domingo, 20 de abril de 2008


Eu tinha escrito um texto sobre Clichê que levava o título “A Mitomania do Decalque”. Era um texto que eu julgava engraçado e bem sarcástico sobre os clichês na música, indo desde Rita Lee travestida de David Bowie até Tortelvis – o ET, vocalista do Dread Zeppelin.
Tinha esquecido de falar dos Golden Boys e também não falei do Renato e seus Bluecaps nem do fantasma Peter Frampton que sempre assombrou Luiz Maurício Pragana dos Santos. Mas falei de Raul e sua síntese bahiana de Elvis, que me remetia aos 37 imitadores de Elvis no japão e sua dificuldade de cantar em inglês numa língua que não pronuncia o L e o R. Tinha falado também de Claudia Leitte e Ivete Sangalo, clones de Tina Turner com perucas de mulher de jogador de futebol e que só faltava o espírito do Ike Turner dar as caras num terreiro do pelourinho, incorporar num cavalo e ir dar porrada nas duas.
Não deixei passar batida a saga progressiva e o “Marillion”, que sintetiza todos os defeitos do gênero, a saber: temas estrambóticos traduzidos em letras de banalidade incompreensível, solos instrumentais intermináveis e um auto-tratamento pseudo-erudito às composições.
Dei uma pixada na new-age, um subgenero progressivo que tenta alcançar o futuro num plano nebuloso, sempre na velocidade etérea de uma letra cósmica. Como o futuro está a anos-luz de distância, as obras tem melodias truncadas por asteróides sonoros de impacto desintegrador seguido de calmarias destrutivas, num hiperespaço infinito entre o princípio e o fim de cada peça, politicamente correta e ambiental. Garanto que serve como trilha sonora de qualquer reunião do conselho editorial da “Folha”. Quem acha Kitaro do caraca que atire a primeira pedra.
Tinha passado pelo Metal, destacando que só os fanáticos pelo gênero conseguem distinguir os estilos daqueles geradores de áudio distorcido mixados por vocais de torturados pela inquisição para se confessarem admiradores do demo( sai...capeta!). E, para terminar, tinha dedicado o texto ao Telmo Martino que, numa crítica afiada, comparou os “Doces Bárbaros”( Caetano, Gil, Gal e Bethânia) ao filme B que reuniu a múmia, frankenstein, conde drácula e o lobisomem. Aí , quando fui salvar o texto, ele foi pro saco. Não me dei por achado e escrevi esse. Um abraço.
Até esse texto é um clichê. Lembram de Eça quando criou o clichê do Bey de Túnis por não ter porra nenhuma o que escrever? Pois é.........

Nenhum comentário: