quarta-feira, 30 de abril de 2008

LINDO SONHO DELIRANTE



Albert Hofmann, ‘pai’ do LSD, morreu ontem, em casa. O químico suiço tinha 102 anos. Sua morte foi devida a um ataque cardíaco. Hofmann descobriu o ácido trabalhando para a Roche, em 1938. Só foi provar a invenção, acidentalmente, em 1945.
Até a experiência multidisciplinar promovida por Timothy Leary e Ken Kesey- quando os sintomas causados pela ingestão do LSD foram descritos de uma forma menos catastrófica e mais entusiasta, a droga permaneceu restrita ao mundo da química. O LSD passou a ser considerado um estupefaciente no final dos anos 60, quando foi inscrito no “Drugs Act” pela FDA e, a partir daí, criminalizado- como a heroína e a cocaína.
No Rock, a influência do LSD começou a se revelar com a entrada em cena do chamado Flower Power musical, originário de San Francisco e que teve seu apogeu em Monterey e perigeu em Woodstock – três dias de amor e música – conforme seus empresários.
No Brasil, a experiência teve seu sentido fake na composição de Carlos Imperial "Lindo Sonho Delirante"- gravada pelo Fábio, logo após seu hit "Stella", também da autoria daquele que, para faturar, pegou carona em tudo o que pode, desde o Rock até a turma da pilantragem(lembram?)
As bandas mais significativas desse segmento foram o Grateful Dead, o Jefferson Airplane, o Blue Cheer( batizada com a designação de um tipo de ácido), o Blues Magoos, Country Joe & The Fish e o Experience de Jimi Hendrix. Como personalidades do período temos o próprio Hendrix, Jerry Garcia, Timothy Leary, Abbie Hoffman( nada a ver com o Albert Suiço), Jerry Rubin e o Rainbow Party. Foi comum durante os anos 60 a criação de grupos de rock como starters de movimentos políticos e bandeiras desfraldadas( vide o MC5 e The Fugs).
A experiência wikipédica contida nesse textículo serve apenas para marcar o óbito de Albert Hofmann, pois sem sua descoberta, muita loucura na popmuzik e no rock and roll teria passado batido. É isso.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Onde anda essa gente?!

Esse baixo Zemaitis que você vê na foto pertenceu a Ronnie Lane e está hoje integrando a coleção de instrumentos musicais do britânico John Quaisley. Com ele, Ronnie integrou o Faces até sua substituição por Tetsu Yamauchi, o único japonês conhecido pela história do rock inglês e, possivelmente, mundial. Ronnie hoje está impossibilitado de exercer qualquer atividade devido a ser portador de esclerose múltipla, doença que, quando diagnosticada em homens, é arrasadora e de progressão rápida.
Outro desaparecido é Peter Frampton. Segundo o que se diz, hoje ele se apresenta como guitarrista da banda de Ringo Starr. Um outro que tive notícias ontem é Dahni Harrison, filho de George e apontado como o músico mais rico do mundo, tendo em caixa 320 milhões de dólares- bem mais que Paul McCartney, que, de divórcio em divórcio, vem perdendo a grana que ganhou com Beatles e Wings.
Atravessando o oceano e invadindo o USA, a pergunta que não quer calar é o que que aconteceu com o MC5? Desde “Living in USA”(Atlantic – e que me roubaram!), nunca mais. O Wayne Kramer chegou a voltar em um compacto nos anos 70, mas depois foi tragado pela máquina. Onde estão Jack Casady? Jorma Kaukonnen? Hal Blaine tá vivo ainda? E o Leon Russell?
Quanto ao Johnny Rivers, esse tá vivo e vem ao Brasil se apresentar em São Paulo. Vai tocar tudo aquilo que todos conhecem, incluindo aquela versão melosa de “Do You wanna Dance”, que foi o seu maior sucesso aqui nessas plagas. Dentro daquela minha política de preservação de imagem, não vou sair de casa para ver a peça, pois quando interessava vê-lo, ele nem sequer deu as caras. Os únicos que vieram foram James Brown, Chubby Checker, Herman´s Hermitts e o Trini Lopez.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Imagem X 1000 Palavras



A foto ao lado está para o rock da mesma forma que a foto do Che batida pelo Korda está para a história contemporânea. Esta foto de Janis foi clicada por Bob Seidemann em San Francisco,!967, um pouco antes do Big Brother & The Holding Co se apresentar no Festival de Monterey, revelando sua vocalista ao mundo. Ela foi poster da “Rolling Stone”, tanto na edição original quanto na primeira versão Brasileira que, desculpem-me seus leitores de hoje, foi bem mais impactante que essa versão que anda por aí nas bancas, que já teve capa fake com Caetano e até com Ivete “aargh!” Sangalo.
Naquela época jurássica, o slogan “uma imagem vale mais que mil palavras” era interpretado ao pé da letra. A famosa foto de Jagger com cartola na tour de 71 deve ter contribuído em muito para o total de vendas do “Exile on Main Street”. Do mesmo jeito, certas fotos de Jimi Hendrix ao vivo devem ter catapultado vendas da maioria de seus albuns fora da discografia oficial.
Jim Marshall e Annie Leibowitz eram tão ou mais influentes com suas fotos que Lilian Roxon e Ben Fong-Torres com seus textos. Hoje, qualquer “paparazzi” bundão têm sua foto de Carol Castro entrando na farmácia publicada em n revistas escandalosas. Bundão por bundão, eu prefiro ver as fotos óbvias da mulher- melancia.
Na verdade, a única imagem que continua a dar o que falar é a registrada nos clipes. Tô querendo muito ver o novo clipe da Madonna, mas até agora eu não dei sorte dele passar quando estou zapeando na TV a cabo. Qualquer hora dessas eu consigo. Inté.

domingo, 27 de abril de 2008

Achados e Perdidos

Recado de lojista: O principal motivo para o fechamento dos pontos de venda é uma mudança de comportamento do consumidor, que a indústria cultural não consegue acompanhar nem impedir. Ele simplesmente não compra mais discos. Ele baixa todas as músicas de que gosta na internet, acompanhando faixas e deixando bandas e artistas de lado. Um dia ele ouve uma coisa, no seguinte, outra coisa totalmente diferente. É uma outra cultura, um outro jeito de consumir música.
Segundo esse lojista meu amigo, ele cansa de falar isso com os vendedores das gravadoras que cobrem sua área e nada acontece. No tempo em que eu trabalhei nesse mercado, a voz das vendas era ouvida por todos dentro de uma companhia. Era essa voz que regia o comportamento de todos- da produção artística até a promoção em RTV.
Onde é que anda o Zé da Gaita(foto)? Conheço o Zé desde 62, bem antes dele arrumar uma marine band e ficar famoso no Colégio Pedro II como o Zé Maluco. Antonio José Tinoco Laforgue estudou comigo e com o Chust no Santo Agostinho, ficamos sem nos falar até 68 e depois sempre nos encontrávamos em jam sessions onde o que se fazia era tocar stones até encher o saco. Com a morte de “O Peso” ele, o Gabriel, o Vicente e o Constant fundaram o “Flamboyant”- que se apresentou no festival de Saquarema(74), organizado, filmado, empacotado, varrido por Nelsinho Mota, completamente dracão e repleto de champagne. Depois, veio esse compacto e o ...............onde é que anda o Zé?
O título do post de hoje me remete à época dos “Secos & Molhados”. Devido ao sucesso da banda de Ney, João & Gerson, começaram a aparecer clones com títulos estilo “Achados & Perdidos”, “Razão Social”, “Marca Registrada”, “Café & Bar”, etc....... Título por título, o melhor que eu conheci até agora é o de uma carrocinha de cachorro quente podrão que anda aqui pelo Leblon: “Au...Augusto”!

sábado, 26 de abril de 2008

Um Problema Particular



-Tá feia a coisa! Para que o embaixador norte-americano no País, Clifford M Sobel escreva um artigo no “O GLOBO” desse sábado, afirmando que a pirataria é um problema de todos, acredito eu que a indústria máter, sediada na terra dos grandes irmãos do norte, deva ter dado uma pressionada daquelas no Departamento de Estado, para que este tomasse alguma iniciativa.
Apesar desse blog versar sobre popmuzik e rock and roll, resolvi tomar uma atitude em resposta ao texto, que considerei canhestro e completamente calhorda, ainda mais por ele ser publicado num jornal diário de um país onde a exclusão a qualquer nível continua a ser a tônica para 60% da população.
Acredito que a defesa da propriedade intelectual não obrigue aqueles que tenham um pouco de consciência política e sintam na pele a mais-valia a que todos os segmentos são submetidos por seu exercício( propriedade intelectual), a ler textos tão venais e corrompidos como o redigido pelo embaixador e/ou seu ghost writer.
Distorcendo fatos e conceitos, o texto informa que, em 1995, mortes numa epidemia de meningite ocorrida na Nigéria poderiam ter sido evitadas caso a patente de uma vacina fosse respeitada. E que em 1988, um xarope preparado com substância adulterada matou bebês na Índia e no Haití. Citando estes três exemplos, Sobel assinala que se, a propriedade intelectual dos idealizadores destes produtos – vacina e xarope – tivessem sido respeitadas, isto é, o preço pedido fosse aceito sem tugir nem mugir, as vidas teriam sido poupadas.
O embaixador na defesa não poderia ter sido mais infeliz na coleta de exemplos: Nigéria, Índia e Haití. Países que, como é sabido por todos, tem um índice de qualidade de vida abaixo de qualquer crítica e onde nem os respectivos governos tem caixa para bancar o pagamento de patentes Ao citá-los, Sobel partiu para o nível do surreal. Porque ele não citou Taiwan, onde os direitos e patentes norte-americanos ou de qualquer país de primeiro mundo nunca foram respeitados? Ou Singapura?
Estes dois países asiáticos não possuem nenhum mecanismo para proteger a propriedade intelectual e estão entre os 27 países mais bem sucedidos industrialmente, contrariando outra afirmativa do embaixador na defesa, assinalando que aqueles que não protegem a propriedade intelectual ocupam os últimos lugares em termos de crescimento econômico. Outro país que não dá a mínima para a propriedade intelectual é a China. E, como é sabido, seu crescimento econômico e suas exportações são zero a esquerda, né mesmo?
Pode até ser que a esperança de todos em futuro melhor dependa de invenções e inovações de pessoas criativas e dedicadas. Mas essa esperança não está diretamente amarrada ao pagamento de direitos extorsivos pelo uso dessas invenções e inovações. Precisamos sim é de uma revisão no direito autoral que discipline a propriedade intelectual em um formato aceitável e acessível. Só assim todos poderão dizer não à pirataria, coletivizando aquilo que hoje não passa de um mero problema particular das indústrias e do capital.

