Satisfaction", "Ruby Tuesday", "Gimme Shelter" , que se tornaram standards do rock em todos os tempos. Apesar desse sucesso todo, sua carreira de cantor solo é mediocre se comparada ao estrondo dos Stones.
Jagger já teve vários relacionamentos com mulheres de destaque, incluindo Marianne Faithfull, Carla Bruni, Linda Ronstadt, Carly Simon, Bianca Perez Macias, com quem casou em 1971 e Jerry Hall, com quem esteve casado de 1990 até o nascimento de seu filho com Luciana Gimenez. Ele já é avô. Recebeu o título de cavaleiro britânico em 2003. Apesar de estar em idade de se aposentar, tudo indica que Jagger vai morrer em cima de um palco, pois the show must go on, né mesmo? Em suma: se existe um estereótipo para o rock star, ele se chama Mick Jagger, nascido em 1943, filho de um casal classe média de Hartford, Grã-bretanha. O resto, perto dele, não passa de figuração.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

More Elmore

Estou de mudança de ares, dando um backin to the roots para BH, indo para o Adelaide, bairrozinho bem simpático, onde uma baixinha e um yorkshire me esperam. E pensando nesse retôrno, resolvi ouvir algo que não ouvia há tempos e taquei no player um CD do Elmore James que achei fora dos pacotes. Apesar de seu material ser razoavelmente igual, só mudando as letras( Zeca Pagodinho faz a mesma coisa), sua improvisação no slide é de colocar qualquer um de quatro.
A primeira vez que ouvi alguém tocando do jeito Elmore foi Peter Green , naquele primeiro Lp do Fleetwood Mac- o da lata de lixo na capa- que a CBS lançou aqui. A faixa é "My Heart Beats Like a Hammer" a qual sempre me seduziu. Depois foi a versão de "Shake Your Money Maker" da Paul Butterfield Blues Band", onde o Mike Bloomfield e o Elvin Bishop fazem o slide na guitarra em duas vozes distintas- estilo mais tarde decalcado pelo Wishbone Ash.
Apesar do slide ter ficado popular nas guitarras de Mick Taylor, Dickie Betts e Duane Allman, nada substitui o talento de Elmore, se formos usar esse clichê. Elmore James tocava diferente, e soa diferente até hoje, como um Buddy Guy menos prolixo na maneira de compor e dividir. Seu pouco material gravado e escassamente reproduzido ainda o fazem mais único, já que todos os lançamentos existentes reproduzem a mesma seleção, com diferebças mínimas. Um exemplo é esse CD da Charly Records que ouço nesse momento que digito. Só na minha coleção existem um CD e dois vinis com a mesma label copy.
A única coisa diferente que vi ser lançada em toda minha época de janela foram quatro faixas constantes da caixa CHESS BLUES e uma ou duas faixas nos álbuns duplos da série "Atlantic Blues"( Atlantic). Depois disso, nada de diferente em qualquer front.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Os primeiros serão sempre os primeiros.

Essa história de que os últimos serão os primeiros é mais conto bíblico do que lorota, já que nem na mentira isso acontece. O primeiro power trio foi o Cream, que funcionou como primeiro em muita coisa. Foi o primeiro a revitalizar o Blues elétrico(“Crossroads/ i´m so glad”), foi o primeiro a colocar peso na música(“Tales of brave Ulysses”) e foi o primeiro a gravar um álbum duplo.
Em novembro de 1968, Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker resolveram dar um fim ao trio, talvez Clapton e Baker se preparando para o vestibular do Blind Faith, no qual foram reprovados. Talvez uma briga de egos também tenha acontecido, principalmente no tocante a material, já que Clapton escrevia sózinho enquanto Bruce tinha parceiro.
Outra coisa que deve ter contribuído em muito para a dissolução do Cream foram as drogas pesadas que, à época, eram bem apreciadas pelos três integrantes. Todos os três tiveram que se internar n vezes para curar ressacas de dependências químicas(“White Room” é a descrição de uma delas).sendo que Clapton lutou mais de três anos contra a cocaína, bancado por Robert Stigwood, seu produtor e grande empresário, que acreditava em seu talento. O retôrno do guitarrista pode ser ouvido no “The Rainbow Concert”, organizado por Pete Townshend. Logo após seguido por “461 Ocean Boulevard”, gravado nas Bahamas e mostrando um Clapton completamente novo em tudo, principalmente nas influências.
No Brasil, a discografia da banda ficou incompleta, já que só tivemos direito aos “Live”, ao “Disraeli Gears” e o “Goodbye”. “Wheels of Fire” e o “Fresh Cream” ficaram na saudade, acredito que devido ao conflito de gravadoras existente entre EUA e Grã-Bretanha no tocante aos direitos de edição.
Quem conhece o Eric Clapton de hoje em dia nem dá para imaginar o “Clapton is God” dos anos 60, já que a levada daquela época parece a de um outro guitarrista. Quem não acredita nisso é só ouvir “I Feel Free”, “Strange Brew” ou “White Room”. Outra coisa mesmo.
nota do autor: Este é o post de número 200 e nada têm sido tão divertido para mim nesses últimos tempos desde que resolvi escrever sobre a música do século XX. Muita coisa mudou nesses meus 39 anos de janela ativa na mídia e muita coisa ainda vai mudar nesse frenesi onde todos dão o máximo de si. Vi três edições de "Duro de Matar" e n edições de duros de morrer, incluindo Dercy Gonçalves e, pelo visto, ainda vou assistir a muita água passar por debaixo da ponte. Acredito que a coisa mais danosa que vou presenciar é a possível aprovação do PL do Senador Eduardo Azeredo como ele está. Vou assistir a mais uma violação da minha liberdade individual, em particular, por esse janotinha a soldo da propriedade intelectual e das grandes corporações, na mais nojenta manifestação politicamente correta que eu assisto em toda a minha existência.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Traffic Remembers! (And RPM too!)

