domingo, 30 de novembro de 2008

Rotina de Domingo

Apesar desse domingo parecer mais um domingo daqueles onde vira lata deita embaixo de poste e fica olhando quem passa, velhinhos tomam cerveja no boteco de fé e mulher sempre inventa de fazer comida diferente e começa a encher o saco para ir ao supermercado, este domingo que se inicia é o último domingo de novembro.
A partir de amanhã, as radio patroas e donas encrenca começam a chatear tudo e todos com as compras de natal. É dinheiro pra tudo e nada sobra. Aquele décimo terceiro tão aguardado vai estar creditado até dia 20. Se o patrão for gente boa, até dia cinco tu ta endinheirado. Se for um tremendo dureza, só dia 21 é que tu vai dispor dele e fazer a correria das compras de última hora. Um saco isso tudo.
Tava indo a padaria e pensando nos dois parágrafos acima quando, no rádio da padaria, num daqueles enésimos programas de flashes, ouvi um remix de “Captain of her Heart”(Double) cuma guitarra pesada e , mais adiante, um solo de vibrafone que, apesar de estarem dentro da harmonia, não estavam lá dentro do meu gosto. Não gostei não. Achei meio gongórico. Ainda mais porque aquela música é uma das poucas que acho completa, apesar de ser faixa única de grupo, pois o Doublé nunca mais fez nada que prestasse. Até o Lp do grupo era shit music.
Cheguei em casa e pensei seriamente em ouvir alguma coisa, mais aprontei um café para a baixinha e vim escrever. Aí fiz esse diariozinho numa tremenda falta de assunto, já que, no início da semana tinha feito uma promessa de não escrever nada sobre a vinda do Queen com Paul Rodgers – que todos adoraram!
Não consigo imaginar ele cantando “Bohemian Rapshody”, que- por sinal- foi eleita discutivelmente a melhor faixa pop de todos os tempos. Os eleitores que me desculpem, mas não é messmo! Existem trocentas faixas mais pop do que ela dentro da memória de cada um. Só eu devo ter umas cinqüenta. Termino aqui com a pergunta. – Qual é a melhor faixa que você já ouviu? E-mails podem ser enviados e respondo a todos. Um abraço.

sábado, 29 de novembro de 2008

Saturday Live!

Qualquer coisa ao vivo que seja decente têm que acontecer no sábado. E sempre a partir das 19h. O porque dessa minha exigência é devido a você poder ir comer e discutir o que viu num buteco em condições e com a freqüência já meio barro, meio tijolo pelo tarde da hora.
Quando os Stones estiveram pela primeira vez no RJ, eu fuino show de sábado e depois, eu e baixinha terminamos a noite na Cinelândia entre gays, putas, aidéticos e outros doentes num Amarelinho decadente, mas ainda com chopp gelado e comida decente.
Já aqui em BH o grande sábado show que eu fui foi o show da Legião Urbana num Mineirinho com gente pendurada até no teto e no qual alguém da turba jogou um pé de tênis na cara do Renato Russo.
Em Fort Lauderdale, o show inicial da Tour “Women and Children First”, do Van Halen, foi num Sábado a noite. A WEA nos levou para ver o lance e desse jabá proporcionado a todos de rádio, TV e Jornal o Midani não fala no livro dele. Falando no André, ele inventou a nova bossa chamada “noite do carimbo”, já que ele substituiu o autógrafo por essa providência automática e menos cansativa.
Já um show de sábado que eu perdi intencionalmente foi o do RPM. Entrei numa que ia ser confusão atrás de confusão e não deu outra. Foi melhor ficar em casa. Hoje vou ter que ficar em casa. Tem uma reunião de condomínio, depois vai bater uma preguiça daquelas e eu estou disposto mesmo é tomar uma garrafa de vinho que eu venho guardando. Vou é fazer isso, tão sabendo?

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Colagem

Comecei a fazer colagens no Jardim da Infância. Cortava revista, catava daqui, juntava dali e colava em cartolina. As minhas obras-primas desse período se perderam todas, já que ficaram no colégio e devem ter sido jogadas no lixo. Não se sabe quanto o mundo perdeu com esse ato tresloucado de “Tia” Celinha- minha professora- de quem eu guardo as feições como se fosse uma fotografia.
No Primário e no Ginasial continuei colando. Aqui, a colagem têm o duplo sentido que merece, já que colar em prova todo mundo colou. Quem não colou que atire o primeiro tubo de cola polar, tá sabendo?
No Científico e depois no Clássico( na minha época havia disso, meus filhos.....believe in it!)até que eu não colei como eu devia. Minha colagem, agora, era mais musical. Era colar a interpretação idêntica a original para tocar em bailinhos e em noites de dança em clubes como Radar, Caiçaras, Piraquê, ou então em festas de colégio – que não faltavam.
Quando comecei a trabalhar como operador de áudio e de gravação( bons tempos da Nacional, em 71),a mania de colar voltou na edição de trilhazinhas e comerciais para encartuchar. Tinha vontade alucinada de comprar um sintetizador Moog, mas ele era caro para caralho e fora das minhas posses. Com ele eu sabia que ia aprontar o capeta e a trajetória do “Laboratório de Sons Estranhos” seria outra, inclusive acredito que o Daniel Azulay fosse enveredar comigo pela senda em vez de ouvir a Beatriz Sidou e ir fazer moda naquela loja da Praça General Osório.
Até a invenção do sampler, minha mania de colar ficou restrita aos estúdios, que nunca foram meus e sim de rádios ou de alguém, como o Mané(Vambier), que, numa cagada financeira do destino, tinham conseguido algum e comprado o equipamento. Com o sampler, a revolução tecnológica e o barateamento do equipamento, eu cheguei onde estou. O “Laboratório de Sons Estranhos” está no terceiro CD e eu, até o momento, continuo feliz.
Pode ser que eu fique infeliz. Caso o PL 1999, patrocinado pelo Senador Eduardo Azeredo, seja aprovado, eu e muitos outros ficaremos impedidos de usar a Internet para música experimental, gravura concreta e outras atividades que necessitam de samplear, pesquisar e colar. Assine a petição contra o projeto, que vai trazer a Democracia Chinesa à Internet Brasileira, clicando aqui. Participe dessa campanha junto comigo, Sergio Amadeu e toda a comunidade GPL Nacional. Viva o Software Livre e Viva a Liberdade de Expressão.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

TimeLife

Quem viu a versão original de “Roda Viva”, nos anos 60, ainda lembra de Mr. TimeLife, que leva Ben Silver ao rol das celebridades e o coloca como “enfant gatèe” da mídia. Nos anos 60, tanto a revista TIME quanto a LIFE eram o que havia de supra sumo no mundo do jornalismo fotográfico, tendo suas versões tupiniquins em “O Cruzeiro” e, a partir dos anos 50, em “Manchete”- financiada por Juscelino e amigos no sentido de ser uma via de expressão concorrente à revista dirigida por Assis Chateaubriand. Roberto Marinho quis entrar na coisa lançando “Aconteceu” e não aconteceu nada. A revista veio a fechar no início dos anos 60, numa existência completamente Zen. Zen leitores e zen publicidade.
Ser capa de LIFE era ser catapultado ao topo de qualquer parada ou top list. Os Beatles foram, Elvis, Sinatra, Walt Disney e Marilyn Monroe também. Suas reportagens fotográficas não tinham concorrência, da mesma forma que no “TIME”- versão atabloidizada e mais compacta, feita em papel mais vagabundo, mais tão influente quanto a irmã mais velha. Sercapa de qualquer uma das duas era ser pop.
Num acordo com o Google, as duas revistas disponibilizaram na rede o seu arquivo fotográfico, cobrindo de 1870 até o ano 2000. Vale a pena dar uma olhada. A URL é http://images.google.com/hosted/life .

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Brinquedoz para Garotoz

Guitarras, motocicletas e mulheres sempre foram toyz for boyz não necessariamente nessa ordem. Eu tive uma guitarra Giannini Ritmo II que pintei de preto( ela veio vermelho claro de fábrica), um baixo Del Vecchio violino no qual eu botei um captador Fender Precision, um Alex Brucutu, um Phelpa 30 para baixo e um True Reverber original. Tive também uma bateria Gope e uma Pingüim com aqueles pratos DEUS-ME-LIVRE.
Motocicletas? Tive uma Leonetti cinquentinha, uma Yamaha 75, uma Cezepel 250 e uma Yamaha RD. Com essa última eu entrei no paredão da praia da Urca a 80 por hora e como ninguém estava lá, não botei a turma toda do passeio prá fora. Além de me arrebentar todo, perdi uma mulherzinha que não quis mais saber desse acidentado que aqui digita.
Ela escreveu torto por linhas certas, pois se afundou no pó longe de mim. Eu nunca gostei dessa cheiração e, graças a isso, me mantive inteiro da cabeça ao coração. Estou quase queimando óleo 60, meio barro meio tijolo, mas meu escarro é limpo que nem meu exame de sangue ou meu teste do cabelo. Zerado!
Atasanei a vida de outras cinco mulheres. A primeira me corneou legal, fui o último a saber e metade de nossos amigos comuns ficaram do lado dela. Fodam-se. A segunda foi minha grande paixão e um dia resolveu ir embora, seguindo os conselhos do analista. Com a terceira e a quarta eu fui muito filho da puta. Aprontei muito com as duas, dei facada, fui desonesto e devo ser odiado por isso. E a quinta, graças a Deus, é a mulher da minha vida.
Tive brinquedos demais para acabar com a minha paz e sossego. Não reclamo nem disclamo por todas as bobagens que fiz tendo coragem para ser feliz e gozar tudo conforme il faut. Só não tive a felicidade de assistir as coisas que eu queria na idade certa e alerta para fazer a cabeça mesmo. Fiz de tabela como todos que viveram o Brasil na década de 60/70 e encaravam o píer como um mal definitivo na praia. Tudo era fácil e rápido. Hoje é devagar e difícil. A idade pesa. É chato você estar aprisionado num corpo que você sente não te pertencer mais, já que ele sempre apresenta uma coisa diferente para te preocupar. Chato, né?