O Retôrno da Múmia - Parte 2


Segundo Tutty Vasques, Os Mutantes tocam às 3h da madrugada deste domingo no palco da Virada Cultural na Avenida São João, em São Paulo. O que talvez esclareça porque Zélia Duncan deixou a banda. Um visitante do blog assinalou que “ Alguem tem que avisar os caras dos Mutantes que estamos no século 21 e que as apresentações deles deveriam acontecer lá no Sesc 3a. idade... Já foram, já foi. Até o Romário parou...”
Na minha visão da coisa, esse retôrno da múmia seria a mesma coisa, guardando as devidas proporções, que Ringo e Paul convocassem uma coletiva no Cavern Club, dizendo loas e boas e anunciando a volta dos Beatles, tendo nas guitarras Peter Frampton e Hamish Stuart, e marcando o lançamento de “Help Please!”, DVD para registrar a idéia antes que alguém tivesse algum problema de saúde sério. Todo mundo ia “adorar”, não ia?
E se a Gretchen, depois de mudar pra Recife, casar, separar depois de levar porrada do marido, ter a filha dizendo-se sapatão e cobrando R$ 3 mil por entrevista para relatar sua experiência homo, resolvesse voltar a sacudir a celulite? Já imaginaram que coisa boa para a Cultura em geral? Só ia faltar uma “reunion” com a mulher-melancia, né mezz????
E, como homenagem aos meus três leitores, segue ilustrando esse post uma foto de divulgação da Gretchen, feita na época do lançamento da “Melô do Xique-Xique”. Favor reparar no look pombagira da garotona.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Recordar é Viver – Parte 2

Dentro desse processo de digitalização de meus vinis, só para mudar um pouco de sistemática , resolvi dar uma olhada nos compactos- que eu sempre guardei para uma eventualidade profissional e também pessoal. Muita coisa eu dei de presente, mas também muita raridade ficou guardada. Os exemplos são vários e vou citar alguns aqui.
Gretchen e sua “melô do xique-xique”. A composição, se é que podemos dizer assim, é do Sam Malnatti, um argentino radicado em sampa e que, durante algum tempo, produziu ela, as melindrosas e machucou aquelas carnes todas, incluindo a mãe, não necessáriamente nessa ordem geral. Mr.Sam chegou a ter um programa de rádio na America AM 1410(SP), mais ou menos na mesma época em quie o Jacques tinha o “Caleidoscópio”. A Copacabana Discos era a casa das coisas esqusitas, como Gretchen, France Jolie e outras invenções menos votadas, numa produção completamente indigente em qualquer termo. O chefe de promoção era o Flavinho- uma das figuras mais escrotas que conheci no meio. No Rio, a divulgação ficava por conta do Joãozinho Tapecar- um alambique ambulante que quando me visitava deixava minha sala com aquele hálito de coopersucar.
Candeia lançou pela WEA “Ao povo em forma de arte”, samba-enredo de sua autoria para a GRES Quilombo, fundada por ele, cxom o auxílio luxuoso de Paulinho da Viola e Sergio Cabral. O compacto foi extraído do Lp produzido pelo Guti e um dos últimos trabalhos do sambista gente boa. A gravação é fantástica.
Quando passou pela gravadora Eldorado, no final dos anos 70, Raul Seixas gravou um compacto dirigido “a sivulgação com “Discagem Direta Interestelar”- que eu considero um de seus momentos infelizes, já que a letra (Kika) é fraquésima, caso olhemos trabalhos anteriores e posteriores do The Pelvis soteropolitano. O que valeu, para mim, foi o recado, em papel timbrado, que veio dentro do compacto, entregue aqui na porta de casa, e que ilustra este post. Assim que eu descobrir mais coisas, eu falo a respeito.

O RETORNO DA MÚMIA

DEU NA GLOBO – “Sem a companhia da colega Zélia Duncan e do irmão Arnaldo Baptista - mas com as participações do norte-americano Devendra Banhart e do baiano Tom Zé no próximo álbum, previsto para sair ainda este ano -, o guitarrista Sérgio Dias apresentou na noite de quinta-feira (24) a primeira música inédita dos Mutantes em mais de 30 anos. “Mutantes depois”, como o nome sugere, fala sobre essa nova fase da lendária banda formada nos anos 60 e que contava com Rita Lee nos vocais “.
Eu acreditava que a múmia tinha sido definitivamente enterrada em “Tudo foi feito pelo Sol”, último lançamento perpetrado por Serginho ainda nos anos 70, na companhia de Rui Motta e outros a quem não lembro o nome. Pelo visto, essa minha certeza foi debalde já nas contrações pós rigor mortis daquela “reunião” com Zélia Duncan e Arnaldo, que deu naquilo que todos sabiam que ia acontecer, isto é, nada.
Agora, a poeira piramidal é varrida mais uma vez pelo vendaval vindo do deserto de idéias. E, ao que tudo indica, teremos novas trilhas sonoras para filmes mortos-vivos estilo hammer, influenciadas por Beatles, Peter Gabriel e Jimmy Smith. O atual recuerdo de Ypacaraí descarta qualquer retorno a linha yes(Graças a Deus!!!!).
Para que tudo entre no esquema, falta apenas um release noticiando a entrada de José Mojica Marins no grupo, contribuindo com letras e spiritual advisory, num papel parecido com o de Pete Sinfield junto a Robert Fripp no extinto King Crimson.
Praga de gordo é uma merda: já imaginaram se o King Crimson também anunciar o seu retôrno? Cruzes!!!!!!!!

Comemoração



Até agora, a melhor matéria enfocando a bossa nova nesses seus 50 anos de idade foi publicada hoje no “Segundo Caderno” de “O Globo”. Assinada por Leonardo Lichote e com o título “Banquinho e Prancheta, sem violão”, a matéria tem seu escopo sobre o trabalho de Cesar Vilela nas capas feitas para a ODEON e a ELENCO(leia-se Aluísio de Oliveira), essa última a partir de 1963.
Num grafismo completamente revolucionário, Vilela desenhou as embalagens da elenco num estilo pré- new wave, centrando tudo em três cores básicas, que tornavam sua impressão e fabrico num custo acessível para uma empresa- no caso a ELENCO – com poucos recursos disponíveis no sentido de excessos, já que os processos e trajetos eram custosos e de difícil feitura.
Como diz Leonardo, Cesar Vilela conseguiu traduzir gráficamente a batida bossa nova do violão de João Gilberto. Já em seu depoimento, Cesar revela que a chateação e estranheza sempre foram a tônica no trato entre o artista e o resto do planeta.
E já que estamos falando em comemoração, bem que- dentro desse espírito eufórico- alguém poderia lembrar de relançar certos títulos da MPB do período, como o de Lennie Dale e o de Odete Lara com Vinicius, para que a homenagem a bossa nova seja completa.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Falta de Assunto

O cenário musical anda politicamente correto demais para o meu gosto. A vida real vêm dando de dez a zero nele. Basta ver esse assassinato de uma criança indefesa como mobilizou a mídia. Antigamente, quando as pessoas pareciam ser um pouco mais civilizadas, quem dava escândalo era artista. Hoje isso não acontece mais. Todos dão escândalo e agem explosivamente, perpetrando eventos inclassificáveis.
No meu tempo de século XX, artista casava em Reno(Nevada), já que aquele estado norte-americano tinha a legislação casamenteira mais permissiva conhecida. E para se separar, ia a Reno, chegava perante um juiz qualquer e alegava “crueldade mental” como motivo da separação de corpos.
Na América do Sul, a meca era Montevidéu. O casal “fugia”, passava uns quatro dias sumido e reaparecia no Uruguai, casadinho da silva. A separação acontecia mais ou menos no mesmo figurino. Bastava qualquer um dos dois “fugir” de novo e reaparecer no Uruguai com outro(a) consorte. Só a Angela Maria fez isso umas três vezes. A Teresinha – mulher do Ferrari(dentista da família) também fez isso. E muito mais gente conhecida, não necessáriamente artista ou cantora de sucesso.
Quando Cole Porter escreveu “I´ve Got you under my skin”, só os inocentes acreditaram que aquilo era para uma mulher. Na verdade, todos sabiam que aquilo era uma declaração de amor a......... cocaína, droga da qual ele era usuário.A música foi gravada em versão light(Frank Sinatra) e em versão speed(The Four Seasons). Falando em cocaína, ela foi homenageada em letras mais contundentes(Silver Train – Jagger & Richards) e até em nome de banda(Silverhead).
Já a heroína, droga usada por 11 entre dez artistas dependentes químicos, passou por várias homenagens, incluindo até filme(“O Homem do Braço de Ouro”). No rock, a homenagem mais sugestiva fica com “sweet jane”, de Lou Reed e a mais pungente na versão de “Love in Vain”(Robert Johnson) gravada pelos Rolling Stones, banda na qual- segundo a rádio boato da época das gravaçãso de “Let it Bleed” – existiam dois dependentes da pesada. Outra “homenagem” a heroína prestada pelo rock está na foto interna do album duplo “4 Way Street”(CSN&Y), na qual David Crosby aparece com o grupo no camarim, de camisa de manga comprida, com uma delas arregaçada até o cotovelo. A fofocalhada e o comentário vazaram pelos quatro cantos do planeta. Porque será, heim?
E as loucuras, heim? Keith Moon adorava mergulhar de Cadillac na piscina dos hotéis nos quais o grupo se hospedava nas tours. Rod Stewart, Ron Wood e o resto do Faces- Bêbados – conseguiram destruir um avião........ em vôo! Na primeira vez que veio ao patropi, Mr. Rod, jogando uma peladinha dentro da suite presidencial do Copacabana Palace, destruiu parte do mobiliário. Paul McCartney foi pego com maconha no Japão e quase cumpriu pena. Resultado: nunca mais pode voltar cantante a terra do sol nascente.
E, para concluir, em termos de declarações polêmicas, ninguém conseguiu suplantar John Lennon quando ele disse que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo. E, por incrível que pareça, ele não estava errado.
Já hoje, o must são barbaridades sádicas e destrutivas contra outrém, estilo Fatty Arbuckle, ao matar uma starlet enfiando uma garrafa de champagnhe em sua vagina(1919). Só que ele estava drogado e bêbado. No terceiro milênio que vivemos, a violência e a loucura são espontâneas, banais e sem motivo. Tremenda falta de assunto e de propósito.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ética Mínima