Em outubro de 68 fazem 40 anos que o Traffic lançou seu segundo álbum, que levava o mesmo nome da banda. Foi o lançamento de maior cobertura da primeira fase da banda, chegando ao nono lugar na parada britânica e ao 17º lugar nos 100 mais vendidos da Billboard. Foi nesse álbum que a participação de Dave Mason foi mais notável, já que algumas faixas são de sua autoria.
Depois de expulsarem Mason do grupo, Winwood, Capaldi e Wood começaram uma excursão pelos EUA, que durou até o início de 1969, quando Steve Winwood anunciou o término da banda e logo após a sua decisão de se juntar ao Blind Faith- ao lado de Eric Clapton, com quem já tinha feito anteriormente uma banda chamada Powerhouse( tem Lp gravado que só saiu na Inglaterra).
O Traffic restante, auxiliado por Dave Mason voltou-se para um projeto chamado Wooden Frog, do qual não existe nenhum registro. Em 1970, Winwood , Capaldi e Wood reuniram-se para gravar “John Barleycorne must Die”(“Glad”- instrumental de abertura do álbum é uma das grandes faixas que você deve ouvir antes de morrer.). E o Traffic voltou a estrada, meio ofuscado, mas com toda a carga.
A carreira de hitmaker de Steve Winwood havia começado no Spencer Davis Group, com “Gimme Some Lovin”-que lançou a vbanda comercialmente nos dois lados do Atlântico, logo seguida por “Keep on Running”. Asduas demoraram 13 anos para serem lançadas aqui, fato que aconteceu quando a recém-criada Ariola(1980) colocou nos pontos de venda um “Best of the Spencer Davis Group”- com uma coletânea dos dois álbuns gravados pela banda para a United Artists.
Já Jim Capaldi lançou-se solo, fez sucesso e até casou com Brasileira, morrendo mais ou menos em evidência. Aqui no patropi, Winwood se consolidou com “While you see a Chance”, faixa que virou até vinheta da Antena 1 RJ. Atualmente, Winwood têm uma carreira errática e lá não muito certa, participando mais de homenagens a outros do que titularizando performances, apesar de seu último lançamento ter sido bem citado na própria Billboard, há mais ou menos uns dois meses.
Todas essas lembranças vêm ao caso de se afirmar que os anos 70 não foram lá grandes coisas para o rock como atitude musical, já que todas as grandes correntes ou tendências, com exceção do punk, foram decididas nos anos 60. Na verdade, a fase áurea do rock como música nova vai da época contida entre a aparição do Mersey Beat( Liverpool) até o Haight-Ashbury time(San Francisco).
O pipoco do The Clash e o som dos Ramones são uma resposta ao Kraut Rock e ao progressivo nojento que Yes et caterva estavam sobrepondo ao backing to the roots tão desejado pelos Stones, que entra os 70 sem a força criativa de um Brian Jones morto, determinante da briga de egos entre os glimmer twins. Para “Dark Side Of The Moon” ter o destaque que têve, dá para se ver que o rock estava mais perdido que cego em tiroteio de filme de Robert Rodriguez.
Já aqui no Brasil, enquanto Beto Guedes tinha a fé cega, a censura tinha a faca amolada.
E continuando nesse "recordar é viver" de hoje, a Sony-BMG está lançando uma caixa com todo o material gravado pelo RPM, incluindo o "Quatro Coiotes", lançado há 20 anos(1988). Na caixa, além do "ao vivo" têm também o primeiro("RPM"), um CD com remixes e outros trashes, além de um DVD com pedaços do show dirigido por Ney Matogrosso. A caixa está cotada em 90 pratas.
Eu, pessoalmente, não jogaria esse dinheiro fora dessa maneira. Com a mesma quantia é possível se fazer uma excursão por sebos e levantar coisas bem mais interessantes. Exemplo? Na feira do livro que está aqui na Praça Antero de Quental(Leblon - RJ) têm uma coleção encadernada da "Hot Jazz", que vai de 61 a 62, com cinco volume, a R$15 cada. Ainda sobram 15 prum sanduiche e um suco na Poli sucos, que é logo alí.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Os cães ladram e a caravana passa!

Como já diria o velho Bob, the Times? They are a changin, man! É. Se antes você não precisava estudar meteorologia para ver os tempos mudarem, agora o lance é ser politicamente correto e estamos conversados. Estamos num tempo de censura coletiva, no qual o Orkut bane uma comunidade pela liberação da maconha, um portal discrimina um jornalista(caso do Paulo Henrique Amorim e seu “conversa afiada”) e seu presidente é chamado para dar uma palestra sobre....ética!
No campo tecnológico , os fabricantes de hardware se recusam a participar da inclusão tecnológica sob a alegação de que seus lucros estão baixando e os fabricantes de software se recusam a admitir que suas inovações não servem para nada além de tentar a aceleração do consumismo tecnológico.
Até no campo dos escândalos a mídia têm se mostrado bem comportada, tratando com o mesmo peso e a mesma medida o topless da russa que Ron Wood está machucando as carnes e a prisão do Karadzjic- o bósnio que matou e estuprou a população de seu próprio país.
Falando em novidade, hoje é a data marcada para o “lançamento mundial” do novo lp do “Cansei de ser Sexy” que, segundo a crítica, mostra um pouco mais de consistência que os trabalhos anteriores( que eu simplesmente desconheço). Desse “lançamento mundial”, as duas faixas que eu ouvi eu gostei. Achei bem produzidas e com tudo colocado no local certo. Mas, como o excesso de divulgação transforma tudo em diluição, acredito que não vai haver concentração de esforços e o CSS continuará a ser mais uma gota no oceano em que a rede transformou o planeta.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Cazuza Remembers!

Se, ao digitalizar vinis para meu primo topei com produções indigentes, nessa madrugada eu dei de cara com um dos discos ao vivo mais brilhantes produzidos aqui. Trata-se daquele Lp do Cazuza que abre com “Vida Louca Vida” e fecha com “Faz Parte do Meu Show”. Disco no qual a Síndrome de Imunodeficiência adquirida é confessada entre microssulcos.
O vinil é histórico para mim em vários sentidos, já que êle é bem melhor que o do RPM e tem momentos ao vivo ótimamente registrados, como aquele “obrigado” e o “vocês querem ouvir o quê?” na introdução de “Faz parte do meu show”. Quanto ao instrumental, acredito que “ O Tempo não Pára” foi definitivo em alguns asperctos, pois nem no ao vivo do Lulu as guitarras estão tão bem definidas.
Esse Lp é uma demonstração de que o Rock Brasileiro não foi tão indigente na música brasileira como querem fazer crer alguns que teimam nisso. Na verdade, a exploração que marchou ao lado da coisa é que gerou algumas aberrações como o “Zero” e o “Dr.Silvana”.
No rescaldo, tivemos a aparição de Renato Russo e os Titãs. Capital Inicial e Paralamas continuam a assombrar a cena dentro da quela mesma comparação já feita aqui entre o Aerosmith e os Rolling Stones. É isso.

domingo, 20 de julho de 2008

Um disco para ouvir antes de..........

Segundo meu primo Maneco, o disco que ele escolheu como o melhor que ele já ouviu foi o gravado por Sivuca e Rosinha de Valença quando o sanfoneiro voltou dos EUA em 1977 para o Brasil. Tragédias a parte, todos os dois já estão no pantheon da MPB e eu, particularmente, acho o disco muito mal produzido e com um corte lamentável para a qualidade do registro sonoro que ele contém. Se, por acaso, existe alguma transcrição digital do LP eu a desconheço. A que eu fiz passou por uma série de correções no sentido de dar uma melhorada na gravação, mas, mesmo assim, ficou bem aquém do resultado que eu desejava.
O melhor disco que eu já ouvi, na verdade, são vários. O “Out Off Our Heads”(The Rolling Stones)é o melhor da fase inicial do British Rock. O “Rubber Soul” é o melhor disco dos Beatles. O melhor disco produzido pelo Phil Spector é o “Rocknroll Radio”(The Ramones) e o melhor disco de música brasileira que eu já ouvi é o “Back in Bahia”(Gilberto Gil).
Se eu puxar pela cabeça vão aparecer uns 356 melhores discos que eu já ouvi, pois sempre algumas bolacha traz algo interessante, caso ela te pegue nos primeiros 30 segundos e você ouça ela toda mais de uma vez. Se isso não aconteceu, meu amigo, o disco é trash. Estante com ele ou então cesta seção(de lixo mesmo.).

