terça-feira, 15 de julho de 2008

Lendas, Mentiras & Estorinhas

Acho que Alice Cooper, ao instituir sua premiação-deboche “Living Legend”(à época do lançamento de “Schools Out”, circa 1971-72), nunca pensou que- num futuro distante apenas 36 anos, ele seria o único a não ser citado numa busca-google de dez webpáginas sobre o assunto.
Fiz isso agora de manhã ao descobrir que não tinha assunto e , só mais tarde- ao iniciar esse texto – é que fui realizar a associação de idéias que estava fazendo em meu caldeirão cerebro-antropofágico, já que pensei e degluti seres, lembranças e pessoas em poucos momentos de reflexão e leituras assombrosas.Tudo por falta qualificada do que fazer.
Sem pauta, lenço, sem documento e sabe-se o quê mais.... Realmente, muita indigência. Voltando ao Living Legend, pensei nas lendas fabricadas durante os anos 70 na Redação da Rolling Stone(a da Marques de Caravelas), onde Ezequiel Neves(ele próprio uma lenda viva) perpetrou resenhas, entrevistas e algo mais de bandas fictícias como Zé Pinel & A Brigada do Vício, Nilo e a Cachorrada e o Aerobu( bem antes do Aerosmith!).
A lenda se perdeu quando a Abril, na cola do sucesso da Rolling Stone, lançou uma revista-coisa chamada “Geração Pop”- destinada ao segmento jovem- que misturava hippie de boutique, bobagem, entretenimento, chiclete e Rock and Roll nas dosagens erradas. A "Amiga" era bem melhor.
A "Geração Pop" foi encarada como se fosse mais um daqueles ácidos tropicalistas bahianos(nome dado ao ARTANE – remédio que dava umas badtrips colossais) fakes que a galera tentava inventar, impingir e que se transformaram nas primeiras lendas urbanas que ouvi.
Exemplos? Fumar casca de banana dava barato, picar Cibalena, misturar com tabaco e fumar o resultado dava barato. Fazer a mesma coisa com Melhoral dava barato. Misturar Reativan com álcool, tomar um vidro inteiro de ROMILAR( tinha codeína) e por aí vão soluções que, todo mundo garantia, tinha funcionado com um amigo. Sei, por experiência própria que nada disso funcionava, a não ser causar enjôos e vomitadas daquelas!
Tive experiências psicodélicas ruins e sem desbunde, semelhantes às de Charles Bukovsky- ele em LA e eu no RJ. Acredito que as coisas aqui eram mais engraçadas, principalmente quando você pegava as pessoas na mentira e ia dando corda para ver até onde elas iam.
O Sandro Father( era assim que ele era conhecido) dizia a todo mundo que tinha ido ao Festival de Monterrey, mas em 15 minutos de conversa dava prá ver que ele tinha visto mesmo era o filme. Foi desmascarado quando o Sam Andrews( namorado da Janis Joplin) foi apresentado a ele, ele não sabia quem o Sam era nem o que Sam fazia. Outra mentira do Sandro foi a de que , um dia, saiu de Londres, veio ao Rio, desembarcou no Galeão, foi direto ao morro da Mangueira, comprou um kilo de fumo, voltou ao aeroporto e pegou um avião de volta. E tinha gente que acreditava no cara! O Capitão Moura Brasil e a Beth eram dois que, por acreditar nas idéias dele, quase piraram. O Capitão levou anos para voltar a se entender.
Ipanema era a Lenda Brasileira que o Brasil inteiro acreditava, o “Pasquim” incensava, a Rolling Stone escrevia a respeito, atraindo desarvorados e doidões aos porrilhões. E foi nela que apareceu Damião Experiença! Damião, além de não ser chegado a um banho, tinha “contatos” no planeta Lamma, falava o idioma do planeta Lamma e compunha..........em Português e na língua do planeta Lamma!
Segundo a lenda urbana que rolava em torno de D.E., Damião era filho de um fazendeiro de Itabuna(BA) e tinha dinheiro para encardir. Algo devia ter um fundo de verdade, pois Damião gravava independente e pagava tudo do próprio bolso. Só eu ainda tenho três álbuns duplos e um triplo, todos com a mesma capa e conteúdo diferente.
Não foi só Damião que apareceu. Haviam surgimentos instantâneos e desaparições imediatas. A repressão comia solta e era uma das explicações assumidas quando alguém desaparecia. A outra variava entre a magia negra e a overdose, já que foi então que a cocaína fêz sua primeira aparição contundente, só voltando assombrar nos anos 80, acobertada por um chefe de executivo que não sabia como controlar a dependência da filha.
Esse texto está repleto de lendas, mentiras e estorinhas, que já não são as mesmas e não adiantam mais, pois o pessoal de hoje está completamente à direita e pensando como nossos pais. A meca deles é Paulistana, Daniel Dantas é herói e sua prisão é coisa de um pessoal petista, que incorporou o DNA burro-esquerdizante oriundo de libertários, que educaram esses otários que hoje tentam nos crucificar, mas não tem capacidade para tal. Ainda bem!

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