terça-feira, 30 de setembro de 2008

A Janela da Alma

Música é a janela da alma. É a abertura pela qual o sentimento transborda e faz de alguém um ser a caminho do conhecimento. O músico, intérprete e o compositor são considerados especiais. Tanto assim que na maioria das culturas a música está sempre ligada a religião e a representação de alguma realidade. Só na nossa cultura é que a música tem duas vertentes: a religiosa e a profana, na estrita expressão de arte pura.
A música e o rádio são as duas únicas formas de expressão cultural que permitem ao ouvinte desempenhar uma atividade paralela. Qualquer outra prende totalmente os sentidos do espectador. E, já que estamos falando em ouvir música, essa atividade também é uma arte. Sem atenção nas suas nuances, ela vira passatempo. E por ela, o tempo passa, o tempo voa........
Sempre gostei mais de música do que de letra. Considero letra uma poesia musicada e, no meu entender, isso é outra forma de arte. O primeiro compositor do qual eu guardei o nome completo foi John Phillips Souza, o compositor mestre da música marcial. Conhecia todas as suas marchas. Tinha um EP 10” com oito delas- as mais executadas. De tabela, gostei do Dobrado 83 da Banda do Corpo de Bombeiros que, nos anos 50, gravou um Lp famoso, com “Jesus Alegria dos Homens”, traduzido poeticamente por Vinicius e que, rebatizado de “Rancho das Flores” foi sucesso no rádio da época. Mais tarde, fui apresentado a “The Count Von Radetzky March”, feita por Strauss em homenagem ao Marechal Comandante do exército Imperial Austro-Húngaro. Também fui admirador da “suite do Tenente Kijé”, feita por Prokofiev e aproveitada magistralmente por Woody Allen em “A ùltima Noite de Boris Gruschenko”, naquela batalha bem estilo Eisenstein.
Já o primeiro músico do qual eu guardei o nome foi Benny Goodman. Mamãe tinha todos os eus discos, incluindo o ao vivo no Carnegie Hall em 1938, com todo o quinteto original, incluindo Gene Kruppa na bateria.Depois vieram Henry Jerome(“O Homem do Braço de Ouro”), Altamiro Carrilho e sua bandinha, com destaque para os dois Sutis(Pai e Filho).
Falando neles, fiquei surpreso ao ver o velho Suti tocando na orquestra que figura em “Alô Alô carnaval”, filme de 1938- quando Ademar Gonzaga restaurou o filme e o recolocou em cartaz nos cineclubes do RJ , ainda nos anos 70.O então Suti num tremendo exibicionismo, fazendo malabarismo com as baquetas. O músico se coloca pela sua técnica e sentimento. Tanto Benny quanto Suti passavam um astral legal com suas “mis-em-scénes”.
No meu caso particular, quando pego minhas harmônicas e sento para dar uma tocadinha, escancaro as janelas da alma num “Cat´s Squirrel” ou num “Little Red Rooster” e penso em todos os meus amores e mulheres que passaram pela minha vida triste de apaixonado abandonado. Na verdade, it is my cross to bear, man. Nothing to do.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Robert Plant corta o Barato da Galera!

Quem achava que ia assistir a um dos shows de uma futura tour do Led Zeppelin deu com os burros n´água. Robert Plant desmentiu uma notícia veículada pelo “The Sun”, que afirmava que os membros do Led haviam entrado num acordo e voltariam a se reunir para cumprir uma agenda caça-níquel mundial, tendo como baterista Jason Bonham, filho do falecido baterista- uma das almas da banda, John Bonham.
Mas, segundo uma declaração divulgada por assessores de Robert Plant, que cumpre turnê com a cantora country americana Alison Krauss - este não cairá na estrada com ninguém durante um período de dois anos após encerrar a atual agenda, no dia 5 de outubro."Contrariando uma série de notícias recentes, Robert Plant não fará turnê ou gravará com o Led Zeppelin", diz a declaração."Qualquer pessoa que compre ingressos para qualquer evento deste tipo estará comprando ingressos falsos."
Jimmy Page já havia declarado antes que, segundo sua metodologia de trabalho, uma tour passa por planejamento logístico detalhado. E isso inclui uma coisa básica- repertório. E ele não faz repertório pensando no Zep há tempos. “Isso está fora de cogitação”, declarou ele quando a banda se reuniu para um único concerto no ano passado e que teve ingressos disputados por 20 milhões de admiradores. Em outra declaração dada logo depois daquele evento, Page disse que sem Peter Grant e sem John Bonham não havia como recolocar o Led Zeppelin em funcionamento.
Acredito que isso seja mais um cala a boca para a indústria cultural que teima em ficar fabricando factóides para testá-los, ver a repercussão, e depois sair correndo atrás de patrocínios para tentar transformar o factóide em fato. O primeiro grande cala a boca foram as mortes de Lennon e Harrison, que acabou com qualquer tentativa de refazer Beatles. Esse mês foi a morte de Rick Wright, que matou de vez o Pink Floyd. E ontem a declaração de Plant. Mas, como existem ainda diversos cadáveres insepultos, a indústria de factóides vai continuar com seus testes. Resta ver quem será o próximo.

Tributo Superputo

A fama opera tranformações fantásticas na vida daquele que chega ao seu recinto. Quando o indivíduo entra nesse local, a primeira coisa perdida é a própria individualidade. Alguém arranja para ele rapidinho um grupo de assessores. Passa a ter agenda. Começa a frequentar eventos que exigem sua presença. Vira VIP na lista de todos os promoters no eixo em que gravitar como planeta e ganha amigos inesperados. É aí que reside o perigo.
Como é sabido que o mal é o que sai da boca do homem, esses amigos é que determinarão o que sairá da boca da assistência. Se o atual famoso for um planeta de luz própria, é posível que ele trafegue pelos holofotes sempre indene. Se for um reflexo, as sombras sempre o rondarão. Essa é a diferença básica entre um Dado Villa Lobos e um Rafael Ilha, para citar apenas um exemplo.
O holofote pode causar dependência física. Sua síndrome de abstinência faz os famosos dependentes toparem qualquer parada para que ele continue a iluminá-los. Enquanto algumas drogas ligam o dependente, o famoso dependente por holofote necessita é que ele(holofote) fique ligado a iluminá-lo. Ea descida até a lama atrás do holofote é inevitável. Começa no Faustão e termina no Amaury Jr. , Luciana Gimenez, Sonia Abrão e outros menos votados. Citando outro exemplo, essa descida é a diferença básica entre um Edson Celulari e um Alexandre Frota.
A fama não avisou ao lado pessoa de Cazuza o que poderia lhe acontecer. Avisou apenas ao seu lado poeta. Quem conheceu Cazuza promotor de vendas da gravadora de seu pai sabe o que eu digo. E se esse antigo amigo viu, no Canal Brasil, o especial sobre o tributo feito a ele nas areias de Copacabana, não deve ter entendido muito “certas amizades” que subiram ao palco para lhe prestar um tributo. Na verdade, essas “amizades” estavam alí era prestando tributo ao holofote. Se fosse necessário, prestariam tributo até a Sullivan & Massadas, só para estar no foco do holofote.
Se houve alguns lá prestando tributo a Cazuza, esses alguéns foram Nei Matogrosso, Leoni, Arnaldo Brandão e a banda, que tocou como Cazuza gostaria de ser acompanhado, num pique completamente exagerado. Muito legal.
Agora, só para encerrar, uma pergunta: Preta Gil não é a nossa Tila Tequila?

domingo, 28 de setembro de 2008

Como Não Discutir Problemas

O Fórum do Luis Nassif abriu uma lista de discussões intitulada “Discutindo a Bossa Nova”,acredito que em comemoração ao seu cinquentenário. Aí eu fui lá e postei que achava a Bossa Nova o primeiro grande movimento cultural colonizado nacional, que atrasou o processo criativo e experimentalista na música, já que o banquinhoe o violão se tornaram a tônica e um imitador de Barney Kessel e Chet Baker passou a ser considerado gênio.
Porra! Prá que, maninho! Tõ sendo escrachado até agora, mas ninguém citou uma prova da originalidade de João, pois a originalidade estava mesmo na batida de Milton Banana. Umavez, numa entrevista, Luizinho Eça disse que Tom Jobim era um medroso, pois com a bagagem e o gabarito que tinha, ele devia largar o popular e sair para o lado Gershwin que faltava à Bossa Nova. Segundo ele, se havia a snfonia do Rio de janeiro, porque não outras peças?
Eumir Deodato, em sua última entrevista ao Estadão, foi pela mesma linha e, complementando as palavras de Eça, disse que Tom sempre teve preguiça de fazer arranjos, preferindo mais compor fazendo aquele arroz entre o dó 3 e o dó 7 que executava cosstumeiramente. Como exemplo citou “Children Game”(mais tarde rebatizada de “Chovendo na Roseira”).
As palavras de Luizinho Eça e Eumir Deodato, já levantadas também por José Ramos Tinhorão nunca são levadas em consideração, pois, da mesma forma que no jornalismo esportivo o repórter não passa de um torcedor, o jornalista cultural é um tiete antes de tudo. E aí fica difícil discutir qualque coisa.
Os exemplos são vários. Quando José Ramos Tinhorão esculhambou o primeiro disco que Milton Nascimento gravou com Wayne Shorter, a maioria dos coleguinhas alegou que Tinhorão não havia ouvido o disco com atenção. Outra oportunidade onde a discussão foi descontruída foi quando Rita Lee gravou ‘Mania de Você”, plagiando maneira, formato e intrumental de “From The Beginning”(Emerson, Lake & Palmer). Quem levantou a lebre sofreu silencio obsequioso. Mais tarde, a mesma dona Rita pegou a idéia de “What a Fool Believes” e fez “Lança Perfume”. Ninguém falou picas. Mas quando Rod Stewart pegou “Taj Mahal” e fez “Do Ya Think I´m Sexy?”, a grita foi geral.
Assim, chega-se a conclusão que a parcialidade é o ponto de partida para qualquer discussão cultural no país. Também, numa terra onde se tomava chocolate na Colombo em pleno verão para respeitar a “saison d´hiver” em Paris(Olavo Bilac e colegas na Confeitaria Carioca), não se pode esperar muita coisa, né mesmo?

sábado, 27 de setembro de 2008

Tila Tequila e o Absurdo como Espetáculo

Eu não concebo alguém ainda levar a sério a programação que a Globo exibe depois de ver o que a MTV coloca no ar. Também é inconcebível alguém levar a sério a programação das outras emissoras mais pobres, seja em produção, espírito e /ou recursos.
O corte epistemológico produzido pela MTV no discurso televisivo é completamente absurdo. Quem assiste ao “Quinta categoria” não pode depois assistir ao programa da Angélica sem cair na gargalhada, já que o “Quinta” em relação ao programa da consorte(ou azar?) de Luciano Huck é a palhaçada pela palhaçada. Enquanto no “Quinta” o ridículo chega a seriedade, Angélica quer ser seríssima expondo “convidados” ao ridículo cotidiano.
Acreditar em qualquer coisa veiculada pela mídia é acreditar na ilusão. Na ilusão que o show de notícias do “Jornal Nacional” provoca em quem vê e leva a sério as catástrofes pré-fabricadas por aquilo que o Paulo Henrique Amorim batizou de PIG(Imprensa Golpista). Ver o “Jornal Nacional”, o da Bandeirantes ou o noticiário da Record é é uma auto-atribuição do dom de iludir ou de ser iludido. Tanto faz ver Faustão quanto ver Gugu. O lixo veiculado é o mesmo. Só a imagem da Globo é que é técnicamente superior, apesar da Rede TV! Ser a única a transmitir tudo em HD. Uma vitória da rede que mais cresce no Brasil? Pode ser. Aliás , esse papo de “rede que mais cresce” parece propaganda de aumento de pênis, né mesmo? Como acreditar nisso?
Nunca pensei que a MTV pudesse abandonar a música como conteúdo e se dar bem. Fiquei surpreso ao ver toda a programação, mais Madame Mim(MEU TESÃO!!!!!), Marcelo Adnet, minha paixão confessa chamada Marina Person, Cazé e toda uma equipe que, ao lado da melhor produção gráfica, só com equivalência na produção gráfica Global. Du Caraca!!!O resto perto das duas é lixo ou cópia.
Ontem eu vi Tila Tequila e seus dois finalistas. Inacreditável. Qualquer dia desses, Monique Evans estará apresentando um reality show naquele estilo com personagens escolhidos entre decadentes do BRock e coisas como Maurício Mattar, Fábio Júnior, Alexandre Frota , Sergio Mallandro, Mara Maravilha, Barbara Paz, pega Moças com Pega rapaz, promoções e promocinhas, incluindo uma performance de Nega do Bafão( digite esse nome no Orkut e veja só o que vai surgir no teu monitor!). Afinal de contas, Leo Jaime e Lobão machucaram muito o coração dela e, nesse reality show, ela vai escolher seu novo amor e não poderar errar mais!Não foi por menos que a fizeram musa dos gays e Drag-queens?
Vai ser a revolução na TV que você quer ver e não acredita no que ela exibe. Do jeito que a coisa vai, nós estamos perdendo tempo por esperar.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

DiscursoXAtitudeXExpressão

Dia desses eu vi uma entrevista da Madame Mim em um vídeo no YouTube, que mostrava o lançamento de seu último CD. Segundo o tesão naior da minha velhice safada, ela resolveu fazer um CD mais leve e batido, deixando de lado o som punk que fazia. Acho que se o Joe Strummer ouvisse isso, ele voltava só para dar uma porrada nela. “Punk é atitude, ô sua piranha!”, exclamaria quem? Steve Jones? Eddie e todos os hotrods?
Realmente hoje, a confusão entre atitude e expressao torna a coisa mais fácil, já que você pode ser um nerd babaquara daqueles e fazer um trash metal da hora!(Gostaram do “da hora!”?). Ou um geek tecnol´gico fissuado um baixo acústico. O rótulo é dado pelo que você exprime e não pela sua orígem ou atitude. Se nos anos 60, você fosse um mod, andasse de lambretta e fizesse um som rocker, o mínimo que ia acontecer era você ganhar uma piaba legal dos dois grupos.
O Angeli tem uma história muto legal(prá variar esqueci o título)de sua fase “ a revolta dos babacas”, onde ele conta a vida de Oliveira Junky, que trafega por estilos dependendo da situação do momento e das porradas que leva. Oliveira começa New Wave, passa pelo punk dos carecas e termina completamente gay depois de ser enrrabado( ou enrabado?) por um cassetete ao se fingir de estátua na salade um execuivo de gravadora.
As semelhanças entre o discurso inteligente da Madame Mim e o discurso manipulado de Oliveira Junk tem um ponto de contato: o holofote da mídia. Acho fantástico aquele tesãozinho utilizar a mídia em proveito próprio em “Helado de Limon”, “ Festa de Aniversário” e outras bobagens expressivas. Achei fantástica a imagem do namorado da prima que tem resto de bolo no aparelho dentário. Minha fantaia viu a cara do panaca, brother! Mais adolescente que isso só se suicidar tomando CocaCola chupando Drops Hallo. Decadente é Alice Cooper fazendo letra pra adolescente.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Quem têm medo da Verdade?

Os aficcionados que me desculpem.Os instrumentos eletrônicos fabricados no Brasil entre 1950 e 1990 sempre deixaram a desejar. Da mesma forma que os amplificadores, os falantes, os mixers, os pedais e os pratos.Ah! os pratos! Bater num Saema ou num Weril era como bater num misto de tampa de lata de lixo com vaso sanitário. Inenarrável As primeiras peles de Nylon da Weril e da Gope pareciam preservativos esticados até o limte de resistência.. As baquetas até que serviam e alguns encordoamentos. Palhetas? Também.
Apesar dos aficcionados hoje manterem blogs, querendo mostrar ao mundo aquelas coisas como raridades incompreendidas, não havia como ser iludido. O instrumento nacional não tirava nota para passar de ano nem no vsual. Eram escrotos, tinham uma combinação de cores completamente bregas e eram desagradáveis de tocar.
Quem resolveu montar uma banda e, devido ao custo, teve que , por exemplo,começar a tocar baixo num Alex Brucutu plugado num Phelpa 30, só continuou a tocar porque: a) trocou rapidinho de instrumental, b) gostava muito de música. A mesma coisa valia para uma bateria Saema ou uma guitarra DelVecchio Twist, com escala dinâmica e um timbre nada dinâmico, horrível e completamente sem definição.
Com os teclados não era diferente. Haviam os Diatron, os Saema e os caribbean. Tudo neles era sem comentários. Inclusive o aspecto. A hering tinha uma pianola movida a v-e-n-t-o-i-n-h-a inamplificável e com um som de acordeon tétrico. Para felicidade de rock brasileiro, os tecladistas eram raríssimos e o som que tiravam lembrava mais a buzina do Chacrinha do que outra coisa qualquer.
Tudo isso era devido á política protecionista desenvolvida pelo govêrno, proibindo as importações. O fato desarticulou completamente a competitividade e a concorrência, já que os fabricantes sabiam que tudo era vendável na divisão de faixas de preço de consumo exibidas pelo público interessado. E como essa política também atingia os fabricantes de componentes, a falta de qualidade e inovação começava no básico.
A única coisa que o Collor fez de decente foi abrir a importação. Isso salvou a nossa indústria de ir para o saco, pois a competitividade fez todos abrirem os olhos e hoje o panorama é bem diferente. Hoje você compra o que existe de melhor que o dinheiro possa pagar e seu gosto ou sua possibilidade é sempre satisfeita.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Como Viver de Música!

