
Mais uma vez escrevo aqui – Raul foi o princípio, o meio e fim do Rock Brasileiro. Raul foi o manifesto antropofágico de leather jacket. Osvald de Andrade ia ficar feliz em conhecê-lo. Sabendo um pouco da personalidade das figuraças, ia ser mais ou menos como o farol de alexandria e o colosso de rodes se cruzando numa esquina cultural. Iam mudar de calçadas alegando para a companhia do momento –“Iiihhh! Lá vem aquele chato convencido!”
Nessa minha faina de digitalizar vinis, peguei a manhã para transcrever Raul. Cheguei a conclusão feita acima ao ouvir “Mosca na Sopa”. Ela me trouxe tanta gente na cabeça que as lembranças me fizeram rir, pois há muito tempo não passava pela cabeça tanta gente e tanto nome. Idade é foda e a cabeça vai ficando fraca.
E foi assim que lembrei do Paulo Cesar, do Mamão, do José Roberto, do Robertinho Silva, do Novelli, do Nelson Angelo, do Tuti, do Áureo, do Gay Vaquer, do Bill French,do Carlinhos Paranóia, do Ari Carvalhaes, daquele estúdio da Polygram no prédio do Cineac,da Dinorá, das Gatas, de minha tia Zoé, do Orlando vascaíno - garçon da Colombo e muito mais gente que, querendo ou não querendo, participou de alguma página do Rock Brasileiro- Duas lembranças seguem abaixo:
Paulo Cesar Barros- o maior baixista de estúdio que pintou no século XX em todas as lides cariocas. Se não fosse ele, não haveriam Renato & Seus Bluecaps, os primeiros dis cos de Roberto Carlos, Wanderléia, Leno e Lilian e todas as grandes faixas gravadas por Raul em sua carreira- com ou sem brilho. Na minha opinião, seu jeito inconfundível deixou a discografia de Raul com um toque pessoal, identificável na primeira audição.
Carlinhos Paranóia- ou Carlos Newton – estudou junto comigo no Santo Agostinho. Começou na guitarra em 64, com n grupos de garagem até os anos 70. Foi, ao lado de Rick Ferreira, o único cara que dividiu palco com Raul nos parquíssimos shows e temporadas que a metamorfose ambulante protagonizou.
Esses dois nomes de prima são aqueles que pintaram sem esforço. Outros virão a tona em outros posts ou outras lembranças, no decorrer desse trajeto blog que eu percorro.
Voltando ao Raul transcrito, considero “Gita” a obra prima dele. De longe, é a melhor faixa já gravada na pre-história do BRock, botando no chinelo qualquer coisa feita por dona rita, incluindo as faixas que ela gravou com o Toto. “Gita” só é comparável a “Jack, o Estripador”(Made in Brazil) e, mesmo assim, guardando-se as devidas proporções.
No meu TOP 5 ainda estão “Você é o MDC da minha vida”, “ Sessão das Dez”(a de Raul. A da “Ordem Cavernista” é bem ruinzinha), “ Al Capone”, “ Trem das Sete” e “Metamorfose Ambulante”.
“Eu nasci há 10000 anos atrás” não passa de uma apropriação indébita de um hit de Elvis Presley . E, “Mosca na Sopa” é uma página na história brasileira, comparável à deglutição do Bispo Sardinha. Quanto ao BRock que veio a partir dos anos 80, ele é outra história- bem mais Ramones, Men at Work e Clash do que qualquer outra coisa- com outra filosofia e um modo de pensar dentro daquilo que se classifica como um conflito de geração. É isso.

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