Ruwen Ogien, o propositor da Teoria da Ética Mínima está de passagem pelo RJ e dá hoje(dia de São Jorge) uma palestra na PUC sobre o tema. Pela Teoria da Ética Mínima, desde que se respeite O OUTRO, tudo é possível dentro de uma ética mínima de comportamento. Consumo de drogas, desvio de comportamento, autoflagelação, aborto e outros temas ditos polêmicos poderiam ser praticados desde que o alvo fosse o EU PRÒPRIO e não o EU DIVIDIDO( MIM e outro, podendo ser o TI próximo e o VÓS distante). Resumindo a ópera para ela não ficar confusa: Tudo é permitido desde que você não atinja um outro, dentro de uma ética mínima. O contrôle social se encarrega do resto.
Aleister Crowley levantara esta bandeira no início do século XX e teve Fernando Pessoa como discípulo. Só que, para os anos 30, Crowley pegou pesado demais e o contrôle social o proscreveu como maldito sem direitos.
No Brasil, Raul Seixas propôs quase que o mesmo de Crowley dentro da sua teoria elástica a respeito de uma sociedade alternativa(vide letra de “SOCIEDADE ALTERNATIVA”). Devido a essa teoria, a ditadura fez Raul ir passar um tempo em Graceland e conversar com John Lennon. No terreno contracultural, Paulo Gomide( poeta) e Sergio Bandeyra(Os Brazões) tiveram uma atuação discreta, da mesma forma que Ernesto Bono e seu “Almanaque Órion”, ao caçar mitológicamente os perdidos no pensamento oriundo das barricadas de 68.
O surgimento da BLITZ(“Você não soube me amar”) representou uma anomia da teoria da ética mínima, prontamente cooptada pela indústria cultural, no sentido da adaptação de suas engrenagens ao gosto new wave em voga, deglutindo antropofágicamente as manifestações importadas do B-52´s e do TALKING HEADS. Nessa vertente cooptada, a indústria cultural trouxe a reboque o ULTRAJE A RIGOR e, posteriormente, o MAMONAS ASSASSINAS. Já pelo lado punk, “Ratos de Porão”, “Garotos Podres” e os”Inocentes” tiveram suas clonagens cleans no “Ira!” e na suprema maquiagem aplicada em João Gordo para que este se tornasse multimídia num agente de cooptação do porte da MTV e em Lobão, na apostasia de toda a sua pregação contra o leviatã da Industria Fonográfica, atuante dentro de um modelo proposto nos anos 50 e imutável até a entrada em cena do P2P e .mp3.
Dentro de uma ética mínima, até que esse seria um cenário suportável, caso a indústria não resolvesse agir juridicamente contra um consumidor que acredita que a revolução tecnológica já atingiu seu direito de consumir-fato peremptóriamente negado por ela( indústria) e rotulado como pirataria.
A indústria esquece que nem todas as manifestações se chamam Mariah Carey e que generalizações hoje em dia não tem mais lugar, já que a .net tornou possível manifestações que ela poderia controlar e, dentro de sua visão discricionária, sufocar no nascedouro. Hoje é tudo diferente e amanhã não será como ontem. Nada como um dia depois do outro
.

terça-feira, 22 de abril de 2008

O ôvo ou A Galinha?



Quando se usou pela primeira vez o termo “bossa-nova”? E o “Rock and Roll”? E “World Music”? Essas dúvidas, além de alimentarem polêmicas intermináveis, ficam parecendo coisa de quem não tem o que fazer dentro do contexto global ao qual a discussão se refere. Ainda mais porque rótulo é uma sistemática usada pelos oniscientes de um momento quase sempre perdido no tempo da arte. A discussão passa a ser parte da história. Assim sendo, vou deitar falação a respeito.
A “Creem” deve ter sido a melhor publicação sobre o rock que já existiu, foi ela quem inventou os termos “punk Rock” e “Heavy Metal”. Suas previsões sobre correntes, reflexos e repercussões eram quase sempre concretitzadas. Ela surgiu no momento certo, quando a crítica era vital para o prestígio da industria cultural, principalmente devido ao paradigma do armazenamento(estava escrito).
No Brasil, acredito que tivemos três momentos básicos dirigidos a difusão cultural. O surgimento do “Divirta-se” do JT(Jornal da Tarde), com toda uma inovação e irreverência, o “Alto-Falante”, primeira publicação bancada pela indústria fonográfica e a “invenção” de Júlio Barroso – um autoprojeto batizado de “Música no Planeta Terra”. Ele surgiram não necessariamente nessa ordem. Um de meus três leitores lembrou a primeira versão da edição da “Rolling Stone” feita aqui(Camelopard Produções Gráficas) e o “Rock, a História e a Glória”(Jornal de Música e Som(T S FARAH editora)). Um coleguinha lembrou da “Pop”(Editora Abril), “Som 3”(Editora Três) e outras tantas explosões, quase sempre aproveitadoras de um momento, não conseguiram firmeza, sendo impressas e retiradas as pressas das bancas, naqueles fracassos indignos do currículo de um publisher de respeito.
Sugestões de “momentos básicos” não faltaram para cada um de meus três momentos. Agora: o primeiro jornalista a escrever sériamente sobre Rock no RJ foi o Sílvio Túlio Cardoso em “O Globo”. Foi o primeiro que eu li. Foi o primeiro a passar credibilidade naquilo que eu devorava letrinha por letrinha.
No rádio, as pirações cariocas foram a Federal(radio AM que ficava em Niterói) da equipe do Carlinhos Sigelmann e a Radio Guanabara AM 1360- criada pela equipe do Vasco Castro Barbosa(leia-se Eduardo Andrews e Edmar Fonseca). Não havia FM. Enquanto isso, a TV só passava coisa ruim, com exceção da TV RIO que retransmitia os telecines semanais do “SHINDIG” e do “SHIVAREE”. Todo o resto veio depois.
É bom lembrar que esse “Remembers” não tem nenhuma semelhança com o similar de “Lennon Remembers”. Não são lembranças. É a minha opinião.
- Sabem de uma coisa? Eu gostaria de ser rotulado. Até como ignorante. Te garanto que ia trabalhar em programas estilo Rede TV! E apresentar desfile de carnaval. Ainda mais que não entendo picas da coisa. Ia entrar para o fashion pela porta de trás e ia encher o saco de muita gente, he!he!he!
Como eu já encerrei minha fase de Trabalho-Para-Outrem( não devo ser convidado para mais nada), pesquisa(Música no Século XX) e preservação de documentos(falta apenas digitalizar a vinilzada), minha opinião não vai mudar.
E é nessa que eu coloco Nelsinho Mota como o “Homem de Visão Século XX” da Indústria Cultural. Nelsinho foi o primeiro jornalista multimídia em rede de TV para todo o Brasil. Com exceção da Rolling Stone da Rua Marques de Caravelas(RJ), Nelsinho meteu o bedelho em tudo o que aconteceu de bom na indústria cultural. É produção dele o LP que redirecionou a carreira de Elis Regina no início dos 70. Ao falar bem de Chico Buarque, desagradava a ditadura. Ao falar bem de um rockstar, desagradava Chico Buarque. Teve insight para dar uma faturada legal com o movimento disco, em dois momentos noturnos históricos: o “Frenetic Dancin Days” e a arena do Morro da Urca. Apesar dos acidentes de percurso, se não fosse ele, os anos 70 teriam passado em branco na Indústria Cultural.
Como rei do clichê, uso mais um como ponto final: escrevi este texto baseado num baseado. Que tal?

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O Retorno da Bunda Music


Quem acreditava que a Bunda Music tinha sido uma manifestação de estilo eminentemente bahiana estava redondamente enganado. Eu, confesso a todos, era um deles. Lendo “O DIA” desse 21 de abril, só faltei mandar nossa cultura prá puta que pariu, maninho! Realmente, a preferência nacional voltou a pauta com força total. Liderando a onda, Andressa Soares, vulgarmente conhecida como “Mulher-melancia”, ostentando 121cm de dotes vocais numa cara de pejóta estilizada.
Depois de estrelar uma edição especial da “Playboy” onde seu “buzanfam” foi fotografado em todos os ângulos possíveis de serem locados num transferidor, Andressa resolveu se lançar solo, abandonando McCréu e entrando em estúdio para gravar “obras” de Bruno DJ e DJ Batata- tudo gente boa e, que, se denunciados por desvio de função, não serão presos a toa.
Se nossos ouvidos já tiveram que aturar o áudio do “É o Tcham” só para acompanhar o visual das Sheilas, vamos receber outra dose de áudio nojento só para poder dar uma olhadinha na mulher melancia que, temos que confessar, é uma gracinha( com todo respeito, é lógico!).
Para que meus três leitores tenham uma idéia do que vêm por aí, segue abaixo a letra de “VELOCIDADE SEIS”- criação coletiva de Bruno DJ e DJ Batata.

TIPO CINTURINHA FINA
O POPÓ GG GIGANTE
SOU A MULHER MELANCIA
E REBOLO A TODO INSTANTE

(REPETE)

A VELOCIDADE 5
ENSINEI PRÁ VOCÊS
AGORA EU QUERO VER
A VELOCIDADE 6

VAI VAI VAI VAI
PERAÍ! – A VELOCIDADE 6
VAI VAI VAI VAI

(VOLTA AO COMEÇO)

Sentiram o drama? Quão Poética é a letra, né mesmo?