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Democracia Chinesa

Meus três leitores que me desculpem, mas eu não vou nem passar perto desse último lançamento de Axl Rose. 17 anos é tempo demais para se gravar qualquer coisa. Fica parecendo material do “Laboratório de Sons Estranhos”, que eu faço e refaço e nunca fico satisfeito. Igualzinho a meu primo Cláudio Araújo, que levou séculos gravando e regravando um Lp do “Grupo Faia” e depois um solo, num estúdio de quatro canais, quando, na época do suplício de tântalo auto-infligido, qualquer estúdio bunda já tinha oito canais, no mínimo.
Em segundo lugar, nunca gostei muito do Axl. Consigo engulir “Patience” e chega. Fazendo ironia, nunca tive paciência para ouvir material deles e do Nirvana, que considero outras malas pesadas, principalmente o suicida.
Já considero o título uma jogada de marketing, pois ser proibido na China hoje é ser catapultado à glória em qualquer parte do mundo.......menos na China. E, com esse jogo de nuances e intenções, “Chinese Democracy” deve ser hoje o título mais procurado na rede.
Mudando de assunto, alguém já viu, pelo A&E(canal 83) o “Gene Simmons´s Family Jewels”? Se não viu, dê uma olhada. Consegue ser tão hilário quanto o Reality Show com a família Osbourne.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Meu Querido Diário

Estou sabendo por fonte segura que a Tour do Duran Duran pelo país está sendo um arraso! Eles estão levando a galera a dar pulinhos e dançar em shows como a gente fazia nos anos 80. Não é fantástico? Nunca me senti tão jovem e saradinho ao saber disso! Melhor que isso só saber que a Glória Maria abriu seu guarda-roupas indiano para uma revista de fofocas fotografar até as calcinhas!
Outra coisa foi saber que o Skank está fazendo um sucessão no Canecão carioca! Ta vendo, querido diário? Estou de volta aos bons tempos e não sabia disso! Só falta agora alguma operadora de telefonia me considerar um vip e me dar um convite para eu ir ver a Madonna de pertinho. Melhor que isso só pão com ovo e molho inglês, né mesmo?
Amanhã, o Marcelo Silva volta para os braços da Suzana Vieira, a Débora Secco entra para um convento Carmelita e a Danielle Winittz assume a carreira de cantora para ficar, aí sim, igualzinha a Mariah Carey.
No mais, vou esperando os Rolling Stones anunciarem a dissolução e um comunicado de Graceland assinalando que uma fonte fidedigna passou a informação de que Elvis morreu mesmo.

domingo, 23 de novembro de 2008

Jovens Tardes de Domingo

Eu nunca gostei do dia de domingo. Era o dia que eu tinha que ir almoçar, obrigatoriamente, na casa de uma tia que me adorava, mas, com a repetição, a coisa era um verdadeiro tédio e mamãe só queria sair de lá depois de horas e horas. Mais tarde, quando adolescente, a coisa melhorou um pouquinho, pois essa minha tia tinha quatro filhas e as filhas tinham amigas e essas amigas entendiam que eu não era lá de se jogar fora. Aí, o negócio começava a ficar bão.
Mesmo assim , o final de tarde de domingo já tinha cheiro de segunda-feira. Levantava as sete horas da manhã e ia no ritmo até de noite. Fosse aula quando garotão, fosse trabalho quando pretensamente independente.Tinha que arrumar um troco e correr atrás nunca foi lá a minha preferência, assim........
Não era de ver “Jovem Guarda”, o programa. Não era muito chegado ao pessoal que se apresentava, a não ser Erasmo, Jorge Ben, Bobby de Carlo, The Jordans, The Clevers(depois Incríveis) e algumas outras coisa que valiam a pena.
O grande lance mesmo era assistir ao “Hoje é dia de Rock”, na TV RIO, aos sábados à tarde, pois o Jair de Taumaturgo dava espaço para grupos de garagem que nem o meu irem lá fazer esporro. Era legal demais, pois apesar de não pintar grana nenhuma, sempre dava para descolar uma motorista de fogão e depois ir se pegar com ela em frente ao Cassino Atlântico, nas areias do posto 6, com a motorista passando outro tipo de marcha em alavancas não muito de mudança.
Até hoje o domingo continua a ser mais chato que os outros dias da semana. E agora, aqui no meu tugúrio Belorizontino, o marasmo da manhã desse dia fatídico é total. Cês não sabem o sono gostoso que dá, sem paúra de espécie nenhuma. Bom demais.

sábado, 22 de novembro de 2008

Todos estão de Volta!

Roberto Carlos vai estar no Mineirinho. Ed Motta vêm também lançar seu “Chapter Nine” e é considerado pela mídia um “multiartista”. De que? Conhecer Vinho é arte? Pelo que eu saiba, não. Assim, Ed continua apenas a ser um vocalista de peso – e que peso! E, por último, Michael Jackson volta ao noticiário com essa história de se converter ao islamismo. Tou imaginando ele indo fazer a peregrinação à Meca, rodeado de criancinhas e chimpanzés. Não vai ser engraçado?
Será que existe algum muçulmano sério que acreditou nessa “conversão”? Ou tá achando que isso é apenas uma conversinha para atrair os holofotes de volta? Como todos sabem, o rapaz preenche todos os requisitos para abraçar a nova religião, né mesmo? Já bastava o Cat Stevens e aquele bando de jazzistas em crise de identidade. Aí, dando asas a imaginação, a irmã Latoya também se converte e depois abre a boca num tablóide sensacionalista dizendo ter sido abusada sexualmente por um Mullah. Vou ter frouxos de riso- vai ser a piada do milênio.
Já a enésima vinda de Roberto Carlos ao Mineirinho, com aquele show mais repetido que disco de Belchior vai acrescentar o nada a lugar algum. Vão comparecer os fãs de carteirinha, que vão ouvir as mesmas coisas, com a mesma interpretação, com o mesmo guarda-roupas e quejandos. Ali, gente boa, nada muda.
E o Ministro Hélio Costa está de volta a mídia com uma arrematada asneira que proferiu numa entrevista dada ao “Estadão”. Segundo nosso augusto ministro, a fusão BRt-Oi não significa nada mais do que estimular a concorrência, já que a Telefônica continua a ser a maior operadora do país. Estimular a concorrência como? A Telefônica só opera em São Paulo, a BRt-OI no resto do país e elas não se cruzam e não concorrem em nada absolutamente, né? Nosso Ministro tem QI de ameba.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Clara na Rua Curitiba

Eu tive um sonho com a Clara Nunes. Ela tinha voltado do céu e eu a havia encontrado, desacordada, vestida toda de branco, numa calçada da Rua Curitiba, perto do Mercado Central. Exatamente naquela calçada do Edifício “Cidade de Minas”. Notei aquela figura conhecida, toda de branco, com aquele bom cabelo piaçava, amarrado com uma tira de renda branca. Cheguei perto, olhei e pensei: - “ O que é que a Clara ta fazendo deitada aqui na Rua Curitiba, caralho?” Cheguei mais perto e ela parecia dormir. Dei uma sacudida no ombro dela e ela acordou.
“Guerra, que tu ta fazendo aqui?” Falei que tinha mudado para Belo Horizonte em 84, que a Antena 1 tinha me mandado para cá, patati, patatá. Conversa vem, conversa vai, estávamos sentados num boteco, na esquina de Curitiba com Augusto de Lima- aquele boteco que o cara da ROTAM matou o taxista e que hoje não existe mais, derrubado para fazer um estacionamento.
Sentamos atrás de um balcão e um cara botou duas pingas para nós. Ela me contava coisas de lá, como eram os Orixás e eu fofocava daqui, dizendo que Gisa tinha sumido, Beth tava um bonde de gorda e tinha sido expulsa da escola e a marrom tava andando com uma peruca horrível e tava pior que o Tim Maia como geladeira vestida de gala.
“Porra, cara, a gente não se via há um tempão”, disse ela. Falei que a gente não se via desde que ela tinha casado com o Paulo César- aquele chato. “Por que aquele chato?”. Só porque eu era branco não podia tocar surdão no grupo que a acompanhava? Qual era a a daquele bobalhão, perguntei de novo. Afinal, quem tinha me chamado fora o Adelzon. Ele não ia me chamar a toa. E o Ivan Paulo tinha aprovado. Qual era a dele? “Por causa da bronca, nem fui ao teu enterro”, assinalei.
“Ainda bem que tu não foi naquela coisa”, ela respondeu. “Tinha um monte de fariseu lá que eu detestava”, falou. “ Também, mereci aquilo. Quem mandou eu dar aquela vacilada?”
Aí, não me contive e fui falando. Onde é que ela tava na cabeça de ter filho? O Orixá não disse que ela morria se ela tentasse? Prá quê fazer uma merda daquela?
“Eu supliquei, pedi de joelhos”, disse ela. “Mas ele não quis saber: disse que aquela crendice tinha tomado conta de minha pessoa e, se eu não quisesse ser mãe, ele ia embora”.
“ E tu foi acreditar naquela figura? Ele vivia as tuas custas. Nunca ia abandonar a galinha dos ovos de ouro, falei exaltado e vi que tinha apelado pesado, pois ela prorrompeu num choro convulsivo. Senti que tavam batendo no meu ombro e era o cara me oferecendo outra pinga. Bebi de um tapa no beiço só e acordei num susto com o bonitinho- meu cachorro- me lambendo a cara que nem viralata lambe cara de bêbado.
Fui ao banheiro, pensei um pouco( “ Encontrar a Clara deitada na Rua Curitiba? Onde é que já se viu!......”), lavei a cara e fui levar o bonitinho para dar uma volta com a roupa que tinha dormido.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Sexo,Drogas & Música POP