A fabricante de violões Di Giorgio é uma campeã. Se mantém no mercado há exatos cem anos. "Já passamos por planos econômicos, inflação e invasão dos importados", disse o presidente da empresa, Reinaldo Proetti Júnior, em uma entrevista ao Estadão. Hoje uma das maiores em vendas de violões de corda de náilon do País, com faturamento anual de cerca de R$ 14 milhões, a Di Giorgio é um dos raros casos de empresas familiares que conseguem continuar operando ao longo de gerações. O imigrante italiano Romeo Di Giorgio foi quem deu início à empresa, em 1908, com 20 anos. Após estudar lutearia (técnica de confecção de instrumentos musicais) em seu país e trabalhar em uma fábrica de instrumentos no Brasil, Di Giorgio resolveu fabricar seus próprios bandolins e violões. Abriu as portas de um pequeno ateliê e passou a vendê-los para a comunidade italiana de São Paulo. "Com a bossa nova, a venda de violões explodiu", diz Reinaldo Júnior. Nessa época, a empresa decidiu abandonar a produção de bandolins e cavaquinhos e se especializar nos violões. Segundo Reinaldo Júnior, a mudança foi decisiva. "A demanda era enorme. De uma hora pra outra, tivemos de fabricar 150 violões por dia.Em 1985 foi inaugurada a fábrica da empresa em Franco da Rocha (SP), que passou a concentrar toda a produção, hoje de 4 mil violões/mês. A companhia também viu-se obrigada a se modernizar. "Com a chegada dos importados, o mercado ficou mais competitivo. Não podíamos ficar para trás", diz.A empresa continua investindo. No ano passado, importou equipamentos da Alemanha para uso em uma nova técnica de marcenaria. Quem trouxe a tecnologia foi seu filho, Reinaldo Neto, de 25 anos. Ele já trabalha na empresa e pretende dar continuidade ao negócio.
DiGiorgio, Del Vecchio e Giannini são fabricantes de pinhos com renome internacional, levando ao mundo o conceito que o país é um bom fabricante de instrumentos acústicos nesse segmento.
Quem que é fã do Zep que não conhece aquela foto na qual Jimmy Page ostentauma craviola da Giannini? Ou então a versão de “More Than Words”(Extreme) onde aquele português acompanha o vocalista(não me lembro do nome de nenhum deles!) num DiGiorgio de concerto?
Sem nenhuma solução revolucionária( como foi a do Ovation), nossos fabricantes continuam a manter um respeito e a tradição de qualidade. Me lembro que, em 1967, um violão DiGiorgio valia 700 dólares em Noviorque. Dava para comprar uma Fender Duosonic( igual a do Kurt Cobain)- custava 350 dólares e um DeLuxe Reverb Amp(25 watts RMS, um falante de 12”)- que também custava por aí. Isso é que era tempo bom!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

POP PROJECTION

O pop não engana ninguém. Ele apenas reflete a série de erros e acertos da massa na escolha daquele que é popular, frequenta paradas, listagens e é very important people na acepção da palavra dentro do respeito queas pessoas têm por seu trabalho, consumindo-o como produto.
Ser popular é ser cooptado pela admiração coletiva. Paulo Coelho é popular? É. Apesar de eu não ter lido nenhum de seus escritos literários, gosto da letra de “Gita”(Dele e de Raul Seixas), que, na minha opinião, é a melhor faixa gravada pelo rocker bahiano. Albert Einstein virou figura pop naquela sua famosa foto botando a língua para a objetiva, da mesma forma que o Che naquela outra foto do Korda, considerada a mais reproduzida do século XX.
O que é que Morris Albert, Lennon & McCartney tem em comum? Ser pop com as duas canções mais regravadas da história- “Feelings” e “Yesterday”. Já Michael Jackson, apesar da autodestruição e do ridículo, continua a ser um ícone do pop. “Thriller” tornou-o imortal.
O bom do Pop é que ele pipoca em qualquer banda ou segmento. Andy Warhol foi pop em sua arte desconexa e Salvador Dali foi pop em seu surrealismo. Newton fez da gravidade um artigo de consumo imperecível apesar de ter usado um contrário para despertar a prova de sua autoria. Simbólica e figurativa, a maçã torna pop os enigmas dos quais participa: a gravidade e o paraíso.
O pop explode como se fosse o milho da pipoca em contato com a gordura quente( popcorn). Nessa explosão, o produto aparece, vai a um apogeu e têm que ter substância para se manter em evidência. Nesse livro sobre Rock que o Kid Vinil aparece como autor, ele cita uma série de artsitas que foram “single sided success”( sucessos de uma música só). Se formos contar só aqui no patropi, temos Marcelo(“Abre Coração”), Biafra(“Helena”), Renato Terra(“bem te vi”), Ricardo Graça Melo(“De Repente Califórnia”), Patrícia Marx(“Certo ou Errado”) e o próprio Kid Vinil(“Sou Boy”), que teve o seu momento de herói do Brasil.
Algumas pessoas fazem de tudo para serem populares. É aí que mora o perigo. Quem faz isso sempre têm a verdadeira intenção escondida na manga. Quer ganhar facilidades e mostrar dificuldades. Um grande exemplo disso acontece no próximo dia três. Eleição. Se você já tem seu voto bem intencionado, acredite nele e faça de sua intenção um agente de mudança. Se você ainda está em dúvida, ainda dá tempo. Só não repita a bobagem que alguns vêm fazendo, repetindo um passado indesejado. Tenha personaldade e acredite. Vamos tirar o país dessa lama.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

O nascimento de um novo homem?

George Michael pede perdão a seus fãs. George foi detido mais uma vez por posse de drogas. Ele garante a seus fãs que vai se recuperar. Michael, que tem 45 anos, foi detido na sexta-feira, no norte de Londres, e levado a uma delegacia, onde foi advertido por posse de drogas de classe "A" e "C", informou a polícia. O crack e a cocaína fazem parte das drogas classificadas como "A". Em 2007, Michael perdeu a carteira de motorista por dois anos após se declarar culpado de dirigir sob o efeito de drogas.
Drogas e Sexo sempre fizeram parte da cena artística. Diversas carreiras foram arruinadas por escândalos das duas naturezas, ou numa conjugação de suas forças nada desprezíveis. No início do século XX, Roscoe Fatty Arbuckle, mais conhecido aqui como Chico Bóia, depois de uma noite regada a álcool e heroína(era dependente), matou uma corista iniciante no cinema introduzindo-lhe uma garrafa de champagne na vagina, que lhe causou uma hemorragia interna fatal. Depois de um rumoroso processo, Roscoe foi declarado inocente e internado num sanatório para tratar da dependência, mas nunca mais voltou a brilhar nas telas dos cinemas.
Charlie Parker, Billie Holiday, Miles Davis, Chet Baker, Anita O´Day e quase todo o jazz dos anos 40/50 passaram maus momentos entre traficantes e policiais, numa alternância como se fossem joguetes nas mãos, ora do crime organizado, ora da lei, unidas pela corrupção reinante. Durante o período, até filmes foram feitos a respeito do assunto, sendo o mais famoso “O Homem do Braço de Ouro’, onde Sinatra vive um baterista dependente de heroína, que vai vendo seu talento se esboroar entre as síndromes de abstinência.
Acredito eu que a síndrome de abstinência documentada mais famosa do século XX foi a sofrida por Kurt Cobain num palco carioca, nos anos 90, quando saiu de cena de joelhos, encerrando a apresentação do Nirvana num dos maiores vexames já produzidos por alguém, ao vivo e a cores.
Outra cena famosa do Rock é a capa interna de “4th Way Street”(Crosby Stills nash & Young) na qual é visível que David Crosby acabou de aplicar uma sweet jane nos canos. Mais uma? Jerry Garcia em Woodstock, apresentando um baseado à camera e exclamando: “Marihuana, first proof”.
Quantos dos nossos heróis morreram de overdose? A saber: Jim Morrison, John Bonham e Keith Moon(Álcool), Jimi Hendrix e Janis Joplin(álcool + heroína), John Alec Ethwistle( Cocaína), Brian Jones e Jerry Garcia (combinação nunca esclarecida de tudo um pouco e mais em excesso).
Mas, por outro lado, existem sobreviventes como Keith Richards, sobre o qual diz a lenda que ele já fez cinco transfusões totais de sangue, além de um buquê de internações para se livrar da dependência de quase tudo que é droga ilícita conhecida. Outro que passou por um perrengue daqueles foi Eric Clapton- que foi bancado dois anos por Robert Stigwood até conseguir se livrar completamente da cocaína e depois retomar a carreira.
No Brasil o único caso conhecido de droga pesada continua a ser o de Arnaldo Antunes, pego nos anos 80 com menos de uma grama de heroína. Os casos de Rafael Ilha, Nahim, Peninha e mais algumas personalidades globais não contam pois foram abafados, ficaram por isso mesmo e não vieram a público. Assim, la nave va e tamos aí.
Mudando radicalmente de assunto: os puristas que leram a entrevista de Eumir Deodato publicada ontem no Estadão devem estar com o rabo em chamas. Principalmente sobre o que ele fala a respeito de João Gilberto ter copiado o jeitão de Barney Kessel na guitarra e o jeito de cantar de Julie London. Eu vou mais longe e incluo o meu drogado de estimação: Chet Baker, que era bem mais cool e intimista, coisa que João Gilberto sempre foi. O que eu gostei foi Deodato chamar o Stan Getz de picareta. E ele tem razão. Naquele Lp(Getz & Gilberto), Stan é o próprio bacalhau na feijoada.Tá alí soprando apito. E durma-se com um barulho desses!
Outra coisa de que Eumir fala é o fim da Indústria Musical como ela era conhecida. Vai ter que começar tudo de novo. Não se produz, não se arranja, não se grava e nem se fabrica. Tudo já era. Mais uma vez ele tá certo. E a Bossa Nova tá fazendo 50 anos, gentiboa!

domingo, 21 de setembro de 2008

Mental Masturbation Blues

Eu conheci o electric blues via os Rolling Stones, o Animals e os Yardbirds. Não havia grupo norte-americano da época que tivesse os clássicos no repertório. E a maioria do pessoal que atuava no British Rock tinha sempre alguma coisa. Engraçado é que o último dos Britânicos que tocavam blues que eu ouvi foi John Mayall. Tomei conhecimento de sua existência em 66 por notíciário na Melody Maker, mas só fui ouví-lo em disco realmente nos anos 70.
Nem o Pedro(Modern Sound) trazia discos de Mayall para botar na Loja.”Isso não vai vender”, dizia. A não ser que você encomendasse, mas aí o preço era acrescido de mais 20%. O primeiro Mayall que eu ouvi foi “Diary of a Band”, uma compilação com faixas onde Mick Fleetwood, Petr Green e Mick Taylor pontificavam. O disco realmente apareceu aqui devido a ida de Taylor para os Stones, na vaga recusada por Eric Clapton.
Apesar de ser considerado o pai do Blues Britânico, Mayall nunca me bateu no paladar. Sei láporque, mas não o via assim como se fosse um supra sumo. Paul Butterfield, no meu entender, era bem mais real e audível.
Acho que os Rolling Stones cumpriram melhor o papel de disseminadores do electric blues de Chicago, principalmente ao gravarem “2120 South Michigan State Avenue”, que vem a ser o endereço real da Chess Records( a faixa está no 12X5), a verdadeira casa mundial do Blues Elétrico e, por uma cagada, aquela que também deu guarida a Chuck berry. Se não fossem os Chess Brothers, não haveriam Muddy Waters, Howlin Wolf, Willie Dixon, Bo Diddley, J B Lenoir e muito mais gente admirável e fazendo coisa boa de se ouvir.
O novo Blues Americano começou a botar as manguinhas de fora para mim quando fui apresentado a Johnny Winter, naquele Lp clássico que tem “Johnny B Goode” e “Jumpin Jack Flash”(o da capa azul em autocontraste). Quem me apresentou a bolacha foi o Zé da gaita, que tinha arrumado emprestada com o Álamo e nós ouvimos na casa do Chust. Outra grande apresentação, aí já do blues elétrico tradicional, foi o “Father & Sons” do Muddy Waters, que o João Ceppas havia trazido direto de Nova Iorque, junto com dois do Otis Spann, um do Junior Wells e outro do Pinetop Perkins. Mais tarde eu roubei um “Father & Sons” do Gabriel O´Meara e tenho ele até hoje.
Mudando de assunto: o emeio que mandei ontem para o “Estado de Minas” reclamando do erro crasso na capa do caderno de Cultura( alguém legendou uma capa do E,L&P como se fosse uma foto do Black Sabbath) foi classificado como SPAM e recusado! Ao menos foi isso que o Pedro Cerqueira disse ao responder minha solicitação. Tão vendo como é que os leitores são bem tratados pelo grande jornal dos mineiros? Depois, quando a gente classifica o órgão como pasquim de província, todo mundo fica puto. Difícil.

sábado, 20 de setembro de 2008

Persistência na Falta ou Falta na Persistência?

O que faria você, um fã de Rock em qualquer de seus gêneros se visse uma matéria de capa, de um autor não muito recomendável, sobre o assunto que você gosta e coleciona recuerdos, com um erro crasso numa fotolegenda da ilustração que abre a matéria? Mandaria um emeio reclamando/ Pois foi o que eu fiz, he!he!he! Enviei o texto que vai abaixo:
“A matéria de capa, assinada pela Mariana Peixoto, traz um erro crasso, atribuindo a capa do Lp "From The Beggining'' do E,L & P como sendo o Black Sabbath.
Quem titulou e editou a matéria não manja picas do assunto. Eu se fosse a mariana armava o maior barraco.
E não me venham dizer que está assim no livro que eu garanto que não está. O Kid pode ser uma toupeira, mas essas coisas ele sabe e a editora responsável pelo lançamento tem know-how e não ia dar uma barrigada dessas.
Isso compromete todo um trabalho, meus filhos, tsk...tsk...tsk...

Luiz Sergio Nacinovic
RG 2.954.988-8 DETRAN RJ
Rua Aspásia 70/103 – Caiçara”

Fiquei puto. Já não basta você ter que ficar lendo abobrinha assinada por “pesquisador”, onde o Black Sabbath é dado como um grupo norte-americano, ver o nome de Jimi Hendrix grafado nas versões mais absurdas. Assim sendo, ler na capa de cultura de um jornal diário que Keith Emerson, Carl Palmer e Greg Lake integravam o Black Sabbath não é nenhuma aberração. Eu sempre achei que Ozzie, Butler e amigos é que fossem o BS. Em 41 anos de janela ouvindo a coisa, nunca suspeitei ter ficado tanto tempo nessa confusão, he!he1he!
Ainda mais quando a capa em questão é a do LP que tem “From The Beginning”, uma das poucas faixas do grupo que oscilou pelo Top Five( as outras foram “Lucky Man” e “Cést La Vie”) e que, ainda por cima, plagiada descaradamente por Rita Lee em “Mania de Você”.
Mas, como sempre acontece, erros passam, erros vêm, erros vão. Eu já tive uma matéria de capa, assinada, sobre o “Bossa Nova”(Ruy Castro), publicada em “O Tempo”, na qual o editor do caderno, ao titular e editar a matéria, colocou uma foto dos Dois Irmãos como sendo do Corcovado. Enfim, dormir com um barulho desses é bem difícil.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Have Guitar Will Travel

A Guitarra está para o século XX como nenhum instrumento esteve para nenhuma época. Praticamente todos eles necessitam de treino e algum conhecimento específico para que o iniciante consiga se exibir como músico. A guitarra é mais popular e mais socializante. Com três acordes, você faz uma apresentação de n horas. Estão aí Chuck Berry e os bluesman que não me deixam mentir. Experimente fazer a mesma coisa com um violino?
Apesar de imaginada por Les Paul e Clarence Leo Fender nos anos 40, a linguagem do instrumento só veio a ser realmente inventada por Jimi Hendrix nos anos 70. Tanto ele como seu clone ,Robin Trower, foram ao delírio com as experimentações. Mas, quem foi realmente transcedental para ela e ainda é chama-se Jeff Beck. Só ele conseguiu tocar de tudo um pouco e gravar por cima, indo de “Heart Full of Soul” a “Blow by Blow”, passando por “Honeydrippers” e “GuitarShop”. Igual a ele ninguém. Nem Mark Knopfler, que, aos poucos, vêm admitindo uma levada country para Chet Atkins nenhum botar defeito.
Num post anterior, também falei sobre o instrumento e fiz até o meu top ten, já que não posso passar sem listagens, coisa inerente a minha alma top 40. De uns dois dias para cá venho colocando o Limewire para trabalhar atrás de The Ventures, The Shadows, Duane Eddy, Al Casey e outros guitarristas que o mundo vêm esquecendo. E tenho achado muita coisa boa, como diversas versoes de “Sleepwalk”, “Walk Dont Run”, várias faixas com a presença de Twangy Guitars(Duane Eddy, Don Costa e outros). Baixei também vários nstrumentais de surf com Dick Dale, Carl Wilson, Hal Blaine e outros de Los Angeles menos cotados.
Guitarra sempre me atrai e é um instrumento que me fascina. Fico fascinado também por sintetizadores, que merecem qualquer dia desses um comentário sobre eles nesse espaço.

Amigos, amigos até o fim...............

Agora foi a vez do Lourenço Diaféria- um dos poucos cronistas com C maiúsculo que restavam na área. Lourenço foi capaz de me fazer comprar a “Folha” só para ler seu texto. Achava fantástico como as letrinhas percorriam o caminho que ele traçava num discurso que sempre me prendeu. Me sentia como lendo a carta de um amigo velho, daqueles que te escrevem prosa para contar a sua visão de um dia a dia pessoal e intransferível. Sempre existe o assunto e a impressão dele( o cronista) ser sempre compartilhável é digna de nota. Na maioria das vezes você se surpreende com a concordância de opiniões e pensamentos.
Fui assim com Dona Elsie Lessa, sou assim com o filho dela, sou assim com Sergio Jaguaribe e também fui desse jeito com Paulo Francis – a quem admirava sinceramente pela capacidade cultural. Só discordei bastante de Nelson Rodrigues, cujo pesamento tragicômico de um Emile Zolà nascido no Recife batia de frente com minha visão carioca de todo o universo.
Outro cronista fantástico com quem nunca tive acidentes de percurso pelas letrinhas é Osvaldo Peralva. Militante Comunista, escritor e jornalista, Peralva era da Diretoria do “Correio da Manhã” quando o golpe ocorreu.
Refugiado político durante algum tempo Peralva é o único cronista conhecido a escrever sobre um amigo meu e amigo comum nosso, talvez um dos poucos grandes amigos que tive durante toda a minha vida – Manoel Wambier.
Manoel, paranaense de Ponta Grossa e formado em Filosofia, foi uma das maiores figuras que eu conheci e capaz de grandes façanhas como trabalhar a noite inteira na Radio Globo e depois passar o dia inteiro na Rua Alice 133; ele e o irmão se casarem com duas irmãs; preparar uma sopa de lentilhas para chef germânico nenhum botar defeito, além de saber FAZER maionese. O apartamento que dividiu com Paulinho Diniz("Quero voltar pra Bahia"), de frente para a Praça General Osório ficou famoso na região.
Wambier era um achado nascido no lugar errado, pois vir ao mundo no paraná foi um mero acidente. Wambier era Ipanema da cabeça aos pés com aquela cara de bugre saído de quadro clássico de Almeida Junior.
A crônica de Peralva sobre Manoel falava de sua chegada à Alemanha e a sua gradual inserção no grupo que amargava o exílio. Falava no dia a dia de estranhos numa terra estranha e que se grilavam com a chegada de novidades que não tivessem um passado político recomendado, como era o caso do Manoel. Todos eram vistos como informantes da repressão e Manoel também passou por essa suspeita. Até que um dia viram que não era nada disso e, no final da crônica, Peralva dizia seu nome.
Telmo e a Dalva ainda devem ter esse recorte. O meu se perdeu numa das N mudanças de meus trastes. Fico aqui pensando em mais essa perda e também ruminando se alguém um dia vai se lembrar de mim desse jeito, num texto sem nenhum defeito.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Sorriso Negro

Isaac Hayes nunca deu sorte em vida, quanto mais na morte. Até no além ele vai ser perseguido pelo rival, Norman Whitfield, declarado morto pela família anteontem, em release divulgado à imprensa. Norman, com 65 anos, é considerado injustamente um dos fundadores da MOTOWN. Só que o dado é errado. A MOTOWN foi fundada, administrada com mão de ferro e vendida à POLYGRAM por Berry Gordy Jr. Antes que falisse.
Mas o assunto não são excutivos e sim produtores-compositores e, vez por outra, intérpretes. Norman era do quadro de compositores-produtores da TAMLA, primeiro selo de Gordy, no início dos anos 60. Foi êle quem deu forma e conteúdo aos grupos vocais negros sucessores do doo-wop, como Miracles, Temptations, Four Tops. Ao lado do trio Lamont Dozier e os irmãos Brian e Edwin Holland Jr., Whitfield escreveu, produziu, arranjou, empacotou e só faltou distribuir 90% dos sucessos gravados pelo selo e pela sua sucessora, a MOTOWN.
Mas a música negra não era só Detroit. Memphis e Nashville também mandavam ver. O selo STAX/VOLT não deixava por menos e com uma nota meio dissonante. Nos estúdios da Stax, negros e brancos trabalhavam juntos fazendo um som negro retinto que os WASPs adoravam! Otis Redding era o grande nome da gravadora, seguido de Booker T & MGs(Steve Cropper, na guitarra e Donald Dunn no baixo, eram whitemen!) e Wilson Pickett, logo cooptado pela ATLANTIC, que começou distribuindo o selo nacionalmente para depois tentar abiscoitar-lhe os talentos(Ah! Esses Ertegum Brothers!!!!). E foi lá que surgiu o alter ego de Norman Whitfield.
Isaac Hayes tocava piano bem, compunha melhor ainda e, como hitmaker, era genial. Otis Redding, Wilson Pickett, Os Staples Singers, Rufus Thomas, Sam & Dave e muitos outros ficaram conhecidos nacionalmente tendo Hayes como chef da cozinha no estúdio. Mas, como Whitfield, tinha um ego bem maior que seu corpo. Numa época em que quase ninguém queficava do outro lado do aquário era citado, Tanto Hayes como Whitfield impuseram seus nomes nos selos dos singles. Ficaram tão famosos como aqueles que produziam. Se Lamont Dozier era o “Black Bach” e Norman Whitfield era o “Black Beethoven”, compondo pequenas sinfonias para operários negros cantarem após seus turnos de trabalho, Isaac Hayes resolveu pegar pesado. Ele era o Black Moses! O cara que, com seu som, guiaria os exilados em direção à total redenção. Quanto a Martin Luther King, ele não queria apenas sonhar?
Dizem as más línguas que Berry Gordy teria convidado Hayes para integrar a equipe da Motown, onde teria um selo e uma equipe para fazer, mandar chover e o escambau. Whitfield, Dozier e os Holland bateram de frente: “Ou Nós ou Êle!”. O mercado estava meio ressabiado com a decepção que fora o disco de Ike & Tina Turner produzido por Phil Spector e Gordy, depois de refletir bastante pensando nas verdinhas, “esqueceu” o convite.
Hayes não fez por menos. O projeto endereçado a Gordy foi apresentado pela Stax. Nele, Hayes e sua voz baixo sensual vinham vestidos no título “Hot Buttered Soul”.
O disco quebrava tabus: apenas quatro faixas, duas delas covers-um de “Walk on By” e outro de “By the Time I Get To Phoenix”. Todas as faixas dando ênfase a guitarras wah-wah em uptempo, estilo que deu fama e nome ao guitarrista Melvin Ragin, revelado no disco. Resultado: mais de quatro milhões de discos vendidos e o Black Moses aclamado como o “novo Norman Whitfield”!
Foi aí que o pau quebrou. Enquanto Whitfield era mais contido, Hayes pirou o cabeção. Enquanto Al Bell(Stax)batia palma com as nádegas de tão contente, Berry Gordy Jr, resolveu passar uns dias fora de Detroit.
A competição entre os dois gênios da produção chegou até Hollywood. Enquanto Hayes compôs a abetura de “Shaft”, o primeiro detetive negro da história do cinema, Whitfield compôs, produziu e filmou “Car Wash- onde acontece de tudo”, um musical passado num lavajato, que rendeu rios de bilheteria.
E até na morte um não deixa o ouro em paz. Hayes foi primeiro, em 10 de agôsto. Hayes foi agora. Será que eles fazem parte GOrDy Records, de Berry, que chegou lá bem antes para sondar o terreno?
Na verdade, hoje eu ia escrever sobre guitarras, rock and roll e mulheres(ver a ilustração), mas o assunto Norman Whitfield foi bem melhor. Um obrigado ao Cláudio, companheiro de muita coisa boa e de reclamar fulltime da pobreza financeira que nos aflige.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

This Crazy Pop Rock!