O chato do Sting acaba de ser acusado de plagiar idéias de um músico e compositor norte-americano de Nevada para criar duas das canções mais populares do The Police.
O músico Roy Smith afirma ter conhecido Sting nos anos 1970, logo após o músico inglês ter assistido a uma apresentação sua na cidade de Reno. E, pela história que vai abaixo, nota-se que chatos se atraem mutuamente. Já imaginaram alguém sentar ao nosso lado e passar a noite num “Essa é a minha Vida”, sobre fatos que esse alguém acha interessante nos contar? Pois foi isso que aconteceu! O cantor de Nevada disse que passou a noite falando com Sting sobre sua vida e lhe contou histórias, como suas experiências com uma prostituta chamada Roxanne(“Roxanne”) e como escrevia mensagens à sua mãe viúva e as deixava em garrafas(“Message in a Bottle”).A pergunta que fica é: Será que o Pajé Sapaim teve que aturar isso do Sting( lembram daquela amizade viril?), ainda por cima ele( Sting) falando em inglês e o pagé só entendendo xavante, num dos maiores programas de índio da história do pop?- É Ruim, heim???
Conclui-se que Sapaim deve ser tão chato como o Roy Smith, Sting e nessa o cacique Juruna também manda lembranças.Smith afirma que suas histórias terminaram virando versos de duas das mais populares canções do The Police, "Roxanne", "Message in a Bottle" e que vai a barra dos tribunais reclamar seus direitos.
Os advogados do chato do Sting ainda não se pronunciaram sobre o caso. Um deles, conversando em “off” com uma reporter assinalou o seguinte: “Esse tipo de reclamação a gente empurra com a barriga e, com o tempo, ela naturalmente se extingue”.

domingo, 20 de abril de 2008


Eu tinha escrito um texto sobre Clichê que levava o título “A Mitomania do Decalque”. Era um texto que eu julgava engraçado e bem sarcástico sobre os clichês na música, indo desde Rita Lee travestida de David Bowie até Tortelvis – o ET, vocalista do Dread Zeppelin.
Tinha esquecido de falar dos Golden Boys e também não falei do Renato e seus Bluecaps nem do fantasma Peter Frampton que sempre assombrou Luiz Maurício Pragana dos Santos. Mas falei de Raul e sua síntese bahiana de Elvis, que me remetia aos 37 imitadores de Elvis no japão e sua dificuldade de cantar em inglês numa língua que não pronuncia o L e o R. Tinha falado também de Claudia Leitte e Ivete Sangalo, clones de Tina Turner com perucas de mulher de jogador de futebol e que só faltava o espírito do Ike Turner dar as caras num terreiro do pelourinho, incorporar num cavalo e ir dar porrada nas duas.
Não deixei passar batida a saga progressiva e o “Marillion”, que sintetiza todos os defeitos do gênero, a saber: temas estrambóticos traduzidos em letras de banalidade incompreensível, solos instrumentais intermináveis e um auto-tratamento pseudo-erudito às composições.
Dei uma pixada na new-age, um subgenero progressivo que tenta alcançar o futuro num plano nebuloso, sempre na velocidade etérea de uma letra cósmica. Como o futuro está a anos-luz de distância, as obras tem melodias truncadas por asteróides sonoros de impacto desintegrador seguido de calmarias destrutivas, num hiperespaço infinito entre o princípio e o fim de cada peça, politicamente correta e ambiental. Garanto que serve como trilha sonora de qualquer reunião do conselho editorial da “Folha”. Quem acha Kitaro do caraca que atire a primeira pedra.
Tinha passado pelo Metal, destacando que só os fanáticos pelo gênero conseguem distinguir os estilos daqueles geradores de áudio distorcido mixados por vocais de torturados pela inquisição para se confessarem admiradores do demo( sai...capeta!). E, para terminar, tinha dedicado o texto ao Telmo Martino que, numa crítica afiada, comparou os “Doces Bárbaros”( Caetano, Gil, Gal e Bethânia) ao filme B que reuniu a múmia, frankenstein, conde drácula e o lobisomem. Aí , quando fui salvar o texto, ele foi pro saco. Não me dei por achado e escrevi esse. Um abraço.
Até esse texto é um clichê. Lembram de Eça quando criou o clichê do Bey de Túnis por não ter porra nenhuma o que escrever? Pois é.........

sábado, 19 de abril de 2008

Minha Musa Desesperadora


Minha musa desesperadora é essa que está aí na foto. Já tive sonhos eróticos com ela de acordar todo melado. Sua voz sempre me deixou todo arrepiado. Janis Joplin perto dela é a empregada doméstica do terceiro andar cantando “Pensa em Mim”(Leandro & Leonardo). Ela é a minha Billie Holiday e sua voz e seu piano(ela toca bem!) me completam totalmente. Amo Grace Slick.
Acompanho sua carreira desde que ela gravou com o Great Society, antes de entrar para o Jefferson Airplane. Tenho este e quase todos os Lps do JA, destacando no meu top 10 o “Surrealistic Pillow”, o “Live”, o “After Bathing at Baxter´s” e o “Volunteers”.
Nunca entendi o porque deles não terem figurado no Filme sobre Woodstock. Colocaram aquele chato do David Sebastian e deixaram-nos de fora. Outro esquecimento básico foi o Gratefull Dead. Afinal, todos os dois foram os maiores ícones do Flower Power de San Francisco- onde tudo teve início. Acredito que essa falha foi devido a eles não terem nenhum contrato com o Kinney Group, principal financiador do “three days of love and music”. Mas, como errar é humano, fodam-se o Kinney e a Warner que o sucedeu. Antes eles do que eu. Para mim , a voz de Grace e a voz de Eric Burdon são as gravadas no meu songbook. O resto é figuração.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Prá quem gosta é um prato cheio!




DEU NA GLOBO – “Mariah Carey deve estrear no primeiro lugar da parada de discos pop norte-americanos da semana que vem, de acordo com uma pesquisa feita com lojistas sobre as vendas do álbum “E=MC2” no dia de lançamento. As vendas no dia do lançamento são monitoradas pela empresa Nielsen SoundScan's Builsing Chart, que se baseia em dados de nove redes de lojas - a Trans World Enterntainment, Starbucks, Best Buy, Circuit City, iTunes, Borders, Target, Anderson Merchandisers e a Handleman Co. A Billboard estima que isto corresponda a 80% do mercado norte-americano. O número final vai ser divulgado na próxima quarta-feira. A primeira música de trabalho do novo disco, "Touch my body", ficou duas semanas na primeira posição da parada Hot 100 das mais executadas, também da Billboard”.
Eu não acredito em bruxas, pero que las hay, hay! Sempre passei ao largo dessas coisas, estilo Paula Abdul, Wanessa Camargo, Whitney Houston, Cher, Gretchen, France Jolie e outras gostosonas caricatas que, como futuro próximo, no dia em que param de vender viram jurada de TV. Sempre fui mais chegado a uma Grace Slick( que durante algum tempo desejei também como travesseiro), Pat Benatar, Chryssie Hinde ou mesmo uma Janis- da qual eu gosto de muito pouca coisa( sou mais chegado a fase Big Brother & The Holding Co.). Até a Kelly Osbourne passa. Agora, Mariah Carey?
Aqueles gritinhos líricos que ela perpetra são simplesmente nojentos. Consegui não ter nenhum de seus CDs e quem me der um de presente está jurado de morte. Lembrem-se que praga de gordo é foda! Gruda mais que Velcro! Como gosto não se discute, considero Mariah Carey um grande exemplo de mau gosto. Ficava sacaneando uma sobrinha que tenho ( e que gosta da Mariah) assinalando para ela que tinha visto uma roupa assim, assado, igual a da cantora e que achava que na sobrinha ia ficar do caraca. Considero La Carey bem mais brega que a Wanessa neta de Francisco. Mas, não existiu Liberace? Não existe Elton John? Porque não Mariah Carey?

Rock and Roll is here to stay.............or to pay?

Num encontro ocorrido em St Louis nos anos 70, Chuck Berry perguntou a James Brown, qual era a recompensa pessoal que eles tinham em se esfalfarem tanto em suas apresentações energéticas e estafantes.-“Where is the payback, man?”, ao que Brown respondeu de pronto.-“Rock and Roll is here not to stay.....it´s here to pay,man....You know that, man!”. O diálogo, registrado pelo crítico e escritor Ben Fong-Torres serviu para título de uma crônica publicada na então “RollingStone” a respeito de como os participantes ativos(músicos e popstars) encaravam a atividade realizada em cima dos palcos. Se tudo era movido a grana, dizia Ben, não era o Rock que ia passar batido da relação de mercado. Para o crítico, da mesma forma que a indústria cinematográfica havia transformado Holywood num cenário fake, o mesmo estava acontecendo com a música símbolo do conflito de gerações. A indústria do disco queria seu payback. E, de preferência, em milhões de discos vendidos, promovidos por turnês estafantes, com um mínimo de quatro apresentações por semana, promovendo até dois lançamentos anuais.
Foi assim que o neozelandês Gary Thain- terceiro baixista do Uriah Heep- morreu de falencia física. O dano, do qual Thain nunca se recuperou, foi causado por negligência técnica num choque de troca de fase, devido a uma aparelhagem montada às pressas num palco molhado. Fato aconteceu numa apresentação de uma das n datas marcadas para a divulgação do lp anual de 1975 (Dallas). Devido as extensas excursões marcadas por empresários, o Savoy Brown teve 18 formações, sendo que na nona não havia mais nenhum membro da formação original e o nome da banda era de propriedade de um agente. É fato notório que as canções dos Beatles, da fase 62-66, registradas na editora Northern Songs nunca pertenceram a eles. Eles recebiam apenas um percentual de direitos autorais. O mesmo aconteceu com os Rolling Stones na fase Nanker Phelge. Quem ficava com a parte leonina era Andrew Loog Oldham- primeiro produtor do grupo.
Se isso acontecia no cenário Rock, na black music não era muito diferente.Os contratados da Motown Records recebiam.......salário! É isso mesmo! Supremmes, Temptations, Stevie Wonder, Marvin Gaye, Miracles e muito mais gente passaram anos a fio recebendo um pixulézinho todo final de mês enquanto seus lançamentos chegavam aos primeiros lugares da parada de sucessos em todo o planeta.
No Brasil não era muito diferente. O falecido Guilherme Araújo- empresário da Tropicália e responsável pelas carreiras de Gil, Gal, Caetano e Bethania - tinha todas as composições de Gil e Caetano registradas na editora GAPA/SATURNO. Os Bahianos só se livraram dele no final dos anos 70, depois de anos e anos de pendengas judiciais. A diferença – e que diferença tupiniquim! – estava no reverso da medalha. Ninguém queria ser agente de Tim Maia, Raul Seixas e Luiz Melodia. Os que tentaram- Guilherme Araújo inclusive – quase caíram em descrédito perante aqueles que contratavam suas apresentações, pois eles simplesmente não compareciam.
Enquanto alguns dizem que o Rock and Roll veio para ficar, outros dizem que ele veio para pagar. Direitos de Produção, comissões, advanceds e tudo mais. Tudo isso acima é apenas uma mostra de que a chamada “vida artística” não é um mar de rosas. A fantasia mostrada pelas revistas escandalosas e de vips reside apenas nas páginas de cada edição. A verdade é Dirt. Falando nisso, alguém já viu algum capítulo desse novo seriado?