sábado, 19 de julho de 2008

Marginália

A montagem que ilustra esse post são as fotos da capa do disco mais marginal e aclamado da história do Rock. Produzido por um marginal, ensaiado e gravado por outro marginal e sua mulher de malandro( adorava levar porrada- tá na biografia escrita por ela!) e fotografado por mais um marginal.
Esse disco("River Deep, Mountain High") vai fazer 40 anos de lançamento e, até o momento, não se produziu porraloquice nenhuma que barrase esse “Os Dez Mandamentos” do vinil. Cecil B de Mille manda lembranças, pois a produção dessa bolacha, além de cara, ficou bem aquém do que todos esperavam. Exatamente como sua paráfrase cinematográfica.
Diz a lenda que”.......corria o ano de 68,.... one day, Ike & Tina Turner passavam com sua tour pelo Fillmore West, quando Phil Spector passou na casa de espetáculos de Bill Graham para, digamos, “ver um ensaio”........Depois de “ver o ensaio”, Phil marcou uma reunião com Ike Turner em sua sala no Brill Building, alí pertinho.....dava para ir a pé......
20 gramas depois, Ike e Phil chegaram a um acordo, Ike & Tina gravariam 12 faixas. Três produzidas por Phil e nove produzidas por Ike. A assinatura da produção ficaria para Phil, que entraria com três faixas- na parceria ele, Ellie Greenwich e Jeff Barry. As outras nove seriam escolhidas por Ike.
Com o projeto montado e tudo escolhido, a Mother Bertha( empresa e editora de Phil) começou a bater as portas das gravadoras oferecendo-o. Quem topou bancar a coisa foi Mr. Jerry Moss, “Big Boss” da A&M. Ele e seu sócio, Herb Alpert, já conheciam Phil de outros carnavais e Ike era um mito. Porque não arriscar?
O agito que a mídia fez em volta da coisa parecia, guardando as devidas proporções, como se Mick Jagger tivesse sido chamado para cantar nos Beatles! A esperança era tanta que o disco saiu com um advanced de 500 mil cópias colocadas em pontos de venda por todos os Estados Unidos! Nem o “Seargent Pepper´s” fora tão badalado. A imprensa teen se dividia entre o lançamento Jimi Hendrix, o escândalo Jim Morrison e o previsível estouro de Ike & Tina Turner! Phil Spector estava de volta em grande estilo!
O rádio norte-americano estava prestes a tocar novamente sinfonias destinadas aos ouvidos de teenagers. Era assim que Phil Spector definia o material que produzia. Phil era o midas do disco. Todas as suas idéias eram disco de ouro. Até seu disco de natal vendera mais de um milhão, suplantando “White Christmas”, líder de vendagem desde 1937- seu lançamento- até 1963. The Ronettes ainda eram sucesso. The Righteous Brothers? Então?
Quando “River Deep, Mountain High” foi lançada, a resposta foi xôxa. A faixa tinha mais de três minutos- excessivamente longa para as rádios top 40. O “Wall of Sound” costumeiro de Phil dessa vez estava excessivo. Se o de “Baby I Love You”(Ronettes) transformava o estúdio em mais um instrumento musical, o de “River Deep” era uma embolada eletrônica e com excesso de reverberação. Parecia mesmo era uma orquestra pop com aparato sinfônico acompanhando alguém( Tina) que gritava no meio de uma massa sonora. A letra era muito dividida na métrica para caber na sequência. O refrão era meio confuso, com o vocal sumido dentro das cordas. Haviam refrões melhores na parada (“Light My Fire”, "Goin Back" e “Bend Me Shape Me”).
O público não entendeu bem o apelo e a faixa começou a perder a heavy rotation em execução. O New York Mining Disaster, cantado anteriormente pelos Bee Gees, acontecia um ano e meio depois com Phil Spector. Não houve retôrno de prestígio, apesar do disco ter se pago, zerando os custos de produção. O mercado esperava um grande estouro. Uma resposta pop a sucessos que o rock vinha impondo e se equilibrando como um novo hitmaker. E quanto ao posto de fábrica de sucessos, New York vinha perdendo terreno. Havia no horizonte a ameaça de Detroit, sede da Motown Records, que se firmava como uma gravadora na qual uma série de Phil Spectors negros(Berry Gordy, Lamont Dozier, Brian Holland e Norman Whitfield) faziam música para uma platéia branca que antes consumia o Phil original. O Jackson Five, The Supremmes e os Temptations reinavam absolutos.
A galinha dos ovos de ouro havia fugido do galinheiro de Phil. Sua volta não fora triunfal. “River Deep, Mountain High” foi para a estante, bem ao lado de “Pet Sounds”, da autoria de outro gênio incompreendido, Brian Wilson. Phil, acometido de depressão, faz uma temporada num sanatório, tal qual Brian um ano antes. Sem trabalho, Phil, para continuar em evidência, aceita participar como extra do filme que seu amigo e autor das fotografias de capa do fracasso, Dennis Hopper, estava produzindo em Los Angeles( Phil é o traficante para o qual Peter e Dennis vendem a heroína em "Easy Rider").
Phil nunca mais se recobrou. Tentou uma volta em “Let It Be” e depois com “Rocknroll Radio”( The Ramones). Nada aconteceu. Agora, Phil parece que vai fazer a última coisa que faltava em seu currículo rocker. Curtir uma temporada no Xilindró.
Do pessoal envolvido em “River Deep, Mountain High”, ele era o único que faltava. Todos os três( Ike Turner, Phil Spector e Dennis Hopper) podem ser considerados ao pé de Baudelaire- cuja vida pessoal nunca refletiu as possibilidades artísticas ou vice-versa, naquela contradição que o levou à total degradação e – por muito menos que o necessário – Maiakovski ao suicídio. Confusa a explicação? Tá mesmo.
Voltando a Phil, o gênio está sendo acusado do homicídio culposo de uma garota de programa que lhe prestava favores e que morreu de overdose(sempre ela!) em sua casa numa flagrante omissão de socorro. O processo está correndo e ninguém sabe no que vai dar.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Elo da Natureza

Fábio Jr. vai ser pai pela quinta vez! É isso que diz o G1 na manchete sobre entretenimento. Ser pai não é lá muito desdobrar fibra por fibra nada que interesse, mas têm lá suas compensações. Da mesma forma que Steve Tyler vai passar a história por ser pai de Liv Tyler, a nossa versão tupiniquim de pai –herói é o cara que gerou a Cleo Pires, que também dá mais caldo que 1000 pacotinhos de Knorr.
Tanto Fábio como Steve são aqueles que se mantiveram debaixo dos holofotes porque não sobrou nenhum dos contemporâneos na ativa para contar a história. Esse é o caso do Aerosmith, que sempre foi uma cópia entre as cópias dos Rolling Stones, até que todos os congeneres desapareceram restando somente ele( Aerosmith) e o original(Rolling Stones). Como obra memorável, apenas as.............filhas.
No caso específico de Fábio, ele sofreu a concorrência de Evandro Mesquita e Maurício Mattar. Só que aqui a história teve um final diferente e infeliz. Como todo mundo queria ser original, o que restou somente foram pedacinhos de carreiras, já que não há superbonder que cole os caquinhos restantes das tentativas de ser ator e/ou ser cantor realizadas pelos três. Evandro sobrevive de um passado roqueiro e Maurício? -Se como galã não funcionou, como cantor menos ainda.
Mesmo assim, Fábio é o que têm resistido as intempéries sem precisar de fazer muito esforço, já que a Hebe e outros milagres de perpetuação televisiva não o deixam em paz. Quanto a Evandro, este vai ter seu flashback no final de ano, com a biografia da “Blitz”. Já Maurício Mattar vai continuar de matar qualquer um, mostrando a decadência visível em matérias escandalosas de revistas vips para vips.
Depois disso que eu escrevi, tinha que ter uma foto- colírio que não é nem da Liv nem da Cleo. Peguei de carona no G1 e nem sei seu nome.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Discordar É Viver!