A grande polêmica hoje no cenário pop é a revelação de Marina Lima que, aos 17 anos, trepou e gozou alegremente com Gal Costa. Como neguinho gosta desse tipo de revelação, tá todo mundo com o rabo quente de felicidade ao ter certeza sobre a preferência dos outros.
Diz a lenda que Gil fez a música “Meu amigo Afonsinho” na celebração de um affair que teve com um jogador de futebol famoso no final dos anos 70. Também diz a lenda que “Menino do Rio” era uma declaração de amor de Caetano para o finado e saudoso Petit do Arpoador, que não agüentou a retranca de um acidente e se suicidou. Caetano foi reincidente em “Leãozinho”, feita para o Dadi, baixista de “A Cor do Som”.
Lulu Santos antes de Scarlet teve Luiz Henrique. Fagner e Belchior foram casadinhos da silva e tiveram “Mucuripe” como filha. Ângela Rô Ro e Zizi Possi trocaram tapas e beijos durante algum tempo, mas Luíza deve ter nascido de uma relação hetero qualquer, da mesma forma que o filho de Cássia Eller nasceu de uma transa rápida com o baixista da banda que a acompanhava.
Se nos bandearmos para o Lado hétero teremos os rumorosos affairs de Monique Evans com Lobão e Léo Jaime, onde poraradas sobraram para lá e para cá e o também rumoroso romance de Paulo Ricardo e Luciana Vendramini, tido e terminado entre profusas lagartixas de brilho.
Quanto a drogas, os únicos pegos no pulo foram Gil, naquela rumorosa excursão a Sta Catarina que terminou na música “Gaivotas” e Djavan, pego com um peso de Maconha de respeito. Arnaldo Antunes foi o que pegou mais pesado, tendo dançado com heroína – primeiro caso do naipe no país, a já que essa droga nunca foi preferencial aqui. Lobão foi parar junto com a galera da 11 e ele e Marcelo D2 são os únicos assumidos do momento. No mais, todo mundo tá dentro do armário para não ser patrulhado.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

DEU BOLO!!!!!!!!

É isso que o Duran Duran tá fazendo com a galera de Porto Alegre que havia comprado ingresso para a tour caça-níqueis que o grupo realiza pelo patropi. Eles acharam que a venda de ingressos não estava sendo suficiente e simplesmente cancelaram o show. Não é uma sacanagem? Se o show fosse ontem, mas seria no dia 25- de hoje à cinco dias. Não é muita ganância? Eles vão passar dos dias 21 ao dia 24 em sampa e no RJ. Caso a venda fosse insuficiente até o dia 23, tudo bem. Hoje é dia 19, caralho! Se, por acaso, eles passassem aqui por BH , eu tentaria ir ver, já que nunca nem passei perto de um Duran Duran ao vivo. Ao morto eu tenho vários lançamentos e sempre gostei do som deles.
Madonna ta chegando e os “patrocinadores”(já contei uns 15) começaram uma série de promoções com vista a superlotar e a criar confusão em suas apresentações no Brasil. Ao menos é isso que eu estou entendendo da coisa toda, pois os shows já estão superlotados. Para que mais promoção? Só para criar polêmica? Então, que peguem os ingressos reservados aos “vips de porra nenhuma” que eles sempre selecionam para “abrilhantar” a coisa e coloquem a venda. Ia dar mais ou menos uns cinco mil novos espectadores e todo mundo ia ficar feliz, né mesmo?
Nota: depois dos “calunistas” e dos “colonistas”, apareceu na mídia impressa uma nova categoria de contador de lorota. É o “Eu-fui-ver-e-agora-conto-para-vocês”. Essa nova categoria surgiu no jornalismo cultural aqui da província(BH), justamente para contar aos provincianos como é ou foi o show de algum astro que cague na cabeça da capital das alterosas e não venha dar o ar de sua graça aqui. A primeira manifestação foi na Tour do R.E.M. que não contemplou BH e, garanto, agora na tour de Madonna eles vão reaparecer a todo vapor. Eles só faltam assinar a coluna com um “espero que vocês não morram de inveja”. Chiquérrimo, não?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Meu Bromance

Bromance é o que a galera ta dizendo que vivem os brothers que não se separam nem para dar uma cagada. Meu Bromance aconteceu na adolescência. Tenho um primo que deve viver um bromance até hoje em dia. Meu primo é o Cláudio e o brother dele é o Pedro Figueiredo. Conheço um monte de mulheres que também vivem bromances. Minha prima Inah e a Lolô. Minha prima mais velha Jônia e a Vera Maria. Uma carrada de gente.
Meu bromance foi com o Luiz Henrique Parodi- O Zulu. Nós éramos das ruas do Leblon. Na época do início da coisa, Zulu morava na General Urquiza e eu morava na General San Martin, esquina com a Afrânio de Melo Franco. Nosso primeiro interesse coletivo foi autorama em bases de competição, escalas 1:32 e 1:24. Começamos de forma amadorística e, aos poucos, fomos nos profissionalizando, e o tempo ia passando e a gente cada vez mais unido.
Um dia, Zulu se mudou para Copacabana. Ele e a avó foram morar num quarto e sala , na Barata Ribeiro 435/904, perto da residências de outros amigos nossos. Do Fábio e do Laerte Seixas, que moravam no Bairro Peixoto(Maestro Francisco Braga) e do Sérgio, Ronaldo, Fábio forte e irmãs. Estes moravam na esquina de Anita Garibaldi com Barata Ribeiro, no mesmo prédio em que morou a Ângela Diniz com o Doca Street.
Foi aí que começou a pintar um interesse pela música. O Ronaldo tocava um violão razoável e nós(Eu, Zulu e ele) começamos a articular uma banda. Só que tinha um probleminha. Zulu e a música eram completamente paralelos. Como músico ele era um bom ouvinte de toca-discos. Mais nada. Nosso grupo se dissolveu ali. Ronaldo e os irmãos partiram em direção ao jazz, eu e minha bateria fomos parar no Rock e Zulu foi morar em São Paulo com a mãe.
Um ano e meio depois ele tava de volta. Reatamos o bromance. Zulu voltou com uma Apolo 12 cordas que ficava mais lá em casa do que na casa dele. E, juntos, entramos de sola no motociclismo. Fomos parar na turma do arpoador. O Fábio Seixas tinha arrumado uma Jawa 250cc e com ela foi até matéria em “O Cruzeiro”. Nós tínhamos, cada um, uma Cesepel 250- moto lá não muito católica e que eram tão problemáticas como a nossa cabeça. Vez por outra descolávamos um baseado e, juntos com o Fabinho Kerr e o Galinha, matávamos ele subindo a Joaquim Nabuco, da avenida Vieira Souto até a Avenida Atlântica, indo na contramão para qualquer eventualidade.
Um dia Zulu sumiu de novo. Três meses depois encontrei com o Fábio e ele disse que Zulu tinha morrido numa circunstância esquisita e pedir para que eu fosse visitar a Vovó Lea(avó do Zulu), pois ela andava muito triste. E eu fui. E ela me contou que ele estava de moto numa estrada Cearense e um motorista de ônibus fez ele cair de propósito, matando-o. Era 1969. Que final horrível para um bromance que sempre deu certo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Prá que Discutir com Madame?