quinta-feira, 17 de abril de 2008

TRADE MARK OF QUALITY

Um release distribuído à imprensa sobre a visita que o Whitesnake faz ao RJ apresenta a banda como possuidora da “voz mais marcante do Rock”. Difícil uma banda possuir essa qualidade, já que isso fica para um vocalista, ou estaria eu errado? Pessoalmente, sempre achei o Whitesnake a mais farofa de todos os fake-metal que ouvi ou presenciei. Assim, com release ou sem release, não iria vê-los.
Apesar da maioria considerar a guitarra como a coisa mais importante, eu acredito que um vocal marcante tem seu lugar no sentido de orientar um trajeto. Meu grande exemplo é o Humble Pie, que, trocou de guitarra(sai Peter Frampton e entra Clem Clempson) e o que continuou marcando a banda foi a voz de Steve Marriot. O reverso da medalha é o AC/DC. Morreu um vocal, botaram outro em seu lugar e o que continuou a marcar a banda foi Angus Young, sua gibson SG e seu grand finale bunda lê-lê.
É raríssimo o caso de vocal + guitarra aliados funcionarem a contento. Até hoje eu só conheço quatro: Jimi Hendrix, Eric Clapton, Peter Frampton e Mark Knopfler. O caso de Hendrix era ainda mais notável, pois- segundo alguns próximos – ele detestava a própria voz. Em mais uma opinião pessoal, não acredito muito nesses próximos, senão ele teria chamado um vocalista para o Experience- como Jeff Beck fez com Rod Stewart- não tendo colocado voz em todas as faixas que gravou.
Uma constatação chata é a de que os vocais são sempre determinantes de carreiras- solo. Raramente esse fato acontece com instrumentistas. Steve Winwood, Rod Stewart, Jim Capaldi, Jon Anderson, Eric Burdon( o maior de todos) e Neil Young são grandes exemplos. Já Yngwie Malmsteen, Dick Dale e Keith Emerson são alguns dos raros instrumentistas que ficaram famosos por sua virtuose. Os casos de Paul McCartney e George Harrison são especiais, pois eles foram Beatles. Taí Ringo Starr, que até hoje fatura em cima do passado fab four e não tá nem aí para o questionamento da sua trade mark of quality. Certo ou errado?

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A TERCEIRA FORÇA

Voltando a falar de Rock Brasileiro, taí outro que viveu mais rock que a maioria e que, para ser tremendão, teve que se sujeitar a limpar muito chão, ficar em pé na porta do Cine Madri e até ser contínuo de luxo do Imperial na época em que o gordo ficava dando uma de rocker para satisfazer a pedofilia.
Esse Lp do Erasmo tem como marca registrada "Meu Ego"- dele e do Roberto(teóricamente) numa daquelas parcerias que você sente que a magestade do rei passou ao largo. Tem também "Panorama Ecológico" e a "Terceira Força"- na qual Mr.Esteves é acompanhado pela "Bolha"- o extreme cult do rock carioca em todas as épocas.
O que eu gosto mesmo é dessa capa com a placa "Rua Montenegro" - esquina onde funcionou o primeiro lampião da região e que batizou o jornal gay do Antonio Crísóstomo. Hoje o lampião fica na Farme.
Esse disco é da época em que Liminha ainda tocava baixo(lembram?) e a direção artística é do Pedrinho - guitarrista dos Fevers. Se a saudade não tem idade, ela está estampada na cara do Erasmo, he!he!

terça-feira, 15 de abril de 2008

BRock – It´s all the truth




Mais uma vez escrevo aqui – Raul foi o princípio, o meio e fim do Rock Brasileiro. Raul foi o manifesto antropofágico de leather jacket. Osvald de Andrade ia ficar feliz em conhecê-lo. Sabendo um pouco da personalidade das figuraças, ia ser mais ou menos como o farol de alexandria e o colosso de rodes se cruzando numa esquina cultural. Iam mudar de calçadas alegando para a companhia do momento –“Iiihhh! Lá vem aquele chato convencido!”
Nessa minha faina de digitalizar vinis, peguei a manhã para transcrever Raul. Cheguei a conclusão feita acima ao ouvir “Mosca na Sopa”. Ela me trouxe tanta gente na cabeça que as lembranças me fizeram rir, pois há muito tempo não passava pela cabeça tanta gente e tanto nome. Idade é foda e a cabeça vai ficando fraca.
E foi assim que lembrei do Paulo Cesar, do Mamão, do José Roberto, do Robertinho Silva, do Novelli, do Nelson Angelo, do Tuti, do Áureo, do Gay Vaquer, do Bill French,do Carlinhos Paranóia, do Ari Carvalhaes, daquele estúdio da Polygram no prédio do Cineac,da Dinorá, das Gatas, de minha tia Zoé, do Orlando vascaíno - garçon da Colombo e muito mais gente que, querendo ou não querendo, participou de alguma página do Rock Brasileiro- Duas lembranças seguem abaixo:
Paulo Cesar Barros- o maior baixista de estúdio que pintou no século XX em todas as lides cariocas. Se não fosse ele, não haveriam Renato & Seus Bluecaps, os primeiros dis cos de Roberto Carlos, Wanderléia, Leno e Lilian e todas as grandes faixas gravadas por Raul em sua carreira- com ou sem brilho. Na minha opinião, seu jeito inconfundível deixou a discografia de Raul com um toque pessoal, identificável na primeira audição.
Carlinhos Paranóia- ou Carlos Newton – estudou junto comigo no Santo Agostinho. Começou na guitarra em 64, com n grupos de garagem até os anos 70. Foi, ao lado de Rick Ferreira, o único cara que dividiu palco com Raul nos parquíssimos shows e temporadas que a metamorfose ambulante protagonizou.
Esses dois nomes de prima são aqueles que pintaram sem esforço. Outros virão a tona em outros posts ou outras lembranças, no decorrer desse trajeto blog que eu percorro.
Voltando ao Raul transcrito, considero “Gita” a obra prima dele. De longe, é a melhor faixa já gravada na pre-história do BRock, botando no chinelo qualquer coisa feita por dona rita, incluindo as faixas que ela gravou com o Toto. “Gita” só é comparável a “Jack, o Estripador”(Made in Brazil) e, mesmo assim, guardando-se as devidas proporções.
No meu TOP 5 ainda estão “Você é o MDC da minha vida”, “ Sessão das Dez”(a de Raul. A da “Ordem Cavernista” é bem ruinzinha), “ Al Capone”, “ Trem das Sete” e “Metamorfose Ambulante”.
“Eu nasci há 10000 anos atrás” não passa de uma apropriação indébita de um hit de Elvis Presley . E, “Mosca na Sopa” é uma página na história brasileira, comparável à deglutição do Bispo Sardinha. Quanto ao BRock que veio a partir dos anos 80, ele é outra história- bem mais Ramones, Men at Work e Clash do que qualquer outra coisa- com outra filosofia e um modo de pensar dentro daquilo que se classifica como um conflito de geração. É isso.

50 ANOS DE BOSSA NOVA!(CRUZES!!!!)




Esse Lp de Silvia Telles é de 1960. Pela história do gênero, a bossa nova tinha apenas dois anos de idade e o show “histórico” do Carnegie Hall ainda era previsão otimista de bola de cristal. Sem nenhuma informação de capa, pelos vocais existentes e pelos arranjos contidos, pode-se chutar no escuro as participação do coral do Joab, dos Cariocas, de um Tom Jobim arranjador, de um Edson Machado, de um Suti e outros músicos e vocalistas encontrados em inferninhos, estúdios de rádio, esquina do Café Capital e outros pontos de encontro.
Vale pela interpretação de “Dindi”- que Silvia tornou um clássico, pela inclusão de um Sergio Ricardo e de um João Gilberto compositor.No mais , é uma prova da então indigência da indústria fonográfica tupiniquim.
Enquanto em outros lugares do planeta, as gravações já se processavam em oito canais e eram mixadas em estéreo, aqui tudo se gravava no sistema fulltrack e a máquina em uso eram as Ampex 651. Para se ter idéia da indigência, o processo corrente de gravação de spots e jingles ainda era o corte de acetatos.
Até a gravação de “Casa no Campo”(Zé Rodrix- anos 60), a EMI-ODEON ainda utilizava o famoso estúdio da av.Rio Branco 277(dois canais!). Quase todos os “clássicos” da Jovem Guarda foram gravados em dois canais e mixados em fulltrack no estúdio que a CBS tinha na Rua Visconde do Rio Branco.
Os 16 canais de gravação chegaram ao Brasil nos anos 70, por intermédio do Estúdio Eldorado, em São Paulo. O primeiro trabalho lá gravado foi “Back in Bahia”, de Gilberto Gil. A novidade era tão “revolucionária” que mereceu uma matéria da “Bondinho”- revista massacrada pela censura ditatorial e esquecida pela história de nossos meios de comunicação.
Para concluir, acredito que a história da bossa nova serve apenas para glorificar compositores, intérpretes- num formato localizado- e não processos, pois nada foi feito nesse sentido. Na minha visão,ela e a história do nosso esquerdismo se confundem em glorificar pessoas isoladas numa determinada faixa. Deixando de lado o como fazer e o que se fazer para o benefício de todos. Na verdade, a marginalização sempre foi a palavra de ordem.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Alter Ego