Se ontem falamos do pouco pop que a sociedade desfruta e, dentro do papo, chegamos ao rádio pop, vamos dar uma discorrida a respeito do comportamento da mídia como go between entre aquele que produz e aquele que consome.
A demanda pelo produto cultural aumentou? Se formos nos guiar pelos indicadores, ademanda vêm aumentando e está sendo suprida por meios alternativos, fora das inserções e pontos de venda tradicionais. Meu exemplo maior está dentro de casa, na adolescente que mora comigo.
Ela tem 20 anos, trabalha, graduação universitária interrompida(não aguentou o custo da “educação”) e é uma consumista nata. Não vê novela e fica ligada na MTV. Ama Mariah Carey, Amy Whitehouse, é amiga de DJ, curte Vanessa da Mata, lê em excesso e vive tudo o que lhe é possível como adolescente padrão. Pelo IBOPE seria considerada uma consumidora classe B já que não possui carro.
Ela( minha sobrinha) não compra um CD há, no mínimo, dois anos. O último a ser adquirido foi o do Massacration e agora ela está pensando em arrumar o último da Madame Mim, que, por sinal, é um barato(ouvi ontem várias faixas no YouTube). Para consumir e armazenar música, minha sobrinha faz a mesma coisa eu eu. Aciona um Limewire e queima o produto baixado num CD de áudio, perfeitamente audível em qualquer player. O único contato que ela teve com a divulgação da coisa foi uma visão eletrônica por um mero videoclipe exibido na tv específica.
Eu, mais velho, ainda ouço uma FM de vez em quando. Mesmo assim, estou aderindo ao Web Radio e deixando o rádio local só para o futebol. Musica? Nunca mais ouvi rádio para isso. Ainda mais que a massificação do brega chegou a tal ponto que qualquer rádio dita pop ficou inacessível ao meu gosto. Perdi o tesão de ouvir. Some-se a isso a ignorância de quem vos fala e turn off foi total. Consigo ouvir esporte e desligo até nos noticiários, aí já por outra razão. Estão tendenciosos ao extremo e não se conformam com a popularidade do Presidente eleito, fazendo o mais possível para denegrí-lo.
Por razões várias, incluindo a falta de qualidade e a displiscência, a mídia tradicional está perdendo o seu apelo e o seu prestígio. Sem prestígio, os anunciantes começam a escassear e sem eles, meu amigo, o fechamento de portas é inevitável. A regra do negócio vai mudar em pouco tempo.
No disco, ela já está mudando. As gravadoras estão procurando qualquer pretexto para auferirem uma grana nareceita ao vivo dos contratados. Não s contentam mais em vender e editar o trabalho. Querem sua fatia das apresentações. Essa briga promete que vai ser boa, pois até o momento, todos os dois lados só têm a perder. Será que chegarão a um acordo? Duvido.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O Brasil já foi isso

O Brasil já foi bem mais pop que o habitual. Hoje o cenário é brega e banal. Fica sempre aquela desagradável sensação de queimação na boca do estômago. Uma azia danada. As duas polegadas a mais de Marta Rocha eram bem mais pop que as n polegadas a menos da Ciccarelli. Marta Rocha virou bolo de padaria por ser tão gostosa no imaginário. E gostosa era o que não faltava. Tinha prá dar e vender. Tinha gostosa na revista, na TV, na chanchada, na radiolândia e na revista do rádio,” que toda semana eu espero/revista do rádio/ê jornaleiro/É essa que eu quero”! Pop era repetir o “Gostoossaa” de Zé Trindade, fosse na tela, fosse no Microfone da Mayrink Veiga- a mais pop das emissoras, líder de audiência e fazendo eco pelas esquinas e quebradas
Gostosas também eram as certinhas do Lalau, que faz 40 anos de morto. Mortos também estão Wilza Carla, Walter Dávila e muitos que fizeram o radio ser bem mais pop que qualquer papa.
Tudo que passava pelo rádio, mais precisamente pela rádio nacional, virava pop. O Primo rico, o primo pobre, jerônimo – o herói do sertão e, pelos 980Khz(na época megaciclos!) pop da emissora, o sombra sabia de tudo. O pop chegava as raias do delírio, pois não havia imagem. Só o áudio e era ele que estimulava a fantasia da galera. Qualquer partida de futebol chinfrim pelo rádio se transforma em clássico de proporções épicas. A rádio nacional transformou o Flamengo no clube de futebol mais conhecido do planeta! O bordão de Germano(“Mengo.....Tu é o Maior!”) saiu do delírio de um torcedor de programa humorístico para uma verdade incontestável na alma da maior torcida do Brasil. O Flamengo é mais famoso que Jesus Cristo graças à equipe esportiva da Rádio Nacional-praça mauá 7-vigésimo primeiro andar.
A música era pop ao vivo e sem gravações. Era apresentada direto no microfone e vista pela audiência nos programas de auditório que fizeram um Cesar de Alencar e um Manoel Barcelos. Segundo Ayrton Amorim(Um dos “Bacharéis do Disco”), a primeira rádio do RJ a tocar disco foi a antiga Radio Cruzeiro do Sul(hoje Metropolitana), numa espécie de teste para os Produtos Elétricos Byington(PEB), industria proprietária da emissora e uma divisão da Discos Continental – na época a maior gravadora do país. Isso aconteceu em 1948, junto com a chegada dos 331/3 e o “Long Playing”.
Em 1952, a família Khoury coloca no ar a Rádio Eldorado que, oficialmente, passa a tocar discos e a veicular programação pré-gravada, seguida pela Radio Jornal do Brasil. A primeira rádio musical a surgir é a Tamoio – com seu dístico “Música Exclusivamente Música”, com a programação feita pelos “Bacharéis do Disco”. A Mundial musical surge em 1965 e o rádio, já combalido pela moléstia televisiva, passa a ser o assessor de promoção da indústria musical. A apoteóse chega ao fim com o barateamento do hardware e o surgimento do Mp3, responsável pela aposentadoria precoce do CD de áudio e a consequente obrigação de se reformular todo um mercado, sua propriedade intelectual e o direito autoral.
Cortando epistemológicamentea coisa toda, a conclusão que se chega é que o cenário pop está sofrendo uma de suas calmarias, já que a efervescência do século XX chegou a um ponto de saturação nesse início de novo milênio. A revolução tecnológica, ao possibilitar a cada um ser seu próprio veículo num processo de arte própria e descartável, está transformando a indústria cultural radicalmente. A música que você quer o limewire acha para você e você corta um CD no seu próprio hardware. A Teoria da Informação Reversa chegou ao pop. O antes já era e o futuro indica o presente num marasmo imensurável.
O que será do amanhã nem letra de samba-enredo consegue prever, não havendocigana que leia esse destino. Precisamos mesmo é de um remédio que nos cure esa azia do banal. Que ele existe todos sabemos. O problema é aceitar a verdade como fato e correr atrás de algo menos corriqueiro, onde o recado volte a ter um pouco de metáfora. A coisa está explícita demais e isso está levando a discussão cultural a um impasse. A cabeça precisa de um pouco de trabalho senão o alzheimer das idéias vai tomar conta. E isso não é futuro, né?

Fragmentos de um Sabonete que caiu no box- I

Um dos meus três leitores me mandou por e-mail o texto do Jamari sobre a morte de Rick Wright. Quem acreditava, como eu, numa volta caça-níqueis do Pink Floyd acabou de ter as esperanças sepultadas e agora vai ter que aturar aquele chato do Roger Waters em tour solos, mostrando seu ego machucado para todos o contemplarem e babarem, se possível.
Falando em ego, dizem os entendidos no asunto que a egomania de Roger Waters só é superada pela de Ray Davies(The Kinks) e fica empatada com a de Chrissie Hinde, que, não por acaso, foi namoradinha de Ray- também completamente narciso, já que se botarem a Chrissie e ele, lado a lado, parecem irmãos. Na versão Herbert Richers do assunto, a nota dez fica para a dupla Simone e Zélia Duncan. O corte de cabelo que elas estão usando tem promoção e promocinha. Lindinho(a).
Ego e Narciso sempre atacaram nas artes, tendencias e cultura. Teve aquela época em que Rita Lee quis ser David Bowie e este, por sua vez, uma aranha marciana gay sempre pronta a engolir cobras terráqueas. Bem mais tarde, Cassia Eller quis ser Toni Platão. A única diferença foi a gravidez diferencial, mas no resto, os dois eram the same.
Aumentando o escopo da coisa, acredito que egolatria, mitomania, narcisismo e qualquer outro culto do “primeiro eu” tenham um ponto de contato na homofobia. Polos iguais não se repelem? Pois é: quando o amor entre iguais vira ódio entre iguais, o culpado é sempre o hetero mais próximo, já que, como ele não é igual, é inimigo. Gostaram dessa minha dedução fascista? Pois é: estou ficando velho, chato e partidário daquela máxima que diz que as coisas que me aborrecem mais são negros, judeus, carcamanos, polacos, paus-de-arara, viados, racistas e homofóbicos. É tudo uma cambada só. Se fossem fazer algo de útil,não iam ficar pensando bobagem. Não é uma pouca- vergonha?