Enquanto eu tentava resolver certos problemas com a minha máquina de trabalho principal, eu deixei a vida levar meu pensamento e fui ficando meditabundo a respeito das coisas mais estranhas, musicalmente falando. Pensei sim, e como pensei, crianças!
Primeiro eu inventei o Rebolation. O Rebolation é o segundo passo da bunda music, dirigida ao mercado dance internacional. Enquanto o Axé faz aquele esporro todo, todo mundo sua, atrás de mulher nua e a galera, de tão cansada, fica só nas preliminares, o Rebolation né nada disso. O Rebolation é mais para locais fechados, naquele baticum a 120 bpm, usando batida funk ou 4/4, muita percussão manual e num contratempo que dá pras mulheres melancias do pedaço exibirem os dotes mais devagar, num requebro mais cheio de guéri-guéri, sacumé? O Rebolation é feito pras gostosonas se exibirem sem precisar de serem saradaças e com resistência de maratonista. O Rebolation é o Rebolation e fim de papo. Pensando no Rebolation, o “Laboratório de Sons Estranhos“ já têm algumas faixas gravadas, a saber: “Lets do The Rebolation”, “ Rebolation is Here”, “Dance the Rebolation”, “ Rebolation Revolution” e “O Rap da Buzina”. Como Vocês estão vendo, a criatividade nos títulos é total e eu continuo achando que, algum dia desses, o Carvalho me leva pra produzir algum grupo de Pagode Paulista. Quem quiser ouvir o “Rebolation “ em ação basta sintonizar a Malaveia Web(http://www.malaveia.com.br/) e ouvir o Malaquias, DJ da Malaveia, fazendo o capeta no “Malamix”, o programa de dança da emissora mais zoneada do planeta.
Já o título do post apareceu nesse post como pilatos no credo justamente porque eu pensei em João Gilberto e é aquela música a que eu acho melhor na interpretação dele. Também gosto de “Bolinha de Papel”. Pensei em Maysa, cujo CD foi lançado ontem na Coleção da “Folha” e me lembrei de “Meu Mundo Caiu”. De tabela pensei no Ronaldo Bôscoli e como que o filho dele com a Elis é articulado, né? Acho aquele garoto o maior barato, do mesmo jeito das maquinações completas e midiáticas que ele bola para a Trama Records. Pensei na música da Trama e na trama que as pessoas fazem para o dia a dia da vida. E, associando idéias a mais idéias, me lembrei daquele caso quando o Gaiarsa escreveu num jornal, que eu me lemro qual foi, que- na preparação de um show(“Falso Brilhante”)- Elis Regina tinha tido algumas sessões de terapia com ele e esquecido de pagar. Me lembro que deu uma caca daquelas. Elis respondeu, desaforada como ela só e foi uma grande loucura, semelhante a briga entre Paulo Francis e Caetano, que rendeu acusações e desabafos de ambos os lados, com aquela divisão de luta e vários dando razão a Paulo e outros vários dando razão a Caetano. Passou pela minha cabeça também uma noite, no antigo Teatro das Nações, que alguém cujo nome me foge a memória, entregou a vários o troféu “A Pedra Do Rock “ e, Guilherme Arantes- um dos agraciados da noite- completamente fora de si quase jogou seu troféu na cara da Ana Maria Bahiana. O motivo fora uma crítica desfavorável àquele disco péssimo do “Moto Perpétuo” pela Continental. Me lembrei também de uma discussão em alto e bom tom entre Júlio Hungria e Tárik de Souza, depois de uma noitada pelo baixo Leblon, por um motivo fútil qualquer. Detalhe: Tárik estava a pé e o Júlio dentro de um ônibus. Muito engraçado. E depois eu venho a escrever um texto pichando os anos 70? Onde é que eu estava com a cabeça, né? Garanto que qualquer dia desses eu conto mais coisa engraçada. Cês vão ler. Garanto.

domingo, 16 de novembro de 2008

Dominglinho - O Sol Está de Volta!

Esse é um domingo marcante para mim neste Novembro pela metade. Minha máquina principal pifou ontem, graças a minha sobrinha adolescente recebendo coisas pelo Messenger. Junto com o recebido veio um inxerido e lá vai a máquina para as mãos de alguém que saiba remover isso melhor que eu, já que passei uma tarde inteira e não consegui nada.
Há um tempão que isso não acontecia, mas todo dia é dia, toda hora é hora e merda para acontecer não espera tempo ou lugar. Assim, a lei de Murphy fez a cagada acontecer justamente na hora em que eu mais precisava da máquina principal.
Vou passar a tarde de hoje re-instalando coisas na máquina estepe para poder voltar a trabalhar com um mínimo de dignidade e tentar recuperar uma parte da coleção de imagens necessárias ao bom andamento do blog.
Tem tanta coisa que precisa ser dita e eu não podendo falar nada a respeito, pois nessa máquina que digito ainda não me sinto muito a vontade, pois faltacoisa e você só vai dando falta na medida em que ela é necessária. No mais, vou passar o domingo trabalhando. Ao menos vai servir para reencher o tempo. Cruzeiro perdeu ontem, Botafogo ta em oitavo, ninguém tem chance de chegar lá.
Vou pegar o player que ta no quarto da minha sobrinha, botar algo audível e começar essa labuta. Vamos a luta nesse dominguinho filho da puta9 vou virar letrista de pagode paulista. Vou ganhar uma grana preta.Ah! voou!)

sábado, 15 de novembro de 2008

Sábado Som

O primeiro programa de rock importado a chegar na TV foi o “Shindig”. O programa tinha uma banda residente, os Shindogs( Delaney Bramlett fazia parte dela) e ela fazia a passagem entre um número e outro. Como sempre soy acontecer, a TV RIO só comprou a primeira temporada do “Shindig”, não devolveu os filmes(ainda era Telecine!) e ficou exibindo os mesmos de 65 até 67. Exibiam a temporada, davam uma parada de uns três meses e voltavam com ela em novo horário e com novo patrocinador. Aquela versão de “I´m Allright” do “Out Of Our Heads” era do “Shindig”, com o Brian Jones tocando um teardrop Vox branco, Bill Wymann com aquele baixo Framus e Keith Richards com uma Les Paul com Tremolo Bigsby.
Outra faixa que apareceu muito foi o Kingsmen tocando “Louie Louie” e o “Them”, alternando “Gloria” e “Baby Please Don´t Go”- a mesma que depois foi parar na trilha do “Bom Dia Vietnan”.
Depois apareceu o “Shivaree”, animado pelo Sonny Bono e pela Cher. Esse era mais pop e foi o primeiro onde eu vi a rapaziada black da Motown desfilando, com as Supremmes e aquelas perucas hilárias e os smokings dos Temptations, Miracles, Smokey Robinson e o Marvin Gaye cantando “I Heard It Through The Grapevine”, num programa sim e o outro também.
A Globo só entrou nesse circuito nos anos 70 com o “Sábado Som”, apresentado pelo Nelsinho Mota. Como tudo feito pela Globo em termos musicais, pontificava o Jabá e algumas coisas completamente desinteressantes. Era um programa feito para as gravadoras e nada mais. Muito ruim. Em São Paulo, a Bandeirantes- que ainda era uma TV local – tinha o “Band13”, apresentado pelo Ezequiel Neves, misturando nacionais e internacionais, sendo que a galera nacional se apresentava ao vivo. Bem melhor que na concorrente, né mesmo?
Aliás, Rock na Globo sempre foi uma tragédia, já que tudo que ia ao ar era acertado no departamento comercial da gravadora interessada e só depois é que as partes ditas artísticas entravam em contato para acertar detalhes. Foi assim que a Globo teve Santana no auge à disposição e só deixou o grupo tocar três músicas num festival de validade discutível. A mesma coisa aconteceu com Ritchie Havens, Wallace Collection e o próprio Mutantes, todos inaproveitados porque não havia um jabazinho para calçá-los.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O Ritmo da Chuva

Chove em Belo Horizonte. Chove muito. Só esse ano já teve tempestade de granizo, chuva torrencial, chuva fina, chuva chata e chuva mortal, daquelas que formam enxurrada e arrastam cachorro, criança e bêbado, não necessariamente nessa ordem.
Huva é um bom motivo para composição de trilha sonora. “Singin in the Rain” deve ser a mais famosa. “Rhytim Of the Rain” deve ser a mais pop. “Rain and Tears” deve ser a mais brega. “Rain” é de Lennon & McCartney. “Chove Chuva” é o samba esquema novo. “Vai chuva” é refrão de Cassiano e Tim Maia.” “Chuva de Prata” é Ronaldo Bastos na voz de Gal Costa. E, falando em Gal, Marina tá dizendo por aí que Gal foi o primeiro sapato que deu bico naquelas carnes. Transaram numa tarde chuvosa olhando para o mar? Isso ela não disse.
Minha idéia fixa quando eu tivesse a minha casa era dormir a tarde, no embalo dos pingos de uma chuva pesada. Não sei porque essa idéia me perseguiu anos. Realizei ela ontem a tarde, no meu quarto azul cruzeirense e que dá pro nascer de sol e lua na serra da piedade. Chovia gostoso e o martelar dos pingos na cobertura de alumínio de uma vaga de garagem dava um ritmo Varesiano ao meu adormecer. Legal foi não acordar com torcicolo. Essas coisas de véio são foda, brother!
A pior letra falando em chuva que eu conheço é “November Rain” do Gun´n´Roses. Já o “Summer Rain” cantada por Johnny Rivers é previsível que nem letra de pagode paulista. Pelo lado nacional, “Chuvas de Verão” é a mais blazée e a mais chatinha. Ponto final. Ah! Ia me esquecendo da que dá mais clima: “In The Rain”(The Dramatics). Desculpem.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Já Era - parte 2