A música Billie Jean de Michael Jackson foi eleita a melhor música dance de todos os tempos pelos ouvintes da Rádio 2 da BBC. Escrita por Jackson e lançada no álbum Thriller, de 1982 – disco que é considerado a obra-prima do cantor – a faixa ganhou dois prêmios Grammy e ficou no topo das paradas em 1983.
A música de Donna Summer, I Feel Love, que chegou ao topo das paradas em 1977, ficou em segundo lugar na pesquisa. Em terceiro lugar ficou a lenda do soul James Brown com a música Get Up (I Feel Like Being A) Sex Machine, de 1970.
Eu discordo: O próprio Michael têm uma música melhor: “Dont Stop Til You Get Enough”, gravada no Lp anterior a “Thriller”. Também sou contra I Feel Love, pois “Disco Inferno”, sua contemporânea e gravada pelos Trammps dá de dez a zero. A única concordância da minha opinião fica para Sex Machine que é realmente do cacete e bem sacudida. Aliás, o negão era difícil quando se tratava de balanço, pois tudo feito por ele era bom.
Achei engraçada essa eleição, pois o listão de músicas a serem escolhidas pelos votantes foi “elaborada” por uma seleção de DJs. Essa elaboração cheira a mutreta da grossa, pois esse tipo de limitação gera nenhuma expectativa, além de servir apenas para direcionar resultados ao estilo da pergunta “De que cor era o cavalo branco de Napoleão”. Mas, como em mídia tudo é direcionado e não se prega prego sem estopa, fazer o quê?
E já que a discordância é palavra de ordem, venho aqui discordar e bater pé sobre a validade e lisura do Projeto de Lei sobre crimes digitais, elaborado por uma equipe comandada pelo Senador Eduardo Azeredo. Além de falho, incompleto e disperso, ele privilegia os interesses da indústria de entretenimento num formato mais complexo e desastrado que o atual direito autoral em vigor.
Os exemplos são vários. Pelo artigo 285, é vedado ao usuário transferir, sem autorização, material regido por coipyright ou propriedade intelectual de qualquer unidade de armazenamento existente e possível para qualquer OUTRA unidade de armazenamento existente e possível. Isto significa que, se você possuir um iPod e ele quebrar, você não poderá comprar um novo e transferir os mp3 que você tem do antigo e quebrado para o novo e funcionando. A penalidade para isso é de Hum(1) a três(3) anos de prisão, além de multa.
Mais um? Lá vai. Pelo PL, o internauta só poderá usar como browser o Internet Explorer. Qualquer outro browser que não reconheça as restrições de segurança e leia código fonte de sites e portais, é considerado transgressor e seu usuário será penalizado.
Nota zero para ele. Querendo saber mais alguma coisa sobre o projeto, clique aqui.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

50 anos de Bossa Nova!

A Bossa Nova completa meio século e, dentro das histórias que a ponteiam, vêm a tona a chatura, a ingratidão eo egocentrismo de João Giberto, a quem todos creditam uma batida diferente de violão que Garoto já fazia bem antes e uma voz definitiva que Chet Baker também já fazia antes.
Quem ouvir os 78 RPM de Janet de Almeida, gravados na Continental(“Pra que discutir com Madame”, etc) vai ouvir de onde saiu muita coisa que a “criatividade” de João Gilberto ostenta, em detrimento de Dick Farney, Lucio Alves( meu chefe na TV RIO) e Johnny Alf. Apesar das loas e boas tecidas por Ruy Castro em seu livro defintivo sobre esse gênero que cindiu a música Brasileira(“Nos Tempos da Bossa Nova”), dar tanto cartaz a essa mala é jogar para o alto a obra dos já citados acima e mais Tito Madi.
Eu, de minha parte, no que diz respeito a João Gilberto e a seu clone, Caetano Veloso( que sempre quis ser João Gilberto), faço coro com a frase lapidar de Paulo Francis, “Tá com saudade da Bahia? Volta prá lá......”
Lembrei dessa coisa toda ao ler a matéria que o “Segundo caderno”(O GLOBO) fez com Tito Madi em seus 79 anos de vida. E, para ajudar ainda mais a mostrar que esse cinquentenário de Bossa Nova não acrescenta nada, quero que o livro que o Tarik de Souza está escrevendo sobre o Samba Top saia logo. Sei que a pesquisa vai ser extensa e o texto vai ser definitivo.
O SambaTop teve, entre seus expoentes, Ed Lincoln, Orlann Divo e Pedrinho Rodrigues. Acredito que Wilson Simonal e Jorge Ben tenham grandes influências desse movimento que integrou a minha visão carioca sobre a música Brasileira.
Quanto ao Tarik, esse me deve um texto tão bom quanto aquele da caixa comemorativa da Polygram sobre Elis Regina.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Lendas, Mentiras & Estorinhas

Acho que Alice Cooper, ao instituir sua premiação-deboche “Living Legend”(à época do lançamento de “Schools Out”, circa 1971-72), nunca pensou que- num futuro distante apenas 36 anos, ele seria o único a não ser citado numa busca-google de dez webpáginas sobre o assunto.
Fiz isso agora de manhã ao descobrir que não tinha assunto e , só mais tarde- ao iniciar esse texto – é que fui realizar a associação de idéias que estava fazendo em meu caldeirão cerebro-antropofágico, já que pensei e degluti seres, lembranças e pessoas em poucos momentos de reflexão e leituras assombrosas.Tudo por falta qualificada do que fazer.
Sem pauta, lenço, sem documento e sabe-se o quê mais.... Realmente, muita indigência. Voltando ao Living Legend, pensei nas lendas fabricadas durante os anos 70 na Redação da Rolling Stone(a da Marques de Caravelas), onde Ezequiel Neves(ele próprio uma lenda viva) perpetrou resenhas, entrevistas e algo mais de bandas fictícias como Zé Pinel & A Brigada do Vício, Nilo e a Cachorrada e o Aerobu( bem antes do Aerosmith!).
A lenda se perdeu quando a Abril, na cola do sucesso da Rolling Stone, lançou uma revista-coisa chamada “Geração Pop”- destinada ao segmento jovem- que misturava hippie de boutique, bobagem, entretenimento, chiclete e Rock and Roll nas dosagens erradas. A "Amiga" era bem melhor.
A "Geração Pop" foi encarada como se fosse mais um daqueles ácidos tropicalistas bahianos(nome dado ao ARTANE – remédio que dava umas badtrips colossais) fakes que a galera tentava inventar, impingir e que se transformaram nas primeiras lendas urbanas que ouvi.
Exemplos? Fumar casca de banana dava barato, picar Cibalena, misturar com tabaco e fumar o resultado dava barato. Fazer a mesma coisa com Melhoral dava barato. Misturar Reativan com álcool, tomar um vidro inteiro de ROMILAR( tinha codeína) e por aí vão soluções que, todo mundo garantia, tinha funcionado com um amigo. Sei, por experiência própria que nada disso funcionava, a não ser causar enjôos e vomitadas daquelas!
Tive experiências psicodélicas ruins e sem desbunde, semelhantes às de Charles Bukovsky- ele em LA e eu no RJ. Acredito que as coisas aqui eram mais engraçadas, principalmente quando você pegava as pessoas na mentira e ia dando corda para ver até onde elas iam.
O Sandro Father( era assim que ele era conhecido) dizia a todo mundo que tinha ido ao Festival de Monterrey, mas em 15 minutos de conversa dava prá ver que ele tinha visto mesmo era o filme. Foi desmascarado quando o Sam Andrews( namorado da Janis Joplin) foi apresentado a ele, ele não sabia quem o Sam era nem o que Sam fazia. Outra mentira do Sandro foi a de que , um dia, saiu de Londres, veio ao Rio, desembarcou no Galeão, foi direto ao morro da Mangueira, comprou um kilo de fumo, voltou ao aeroporto e pegou um avião de volta. E tinha gente que acreditava no cara! O Capitão Moura Brasil e a Beth eram dois que, por acreditar nas idéias dele, quase piraram. O Capitão levou anos para voltar a se entender.
Ipanema era a Lenda Brasileira que o Brasil inteiro acreditava, o “Pasquim” incensava, a Rolling Stone escrevia a respeito, atraindo desarvorados e doidões aos porrilhões. E foi nela que apareceu Damião Experiença! Damião, além de não ser chegado a um banho, tinha “contatos” no planeta Lamma, falava o idioma do planeta Lamma e compunha..........em Português e na língua do planeta Lamma!
Segundo a lenda urbana que rolava em torno de D.E., Damião era filho de um fazendeiro de Itabuna(BA) e tinha dinheiro para encardir. Algo devia ter um fundo de verdade, pois Damião gravava independente e pagava tudo do próprio bolso. Só eu ainda tenho três álbuns duplos e um triplo, todos com a mesma capa e conteúdo diferente.
Não foi só Damião que apareceu. Haviam surgimentos instantâneos e desaparições imediatas. A repressão comia solta e era uma das explicações assumidas quando alguém desaparecia. A outra variava entre a magia negra e a overdose, já que foi então que a cocaína fêz sua primeira aparição contundente, só voltando assombrar nos anos 80, acobertada por um chefe de executivo que não sabia como controlar a dependência da filha.
Esse texto está repleto de lendas, mentiras e estorinhas, que já não são as mesmas e não adiantam mais, pois o pessoal de hoje está completamente à direita e pensando como nossos pais. A meca deles é Paulistana, Daniel Dantas é herói e sua prisão é coisa de um pessoal petista, que incorporou o DNA burro-esquerdizante oriundo de libertários, que educaram esses otários que hoje tentam nos crucificar, mas não tem capacidade para tal. Ainda bem!