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O Rock que a Terra teima em Esquecer

Enquanto o Queen se une a Paul Rodgers para voltar aos palcos numa procura do tempo perdido, minha angústia proustiana nãose conteve e , ontem, gastou mais de quatro horas pesquisando a procura de marcos, fatos & fotos de uma passagem do rock nacional que quer ficar esquecida e envergonhada.
Uma passagem que teve status, pessoas e toda uma cena, marcando primórdios da coisa toda e que pipocou em diversos pontos do Rio, São Paulo e muitos outros lugares, como focos infecciosos de um comportamento musical que, apesar da microscopia da coisa, funcionava a contento como um rodízio semi-profissional, apesar dos dados escassos e das poucas fontes existentes que viveram a coisa e, acredito, nunca deram muito valor ao dimensonado naquele esaço temporal, considerando tudo como apenas um estágio antes da profissionalização total.
Em São Paulo, o LOUPHA fez história e eu, ainda garotão no RJ, fui levado a um show no Pinheiros por um amigo(Zulu) que estava morando na cidade. Aqui no RJ, também havia uma cena local , com grupos, público e matérias saindo em revistas como O CRUZEIRO, que fez uma grande matéria com The Bubbles e outras bandas, tocando no palco do Quitandinha, lá por 65.
Nessa época, a formação ainda era Cesar, Renato, Lincoln e Ricardo( mais tarde baterista do Crows). Mais tarde, acontece a troca de Ricardos e com a saída de Cesar, Lincoln e Ricardo, o Bubbles ganham a primeira formação heavy, com Pedrinho, Arnaldo(Ex-Divers) e Johnny(Nico, ex baterista do Bottles).
Outra banda de mais ou menos detaque eram os Divers, com Kleber, Viriato, Arnaldo e o baterista eu esqueci o nome. Com a saída de Arnaldo e de Viriato, entram em cena Marcelo Sussekind e Levindo, mais tarde substituído por um Célio, portador de uma Fender Jazz Master sunburst.
Bandas e músicos razoáveis não faltavam naquels anos 60. Haviam os Thunders(Geraldo no baixo, Carlinhos Newton, Nelson Gordo, Levindo e Morris Albert se revezaram nas guitarras e Alex na bateria), O Beggars do Luizão, O Nômades do Emilson, Edson, Luizinho e Renato; o Lonelies do Júlio , Paulo Sergio, Lilico e novamente Alex, O Trolls(Ken, Rafael, Steve e Chris – todos oriundos da American School), O Outcast do Rick, Bruce Leitmann, Chico e Gebê; o Crows(Paulinho, Ronaldo, Osvaldo, Chico, Mosquito e Mamá), a JoinStock Company( Vinicius, Sergio, Jamil e Cesar), o New Breed(Margina, Chico, Odilon, Milton, Ceguinho), O Dreams(Luiz Armando, Paulinho, Eliezer, Carlinhos) e muitos mais.
Os únicos a gravarem foram o Red Snakes,Os Lobos(Niteroi- banda do Dalto, Cássio e Fábio) e o Analfabitles, com um trabalho meio inconsistente, apesar de serem os únicos a possuir uma estrutura razoável de apoio, com estúdio de ensaio, aparelhagem e empresário, que fazia a coisa um pouco menos amadorística do que a maioria.
Tentando ver o que é possível se resgatar sobre pessoas e o período, fundei uma comunidade na Orkut que leva o nome desse post. A comunidade aceita qualquer tipo de colaboração no sentido de se fazer algo no sentido de se colocar esse Rockezinho sem vergonha no seu devido lugar, já que muita gente que fez nome na cena posterior começou alí, envergando sonics e supersonics, plugadas em true reverbers e mustangs. Vamos nessa!

domingo, 14 de setembro de 2008

Visão Musical

Em maio de 1981, a canção mais popular da parada falava dos olhos de uma velha atriz de Holywood. “She´s got Bette Davis Eyes” era o refrão famoso da canção mais vendida em 1981, gravada por Kim Carnes e que se intitulava “Bette Davis Eyes”.
A música não era novidade, ela era da década anterior e tinha sido gravada por quem a havia composto – a cantora e compositora Jackie deShannon, só, que, à época , fora um fracasso(está no album “New Arrangement”, de 1975).
“Bette Davis Eyes” foi a terceira música mais vendida e executada de toda a década de 80(A primeira foi “Physical”(Olivia Newton John) e a segunda “Endless Love”(Diana Ross& Lionel Richie). Em 981, “Bette Davis Eyes” ganhou o Grammy de canção do ano e de disco do ano. Lançada pela EMI AMERICA como compacto, a música passou nove semanas no primeiro lugar da Billboard no HOT 100, ficando entre as 40 mais por 20 semanas. O album “Mistakem Identity”, que trazia a canção, vendeu oito milhões de cópias.
Como eu nasci para fuçar, descobri aqui nos meus guardados o e-mail de Kim Carnes e lhe mandei uma correspondência sobre a música. Segundo ela, a faixa surgiu numa demotape quando ela escolhia material para o álbum(“Mistaken Identity”), junto com o produtor Val Garay.
A faixa ia ser descartada quando Bill Cuomo, tecladista presente na gravação, fez um arranjo diferente e a reapresentou, com uma demo onde meia duzia de instrumentos pontificavam, incluindo as palmas sintetizadas, que depois, no clipe, viraram tapas na cara. “A faixa foi gravada sem cortes e sem overdubs em três takes. Val aprovou o primeiro”, disse ela.
Falando nos meus guardados, descobri muitos mais e-mails. Se o pessoal me responder direitinho, darei aos meus três leitores muitas informações inúteis. Um abraço.

sábado, 13 de setembro de 2008

Porque hoje é Sábado!

Nesses 50 anos de Bossa Nova, nada melhor do que lembrar do Poema de Vinicius que leva o título do post e que eu ouvi pela primeira vez no “Vinicius, Caymmi, Quarteto emCy no Zum Zum”, lançamento ELENCO e do qual eu tenho uma cópia em razoável estado de conservação. Lembrei disso devido a falta de assunto, somadas à recente morte do Dorival e porque hoje é sábado.
Sábado também me trouxe a cabeça que o Scorpions tocou em BH numa quarta-feira, dia mais que esquisito para uma tour que se diz humanitária. Acho que o show tinha que ser hoje. Porque hoje é sábado, uai? E BH sem show no sábado fica uma BH pelada, sem picas para se fazer, a não ser disputar lugar em feijoada conhecida ou então encher a cara em algum lugar.
Querem saber de uma coisa engraçada? Vi “Embalos de sábado a noite” numa noite de sexta-feira, num drive in, dentro de um fusca laranja 72. Falo vi porque, na verade, eu assisti foi a um pocket show erótico que me levou a total demência, ainda mais que eu não sabia ser tão desejado naquele momento.Aquele momento de desejo satisfeito se prolongou por mais dois anos, sendo curtido até o fim, aí já em noites de sábado, quando o fusca laranja me pegava no final do expediente e me carregava para um motel em São Conrado.
A primeira música do Chicago a me pegar deu cantar refrão foi “Saturday”. “I´m a Man” não valeu porque eu gostava mais daversão do Spencer Davis Group. Quando a Globo inventou o “Sábado Som” com qpresentação do Nelsinho Mota eu não gostei muito, porque a diluição e a babaquice imperavam. O “Band13”, apresentado pelo Ezequiel Neves dava de dez.
A baixada de nível veio com o “Sabadão Sertanejo” do Gugu. Que qui era aquilo!!!! Bem pior que a coisa que o Bolnha apresentava sábado a tarde- ridículo, mas passável e tudo dentro de um formato brega para chacrinha nenhum botar defeito.
O que me deixa puto realmente é que minha velhice vai tendo a rotina modificada dentro de uma roda viva movimentada, pois o tempo não para nem tem ponto morto. E, como na vida tudo passa, o sábado se esvai e eu acho graça de estar aqui blaterando sobre isso. Parafraseando Mano Brown, nada como um sábado depois do outro para movimentar o passatempo, já que não passa mais boi, quanto mais boiada.............

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

The Times they are a Changin(Alguém já falou isso antes)

Como eu sei que os tempos estão mudando? Porque Maurício de Souza saiu com um mangá da Turma da Mônica Adolescente! Porque Jakob Dylan virou artista-solo e porque um monte de gente que você nunca tinha ouvido falar deles antes está vindo ao Brasil se apresentar.
No Século XX, qualquer artista internacional era bem vindo ao patropi. Quem não lembra da “fiebre Menudo’? Veio o Queen para aquela apresentação no Morumbi que virou DVD, veio o Earth Wind & Fire(O melhor de todos os shows pop que eu já assisti), veio Van Halen para aquela apresentação do “Women and Children First” no Maracanazinho, onde o som cagou geral qualquer tentativa da banda em fazer algo palatável,vieram Kiss e Frank Sinatra no Maracanã, mais tarde os Stones fizeram a pista no mesmo local, veio Rod Stewart em Copacabana e vir ao Brasil virou mania entre as Stars, chegando ao ponto de Dionne Warwick comprar apê em Ipanema e dançar com maconha em cima, mostrando a maioria das ladies são grandes trampps.
Essa semana teve Scorpions em BH. A banda já se apresentou no RJ, SP e trouxe a “Humanity Tour” até as Alterosas, num palco repleto de problemas. E vir aqui é que é sempre o mais difícil, pois, além dos empresários cagarem na retranca, com medo de pouca afluência, as condições e locais de apresentação sempre deixaram a desejar.
Mesmo assim, alguns malucos sempre dão o ar da graça e trazem coisas fantásticas como Robert Cray e Chuck Berry, na época em que os galpões da Andradas foram moda para raves de rock. Se naquela época, os hoje vovôs do Rock eram mestre em fazer coisas boas, hoje em dia eles querem mesmo é uma sinecura , como se o mundo fosse um muro para eles terminarem encostados na camara municipal. Para mim, isso é mais uma mostra de que, realmente, os tempos estão mudando.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Roque e Role Comigo!