O Experience é o primeiro grupo musical completo a se apresentar no The Great Gig In The Sky. Com a morte de Mitch Mitchell- para não abandonar a mítica- num quarto de hotel, em Portland, o trio que revolucionou a cena está inteirinho da silva em algum lugar, caso o céu seja apenas uma ficção religiosa.
A batida de Mitch complementava a linguagem que Jimi exprimia na guitarra. Segundo a filosofia de Jimi, quem tinha que marcar a linha era o baixo e ele e a bateria improvisariam em cima. Noel Redding, falecido há alguns meses e baixista original do Experience sempre se rebelou contra essa diretriz e, sempre que possível, não seguia o determinado.
Com todos esses encontros e despedidas, Mitch e Noel foram- de longe – os melhores músicos e os que realmente entenderam a experiência musical de Jimi Hendrix. Tanto Buddy Miles quanto Billy Cox foram apenas decorações para um Jimi que já era um fantasma de si próprio. Quem duvida dessa fantasmagoriedade basta olhar as fotos de capa do “Rainbow Bridge” e do “War Heroes”, para ver um Hendrix acabado e com alguns cabelos brancos entre o fuzzy hair.
Mitch Mitchell esteve presente ao que de melhor Hendrix registrou em gravações antológicas. “Fire”, “Purple Haze”, “Can You see Me”, “Stone Free” e a todos os Lps entre “Are You Experienced”(Reprise- USA) até “Electric Ladyland”. Participou também de algumas faixas de “Hendrix in the West”, “War Heroes” e foi ele quem se apresentou com Hendrix em Monterrey, Woodstock e na Ilha de Wight. Se houve alguém que se entendeu bem musicalmente com Jimi, esse alguém foi Mitch Mitchell.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Twentieth Century Best

Hoje, na hora em que meditava no vaso, pensei: Porque não os anos 80? Foram os anos em que trabalhei na Antena Um, tive o mundo e a mídia nas mãos, ganhei uma grana preta e joguei ela toda fora, fiz um monte de bobagem e ganhei coragem para toda essa viagem que relato, num texto de fino(?) trato. A década foi um arraso, tanto para mim como para muita gente. Foi assim que fiquei quase demente e virei meio poeta meio bicho, grudado na vida que nem carrapicho. Lá vai!
Os anos 80 devem ter sido a década na qual a mídia cultural e a indústria fonográfica ganharam mais dinheiro em toda a sua existência. Foi a época em que se desenvolveu um sistema modelado em promoções, visando a comercialização do artista como produto, explorando todos os nichos e segmentos onde ele pudesse ser colocado. Foi a época em que a franquia se estabeleceu como propriedade intelectual rentável e sob parâmetros de atuação dispostos e dirigidos pelo proprietário. Foi a época McDonald- Menudo- Barbie. Foi nos anos 80 que a maior franquia religiosa conhecida – a IURD – foi desenvolvida e começou a deglutir a mídia quebrada que não soube se unir em conglomerados. E quando o conglomerado era interessante, uma oferta única, irrecusável e indiscutível, abocanhava-o para servir a uma fé discutível e nebulosa. Foi assim com a Rede Record de Televisão e com a Rede Atalaia de Rádio. Esta última era uma rede de rádios musicais AM, todas em primeiro lugar nas quatro praças em que atuavam(Curitiba, Belo Horizonte, Londrina e Uberlândia). Custou 12 Milhões de dólares cash à IURD, quase 40% acima de seu real valor de mercado.
O mercado vivia ao sabor de transações miliardárias e rotativas. Contratos e mais contratos de artistas eram feitos e comprados mediante fusões e cisões resultantes da dança de cadeiras entre executivos das indústrias do disco.
As multinacionais enxergavam o Brasil como o quarto maior mercado fonográfico, superior a Austrália e ao resto da América Latina( incluindo o México). A chegada ao Brasil da Ariola foi faraônica. Tinham vindo para vencer. De uma sentada só contrataram Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Marina, Chico Buarque de Hollanda, Kleiton & Kledir, MPB4, Toquinho, João Bôsco, Elba Ramalho e muitos outros de relativas grandezas. Também compareceram à divisão do bolo a Capitol, a Virgin e várias menores, cada uma querendo a sua parte de um mercado que ia dar mais ainda o que falar.
Dito e feito. Com a chegada à mídia do segundo capítulo do Rock Brasileiro, as vendagens cresceram em número. Se Gil havia vendido 686.000 compactos com a versão de “Não Chore Mais” e Dalto 1.200.000 com “Muito Estranho”, o LP “ao vivo” do RPM, produzido em cima de um show dirigido por Ney Matogrosso, bateria os 2.600.000 Lps vendidos. Havia aparecido alguém que, num único lançamento, vendera o mesmo que os Lps anuais de Xuxa e Roberto carlos somados!
Segundo os reports das gravadoras, o BRock era um sucesso. Vendia-se a média de 90.000 Lps por lançamento. Assim , numa tentativa de maximizar lucros, os brilhantes executivos tomam uma decisão temerária, recusada nos EUA por ser considerada anticomercial. Extinguiram os compactos. A partir dalí, só Lp. E, a partir dalí, o crescimento da pirataria.
Esse crescimento pode ser acompanhado pelo aquecimento da venda de cassettes virgens. A produção não atendeu a demanda e mais um ítem foi adicionado ao almoxarifado do contrabando. Principalmente as fitas c-90, que possibilitavam a gravação de três Lps ou a média de 36 músicas.
Como tudo no Brasil começa no fundo do quintal, a pirataria do disco saiu de dentro dos locais que, em teoria, existiam para dar suporte, divulgação e auxílio técnico à propriedade intelectual de um artista, a partir dalí denominado contratado. A denominada contratante, além de dividir de forma leonina a exploração dessa propriedade, ainda praticava atos lesivos, ilicitos e encobertos pelos executivos, que faturavam direitos nebulosos e comissões não muito bem explicadas para cadaato praticado em nome de quem teóricamente cuidavam dos interesses. São folclóricas e bem famosas as histórias dos discos piratas de Roberto Carlos, Odair José e Benito de Paula, com fotolitos roubados e fitas masters copiadas nos estúdios das próprias gravadoras que os tinham sob contrato por funcionários de confiança. A então Polygram foi obrigada a mudar sua fábrica de local por não conseguir evitar o roubo de material, que era enrolado em plástico impermeabilizante e jogado num riacho que descia em várias cachoeiras por um parque nacional.
Foi aí que, ao seguir a tendência dominante no mercado de língua inglêsa, alguns brilhantes executivos, para brilharem como geradores de lucros cortando custos, resolveram tomar outra decisão temerária, vistas por eles como apenas mais um corte. Uniformizar lançamentos com vistas ao mercado latino. Nesse mercado latino foram incluídos Brasil, México, Espanha, Portugal e toda a América Latina.
A direitiva era simples: gravar cada faixa em duas versões- uma em português para o disco no Brasil, outra em castelhano para o mercado latino e fotolitos, rótulos e releases em formato bilingue. Não é coisa de gênio? Pois é, né? Só que os públicos- alvos e certa parte da mídia recusaram a solução genial.
Enquanto a música brasileira tinha uma cobertura já estabelecida dentro e fora de nossas fronteiras, a música latina não tinha lá esse apelo e diversas rádios não tinham abertura na programação para esses gêneros que, quando eram executados, eram executados na madrugada- um horário morto para o chamado rádio vivo tupiniquim. E foi daí que começou a decadência.
Você que está me lendo pode ficar certo de uma coisa. A crise do disco começou aí. Começou no dia em que alguma mente brilhante achou que Cultura era que nem pasta de dente. Um produto vendável de maneira uniforme e com uma mãozinha promocional. Esqueceu que existem peculiaridades regionais. E isso é marcante. Influencia mesmo. Para demonstrar isso uma história:
A Kellogs lançou o sucrilhos na Turquia com uma campanha promocional estapafúrdia. Eram outdores para todo lado em Istambul, Ankara, Andrinopla e outras cidades. Na tabuleta, um garoto de fez segurava a caixa de sucrilhos com as duas mãos, sendo que a mão que se destacava era a esquerda. A campanha, bolada nos EUA, se esquecera de um detalhe. Os turcos consideram a mão esquerda impura, pois é com ela que limpam as fezes. E tudo que a mão esquerda toque fica impuro como consequência. Resultado: a campanha foi um fracasso. Ser globalizante e neo-liberal as vezes dá nisso......