segunda-feira, 14 de julho de 2008

O Indiana Jones do BRock ataca novamente!

A mídia ganhará em novembro a primeira biografia da “Blitz”. O título? -"As aventuras da Blitz". Escrito pelo jornalista Rodrigo Rodrigues, apresentador do programa “Vitrine”, da TV Cultura, o registro será lançado pela Ediouro em forma de almanaque ilustrado, com fotos antigas e objetos de arquivo pessoal dos músicos. Terá uma parte visual caprichada e virá recheado de boas histórias e pretensas raridades, fato difícil nesse mundo onde a previsão de Andy Warhol se concretizou.
Acredito que a “obra” vá acrescentar um nada mais ao porra nenhuma em que se resume a repetição de textos, fotos e fatos gerados pela massificação e espetacularização que atinge o planeta desde os anos 80 do século XX. Ainda mais no caso da “Blitz”, pois Evandro, Fernanda Abreu e o resto continuam aí, vivendo a onda de garotões zona sul eternos, criados num pier que nem existe mais.
Falando sobre massificação e espetacularização, as perguntas que não querem calar são: porque divulgar agora a coisa se o lançamento só acontece em novembro? Para aparecer algo que cause polêmica? Uma biografia não- autorizada? Ou só para encher o saco de ex-membros que não estão concordando com o pretenso “documento”? Será que eles vão querer lançar o livro num “Faustão” junto com a chegada de Papai Noel? Vão querer ser capa de “CARAS”(Eles merecem!)? Tanta coisa.......!!!!!

domingo, 13 de julho de 2008

De volta aos bons tempos?

A foto acima é da capa do “pau-de-sebo” que a WEA montou, em 1982, com as demotapes de alguns dos grupos do nascente BRock que integravam a programação da Fluminense FM – A Maldita. Nessa foto, dois personagens já são vítimas fatais e a maioria vítima circunstancial, já que desse caldo aí só sobraram o Kid Abelha e o Celso Blues Boy. Como soy acontecer, a batida do resto tava aguada e sem açucar. E, como nota interessante, a faixa do disco que “estourou” foi “Dá mais um”(Sangue da Cidade)- a pioneira do rock pesado nesse panorama tropicarioca da guana bay área. Carlinhos punk, o seu Dorsal Atlântica e o famoso grito “Pau no Cu de Deus!” são bem posteriores.
A respeito da Fluminense FM já escreveram de tudo, sobre tudo e ad nauseam. O mesmo acontece com o BRock – do qual a melhor literatura a respeito é a produzida pelo Artur Dapiève. Quanto a discografia, temos o “guia do CD”, do Antonio Carlos Miguel. Falta apenas a fase de transição, já que o que existe disponível no mercado sobre os anos 70 fala de tudo( inclusive música), mas só registra o que aconteceu em estúdios, omitindo as garagens da Fonte da Saudade, salas-e-quartos da Bulhões de Carvalho, lojas de shopping centers e os baseados que todos fumavam dentro das mesmas.
Registros históricos se perderam ou estão escondidos, como as fitas de Steve Winwood, Jim Capaldi, Chris Wood e Dádi(então baixista dos Novos Baianos) ou a reunião com a nata do rock carioca e Simon Kirke(Bad Co.), na qual o baterista mostrou ser um excelente guitarrista, além de espancar bem um drumkit. E o grupo que Patrick Moraz teve com Luiz Paulo, Lobão, Lulu Santos, Fernando Gama e Candinho? E os assedios insistentes de Cat Stevens, naquele macacão imundo de frentista de posto de gasolina e, tão chato, tão chato, que as pessoas mudavam de calçada quando o avistavam? E as aparições de Mick Taylor e Eric Clapton nos "Hollywood" Rocks em General Severiano? Onde estão as fitas do "Soma"? e a "Banana Euphórica"? As gravações de Áureo de Souza com o "RiffRaff"? Vocês lembram do "Urubu Rôxo"? E a "Década"( com Ronaldo Miguez - considerado então o melhor guitarrista do rock carioca!)?
Falar do pier hoje, para mim, é lembrar de letra de Paulo Coelho em música de Raul Seixas, metrificada e exata descrição da cabeça das pessoas naquele período, se isso servir como documento. Eu cobro é uma documentação, se isso for possível, já que muita gente que viveu o período está viva para contar e tem muita foto. E não sou eu o mais indicado para ouví-las.

sábado, 12 de julho de 2008

É disso que eu gosto!!!!!

Ron Wood, do alto dos seus bem bebidos 61 anos de idade, deu um tremendo pé na bunda em Jo, modelo com a qual tinha casado logo após a separação do Faces- banda que tinha com Rod Stewart e o ex-baixista Ronnie Lane, ex devido a ser portador de esclerose múltipla.
Segundo o “The Sun” de Londres, Ron abandonou um casamento de 23 anos para viver um romance com Ekaterina Ivanova- uma jovem russa de 18 anos. Detalhe: a ex, Jo, tem 53.
Ron conheceu a garçonete num bar, se encantou por ela num porre daqueles e depois, numa de suas tremendas ressacas, descobriu que estava apaixonado. Como a russa deve beber Vodka que nem eu bebo água e Ron bebe um pouco mais, os dois se tornaram companheiros de buteco, só que agora ela está do lado de cá do balcão.
Amigos do guitarrista garantem que Wood anda bebendo quantidades industriais de Vodka, chegando a tomar mais de duas garrafas sozinho e acreditam que, qualquer dia desses, ele tenha um fim semelhante a John Bonham, baterista do LedZep, que morreu de overdose etílica.
Segundo a matéria do “The Sun”, Jo Wood teria procurado a moscovita e pedido que ela deixasse o guitarrista em paz. “Não sou eu que estou tirando ele de você, mas sim ele que está te deixando”, dise ela. Ekaterina Ivanova( a russa) foi acusada de ser “bêbada e aproveitadora”. Enquanto isso, Ivanova( 18 anos) divulga suas fotos num site de relacionamento na internet e avisa aos amigos que agora é namorada de Ronnie Wood.
Essa atitude de Ron mostra que nem só de Keith Richards vivem os tablóides a respeito de escândalos cometidos pelos Rolling Stones, sejam em grupo ou em atuação solo. E, como é fato sabido, ainda deve vir muita água(ou Vodka) passando por debaixo da ponte. Na foto de hoje, você vê os três: o casal Wood e o pivô da separação.
Nota: há algum tempo atrás, a filha de Ron, então recém-casada, além de não ter convidado-o para o casório, declarou que detestava todos os outros membros dos Rolling Stones. Isso é que é bom relacionamento familiar.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Música & Revolução

