terça-feira, 15 de abril de 2008

50 ANOS DE BOSSA NOVA!(CRUZES!!!!)




Esse Lp de Silvia Telles é de 1960. Pela história do gênero, a bossa nova tinha apenas dois anos de idade e o show “histórico” do Carnegie Hall ainda era previsão otimista de bola de cristal. Sem nenhuma informação de capa, pelos vocais existentes e pelos arranjos contidos, pode-se chutar no escuro as participação do coral do Joab, dos Cariocas, de um Tom Jobim arranjador, de um Edson Machado, de um Suti e outros músicos e vocalistas encontrados em inferninhos, estúdios de rádio, esquina do Café Capital e outros pontos de encontro.
Vale pela interpretação de “Dindi”- que Silvia tornou um clássico, pela inclusão de um Sergio Ricardo e de um João Gilberto compositor.No mais , é uma prova da então indigência da indústria fonográfica tupiniquim.
Enquanto em outros lugares do planeta, as gravações já se processavam em oito canais e eram mixadas em estéreo, aqui tudo se gravava no sistema fulltrack e a máquina em uso eram as Ampex 651. Para se ter idéia da indigência, o processo corrente de gravação de spots e jingles ainda era o corte de acetatos.
Até a gravação de “Casa no Campo”(Zé Rodrix- anos 60), a EMI-ODEON ainda utilizava o famoso estúdio da av.Rio Branco 277(dois canais!). Quase todos os “clássicos” da Jovem Guarda foram gravados em dois canais e mixados em fulltrack no estúdio que a CBS tinha na Rua Visconde do Rio Branco.
Os 16 canais de gravação chegaram ao Brasil nos anos 70, por intermédio do Estúdio Eldorado, em São Paulo. O primeiro trabalho lá gravado foi “Back in Bahia”, de Gilberto Gil. A novidade era tão “revolucionária” que mereceu uma matéria da “Bondinho”- revista massacrada pela censura ditatorial e esquecida pela história de nossos meios de comunicação.
Para concluir, acredito que a história da bossa nova serve apenas para glorificar compositores, intérpretes- num formato localizado- e não processos, pois nada foi feito nesse sentido. Na minha visão,ela e a história do nosso esquerdismo se confundem em glorificar pessoas isoladas numa determinada faixa. Deixando de lado o como fazer e o que se fazer para o benefício de todos. Na verdade, a marginalização sempre foi a palavra de ordem.

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