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Tempo de Estio

Acordei de saco cheio hoje, resolvi curtir uma de horror e escrevi esse texto acabando com os anos 70. Teve gente que viu aquela década explosiva do jeito que vai abaixo. Teve gente que, como eu, tava preocupado em viver tudo tão intensamente que só foi se dar conta de erros e acertos muito mais tarde. E entre um barato qualquer, resolvi curtir qualquer barato. Eu e um amigo, Vitor Larica, tinhamos um refrão “Qualquer Barato é um barato Qualquer” para um grande hit, mas nunca saímos dele(refrão) e ficamos naquilo. Uma tremenda curtição. Só isso.
A primeira pessoa que eu me lembre de falar no dia a dia as palavras “barato” e “curtição” no sentido lato giriático( de gíria- essa foi du caraca, heim?) foi o Carlos Henrique Novais, um amigo de rua de um tempo de Leblon no qual o Roberto Bonfim era o “Monstro”, Baden Powell namorava a Teresa Drummond e odo mundo se encontrava na praia, nas sessões das 8 de sexta no Cinema Leblon e das quatro da tarde de domingo no Miramar.
Mais tarde, o barato ficava nas dunas alí perto do Jardim de Alah, que dividia a praia em duas. Do lado de Ipanema ficava a Jamaica e do lado do Leblon ficava a Bahia. A Jamaica ficava do posto 10 até a Paul Redfern, com uma “terra de ninguém” vindo até a Epitácio Pessoa- e nessa “TN”, o couro comia e ninguém via. O fumacê levantava o maior futum. Tinha sempre alguém fumando algum e, atrás da duna era mole. Dava prá correr e entrar na água ao menor sinal de aperto. Curtição doida.
A Bahia era a praia da galera da cruzada. Ia do canal até a Pereira Guimarães. Da Pereira em Diante começava o Leblon própriamente dito, com um quebra coco entre a Rua Leblon e Carlos Góis, no início do cais arquibancada. Tremendo barato.
Quando a “intelligentsia” fez a apropriação indébita do barato e da curtição, tentou transferir os louros da invenção para a moçada lá do Pier. Só que o Pier tinha prazo determinado. Assim que acabassem as obras do interceptor, ele ia dar bye bye. No more vapor barato, no more pegação. Ia dar uma reviravolta. Tremenda rejeição.
O sentimento contramão começou com o fim da bossa nova e a chegada da bahianada de Londres. Entre os shows de Gil e Caetano no Municipal, Macalé & Soma no Teatro de Bolso e a aparição do Circo Voador houve um hiato que nem a nova interpretação de “Negro Gato” cobriu. Havia um buraco na porta principal de Gotham City e os vizinhos chamaram a polícia para acabar com o volume alto que o som imaginário insistia em tocar na festa do clube da esquina. Tudo se parecia com trocar seis por meia dúzia, nada dizendo nada e todos atrás de tudo sem achar aquilo que conviesse no que desse e viesse.
Os anos 70 no Brasil foram isso. Ficção. Mentiu quem disse que aquilo foi um tremendo barato. Se enganou quem garantiu que aquilo tudo foi uma tremenda curtição.
Como? Não havia liberdade de expressão. Não havia garantia individual nem habeas para nada. Ir e vir terminava em paranóia. Qualquer show, qualquer mostra, qualquer atividade podia ser interrompida pela polícia-pela “otoridade”. Uma obra de arte para ser divulgada tinha que passar pela censura. E quem era o censor para dizer se minha obra era boa , ruim , imoral, ilegal ou causadora de obesidade? Como disse Caetano, foi um tempo de estio. Demorou para chover na horta. E como!
Nós fomos a única sociedade organizada na qual o século XX teve só 80 anos. Não teve década de 60- não teve década de 70. Tivemos 64,68 e 69. Enquanto todos voavam fomos obrigados a um pouso forçado. Nós e a Panair do Brasil. Nós e Correio da Manhã. Nós e a Rádio Mayrink Veiga, a Rádio Piratininga, a Rádio Nove de Julho, Nós e Geraldo Vandré, Nós e Rafael de Carvalho, Nós e João do Vale. Nós e o Teatro de Arena.
Nós e a herança latina. Portugal teve Salazar. A Espanha, Franco e nós, os filhos sulamericanos, as ditaduras. Num cômputo geral, não sabemos ainda o que perdemos em Cultura e Civilização. Hoje a mídia saúda Obama e proclama que nada será como antes no país de Abrantes. De concreto, nada existe. Só promessas globalizadas que a mim parecem atravessadas, pois continuamos um quintal grande nesse mundo sem fim.
Se tudo continuar assim, não vai haver boa vontade que de jeito nesse brincar e mais brincar de ser perfeito. Vamos continuar a viver uma grande ilusão repleta de preconceito. Vamos ser todos individualmente como o personagem de José Dumont em “Bahiano Fantasma”. Vamos ter cada um nosso direito aos 15 minutos de fama numa manchete de jornal povão. Vamos ser um crime para eles e o nosso castigo. Prá isso? Eu nem ligo. Eu quero é mais.
Hoje é o dia do Armistício e, no texto acima, acho que fiquei em paz com uma série de fantasmas que me povoam o consciente e o inconsciente desde que confessei que vivi todas essas coisas sobre as quais escrevi. Vou continuar realizando esses macacos, se agitando num sótão repleto, num delírio completo, até formar outro objeto que me incomode. Aí, volto a exorcizar las brujas. Tenho dito.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

E La Nave Vá

Miriam Makeba morreu. Luiz Melodia tá de disco novo. Berlusconi faz piada racista botando Obama no meio e a Carla Bruni quer voltar a cantar. Tudo isso é notícia nesse início de semana que me pega sem lenço, sem documento e num momento de dureza extrema.
Você chegar ao natal sem grana é uma coisa chatérrima, pois o presente prá rádio patroa vai sair na estica, a sogra vai ficar a ver navios, prá prima que sempre te dá um livro tu vai pegar aquêle que o chefe te deu, vai trocar o papel do embrulho e passá-lo adiante naquela noite de natal repleta de comidinhas que tu enjoou há uns dez anos mas não tem coragem de dizer.
Miriam Makeba me vêm a cabeça junto com “Pata Pata”- a única música que lembro de seu repertório, mais pela famosa versão “Tá-cum-pulga-báti-esfrega-sóassim-vai-matá” do que pela letra em xhôssa. A primeira vez que ouvi foi em 1966/67. Nesse tempo, Dona Miriam estava exilada, se não me engano nos States, onde também gravou aquele disco em dupla com o Harry Belafonte. Ela só conseguiu voltar a África do Sul depois que Nelson Mandela assumiu a presidência e lhe concedeu passaporte.
Já o Melodia estar de CD novo é em evento interessante. Acredito que ele estivesse longe de estúdios há um bom tempo. Para ser sincero, a última vez que prestei atenção ao Melodia foi ainda nos anos 80, quando ele lançou aquele LP pela Continental que tinha uma regravação para “Broto no jacaré”, clássico do Erasmo pré-jovem guarda. Depois, nunca mais.
Italiano quando dá para ser burro é bem pior que Argentino. Essa do Berlusconi de fazer piadinha racista com o Barack Obama mostra que a Itália merece aquele babaca como premier. Nós temos Garotinho e Newton Cardoso não temos? Então? Isso mostra que a herança Italiana tá bem arraigada aqui, pois, na minha idéia, quem vota em Newtão e em garotinho aqui, tranquilamente votaria no Berlusconi, caso tivesse passaporte Italiano.
Quanto a Carla Bruni voltar a cantar, o Sarkozy que durma com esse ruído. Para mim tanto faz como tanto fez. Ela, Celine Dion, Françoise Hardy e outras já perderam seu lugar na parada. O lance hoje tá mais para Pitty, Hayley Williams e Vanessa da Mata. Graças a Deus!

domingo, 9 de novembro de 2008

Minha sobrinha adolescente saiu ontem doida em direção à Sta Luzia, cidade aqui da RMBH, para ir ao Pop Rock. Como qualquer coisa feita em Minas e, ainda mais, por Rádio e empresários locais, a sua história(do Pop Rock) é tão nebulosa quanto a via láctea. Os dados dizem por si só: O Pop Rock tem 25 anos para alguns, mas só foram realizadas 19 edições. Ficou seis anos sem acontecer, sendo o maior hiato entre 1988 e 1992.
Esse hiato aconteceu devido a Rádio promotora ter mudado de nome, além de ficar sem bala na agulha para pressionar as gravadoras no sentido de que elas cedessem gratuitamente seus contratados de primeira linha.
Outra falha brutal foi, numa atitude bairrista barata, abrir espaço para bandas locais quando a própria rádio promotora do evento não executava faixas dessas bandas locais.
Quanto a locais de realização, ele já excursionou mais que turma de segundo grau de colégio particular. Foi no Campo do Cruzeiro, foi no Mineirinho, no estacionamento do MinasShopping, no Estádio Independência, na Serraria Souza Pinto, no Mineirão e agora tá num desses halls quaisquer lá perto de Sta Luzia, encravado num local cercado de favelas, numa região densamente violenta.
Em 1997, com o crescimento da bunda music, o Pop Rock teve uma noite dedicada ao gênero. Foi nesse ano que eu encerrei a minha presença ao evento. Detesto sentir cheiro de amor em lugar público e foram eles e mais Daniela Mercury as grandes “atrações”. Prometi nunca mais voltar.
Nesse 2008, a presença do OffSpring e a do MaroonFive quase me fizeram aderir e entrar no rateio de uma van para irmos ao evento, mas a chuva começou a descer aqui e eu pensei direito e resolvi ficar em casa. Depois eu vejo os filminhos de celular feitos pela minha sobrinha adolescente. Tecnologia serve para isso.

sábado, 8 de novembro de 2008

Brasil, Terra de Contrastes( He!He!He!)