Os dois conceitos andam juntos desde que a harmonia tornou-se um dos pilares da composição, transformando as peças clássicas em elaborados exercícios escalares(vide Bach). A coisa começou a pegar fogo mesmo foi no século XX, quando além da revolução interna(Satie, Ravel, Varèse e a dodecafonia), fatores externos começaram a interferir, como a gravação mecânica, o surgimento do órgão eletrônico(patente Hammond) e os vários conceitos de trilha sonora – fosse para rádio, cinema ou TV.
Mas nada mexeu tanto com todo o universo musical como a revolução tecnológica que estamos atravessando e que, pelo andar da carruagem, se encontra muito longe de terminar, já que a todo momento, algo se modifica dentro daquela concepção de que a queda de uma geleira no ártico determina uma tempestade de areia em Atacama.
Um dos grandes exemplos dessa loucura interpolada é o .mp3 . Essa não-patente determinada pela GPL(General Public Licence – sem propriedade, física ou intelectual), além de reduzir em 90% o tamanho dos arquivos musicais anteriormente gravados em CDDA ou em .wav, práticamente está determinando a falência progressiva da indútsria do disco como a conhecemos, e que vinha imutável desde seu surgimento na terceira década do século XX.
Enquanto o surgimento do single, do Lp e da tecnologia microgroove de prensagem serviram apenas para consolidar os meios de produção da indústria do disco, já que precisaram de grandes investimentos no sentido de se estabilizarem, o .mp3 veio na esteira da evolução, da disseminação e do barateamento dos meios de produção.
Um grande exemplo de barateamento pode ser dado na comparação de custos de quanto que o Boca Livre investiu, nos anos 80, para produzir, prensar e distribuir aquele que foi o primeiro grande estouro do disco independente no país(o Lp que tem “Toada” e “Quem tem a Viola”) e quanto ele gastaria hoje para produzir um CD na tecnologia CDDA(CD de Áudio).
Já um exemplo de disseminação pode ser dado quando se sabe que é possível, graças a tecnologia .mp3, montar um CD com um mínimo de.....80 faixas!- o equivalente a seis CDs em CDDA ou oito elepês no antigo vinil. O problema é que essa constatação não é nada interessante a Indústria da música, devido a uma série de fatores, reais e excusos, os quais já falamos aqui ad nauseam.
Quanto a situação computacional, esta tornou a utilização de equipamentos caros e locais específicos letra morta já que qualquer fundo de quintal hoje pode ser tranformado em um estúdio de gravação tão sofisticado quanto o de uma grande gravadora.Basta apenas escolher , dentro das possiblidades de investimento, o equipamento ajustado àquilo que se quer executar.
A única coisa ainda insubstituída pela tecnologia é o talento. Não há tecnologia que faça você tocar ou ter idéias melhores que a de um Jimmy Page(foto), apenas para citarmos um exemplo.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Blow by Blow

Para desespero da esquerda tradicional ainda existente na capital Russa, as imagens acima são os posters de propaganda da Galaxy FM, a líder de audiência em Moscou, especializada em Classic Rock. Como o formato musical da Galaxy não é muito dirigido à juventude, nota-se que o conflito de gerações na antiga URSS está ainda no nosso nível cinquentão, mostrando que o rebolar de Elvis ainda é uma coisa não resolvida e levada muito a sério.
Dentro da minha visão crítica, Classic Rock é aquela proposta babaca de “já não se faz música como antigamente” levada a sério e até com rótulo. Já que estamos falando nisso, o Belchior já havia tratado desse assunto delicado, há décadas, na letra de “Como Nossos Pais”. E, de lá para cá, eu- ao menos – resolvi essa parada. Papai pensava que a música tinha acabado em Frank Sinatra e Silvinha Telles. Eu sempre achei que a música tinha como data inicial 14 de abril de 1954- dia em que Bill Haley entrou num estúdio e, em três passadas, registrou “Rock Around The Clock”.
De “Blackboard Jungle” prá cá, muito disco foi quebrado no sentido de se extinguir a chama. Até o Flávio Cavalcanti fez isso em programa de TV. E, voltando a minha visão crítica, nada desse tipo de violência impediu a evolução musical ou o surgimento de novas tendências. Acho que aí fica a critério de cada um gostar ou não gostar da coisa, mas nunca ter na cabeça o pensamento de “Já não se faz música como antigamente”. A verdade dura, simples e inquestionável é que nós envelhecemos junto com nossa música – reflexo. No meu caso, a bunda music não é minha música- reflexo e acho ela um lixo. Mas, ela existe, vende CD e têm uma porrada de gente que sai atrás dela que nem eu saia atrás do trio elétrico, pois atrás dele só não vai quem já morreu. Lembram dessa letra daquele velho compositor bahiano que dizia que tudo era divino e maravilhoso? Pois é. Belchior já falava disso nos anos 70.
Em tempo: sabe quando que eu daria R$ 2000 para ir assistir a João Gilberto? Cês tão é doidos! Por essa quantia, eu compro um teclado midi para ficar compondo trilha.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Onde Anda Minha Gente?

O título desse texto era a vinheta de uma seção do “Programa Waldir Vieira”(Globo AM – anos 80, morto pelo escapamento de gás num quarto de motel em companhia de uma ouvinte), que eu era ouvinte assíduo. Eu trabalhava na promoção da WEA e o Waldir era um dos poucos DJs populares que tocava meus produtos, sem receber qualquer tipo de propina.
Era a época em que o jabá corria solto e a maioria das rádios musicais tinha algum tipo de acerto com a indústria do disco. Minha gravadora tinha “acordos” na Rádio Cidade, na Rádio Mundial e na Rádio 98, só para citar algumas musicais. Esses acordos iam desde grana pura e simples até cachês de produção(Rádio Cidade) ou então o chamado “lote”( quantidade de Lps dados ao radialista para que este os vendesse em “sebos”) e foi assim que Marcelo, Osvaldo Montenegro, Almir Guineto, Os Fevers, Breno e muita gente mais fez sucesso da noite para o dia, se tornando líderes de execução em rádio.
Para mim, hoje em dia, o título desse texto serve para mostrar que o show não pode parar. A ilustração acima é um banner do site da WOUR de Nova York- a líder em Rock Clássico – e que mostra, por exemplo que o Boston e o Styx continuam na estrada e que Mark Knopfler se apresenta solo num local de eventos, no próximo dia 20. Apesar de fora das paradas, todos os três estão na ativa. Não é como aqui, que a realidade é bem outra e todos brigam pelo foco, valendo qualquer coisa para aparecer.

terça-feira, 8 de julho de 2008

He´s 68 and overweight(Its never too late!)

Richard Starkey fez 68 anos. Pelo seu aspecto e expressão facial ele tem toda a pinta de ser o “happy man” retratado na letra homônima do sucesso de autoria do Chicago. Apesar de considerado caroneiro por muitos, algumas canções dos Beatles ficariam completamente cambotas sem a sua participação. Exemplos? A versão definitiva de “A Little Help From My Friends” é a cantada por quem? E a de “Yellow Submarine”? E “Octopus Garden”? E “Good Night”? E “Back in USSR”? Até “Boys” não dá para ser imaginada sem ele na voz guia e os três naquele coral em falsete. Quem quiser colocar em dúvida o que eu falo aqui basta ouvir aquele disco do Paul McCartney ao vivo e constatar que uma andorinha nunca faria verão sózinha e, acreditem, deve ter sido porisso que Lennon nunca tentou regravar nada do material anterior gravado na fase Beatle.
Ringo chegou aos Beatles por uma imposição expressa de Brian Epstein. Ou eles trocavam de baterista ou nunca gravariam, pois Pete Best não era considerado um bom músico pelos próprios companheiros. Ringo nessa época tocava com Rory Storm & The Hurricanes- uma das n bandas que vagavam pela Mersey Beat. Logo depois da recusa da banda feita pela DECCA, alguns ensaios a mais botaram os Beatles rentes que nem pães quentes e foi aí que “Love me Do” aconteceu.
Após os Beatles, Ringo tentou uma carreira-solo e gravou, no máximo, uns três registros rotineiros, dos quais apenas um aconteceu, fazendo algum estardalhaço(“You´re Sixteen” and “Photograph”). No mais, resolveu beber todas(tratou-se da dependência), andou ao lado de belas mulheres e levou uma vida mais ou menos discreta, sempre sorridente prá lá e prá cá. Foi o único com trânsito livre entre os outros três(Nunca teve nada para reclamar de ninguém)e sempre desmentiu qualquer possibilidade de retôrno da banda original. Ele conhecia bem seus companheiros e sabia que aquilo seria impossível, principalmente as diferenças criadas e existentes pelos egos, e que egos!
Acredito que Ringo vá ser o único dos Beatles que sempre foi feliz sabendo que era. Feliz aniversário.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Nada de novo no front (2º capítulo)

O Police voltou a estrada na sua tour caça-níqueis, já considerada por Sting como apenas uma “contribuição previdenciária”. Mostrando uma aposentadoria próxima, o baixista está barbado e com uma cara daqueles que já não aguentam mais o rojão, semelhante a tediosa face de Charlie Watts.
Falando em tédio, tudo indica que a nova formação dos Mutantes recolheu-se a uma tenda de oxigênio para arrumar forças no sentido de compor mais uma faixa para o novo álbum que, pelo andar da carruagem fúnebre, será póstumo. A primeira faixa eles anunciaram, apresentaram e foram acometidos de estafa, pois nada mais foi falado ou divulgado. Já Zélia Duncan, depois de representar uma Rita Trash(em inglês fica menos caricato), voltou a fazer participações inexpressivas em apresentações de gente desinteressante.
O tédio reina também nas letras com o lançamento de mais um livro “definitivo” sobre a Beatlemania, dessa vez redigido por um Brasileiro. Já tivemos uma Brasileira(Lizzie Bravo) fazendo a mesma coisa há uns 25 anos. Agora chegou a vez dos homens.
Dando idéia, uma coisa interessante a ser lida seria Luciana Gimenez relatando seus encontros com Rod Stewart e Mick Jagger. Já imaginaram? Depois, para continuar na balada, bastava vender os direitos para a Lucas Film! Legal, né?
A falta de novidade é uma merda. Você é obrigado a botar o trato mental para funcionar enquanto tenta escrever algo cuma furadeira te zoando para fazer a instalação de um cabo telefônico necessário para o contato com o planeta. Como é difícil tudo isso, não?

domingo, 6 de julho de 2008

Beatles Prá Quê?

Mais um dos enésimos tratados sobre Beatles e tudo aquilo que estamos cansados de saber sobre o fabfour chega às bancas e livrarias. Trata-se de “Beatlemania”, escrito por um beatlemaníaco que, a época do estouro dos britânicos, tinha sete anos(eu tinha12).
Não sei o nome dele nem a editora pela qual vêm mais esse conjunto de fatos remoídos , remontados e fotos de uma coleção de “lembranças” não muito raras sobre o grupo, já que existem tantas e nas mãos de tanta gente que o conceito raridade se perde pela quantidade. Raridade é ter um cartão postal assinado por Jimi Hendrix( Meu amigo Chust tem um).
Voltando a falar da coisa, acho que este tipo de depoimento é mais um caça-níquel da existência, pois fala de um evento histórico exaustivamente documentado e que ao qual não se pode acrescentar nenhum fato novo, pois nenhum dos quatro ou seus espólios ainda possuem segredos não revelados do grande público e já está mais que provada a inexistência de material ainda inédito gravado pela banda. O único material do qual se sabe a existência , mas desconhece-se o paradeiro é o master de “Hot As The Sun”, considerado como o último trabalho da banda e que se perdeu não se sabe como. Inclusive já rolou um papo de que havia sido Newton “Big Boy” Duarte- O Deejay da Radio Mundial – o autor do furto, num ato descuidista levado a cabo na sede da Apple, em Londres.
Acho que escrever sobre a história do Rock e seus mitos não leva a nenhum ineditismo. Pode sim revelar alguma curiosidade ou recordar alguma faceta não muito explorada, pois qualquer figura de mídia do século XX já teve vida, hábitos e idiossincrasias mais que exploradas e reveladas. O mais é esse tipo de texto/papo que levo aqui com meus três leitores.

sábado, 5 de julho de 2008

Reprises

Apesar de me concentrar mais no lado poprock da coisa, minha predileção por faixas em vez de trabalhos também tem seu lado brega. Assim sendo, não tenho o mínimo pudor em revelar que coloco “Reprises”( Marcio Greyck), “Deslizes” e “Cebola Cortada”(Fagner), “Dois prá lá/Dois prá cá” e “Madalena”(versões gravadas por Elis Regina), “Ana Júlia”(Los Hermanos) e outras que me falha a memória no mesmo pé de clássicos( na minha visão) como “Any Time at All”(The Beatles), citando apenas um para não me alongar mais nessa listagem de tops(sempre na minha visão, repito). Mesmo assim, reprises de aúdio e vale a pena ver de novo ad nauseam também cansam.
Exemplos? Dou vários. Não consigo mais reouvir “Stairway to Heaven”. Também não consigo mais ouvir “Angie” e “Wild Horses” eu ouvi, no máximo, umas quatro vezes em toda minha vida de orelha atenta. A mesma coisa fica para a maioria das faixas gravadas por Janis Joplin e Joan Baez. Outra que pode ir direto para o ralo é Joni Mitchell. Isso não acontece com Carly Simon, Linda Ronstadt, Madonna, Chrissie Hinde e-Ah,ela!- Grace Slick, minha eterna musa desesperadora.
Nunca gostei muito de “Guns and Roses”, mas acho “Patience” bem legal. Como também nunca fui chegado ao “Black Sabbath”, mas acho “The Witch” uma das grandes coisas do final da década de 60.
Não sou muito de reouvir ou viver de reprises, pois elas trazem a memória coisas que eu já esqueci e não quero lembrar. A vida oferece bem mais momentos felizes. Para que reprises?
Isso tudo me veio a cabeça depois que resolvi responder ao quis do site do Estadão sobre o Rock in Rio. Acertei oito de dez perguntas( ver ilustração).