Eu queria ser John Belushi. Verdade. Minha vida de Rocker realmente se divide em ABB/DBB( antes do Blues Brothers/depois do Blues Brothers). Depois que vi o filme(aqui os gênios da tradução conseguiram titulá-lo para “os irmãos cara-de-pau”), nada me tirava da cabeça que, se eu pudesse resgatar meu passado de banda de garagem, ela teria que ser daquele jeito. Ao menos um ponto de contato nós tínhamos – “Gimme Some Lovin” no repertório.
Outro ponto era re-interpretar os standards de uma forma pessoal, em vez da simples cópia – coisa que todos faziam. Não consigo entender certas coisas e, uma delas é essa da cópia ipsis litteris. Não vejo a mínima graça em copiar Beatles igualzinho para depois ir para Liverpool concorrer a quem imita melhor. Lá em BH tem dois grupos desse jeito, aqui no Rio mais uns três, também tem em São Paulo, etc e coisa e tal. E os imitadores de Elvis? Mais ridículo ainda! Tem até de Roberto Carlos, porra?
Aí, vem um mané qualquer falar que a imitação de Little Richard feita por Paul McCartney era antológica. Tudo bem! Acontece que McCartney não ficou só nisso, né? Sua carreira Beatle e pós-Beatle não me deixa falar no vazio- como é o caso de Belushi.
Além de grande cômico, John tinha a música na veia. Cantava, era bom dançarino, num jeito pessoal de colocar os yá-yás para fora. E tinha Dan Ackroyd como coadjuvante. Com esse auxílio luxuoso e aquela backing band(Steve Cropper, “Duck” Dunn et caterva) não havia como fazer merda. Se Belushi estivesse vivo, o grupo não teria se reduzido aquela caricatura apresentada no “Blues Brothers 2000”, filme que não chegou aos pés do original. Um dia desses, o telecine levou o filme. Vi só para ver BB King e Eric Clapton no concurso de bandas da boite da rainha vudu e rever o James Brown naquele Cleophus James impagável. Se existir algo além da morte física, Belushi e Brown estão com uma banda, isso eu garanto. E com Jimi Hendrix na guitarra e fazendo backing vocal ao lado de Janis Joplin. – É ruim, heim?

sábado, 12 de abril de 2008

A Maldição do Samba

“Transversal do Tempo” e “A Terceira Margem do Rio” são dois títulos surreais que explicam muito em relação ao conteúdo dadaísta explícito contido em obras fechadas que eu presenciei serem editadas e comercializadas ao longo do meu trajeto pelas diversas formas de mídia nas quais fiz parte de algum modo. Como receptor, emissor, como pedra ou vidraça. Outros foram de discos que a broca comeu ou de livros que deixei prá traça.
Já a maldição do samba eu carrego no sangue. Apesar de neto de imigrante e quase metaleiro, nasci no Rio de Janeiro. Não gosto de pagode. Gosto de Samba-enredo com letra maiúscula- “Lapa em Três Tempos” , “ Os cinco Bailes da História do Rio”,” Bum Bum Baticumbum bugurundum” e “Olê lê Pega no Ganzê”- indo de Beto sem Braço, Dona Ivone Lara, Zé Dedão à Joãozinho Mancheteiro. Fico exangue em pensamento, confiando o bigode, em algum momento pensando em pagode, rimando rico/ batendo fraco/É assim que fico.- Repente, pagode, samba de quadra, samba de roda, batucada. Se fosse da antiga era bamba. Hoje, para mim, isso é a maldição do samba.
Hoje é mais um sábado que passa nublado para mim, trancado nesse quarto- ar condicionado, vidro fechado, com medo da dengue, num merengue sem calda e sem rabo de saia por perto. Errado ou certo, sou fiel a essa maldição que carrego e deixa meu membro inativo, sem samba no coração e pensando no prosa e verso em que me inscrevi num fevereiro passado. Passo a limpo esse abril e espero sem fumar aquilo que mais quero. É assim que eu me entrego, dominado pelo texto e pelo samba canção num poema processo- anverso e reverso da medalha, sem recesso de criatividade e excesso de explicação. Quantas voltas a sopa de letrinhas descreve na forma da criação, não é mesmo?
Aqui é a cervejinha saideira. Em Minas é uma pinga e um torresmo que finaliza qualquer conversa de botequim. Seja numa roda de samba na Tijuca ou mesmo um leitão a pururuca num almoço mineiro em Santa Teresa- Rio de Janeiro.
Enquanto o paulistano é o coveiro do ritmo, todo carioca leva a maldição do samba para lugares incertos e não sabidos. Viva esse povo brasileiro, substrato colonizado- retratado no BRock de Brasília por Renato Russo, nos filhos de Gandhi e na cultura soteropolitana do Ministro Gilberto Passos Gil Moreira, no breque de Moreira da Silva e no Roque Brega de Wandner Wildner. A BatMacumba, Chiclete com banana, Almira Castilho a bunda music, o Axé, Jackson do Pandeiro e o Crazy pop Rock estão aí para qualquer inglês ver, ouvir e samplear como um samba de verão. Marcos Valle e uma bossa nova cinquentenária mandam lembranças. Para o Rio, essa é a maldição. Todo carioca carrega essa tradição.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

GABBA GABBA HEY!

Fui apresentado aos Ramones na casa do Ezequiel, numa tarde memorável, onde também o cardápio dispunha de Eddie&The Hot Rods, Ultravox, Bow Wow Wow, The Clash e muito mais drogas do Rock. Ser punk era a palavra de ordem. Quem não era punk ou skinhead era new wave, numa bichice coletiva- na qual até o falecido Guilherme Araújo participava. Todos queriam ser e porque não a gente, né mesmo?
O impacto dos Ramones naquilo que eu entendia como música foi devastador. Aquela muralha sonora básica, composta de distorção e um espasmo vocal demonstrava que voltar para uma raíz não passava apenas por três acordes. Passava também pela não-postura e por letras bem mais condizentes à realidade do que o be-a-bá de Chuck Berry e seus pontos de contato. Se, nos anos 50, Johnny era líder de uma banda de Rock e tocava guitarra com o som de um sino, o Johnny dos anos 70 era um reles cheirador de cola. Tudo era muito relativo e era isso o que Dee Dee Ramone me mostrava.
Enquanto os politizados babavam ouvindo Clash, eu, como autêntico Botafoguense, fiquei fascinado pelo som alvinegro daqueles novaiorquinos dementes. Eu sempre fui mais básico que qualquer modelito e essa simplicidade me acompanha ainda no sampler que faço em meu laboratório de sons estranhos. Entre o massacre da serra elétrica e o sétimo selo, escolho o primeiro. Meu conflito reside dentro da minha própria geração, num desajuste total, explícito e completamente trash. Está aí a bolsa- ditadura para comprovar o que escrevo. Se Caetano pode abrir mão da politização e engajamento em sua licença artística, por que Ziraldo e Jaguar não podem ser reembolsados pecuniariamente pelo prejuízo danoso que a realidade do terrorismo de estado lhes causou, sem pedir licença alguma? Pimenta só é refresco no rabo dos outros. Gabba Gabba Hey.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Vinyl Features

Além de título de um Lp do RiffRaff, Vinyl Features traz a memória deste que aqui escreve certas suscetibilidades encontradas nos anos 60, quando este formato de armazenamento de mídia estava em seu auge, tanto quantitaivo quanto qualitativo.
A ilustração desse post traz ao leitor a capa da versão brasileira do “Beggar´s Banquet”(Rolling Stones), com título traduzido em uma das primeiras capas duplas produzidas pela nossa indústria fonográfica ao sul do equador. Naquela época, era praxe cada subsidiária lançar o artista a sua maneira e com repertório escolhido fora do padrão original, já que não devia haver a exigência. Ou então, a matriz não cobrava muito este detalhe, desde que o lançamento fosse feito e revertesse em algum lucro de edição.
Acredito que a exigência de uniformização tenha sido feita após a unificação de contratos e catálogos. A pirataria dava seus primeiros sinais e o consumo desse bem de produção(disco) começou a virar “commodity” agregada ao artista agenciado, fosse por grupo ou empresário isolado.
Pelas minhas pesquisas, tenho como certa que a primeira exigência de uniformização tenha sido feita pelo Coronel Tom Parker em relação a Elvis Presley, seu contratado exclusivo. Eu achava que teria sido Frank Sinatra, até descobrir que só alguns lançamentos de “the voice” é que passaram por este processo, já que, em cada praça sempre havia um Roberto Quartim local, pronto a alterar o trabalho pelo seu gosto pessoal. Nessa época, produtor internacional de gravadora tinha personalidade em vez de ser apenas um contínuo de luxo, traduzindo label copies com erros gritantes( conheci um que acreditava piamente que “Young Turks”(Rod Stewart) significava “perus jovens” em vez de “jovens turcos”. Acredite se quiser!).
Voltando a falar do “Beggar´s Banquet”, acho que as melhores faixas da bolacha são “Parachute Woman”, “Jig Saw Puzzle”, “Street Fighting Man” e “ Stray Cat Blues”. A terceira tem tudo a ver com o acontecido em 1968- um ano decisivo para todos aqueles que acreditavam na revolução permanente e que não acreditavam em ninguém com mais de 30 anos. Eu era um deles.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

@RRUBA @RRUBA RECORDS!!!

Esse é o título que faltava na indústria fonográfica do planeta e que será Ô selo-residência de minha banda de música eletrônica - o Laboratório de Sons Estranhos.

A banda é um fênix ressurgido das cinzas, já que, nos anos 70 - ela existiu como backing band de Daniel Azulay, então sómente cartunista, numa fase anterior à fundação de uma griffe ao lado da Beatriz Sidou e bem antes de sua dedicação ao mundo infantil. Nessa época, Azulay morava num apê térreo no quarteirão da praia da Afrânio de Mello Franco(Leblon) e eu nem pensava em integrar a Tropa Maldita- sideband de Paulo Bagunça. Época da famosa "volante stromboli", um instrumento musical baseado numa bicicleta, sirenes, campainhas domésticas, rádio de pilha e outras mumunhas que, quando acionada, promovia um caos sonoro de deixar Stockhausen morrendo de inveja. Quem quiser saber mais sobre essa fase meio ouro/meio chumbo basta consultar o "almanaque dos anos 70"(Ediouro)-livro resgate do período.

A @rruba@rruba(denominação) foi discretamente chupada da RubberRubber- selo pioneiro de distribuição de bootlegs e antecessor do Trade Mark of Quality, lenda pirata que reuniu, durante mais de uma década, a fina flor dos grupos de rock em lançamentos capitão gancho antológicos como o "Last Hurrah in the Big Apple" - The Yardbirds(TMQ-XARL1914).

Com a revolução tecnológica, a brincadeira trocou de mãos, indo se alojar na égide do crime organizado e a TMQ virou história.