Esse ano não vai ser igual aquele que passou. As expectativas da letra de Zé Kéti vão ser confirmadas em vários pontos. Mas, se a fantasia de papai noel da indústria fonográfica vai ficar guardada, a fantasia de comprador do público consumidor também vai ficar pendurada.
Apesar de todo incentivo ao consumo que o govêrno vêm dando, o brasileiro, antes de tudo um forte, também é gato escaldado. Já sentiu na pele crises, mais crises prá lá e prá cá, enquanto uma minoria- por escárnio ou por soberba – ostenta um luxo e uma avidez desmedida, financiada a custa de quem todos sabemos quem é.
Nesse contraste no qual Porsches último tipo e Passats 82 convivem nas ruas e, dentro das casas, MP3 e DVD Players ainda dividem estantes com gravadores/reprodutores de fitas VHS, quem deve fazer a festa é a pirataria.
Um exemplo: o AC/DC não gravava há oito anos. Seu último CD, lançado dia 20 do mês passado depois desse hiato, lidera a lista dos mais vendidos em 28 países e, nos Estados Unidos, com crise ou sem crise, já passou dos hum milhão em vendas. O consumidor poderá optar pelo oficial, a R$ 35,00 na loja ou a R$ 10,00 na rua – numa réplica de fazer inveja ao original de tão bem feito que é.
Apesar da revolução tecnológica ter bagunçado um pouco a sistemática, as gravadoras ainda existentes preparam o suplemento de final de ano, que deverá estar nas lojas até o próximo dia 30. Há quase 40 anos que a pirataria chega primeiro as bancas e vende bem o lançamento anual de muita gente. Vamos ver se esse ano continua a mesma coisa ou se vai ser diferente.
Enquanto chove crise lá fora, dentro de meu quarto de bagunça reina a descoberta de como mexer em um software novo. Baixei uma versão trial do Acid 7.0 da SONY e, usando meu banco de sampleres, estou compondo algumas trilhazinhas para o novo CD do “Laboratório de Sons Estranhos”- minha banda de música eletrônica. Já tenho quatro porretas, de fazer Carl Cox babar de inveja.
O “LSE” já vai para o terceiro CD ainda sem título. Os dois primeiros, “Clubber Lobotomy” e “Surfando no Caos” não podem ser encontrados na loja de CD mais próxima de sua casa. Por uma simples razão. Nunca mostrei eles para ninguém. Sempre considerei o “LSE” um projeto pessoal e nunca me interessei em mostrá-los. Talvez um dia eu mude de idéia.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Delírios, Visões e Lendas

Paul McCartney foi o grande destaque da premiação do MTV Europe Music Awards, realizada ontem, em Liverpool. De acordo com a Reuters, O Beatle, que já está com 66 anos, recebeu o título de "Ultimate Legend" (lenda definitiva) durante a cerimônia.
Pessoalmente, não levo a sério esse tipo de premiação desde quando, ainda nos anos 70, Alice Cooper inventou o troféu “Living Legend” e saiu premiando um monte de “famoso quem?” pelos USA a fora. Depois, vieram a profusão de Emmys, Globes, Latin Emmys, Clip Awards, Awards Awwards e por aí vão awards sté não poder mais, com todo mundo que seja “intere$$ante” ganhando o seu e levando para uma daquelas estantes repletas de objetos bizarros que a maioria dos produtores e empresários aparecem ao lado, com big charutões espetados nas bicancas.
Para mim uma legend se forma numa combinação de forças e características não só oriundas do talento ou do dom que a propalada legend possua. Exemplo? Jerry Lee Lewis é uma legend. Willie Nelson outra. Dennis Hopper é uma legend. Billie Holiday foi uma legend a seu tempo. Mário Reis, Ciro Monteiro, Nelson Cavaquinho, Carmem Miranda, Raul Seixas e Linda batista foram legends, cada uma ao seu estilo e a seu tempo.
E tem outra: o critério de uma legend se formar no imaginário coletivo é bem pessoal. Fica por conta de cada um. Na minha visão, Paul McCartney nunca será uma legend como John Lennon foi e George Harrison muito menos. Já Mick Jagger é bem mais legend que Keith Richards, Rod Stewart e John Mayall. Clapton é uma legend. Peter Frampton também. Já Robin Trower não passa de um bundão.
E, terminando essa minha diatribe, encerro com um grupo que eu considero uma legend acabada e perfeita. The Jefferson Airplane. Todos eles são figuraças, incluindo a minha musa desesperadora, Grace Slick- que bem poderia ser meu travesseiro verdadeiro e não só imaginário. Sou louco por eles e considero o seu disco ao vivo - ainda nos anos 60 – como uma das melhores coisas que já ouvi em toda a minha vida.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Cultura e Civilização - Parte 2

Estamos ou não estamos a um passo da utopia? Nossos ídolos são os mesmos dos nossos pais? A saber, John Lennon, Toni Tornado, Martin Luther King Jr, Arlete Sales, James Brown, Wilson Simonal, Pelé, Curtis Mayfield, Sidney Poitier, Robert Nighthawk e uma série de artistas, brancos e negros, que lutaram contra as formas de preconceito em vigor no planeta, desde que a mídia fez por onde levar todas as vozes a todos os cantos?
Eu ainda acho que não, pois o preconceito existe e , por incrível que pareça, está ao nosso lado, escondidinho da silva. Existem ainda em bairros chiques e classudos, muitos senhores que discriminam seres humanos instituindo entradas e elevadores sociais e de serviço. Apartamentos de luxo são vendidos com DCE- “dependências completas de empregada” e o subemprego ainda marginaliza grande parte da população a quem a chamada elite sempre roubou os meios e os caminhos para que ela tivesse uma finalidade específica, especializada e recebesse o merecido e não dentro dessa mais valia exploratória que o sistema institucionalizou.
Apesar da eleição de Barack Obama estar sendo considerada uma vitória sobre o institucional da dominação e a realização do sonho pelo qual Martin Luther King discursou aos pés da estátua de Abrahan Lincoln, eu, dentro da MINHA visão crítica, considero a escolha de Gilberto Passos Gil Moreira para Ministro da Cultura por Lula como um dos maiores golpes que o preconceito racial disfarçado recebeu em toda a sua história.Um fato tão importante quanto o resultado dessa eleição que consagrou um negro como o cavaleiro da esperança de lá- um New Rider of the Purple Sage bem ao estilo Zane Grey.
Aqui foi preciso um governo eleito pelo povo mostrar a todos aquilo que alguns sempre quiseram esconder- a negritude da nossa cultura. E lá aconteceu a mesma coisa. Foi necessário o povo correr atrás para mostrar aquilo que todos sabem e alguns ocultam – a chicanização da cultura wasp.
E é essa chicanização que vai acabar com o ranço Bush e o seu neo-liberalismo venal, que transformou um país organizado em escombros(Iraque) e que quase destrói- em proveito de alguns executivos – a economia de maior consumo que já existiu na história do homem.
Numa análise fria e calculista, a eleição de Obama não vai significar muito para nós. Vamos continuar a ser o quintal do Departamento de Estado e, com a possível estatização de alguns setores da economia de lá, protecionismos virão e nossas exportações vão dançar a dança que eles colocarem no player, já que eles são nossos maiores consumidores a qualquer nível.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Let´s Go !

Hoje eu vou dar uma de Navegador lusitano e singrar mares nunca dantes navegados por mim, falando de algumas bandas que existiram ou ainda existem, mas que, no meu entender, foram apenas uma curtição de alguns, apesar de carrearem muitos admiradores e colocarem música na parada. Lá vai!
Você conhece o New Riders of the Purple Sage? Pois é: a banda nasceu em 1969, na cena psicodélica de San Francisco e continua na ativa, sendo sua música mais conhecida a faixa “Panama Red”. Jerry Garcia, Mickey Hart, Spencer Dryden e muitos outros conhecidos do Grateful Dead, Jefferson Airplane e Big Brother and The Holding Company passaram por ela. Garcia foi Pedal Steel Player e o grande guitarrista David Nelson, um desconhecido que já foi do Big Brother logo após a saída de Janis Joplin e de Sam Andrews. O título da banda foi tirado de um clássico de Zane Grey, livro que eu devorei na minha fome adolescente, pertencente a meu avô, que o tinha em Teresópolis e que eu, então com 18 anos, roubei e está comigo até hoje.
O Moby Grape foi um dos melhores símbolos da alucinação que San Francisco viveu no final dos anos 60. A música da banda refletia uma série de influências e o seu álbum de estréia( ouvir “Omaha”) foi um estouro. Skip Spence, ex-baterista do Jefferson Airplane era seu mentor e guitarrista. Devido a pressões internas e externas, o grupo perdeu o pé e o segundo álbum “Wow”, foi considerado a grande decepção do ano(1969). Apesar de ter gravado mais material, o grupo foi impedido de usar o nome pelo empresário Matthew Katz, que o tinha sob registro.
Também oriundo de San Francisco e também do mesmo período, O Blue Cheer foi um dos powers trios que deu orígem ao Heavy Metal. Seu Lp de estréia “Vincebus Eruptum”, traz uma clássica versão pesada para “Summertime Blues” que chegou entre as dez mais de 1969. A banda lançou alguns albums até o final dos anos 70, quando encerrou os trabalhos.
Das três bandas citadas acima, só não tenho muita memória para o New Riders. Quanto ao Moby e ao Blue Cheer, tenho o material que interessa, pois esses dois grupos eram simplesmente indescritíveis numa primeira audição, por serem diferentes de tudo o que estava em voga. Ainda mais devido ao ácido Blue Cheer, que apareceu no pier e que, segundo as fofocas, foi quem fez o cartunista Chacal se converter ao evangelismo, num dos primeiros casos de maluco tristeza conhecidos da galera. No mais, o lance era botar o volume no talo e ligar o foda-se para a vizinhança.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

November Rain

Eu estava comletamente sem assunto até que resolvi ir ao Google e procurar algo que tivesse acontecido há 40 anos, em novembro de 1968, no cenário Rock. 68 o flower power estava explodindo e San Francisco e a Swingin London mandavam no mundo pop. Aí, pensei:”Quem namorava quem? Sério ou muita sacanagem?”. Achei de tudo um pouco, selecionei três histórias e elas estão aí abaixo. Bom proveito.
Paul McCartney e Jane Asher- Ela tinha 17 anos quando ela viu os Beatles pela primeira vez 18 de abril de 1963. Eles estavam escalados para o Swingin Sound da BBC e Jane era uma das extras contratadas para gritar assim que o grupo fosse anunciado.
A matéria sobre os Beatles com a foto de Jane gritando histéricamente apareceu no Radio Times de dois de maio de 1963. Nesse mesmo dia, Jane conheceu Paul e os dois namoraram até o final de 1968.
Jim Morrison e Grace Slick- Segundo um depoimento de Grace para a “Rolling Stone”, o Jefferson Airplane e The Doors fizeram juntos uma tour pela europa em 1968. No início da excursão, nada aconteceu, pois os dois estavam namorando e cada um tinha seu par. Mas, no meio da viagem, os dois rifaram os respectivos e começaram a conversar mais animadamente até que, numa noite depois de terem se apresentado- em Oslo ou Estocolmo- Grace não lembra ao certo – Jim parou em sua frente, abriu as calças e puxou seu pênis para fora. Ela olhou e pensou:”Puxa, como ele é grande”. Gostou do que viu e os dois se dirigiram para o camarim dele, se beijando. O namoro durou até o natal.
Donovan e Jenny Boyd – Jenny foi a inspiração da canção “Jennifer Juniper”, composta por Donovan quando este viajava pela Índia. Os dois eram amigos, mas, segundo ela, não lhe interessava ficar com Donovan, já que ela queria mesmo era um caso cheio de romance. Assim, ela preferiu namorar Mick Fleetwood, já que esse queria mesmo um caso sério e não uma brincadeira. Já pensaram isso acontecendo em 1968?
E aqui não era muito diferente. Quem quiser saber das coisas basta dar uma olhadinha no livro do Zuenir e vai saber quem comia quem naquele tempo, há exatos 40 anos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Decadance Without Elegance

Minha música está ou é bastante decadente e vêm descendo a ladeira a cada procurada que eu dou para ver se ela ainda é notícia. Só ouço falar de Ivete Sangalo, Cláudia Leite, NXZero, Charlie Brown Jr e outras coisas que não me dizem absolutamente porra nenhuma.
A partir da constatação que Latino vira notícia ao mostrar que tem medo de altura e que Viviane Araújo sambou que se acabou sábado próximo passado na quadra do Salgueiro( ela faz isso um sábado sim e o outro também), começo a viver a síndrome que Jota Efegê viveu em final de carreira, ao ver espaço para o que escrevia negado, só de vez em quando algo seu saindo publicado em “O Globo”, sob a guarida do próprio Roberto Marinho.
No meu caso específico, a síndrome se manifesta na constatação de que aquilo que eu admiro estar, aos poucos, perdendo espaço para uma novidade bem ctrl-c/ctrl-v, pois isso que o rádio toca já foi feito antes. Hoje eu ouço cópia ou regravação. Novidade? Nem ainda que tardia.
Aí vem alguém e me fala de Black Ice, do AC/DC. De novidade não têm absolutamente nada, pois a batida é a mesma desde “Rock and Roll Damnation”. Eu gosto? Adoro. Acho a banda a melhor coisa no rock hoje. Melhor para o meu ouvido só Rolling Stones.
Quanto a propalada Tour do LedZep, se ela passar pelo Brasil, não vou ir nem tentar. Não vou dar importância a uma coisa que hoje não têm mais lugar a preencher no meu imaginário. Tudo deles já foi feito. Um morreu, o outro se recusa a cantar. Prá quê ir lá? Para passar raiva e ficar fazendo comparação? Never, My Love- Jamais em tempo algum.
Não fui ver Police da mesma forma que não vou ver Queen com Paul Rodgers. Me recuso terminantemente. Não tem a mágica, uai?!
Não fui ver Brian Wilson solo e Roger Waters exatamente por causa da falta dessa chama mágica. Never be the same, man! Não adianta. Seria a mesma coisa que Paul e Ringo recrutando dois bons guitarristas e refazendo os Beatles. Não teria apelo. Seria uma coisa decadente ao extremo. E passar vergonha pelo vexame dos outros é coisa que me recuso a fazer. Ponto Final. Até na Decadencia um pouco de finesse é necessário. Vide Guilherme Araujo e Jorginho Guinle. Gente fina é outra coisa.

domingo, 2 de novembro de 2008

As Sete Máscaras da Morte

Aquela batida de porta e a risada de Vincent Price que estão no final de “Thriller” foram tiradas do filme que dá título a este post. E, como hoje é dia dos mortos, nada melhor que uma soundtrack bem lúgubre para este dia em que lembramos todos que ficaram sentados no caminho de qualquer gênero musical.
Apesar de ouvidos e re-ouvidos, com seus títulos sempre na lista dos mais vendidos, é duro se saber que nossos ídolos, que não foram os ídolos de nossos pais, estão mortos e nunca serão para nossos filhos os mesmos mitos que foram para nós.
Para meus sobrinhos adolescentes e jovens( são uma penca!), Jimi Hendrix é algo que está dentro de um acorde em lá bem poeira, ou num mi sétima distorcido num sulco de vinil, já que em CD é raríssimo se ouvir algo do homem que inventou uma linguagem para a guitarra, fez seu timbre deslizar entre canais e botou as bases para o uso de estúdio dentro de um rendimento que ainda pode servir com padrão.
Janis Joplin não passa de uma imagem circense fora dos padrões de beleza e parecida com a mulher de branco que vaga por Ipanema. Dentro do padrão adotado hoje, Sade Adu e Hayley Williams cantam melhor, mais timbradas e sem a voz de lixa de unha tão característica de “Me and Bobby McGee”- a única faixa de Janis que chegou a primeiro na Billboard.
Brian Jones é outro que virou foto. Uma espécie de Noel Rosa do Rock. Se do Feiticeiro da Vila sobraram apenas 30 segundos de imagem, se formos enfileirarmos todas as de Brian, elas darão, no máximo, 40 minutos de vídeo. Para alguém que foi um Rolling Stone fundador da maior banda de rock ainda em atividade, isso é o tudo. O resto é nada. Até Mick Taylor , seu substituto fugaz no grupo têm mais imagens junto com os outros membros que Brian.
Como já diria Mick Jagger em duas oportunidades diferentes: “O Tempo está do meu lado” e “O Tempo espera por Ninguém”. O ano que vêm tem mais.

sábado, 1 de novembro de 2008

De Volta ao Jurassic Park



No final do mês passado, um “Diplodocus Mettalicus” de orígem australiana deu sinais de vida, secretando de suas comissuras um gelo preto que já gerou cinco milhões de cópias em 28 países que foram atingidos pelo clone.
O Monstro não dava sinais de vida há exatos oito anos, num hiato sem precedentes em seu currículo biológico e essa nova aparição o coloca nos primeiros lugares da lista dos mais procurados nas lojas de CDs.
Há 28 anos que isso não acontecia com o ACDC. O último da banda a ser primeiro lugar fora “Back in Black”, quando “You Shook Me All Night Long” chegara a primeiro lugar nos dois lados do Atlântico.
Desde o último dia 20, “Black Ice” já vendeu 780 mil CDs- 180 mil a mais que o CD considerado mais vendido dos sete primeiros meses de 2008. E, indo na contramão, só a WalMart está vendendo o lançamento, tanto nos States quanto na Grã-Bretanha. Nada de Internet, downloads ou tecnologia.
Na MTV, “Rock and Roll Train” está em Heavy Rotation, sendo executado a média de 7 views diárias-nada mal para quem já tem mais de 40 anos de estrada.
O ACDC é algo parecido como o terremoto de um homem só- Angus Young, o escolar treme-terra, com direito a um vudu no final do show. Nada se compara a uma apresentação do grupo, ótimo em estúdio e imbatível ao vivo. Foi a melhor coisa que veio ao RocknRio de 1984 e nunca mais o Brasil ouvirá nada igual aos seus hellsbells.