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Quase Meio Século !



Em 1962, a música pop mudou a batida. A revolução iniciada com Buddy Holly & The Crickets se consolidava pelo ar e pela graça de quatro músicos de Liverpool, que chegavam as paradas com um single promissor, intitulado “Love me Do”. Até chegarem a gravar na EMI, levados por um dono de loja de discos meio gay e que era apaixonado pelo baixista do grupo, eles fizeram teste na concorrente DECCA, foram reprovados( a história se repetiu aqui: a “Blitz” teve “Você não soube me amar” recusada pela Warner Music), foram passar temporadas na Alemanha tocando em bibocas, perderam um baixista e, por imposição do cara meio gay, trocaram de baterista.
A pergunta que não quer calar, feita por mim depois desse tempo todo é a seguinte: e se a história fosse outra, “Love me Do” um fracasso e nada acontecesse? Como seria a história do pop dos anos 60 para cá? O que é que o conflito de gerações escolheria como trilha sonora própria?
Graças ao Coronel Tom Parker, Elvis havia mudado de lado e estava competindo com Frank Sinatra e o cenário europeu não tinha nenhuma figura de destaque se impusesse, a não ser uma insossa música pop italiana, surgida na cola de Elvis(vide Bobby Solo- que o imitava descaradamente até no penteado)e que fez algum sucesso nas Américas devido a imigração de nenos, nenas e nonas.
Será que o pop sobreviveria idolatrando o cadáver de Buddy Holly como o cinema conseguiu sobreviver mitificando James Dean? Ou ficaríamos para frente repetindo a fala do personagem de “American Grafitti” na qual ele assinala que o rock morreu naquela fatídica queda de avião?

Nota: Hoje , além de ser um 4th of July, é o meu post de número 180. Do post nº 1 até este, descrevi 180 graus entre opiniões, tomar partidos, falar deles, delas e de muita música que ouvi, gostei, não gostei e me recusei a falar a respeito. Reafirmo que o pop ainda têm jeito e que, se pudesse, riscava do mapa qualquer traço de bunda music e desse funk carioca, que começou bem, virou proibidão e hoje tá inaudível. Best Reggards!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Um artigo em falta no Estoque



Estão faltando boas paródias como aquelas que a gente ouvia por aí . Que nem “Ah! Wilson vai!”(I Will Survive), que foi a última engraçada que eu ouvi. Tem uma em cima de “He´s so Shy”(Pointer Sisters) feita por um Deejay de Nova York(“She made me sick”- rapeada nos intervalos da música original) que é hilária, mas eu nunca a ouvi em outra estação sem ser a que ele trabalhava. Outra engraçadésima foi feita em cima de “We are The World” pelo pessoal do “Saturday Night Live”.
Já existiram artistas que viviam disso, como Alan Shermann, que gravou clássicos como “hello mumma” ou “Ringing in the Drain”(“Singin in the Rain”) e mesmo os pirocas Cheech & Chong, protagonistas de sketches os mais inusitados, principalmente aquele em que eles vão dar um show em Amsterdam num engano cometido por um produtor local totalmente careta. Completamente dopados, eles tentam cantar algo, mas prorrompem em risadas de doidão, intercaladas com tentativas de afinarem um tom mais do que borrachos.
Constato essa falta depois de ter ouvido a última de Weird Al Yankovic, que leva o título “Dont Download This Song” e não achei lá muita graça nela. A única coisa boa de se saber é que o gênero não está de todo fogo morto. Ainda tem borra sobrando na fornalha.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Nada de Novo no Front.........

A não ser que Emerson Nogueira – o rei do “fake cover” – gravou um CD de “músicas suaves”, e que o prêmio Multishow ia seguir a tendência banalizante da mídia e premiar o pop pobre e a bunda music que estão tomando conta da parada, dando a Ivete Sangalo o grande prêmio da noite. No ano que vêm, garanto a todos que vai ser a vez de Claudia Leitte(com dois tês! Vai ver que é por causa da numerologia....).
A única coisa que gostei desse guisado foi o mimo dado a Lulu Santos. O Pragana merece, pois além de ser um tremendo músico, têm faixas históricas no repertório e foi dos poucos do BRock que flertou com todas as tendências, não aderiu a nenhuma e seguiu seu caminho, como uma onda no mar, he!he!he! Quanto ao Paralamas e os Titãs, estes resolveram se sentar a beira do caminho, preferindo pensar que continuam existindo, agora juntinhos. Já o NX Zero é razoável. Conheço bem pouca coisa dele para dizer que vale ou não a pena. Na verdade, achei que faltou Pitty e alguma coisa eletrônica para acalmar minha vontade de ouvir alguma coisa a mais do que o rame rame dessa música baiana que entra pelo ouvido e sai pelo outro.
Quanto ao funk carioca, este se perdeu. Tirando o fogo inicial, o atual que a Furacão 2000 insiste em apresentar nos bailes é abaixo da crítica, pois nem ritmo o pessoal tá apresentando. O negócio tá parecendo samba-enredo com batida acelerada para que a escola desfile no tempo certo sem perder pontos.
Encerro destacando a foto do Lulu tirada ontem e na qual ele tá igualzinho a um dos irmãos Metralha em foto de perfil. Prestem atenção, he!he!he!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Capinhas

Coisa di Véiu? Deve ser. Mas, eu sentia muito mais vibração com as capinhas e os selos dos vinis do que com os CDs de hoje. Elas povoavam mais o imaginário. Pode ser inclusive porque a maioria delas era mal feita. Você via na hora que a foto tinha sido encaixada a tapa no corte, com um fundo meio destoante, mas, na maioria das vezes, funcionava para meus sentidos. Ouvia no Rádio, passava na loja e não via a hora de chegar em casa, botar o compacto na vitrola(Isso mesmo! Vitrola!) e ouvir ad nauseam o lado a e o flip, olhando a capinha e devorando-a com os olhos.
Não sei se porque devido a eu ser garotão, a coisa era bem mais mágica. Só fui achar coisa melhor quando descobri o sexo de verdade, não aquelas punhetas escondidas com recorte de foto de mulher nua no banheiro, sempre no sobressalto de mamãe aparecer de repente e bater na porta, perguntando porque eu estava demorando. E entre me masturbar daquele jeito e ouvir disco, eu achava a segunda escolha bem melhor.
Acho que o grande compacto da minha vida foi “Satisfaction”. Ao menos foi o que eu ouvi até a vizinhança reclamar com mamãe e sempre a todo volume. E olha que ele não tinha capinha! Tinha aquele selo em dois tons de verde- Horrível! – que era a marca da antiga ODEON, representante no Brasil da London( a discografia DECCA foi sair no Brasil só nos anos 80). Outro compacto que me deixou siderado foi “Secret Surfin Spot”, com Dick Dale & The Deltones. Este tinha capinha, com o Dick Dale fazendo pose com uma prancha de surf . A música era da trilha sonora de “Praia dos Bikinis” e tinha um solo de guitarra fantástico.
A digitalização da coisa foi fazendo a mágica se extinguir, pois, com minha vista deficiente, ler capinha de CD é exercício de microdecifração e eu já passei dessa fase. Hoje ouço. Se valeu a ouvida, procuro alguma coisa informativa sobre o objeto da audição num corpo mais legível. Se a ouvida foi zero, nem corro atrás. Vai tudo pro delete na mesma hora.