Essa história de que os últimos serão os primeiros é mais conto bíblico do que lorota, já que nem na mentira isso acontece. O primeiro power trio foi o Cream, que funcionou como primeiro em muita coisa. Foi o primeiro a revitalizar o Blues elétrico(“Crossroads/ i´m so glad”), foi o primeiro a colocar peso na música(“Tales of brave Ulysses”) e foi o primeiro a gravar um álbum duplo.Em novembro de 1968, Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker resolveram dar um fim ao trio, talvez Clapton e Baker se preparando para o vestibular do Blind Faith, no qual foram reprovados. Talvez uma briga de egos também tenha acontecido, principalmente no tocante a material, já que Clapton escrevia sózinho enquanto Bruce tinha parceiro.
Outra coisa que deve ter contribuído em muito para a dissolução do Cream foram as drogas pesadas que, à época, eram bem apreciadas pelos três integrantes. Todos os três tiveram que se internar n vezes para curar ressacas de dependências químicas(“White Room” é a descrição de uma delas).sendo que Clapton lutou mais de três anos contra a cocaína, bancado por Robert Stigwood, seu produtor e grande empresário, que acreditava em seu talento. O retôrno do guitarrista pode ser ouvido no “The Rainbow Concert”, organizado por Pete Townshend. Logo após seguido por “461 Ocean Boulevard”, gravado nas Bahamas e mostrando um Clapton completamente novo em tudo, principalmente nas influências.
No Brasil, a discografia da banda ficou incompleta, já que só tivemos direito aos “Live”, ao “Disraeli Gears” e o “Goodbye”. “Wheels of Fire” e o “Fresh Cream” ficaram na saudade, acredito que devido ao conflito de gravadoras existente entre EUA e Grã-Bretanha no tocante aos direitos de edição.
Quem conhece o Eric Clapton de hoje em dia nem dá para imaginar o “Clapton is God” dos anos 60, já que a levada daquela época parece a de um outro guitarrista. Quem não acredita nisso é só ouvir “I Feel Free”, “Strange Brew” ou “White Room”. Outra coisa mesmo.
nota do autor: Este é o post de número 200 e nada têm sido tão divertido para mim nesses últimos tempos desde que resolvi escrever sobre a música do século XX. Muita coisa mudou nesses meus 39 anos de janela ativa na mídia e muita coisa ainda vai mudar nesse frenesi onde todos dão o máximo de si. Vi três edições de "Duro de Matar" e n edições de duros de morrer, incluindo Dercy Gonçalves e, pelo visto, ainda vou assistir a muita água passar por debaixo da ponte. Acredito que a coisa mais danosa que vou presenciar é a possível aprovação do PL do Senador Eduardo Azeredo como ele está. Vou assistir a mais uma violação da minha liberdade individual, em particular, por esse janotinha a soldo da propriedade intelectual e das grandes corporações, na mais nojenta manifestação politicamente correta que eu assisto em toda a minha existência.

Nenhum comentário:
Postar um comentário