DEU NO GLOBO DESSA SEXTA- FEIRA – ( Por Leonardo Lichote) – “ O ano em que Roberto Carlos não lançou seu tradicional disco de natal periga entrar para a história da indústria fonográfica Brasileira como o ano “não”, em queda há um bom tempo, não deu sinais de recuperação em 2007. Não foi um disco de 2007 que ocupou o topo da lista dos mais vendidos.- o título ficou com “minha benção”, de Padre Marcelo Rossi, lançado em 2006.............. A relação dos campeões de vendas também mostra que os lançamentos de 2007 não se saíram bem de uma forma geral- há apenas quatro deles entre os dez mais vendidos.As informações fazem parte do relatório referente ao mercado fonográfico brasileiro em 2007, que acaba de ser divulgado pela Associação Brasileira de Produtores de Discos(ABPD). Em meio a tantos “nãos”, o mais visível “sim” para o ano se manifesta no segmento digital, que movimentou R$ 24,5 milhões em 2007. Isso representa um crescimento de 185% em relação a 2006. Ainda é pouco para compensar o prejuízo do setor físico de 31,2% - o digital representa apenas 8% do mercado.........”
Desde o lançamento dos DVDs, do surgimento do .mp3, da invenção de Shawn Fenning e da expansão da tecnologia p2p/bit torrent, o mercado fonográfico tradicional, liderado por uma burrice extrema, não se adaptou a essas novidades revolucionárias que, aliadas ao barateamento de equipamentos, tanto para produtores quanto para consumidores, fez surgir gravadoras de fundo de quintal e sites especializados – completamente distantes do modelo de negócio então em voga.
O fenômeno resultante dessa ignorância é transnacional, com a parte mais interessada( a indústria fonográfica) tomando medidas de retaliação, processando consumidores e pedindo licença judicial para invadir computadores, alegando “lesão da propriedade intelectual” e pirataria(aha!).
Em vez de ficar quieto e dividir o pedaço do doce, o mercado fonográfico resolveu comer sózinho a lata de merda. Resultado: apesar de representar hoje apenas 8% de um mercado em queda, o setor teve um crescimento de 185%. Assim chega-se a conclusão de que o nicho- presente de grego feito pela revolução tecnológica- pode representar uma das saídas para essa crise que o mercado fonográfico apresenta. As outras saídas vão discriminadas abaixo:
A – preço do produto- O CD está carésimo no ponto de venda, além de ser processado numa tecnologia mais que obsoleta. O produto precisa passar por uma lipoaspiração de direitos autorais desnecessários, além de um upgrade no formato de gravação. Pela tecnologia tradicional, um CD comporta, in extremis, 18 faixas. Pela tecnologia .mp3, em um CD podem caber mais de 100 faixas. E depois, vem um babaca qualquer culpar a pirataria pelo fracasso da regra de negócio jurássica que a indústria teima em manter.
Numa visão proporcional, as três décadas finais do século XX representaram o apogeu da industria do disco. Nunca se faturou tanto. Fazendo a cotação em dólar universal, um compacto simples custava US$ 2.98 enquanto o LP custava US$ 12.98 (eram esses os preços que TODA a indústria utilizava para calcular lucros e perdas). Pois bem: Gilberto Gil vendeu 686.000 cópias de “Não Chore Mais” e Dalto 1.200.000 cópias de “Muito Estranho”( Compactos Simples). Já o RPM vendeu 2.300.000 cópias de seu Lp ao vivo. E Xuxa? E Roberto Carlos? Naquela época, a pirataria era cometida pela própria Indústria e seus executivos.- Quem, de mais idade, não se lembra dos discos piratas de Roberto Carlos? A grana era tanta que ninguém se importava em combatê-la.
Hoje, a pirataria está democratizada e controlada pelo crime organizado. A brincadeira é boa, muito rentável e séria demais para ser deixada nas mãos dos executivos de gravadora. Um consumidor que grava em casa seus mp3 e troca com amigos é colocado no mesmo pé que a máfia que compra uma matriz e prensa CDs na China que, importados e distribuídos aqui, chegam ao ponto de venda por um preço máximo de R$ 10( a indústria fonográfica quer R$ 40 pelo mesmo produto). Por que não combatê-los em vez de ficar criando softwares que lesam o consumidor e ainda tornam suas máquinas defeituosas?
B- Comercialização – A Internet acabou com o paradigma dos pontos de venda físicos. Ninguém interessado sai mais de casa para ir a uma loja consumir cultura. É bem mais fácil e seguro comprar via rede e pagar via boleto bancário. A Amazon Books e o iTunes são a prova virtual dessa realidade. Se as gravadoras quisessem, isso podia estar sendo implementado desde que a febre das trocas ponto a ponto começou , né mesmo? Outra coisa a ser discutida é a forma do produto. Com a tecnologia digital, a história de se comprar um álbum por causa de uma única faixa já era. Esse papo de "trabalho" e "obra" não passa agora de conversa prá boi dormir.
Então?Em vez de ficar chorando pelo leite derramado, por que não botar mãos a obra?

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