Comunico a todos que a @rruba@rruba continuará a tradição que a inspirou, he!he!he! - Material é o que não falta!

terça-feira, 8 de abril de 2008

Let the Good Times Roll

Passei a tarde ontem digitalizando meu material sobre os Stones. Separei as coletâneas, escolhi e digitalizei quinze faixas, editando entradas, saídas e retirando crepitadas. Quando, na época de “Heart of Stone”( Rolling Stones Now!) eu poderia prever que essa retirada de crepitadas e arranhões dos fonogramas seria possível? Naquele tempo, a melhor coisa a se fazer era tomar cuidado para não arranhar o disco, guardando-os nas capas e limpando- os regularmente. Foi desse jeito que, em 300 digitalizações, apenas duas faixas internacionaius e três nacionais foram vetadas. O fato mais chato foi constatar nestes vetos que a indústria local sempre teve altos e baixos. A diferença de qualidade entre produtos teóricamente no mesmo nível é gritante. Exemplo? O nível de qualidade de corte no material da antiga CBD com o da antiga ODEON – não dá para acreditar como o material da CBD era ruim. A diferença de áudio passa de 80%. O Lp de “Os CARIOCAS” que tem “Ela é Carioca” não modula! Qualquer produção industrial da ODEON dá de dez a zero!
Voltando a falar de “Heart of Stone”, a música- na versão dos Stones- era um cult entre os conjuntos de garagem da época. Dar aquele solo escalar era um exercício que separava “bons” e “maus” guitarristas, na visão dos “entendidos”. Outra faixa obrigatória no repertório de qualquer banda era “Glória”(THEM)- três acordes eternos, solo fácílimo e letra que qualquer inglês com pronúncia cósmica interpretava a contento.Na parte apenas instrumental, o hit era “Only the Young”(VENTURES).
Uma qualidade que o mercado do disco perdeu ao correr do tempo foi a de fazer “singles”, como era o corrente na época. Uma lista de grandes faixas ao estilo single? Lá vai:
Beatles - “Please Please Me”, “Ticket to Ride”, “ I Call your Name”, “Yesterday” e “All My Loving”.
Rolling Stones – “Tell Me”, “Satisfaction”, “Get Off of My Cloud”, “ Paint it Black”.
Dave Clark 5 – “Do You Love Me”, “ Glad all Over”, “Come Home”, “Try Too Hard”
Byrds – “ Mr Tambourine Man”, “ Turn Turn Turn”, “Have you seen her face”, “ 5th Dimension”, “ My Back Pages”, “ Goin Back”.
Bob Dylan – “Like a Rolling Stone”.
Beach Boys – “Do you Wanna Dance”, “ Girl Don´t Tell Me”, “Fun Fun Fun”
Jimmie Gilmer & The Fireballs – “Sugar Shack”.
Gerry & The Pacemakers – “Its gonna be allright”
UNIT 4+2 – “Concrete and Clay”
Johnny Rivers – “Secret Agent Man”, “Seventh Son”.
Animals – “The House of the Rising Sun”, “Talkin bout you”, “You gotta get out of this place”, “Don’t Bring Me Down”, “Bring on home to me”, “Don’t let me be misunderstood”.
Trini Lopez – “If I Had a Hammer”, “America”, “Perfidia”.
Peter Paul & Mary – “I Dig a Rocknroll Music”,” Puff”, “500 miles”.
Shadows – “Apache”, “Wonderful Land”.
Jan & Dean – “Surf City”, “ Dead man´s curve”.
The McCoys – “Hang on Sloopy”.
The Trashmen – “Surfin Bird”
The Five Americans – “Western Union”
The Monkees – “I´m a Believer”, “ Mary Mary”, “ Daydream Believer”
Glenn Campbell – “Wichita Lineman”
Richard Harris – MacArthur Park
The Turtles – “Happy Together”
Mamas & Papas – “California Dreamin”, “ Monday Monday
Herman´s Hermitts – “No Milk Today”, “Theres a Kind of Hush”………………

A lista deve dar mais de duas laudas. É muita coisa para ficar se alinhavando. Muita gente ia ficar diuscutindo a qualidade e o critério da escolha. A maioria das faixas listadas frequentou a listagem dos 100 mais em sua época. Outras eu incluí devido a sua vocação para a matéria – como é o caso de “Wonderful Land”(Shadows). Quem tiver acesso a alguma faixa desse material que eu listei pode fazer a comparação com singles dos anos 80/90 e sentirá no tímpano o que eu estou falando. Que o impact sound como o concebido por Phil Spector, George Martin, Brian Wilson, Mickie Most e Andrew Loog Oldham estava já morto no final do século passado e ninguém tinha se dado conta disso. Uma pena.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Time is on my side

Mais uma manhã de segunda feira chuvosa nesse Rio onde nasci e o tempo está do meu lado. Como não tenho porra nenhuma para fazer além de pagar umas contas – comprei via web um kingston de 8 giga para guardar mais música- e como posso fazer isso a qualquer hora, meu destino é digitar e transcrever música.
Reuni todos os discos que tenho dos Rolling Stones – uns 80 – vou pegar as músicas que eu gosto e vou partir para o crime- coapiando tudo para CD de áudio e, posteriormente, para mp3.
Devido a minha natureza rocker, acontece com os stones a mesma coisas que acontece com Beatles em relação ao meu gosto. Sou admirador da fase 63-70 da banda e do resto eu gosto de faixas. Para mim, vale muito mais um “Down the Road Apiece”(Rolling Stones Now! – o melhor rock and roll gravado por eles, com um piano magistral de Ian Stewart) que um “Wild Horses”(faixa que eu sinceramente detesto com todas as minhas forças). Sou de opinião que eles nunca deveriam ter abandonado as raízes e seguido o exemplo dos Beatles( vide “Satanic Magesty Request” e “Beggar´s Banquet”), mas só vou descartar dessa fase o “Simpathy For The Devil” – a faixa dá um tremendo azar e foi nela que se verteu sangue para a magia negra em sacrifício humano(Altamont). Assim, vou passar ao largo dela e incluir “Parachute Woman”.
Naqueles 80 discos de que falei acima estão incluídos uns 15 bootlegs, todos os de estúdio, os compactos e todas as coletâneas. Tem uma versão de “As Tears Go By” em italiano, três versões de “Time is on My side”( em estúdio), duas de “It´s all over now”( também em estúdio), duas versões de “Jumpin Jack Flash”( uma com metais e outra sem) e dois grandes instrumentais: “2120 South Michigan Avenue” e “Brian´s Blues”( produzida por Willie Dixon)- as duas gravadas no estúdio da Chess Records em Chicago.
Acredito que, mais dia menos dia, vou me arrepender de ter me desfeito dos vinis, mas eles ocuipam muito espaço e a manutenção da aparelhagem está cada vez mais difícil. Muito chato.

domingo, 6 de abril de 2008

RARIDADES!

A foto acima é de uma das raridades da minha coleção de vinil. É um "SellOut"- editado na Austrália- onde o removedor de espinhas ostentado por Keith Moon é um CLEARASIL, em vez do MEDAC encontrado nas capas inglêsa e norte-americana. Para desgosto da periferia fanática pelo grupo, este trabalho nunca foi lançado no patropi, pois, na época desse lançamento, o grupo não tinha gravadora aqui, já que a Cassio Muniz representações- que tinha os direitos da DECCA norte-americana, havia ido a falência pura e simplesmente.
Outra curiosidade sobre a banda é que a versão brasileira original de TOMMY possui apenas um LP. Esse crime foi perpetrado pelo então diretor comercial da Polygram Brasileira que, dentro de sua "experiência", não acreditava que o país possuísse mercado para álbuns duplos. Dentro dessa "filosofia", ele simplesmente não lançou "Wheels of Fire"(Cream) e o "Layla & Other assorted songs"( Derek & The Dominoes) também foi lançado com apenas um LP. Minha discoteca também possui cópias dessas jóias.
Ao que tudo indica, além da discografia falha e incompleta, o Who nunca vai pisar aqui para qualquer presença- seja visita, tour ou apresentação. Dois membros originais da banda já figuram apenas no panteão(Keith e Ethwistle)e os restantes para lá se vão(Pete e Roger). Muito difícil.

sábado, 5 de abril de 2008

MERECE UM CLIQUE?



Olhem só a associação de idéias que o site da microsoft conseguiu fazer na seção "MERECE UM CLIQUE"!

a - "Veja como foi o aniversário da Ana Maria Braga"

b - "Cientistas encontram fezes de 14 mil anos"

c - "Benja elogia tricolores na libertadores"

d - "New Kids on The Block estão de volta".

Que merda, literalmente falando, né mesmo? Falar mal da volta do New Kids on The Block é como chutar cachorro morto. Nem raiva serve para esse tipo de descarrego. E, merda por merda, o que vale mesmo é o tricolor na Libertadores(apesar deu ser Fogão). Voltando ao New Kids, esse "retorno", que era apenas para um programa de TV, deve render um CD estilo BrillBuilding(feito com musicas "recomendadas" por editoras musicais), daqueles que qualquer programador consciente vai mandar direto para a estante, já que, na atualidade, o grupo já não representa picas nem tem mais apelo junto as dreamteens. A meu ver, seria a mesma coisa que Robby Rosa e Ricky Martin revivessem o "MENUDO". Ou, em versão tupiniquim, uma volta do"DOMINÓ" ou o"Trem da Alegria" se reunindo para gravar.

O estado de coisas que o "MERECE UM CLIQUE" citado acima denota é que a banalidade, a falta de novidades espontâneas e o desconhecimento realmente tomaram conta da mídia, que todos tentam oferecer a nós que a consumimos. Apesar disso, toda a multimídia continua a ser consumida, mesmo sem despertar o interesse no público-alvo em adquirí-la.

