Passei a tarde ontem digitalizando meu material sobre os Stones. Separei as coletâneas, escolhi e digitalizei quinze faixas, editando entradas, saídas e retirando crepitadas. Quando, na época de “Heart of Stone”( Rolling Stones Now!) eu poderia prever que essa retirada de crepitadas e arranhões dos fonogramas seria possível? Naquele tempo, a melhor coisa a se fazer era tomar cuidado para não arranhar o disco, guardando-os nas capas e limpando- os regularmente. Foi desse jeito que, em 300 digitalizações, apenas duas faixas internacionaius e três nacionais foram vetadas. O fato mais chato foi constatar nestes vetos que a indústria local sempre teve altos e baixos. A diferença de qualidade entre produtos teóricamente no mesmo nível é gritante. Exemplo? O nível de qualidade de corte no material da antiga CBD com o da antiga ODEON – não dá para acreditar como o material da CBD era ruim. A diferença de áudio passa de 80%. O Lp de “Os CARIOCAS” que tem “Ela é Carioca” não modula! Qualquer produção industrial da ODEON dá de dez a zero!Voltando a falar de “Heart of Stone”, a música- na versão dos Stones- era um cult entre os conjuntos de garagem da época. Dar aquele solo escalar era um exercício que separava “bons” e “maus” guitarristas, na visão dos “entendidos”. Outra faixa obrigatória no repertório de qualquer banda era “Glória”(THEM)- três acordes eternos, solo fácílimo e letra que qualquer inglês com pronúncia cósmica interpretava a contento.Na parte apenas instrumental, o hit era “Only the Young”(VENTURES).
Uma qualidade que o mercado do disco perdeu ao correr do tempo foi a de fazer “singles”, como era o corrente na época. Uma lista de grandes faixas ao estilo single? Lá vai:
Beatles - “Please Please Me”, “Ticket to Ride”, “ I Call your Name”, “Yesterday” e “All My Loving”.
Rolling Stones – “Tell Me”, “Satisfaction”, “Get Off of My Cloud”, “ Paint it Black”.
Dave Clark 5 – “Do You Love Me”, “ Glad all Over”, “Come Home”, “Try Too Hard”
Byrds – “ Mr Tambourine Man”, “ Turn Turn Turn”, “Have you seen her face”, “ 5th Dimension”, “ My Back Pages”, “ Goin Back”.
Bob Dylan – “Like a Rolling Stone”.
Beach Boys – “Do you Wanna Dance”, “ Girl Don´t Tell Me”, “Fun Fun Fun”
Jimmie Gilmer & The Fireballs – “Sugar Shack”.
Gerry & The Pacemakers – “Its gonna be allright”
UNIT 4+2 – “Concrete and Clay”
Johnny Rivers – “Secret Agent Man”, “Seventh Son”.
Animals – “The House of the Rising Sun”, “Talkin bout you”, “You gotta get out of this place”, “Don’t Bring Me Down”, “Bring on home to me”, “Don’t let me be misunderstood”.
Trini Lopez – “If I Had a Hammer”, “America”, “Perfidia”.
Peter Paul & Mary – “I Dig a Rocknroll Music”,” Puff”, “500 miles”.
Shadows – “Apache”, “Wonderful Land”.
Jan & Dean – “Surf City”, “ Dead man´s curve”.
The McCoys – “Hang on Sloopy”.
The Trashmen – “Surfin Bird”
The Five Americans – “Western Union”
The Monkees – “I´m a Believer”, “ Mary Mary”, “ Daydream Believer”
Glenn Campbell – “Wichita Lineman”
Richard Harris – MacArthur Park
The Turtles – “Happy Together”
Mamas & Papas – “California Dreamin”, “ Monday Monday
Herman´s Hermitts – “No Milk Today”, “Theres a Kind of Hush”………………
A lista deve dar mais de duas laudas. É muita coisa para ficar se alinhavando. Muita gente ia ficar diuscutindo a qualidade e o critério da escolha. A maioria das faixas listadas frequentou a listagem dos 100 mais em sua época. Outras eu incluí devido a sua vocação para a matéria – como é o caso de “Wonderful Land”(Shadows). Quem tiver acesso a alguma faixa desse material que eu listei pode fazer a comparação com singles dos anos 80/90 e sentirá no tímpano o que eu estou falando. Que o impact sound como o concebido por Phil Spector, George Martin, Brian Wilson, Mickie Most e Andrew Loog Oldham estava já morto no final do século passado e ninguém tinha se dado conta disso. Uma pena.

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