Qualquer marketing de produto - mesmo em seu lançamento - está calçado em promoções nebulosas, discutíveis e, a muito custo, cumpridas. Um exemplo são as "regras de fidelização", impostas já no sentido preparado de cobrar penalidades, caso o fidelizado queira desfazer a parceria. Graças a deus, no mercado pop, a fidelização é restrita à atratividade do trabalho oferecido. Isso acontece até na bunda-music. No dia em que uma mulher-melancia da vida aparecer com uma celulitezinha que seja, bye bye refletores. Aconteceu com o "É o Tcham!" e já começa a dar sinais em MC Créu e sua troupe de muitas carnes. Quem viver, verá. E verá muito mais coisas do que o já visto até agora. O pop é igual ao futebol: uma tremenda caixinha de surpresas. Isso eu garanto.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O Resultado da Cegueira

DEU NO GLOBO DESSA SEXTA- FEIRA – ( Por Leonardo Lichote) – “ O ano em que Roberto Carlos não lançou seu tradicional disco de natal periga entrar para a história da indústria fonográfica Brasileira como o ano “não”, em queda há um bom tempo, não deu sinais de recuperação em 2007. Não foi um disco de 2007 que ocupou o topo da lista dos mais vendidos.- o título ficou com “minha benção”, de Padre Marcelo Rossi, lançado em 2006.............. A relação dos campeões de vendas também mostra que os lançamentos de 2007 não se saíram bem de uma forma geral- há apenas quatro deles entre os dez mais vendidos.
As informações fazem parte do relatório referente ao mercado fonográfico brasileiro em 2007, que acaba de ser divulgado pela Associação Brasileira de Produtores de Discos(ABPD). Em meio a tantos “nãos”, o mais visível “sim” para o ano se manifesta no segmento digital, que movimentou R$ 24,5 milhões em 2007. Isso representa um crescimento de 185% em relação a 2006. Ainda é pouco para compensar o prejuízo do setor físico de 31,2% - o digital representa apenas 8% do mercado.........”
Desde o lançamento dos DVDs, do surgimento do .mp3, da invenção de Shawn Fenning e da expansão da tecnologia p2p/bit torrent, o mercado fonográfico tradicional, liderado por uma burrice extrema, não se adaptou a essas novidades revolucionárias que, aliadas ao barateamento de equipamentos, tanto para produtores quanto para consumidores, fez surgir gravadoras de fundo de quintal e sites especializados – completamente distantes do modelo de negócio então em voga.
O fenômeno resultante dessa ignorância é transnacional, com a parte mais interessada( a indústria fonográfica) tomando medidas de retaliação, processando consumidores e pedindo licença judicial para invadir computadores, alegando “lesão da propriedade intelectual” e pirataria(aha!).
Em vez de ficar quieto e dividir o pedaço do doce, o mercado fonográfico resolveu comer sózinho a lata de merda. Resultado: apesar de representar hoje apenas 8% de um mercado em queda, o setor teve um crescimento de 185%. Assim chega-se a conclusão de que o nicho- presente de grego feito pela revolução tecnológica- pode representar uma das saídas para essa crise que o mercado fonográfico apresenta. As outras saídas vão discriminadas abaixo:
A – preço do produto- O CD está carésimo no ponto de venda, além de ser processado numa tecnologia mais que obsoleta. O produto precisa passar por uma lipoaspiração de direitos autorais desnecessários, além de um upgrade no formato de gravação. Pela tecnologia tradicional, um CD comporta, in extremis, 18 faixas. Pela tecnologia .mp3, em um CD podem caber mais de 100 faixas. E depois, vem um babaca qualquer culpar a pirataria pelo fracasso da regra de negócio jurássica que a indústria teima em manter.
Numa visão proporcional, as três décadas finais do século XX representaram o apogeu da industria do disco. Nunca se faturou tanto. Fazendo a cotação em dólar universal, um compacto simples custava US$ 2.98 enquanto o LP custava US$ 12.98 (eram esses os preços que TODA a indústria utilizava para calcular lucros e perdas). Pois bem: Gilberto Gil vendeu 686.000 cópias de “Não Chore Mais” e Dalto 1.200.000 cópias de “Muito Estranho”( Compactos Simples). Já o RPM vendeu 2.300.000 cópias de seu Lp ao vivo. E Xuxa? E Roberto Carlos? Naquela época, a pirataria era cometida pela própria Indústria e seus executivos.- Quem, de mais idade, não se lembra dos discos piratas de Roberto Carlos? A grana era tanta que ninguém se importava em combatê-la.
Hoje, a pirataria está democratizada e controlada pelo crime organizado. A brincadeira é boa, muito rentável e séria demais para ser deixada nas mãos dos executivos de gravadora. Um consumidor que grava em casa seus mp3 e troca com amigos é colocado no mesmo pé que a máfia que compra uma matriz e prensa CDs na China que, importados e distribuídos aqui, chegam ao ponto de venda por um preço máximo de R$ 10( a indústria fonográfica quer R$ 40 pelo mesmo produto). Por que não combatê-los em vez de ficar criando softwares que lesam o consumidor e ainda tornam suas máquinas defeituosas?
B- Comercialização – A Internet acabou com o paradigma dos pontos de venda físicos. Ninguém interessado sai mais de casa para ir a uma loja consumir cultura. É bem mais fácil e seguro comprar via rede e pagar via boleto bancário. A Amazon Books e o iTunes são a prova virtual dessa realidade. Se as gravadoras quisessem, isso podia estar sendo implementado desde que a febre das trocas ponto a ponto começou , né mesmo? Outra coisa a ser discutida é a forma do produto. Com a tecnologia digital, a história de se comprar um álbum por causa de uma única faixa já era. Esse papo de "trabalho" e "obra" não passa agora de conversa prá boi dormir.
Então?Em vez de ficar chorando pelo leite derramado, por que não botar mãos a obra?

Choque de Estrelas Cadentes



Duas estrelas cadentes do pop quase se chocam nos palcos do RJ. Todas as duas já velhas conhecidas: A voz de lixa número zero(Rod Stewart) e o Mágico de Ozzie( Ozzy Osbourne). Segundo os releases que recebi, o “norte-americano” Ozzy Osbourne iria cantar clássicos do Black Sabbath. Já quanto ao release de Rod, nenhum erro delirante foi notado. Apenas uma omissão: sua passagem pelo Jeff Beck Group. Rod, conhecedor das melhores coisas do RJ, foi dar uma xeretada na praia, já que esse Príapo highlander não pode ver um rabo de saia( ou de tanga!) que fica louco . Ozzy se apresentou ontem para 38 mil pessoas e Rod canta ainda esta semana. Isso tudo sem minha presença, pois estou achando os preços de ingressos simplesmente extorsivos e, ainda mais, já vi os dois n vezes quando eles me interessavam realmente. Hoje eles são duas peças de minha discoteca jurássica e, a gastar tempo indo lá, prefiro ficar trancado aqui no meu mafuá, digitalizando essa vinilzada antes que tudo seja destruído pela broca e pelo tempo.
Se recordar é viver, me lembro como se fosse hoje da primeira passada que Rod deu no RJ, ainda na década de 70 e que rendeu duas dores de cabeça para a WEA, sua então representante legal. A primeira delas foi técnica: seu então agente pediu a um conhecido que passasse nas lojas do ramo e adquirisse para eles todos os discos de Rod que estivessem a venda. Seu então agente descobriu que a subsidiária local da Warner havia cedido fonogramas de Rod para a SomLivre montar coletâneas de novelas. Acontece que tal pormenor era vedado por contrato.O agente ficou puto e cobrou explicações. André Midani teve que rebolar sem bambolê para resolver o imbroglio e foi aí que a matriz de NY impôs Mr. David Jones como gerente da Warner editora.
A segunda e última foi mais pessoal. Rod, então apreciador de um produto de exportação colombiano, estava com um vidro de leite de magnésia cheio até a boca daquela farinha. Como sua estadia no patropi era promocional, ele teria que ir a sampa, acompanhado do então vice-presidente da gravadora- totalmente careta. E, avisado pelo mesmo que o país vivia um regime de exceção e que a polícia poderia detê-los, revistá-los e arranjar uma baita confusão, o cantor deixou o precioso vidro em confiança com a assessora de imprensa da casa. Essa deu uma de depositário infiel e , simplesmente, cheirou t-u-d-i-n-h-o. E prá efetuar a reposição? A correria foi digna de um conto para 1001 noites e mais uma, he!he!he!
Rod Stewart foi o primeiro superstar alvo de uma hoje apresentadora de TV e, nos anos 90, apenas mais uma descolada que andava pela noite carioca. Como o escocês, além de pão duro e promíscuo, também é precavido, a transa relâmpago aconteceu de camisinha. Se o fato esperado por ela acontecesse, qual seria o nome dele? Rodrigo?.........Lucas?.....Roderic? A escolha fica a critério dos meus três leitores. Inté!

Nota: o “norte-americano” Ozzy Osbourne nasceu em Birmingham- Grã Bretanha- em 1948. Essa informação está em qualquer google da vida. Preguiça mata, né o autor(a) do release?

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Música sempre foi notícia






Desde que Franz Liszt se tornou o primeiro artista pop(ver “Lisztomania”, com Roger Daltrey no papel- título), música é notícia-seja na página de cultura, seja na página policial. As revistas escandalosas-ditas de “entretenimento”- entraram no circuito bem tarde, retratando os troca-troca monumentais, sempre sob a alegação de “crueldade mental”, dos quais os passeios de Adriane Galisteu são simples e obsoletas clonagens. Hoje, não é necessária nenhuma alegação como a de “crueldade mental”. Basta apenas um “cansei” para o retorno a disponibilidade real e fantasiosa na cabeça dos masturbadores de plantão.
A notícia musical, além de contribuir para um factual necessário, é a melhor arma que promoters e assessores têm para colocar seus pupílos em evidência. Mas, nem sempre o fato gerado por músicos se transforma em matéria promocional. Dois exemplos recentes foram dados por Keith Richards. O primeiro foi cair de uma árvore e bater de cabeça no chão, quase interrompendo uma tour e levando Mick Jagger ao delírio, só de pensar no montante das multas contratuais que os stones teriam que pagar. O segundo foi aquela declaração fantástica de que teria dado um tiro com um misto de coca e cinza paterna. Não é sensacional?
Nem sempre a notícia musical é recebida numa boa. Você- fã do Queen, iria assistir a um retôrno do grupo sem o vocal de Freddie Mercury? Mesmo sendo o Paul Rodgers cantando? Qual seria o repertório da banda no sentido de não gerar comparações entre o falecido e o novo vocalista? Você compraria o lançamento que vem por aí?
E quanto aos Doors? Nesses 34 anos sem Jim Morrison, você iria assistir a um show da banda tendo como front off vocal o ex-vocalista do Cult? Não seria melhor que eles chamassem aquele cara que cantava no Simple Minds?Ao menos esse último tem um padrão vocal igual ao do lagarto-“Dont You” não me deixa mentir(ouvir a versão do compacto).
Para ser sincero, eu nem me abalaria com nada de Queen ou Doors novo. Da mesma forma que nunca assistiria qualquer tentativa de refazer Beatles com dois estranhos mais Paul e Ringo. Um pistoleiro lá de Governador Valadares já dizia que a única forma de reunir os Beatles passa por duas balas 9mm. E eu dou toda a razão a ele.