Essa foi a grande sacada do disco solo do João Ricardo, lembram dele? Era aquele cara que se achava o Secos & Molhados, se achava do cacete e, ao lado de Paulo Ricardo, Lulu Santos e Paula Toller forma o quarteto mais mascarado que o Rock Brasileiro teve em suas hostes.
João Ricardo, Gerson Conrad, Guilherme Isnard, o gordo do Dr.Silvana, os Mamonas Assassinas e muitos outros são páginas viradas e sem releitura, já que foram únicos num tempo único e que não admite retôrno. No rock internacional temos o caso deAlice Cooper que, aos 60 anos, insiste em falar de conflitos adolescentes em suas letras. Resultado: numa acrobacia ml feita, Alice baixou o estaleiro com várias entorses, interrompendo a tour na primeira data.
Rocar e rolar é bom. Foi bom no passado, legal no presente e será bom no futuro. O problema começou quando apareceu um zé mané que resolveu levar a coisa a sério e configurou o conflito de gerações como atitude, dando uma causa a rebeldia. Assim, quebrar os 78RPM de jazz do professor teve sua análise comportamental e a cena figurou uma ruptura com o passado, coisa meio maluca de ser demonstrada já que, se o blues e o jazz tiveram um filho, o nome dele é Rock and Roll. Nem o marxismo puro explica essa contradição dentro de uma luta de classes escolares.
Rocar e rolar também serve para demonstrar que não há rebeldia que não seja passível de ser cooptada. O grande exemplo continua a ser os Stones- o exemplo de rebeldia e marginália que mais faturou em toda a história do rock como pop music. Para institucionalizar a coisa, a linguinha de Jagger- que vem sendo símbolo da banda desde os anos 70 – virou peça de museu em Londres. Já aqui , se guardarmos as devidas proporções, Roberto Carlos vai ganhar uma sala no museu histórico, pois sua figura atual já parece saída de um livro de arqueologia antropológica. Só falta se apresentar empoeirada e com teias de aranha nos sete buracos da cabeça, como aquela capa do primeiro( ou segundo) Lp do Uriah Heep(Very Heavy,Very Umble).
Outra mostra de cooptação foi a criação do Dia Mundial do Rock – uma das datas mais ridículas criadas pelo homem, só tendo paralelo com a a criação de associações gays para qualquer coisa. Mas, como viver é apenas mais um lado ridículo da humanidade, vamos ter ainda que aturar muita coisa. Basta aguardar.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O Meu Rock Brasileiro

A discussão sobre o assunto é imensa e intensa. Teóricos dizem que não existe um Rock Brasileiro, que o BRock não significou porra nenhuma e que a Jovem Guarda não passou de uma tropicália dirigida ao pessoal de baixa renda e a Tropicália uma jovem guarda bahiana cooptada pelos universitários paulistas elitizados.
Eu, como adepto de explicar o óbvio pelo óbvio e nunca pelo incompreensível, tenho uma teoria própria a respeito desse assunto polêmico e parto da premissa, mais ou menos lógica, que, se Rock for mesmo atitude e comportamento, ele é um critério pessoal de classificação a respeito de um universo.
Assim sendo, eu(Guerra) tenho o meu Rock, o Zebedeu vai ter o dele, a Madame Mim o dela e estamos conversados. Sem discussão e como texto serve para isso mesmo, vai abaixo como foi e como é o Meu Rock Brasileiro.
O Meu Rock Brasileiro começou no cinema(Isso Mesmo!) quando minha mãe me levou para ver uma chanchada onde Oscarito imitava Elvis Presley numa faixa chamada “Calypso Rock and Roll”, num filme dirigido pelo Carlos Manga. Um pouco mais tarde, os berros de Little Richard começaram a me levar a alguma coisa instrumental que tocava no Rádio até chegar a 1962-63, quando eu descobri o “Hoje é Dia de Rock” na Radio Mayrink Veiga e comecei a tomar contato com o material que se fazia aqui e que alguns alucinados iam lá para tocar nos programas de auditório. Pela TV eu descobri Tony Checker- que dublava meu ídolo(Chubby) e, mais tarde, virou Tornado e veiona cola de “BR3”. Descobri Carlos Gonzaga, Renato & Seus Bluecaps, Ed Wilson, Paulinho Murilo, Sergio Murilo, Getulio Cortes. Foi nessa época que eu comecei a desejar uma guitarra elétrica.
O sonho da guitarra elétrica se desfez na minha canhotice. Não se faziam instrumentos para canhotos no país e ninguém de meu círculo sabia ensinar violão para canhotos. Foi aí que um amigo de rua, o Milton, me deu o toque:”passa prá bateria. Dá prá tocar de canhotinha. Fazqui nem eu”. E eu arranjei uma Gope azul que fedia a cola e tinha uns pratos que mais pareciam tampas de lata de lixo. Como músico tive alguns grupinhos, tentei a carreira, mas era de uma preguiça a toda a prova e nunca consegui estudar a coisa a contento. Fiz três anos de faculdade de música e hoje não consigo mais ler uma pauta que seja.
Meu universo musical compreendia grupos que tentavam alguma coisa em Português(Fevers, Renato, Os Beatniks, Os Incríveis, Os JetBlacks) e grupos mais sérios que já tinham alguma performance como Luisinho& Os Dinamites e Os Selvagens- no qual Silvinho e o Mário Baixista foram os primeiros que vi tocarem gaita de boca. Dentro desse universo haviam os grupinhos de baile( Bubbles, Analfabitles) que tocavam faixas de sucesso e a coisa ia andando até que alguns deixaram de lado o rebolar de cadeiras e passaram a levar o Rock a sério.
O Bubbles foi com Gal Costa para a Europa, assistiu a Ilha de Wight e voltou de lá como Bolha, sem Arnaldo Brandão, que ficou por Londres um bom tempo. Gravaram um elepê(“Um Passo a Frente”) e mais tarde um outro(“É Proibido Fumar”), sem repercussão, mas com alguma coisa a mostrar.
O Terço já tinha feito alguma coisa como “JoinStock Company” e, como trio(Sergio, Vinicius e Jamil Amiden) fez “Tributo ao Sorriso”. Mais tarde, Jamil fez “Do Zero adiante” e ficou naquilo, não fazendo mais nada que me desse notícia, encerrando sua participação no meu Rock. Já Cantuária, Hinhst e Cezar das Mercês fizeram muito mais coisa- aquele LP da Continental que estava ótimo no Master e foi estragado na mixagem e no corte. Com a entrada do Luiz Moreno, do Sergio Magrão e da consequente mudança para Sampa, o Terço apagou suas luzesno meu palco iluminado, com “Criaturas da Noite” sendo mais um LP da minha discoteca não-básica.
Naquela época, meu Rock Brasileiro passava pela esquina do Bobs(Ipanema) e tinha “O Lodo”(Beto, Pedro,Marcelo), “A Fenda”(Huck, Huguinho),” Veludo”(Fernado Gama, Lulu Santos, Lobão),” A Folha que Cai”(Carlos Lee),”Módulo 1000”(Candinho, Luiz Paul, Daniel). Também passava pela comunidade do Marinaldo no Rio Comprido, onde algumas grandes figuras moravam. Marinaldo era empresário do Módulo 1000 e de Ademir Lopes- a quem eu conhecia desde a época do “Conjunto de Danças Castelinho”(Ari Tell, Cidinho Cambalhota, Ademir & respectivas) e da “botinha do Motinha”. A comunidade era o ponto onde um fuminho fazia a conversa fluir sobre tudo e sobre todos, sempre baseada em baseados.
Meu Rock Brasileiro também passou pelo sítio onde os Novos Baianos moravam, em jacarepaguá e onde viu-se nascer a “Cor do Som” original, um subgrupo das múltiplas experiências que a tribo de Moraes & Galvão levava a cabo. Sergio Bandeyra e muitos outros que foram sem ter sido também estavam incluídos, como Nelsinho Jacobina, Ricardo Knolff, Penetra, Gilda Horta, Guilherme Araujo, Amin, Cláudio Carvalho, Jefferson Dropê, Lapi e toda a turma da Rolling Stone da Rua Marques de Caravelas, onde a contracultura era a sociedade que vivíamos, sem alternativa, sem nome e sem número de telefone.
Os ovos cozidos azuis de anilina que Ezequiel degustava com Malzbier no buteco de baixo da redação eram o reflexo da flor do mal que alguns tentavam cultivar no jardim de delícias que dividíamos com o resto. Junto com a maldade também haviam os chatos, como Jorge Mautner, Wally Salomão, seus “Narcisos em Tarde Cinza” e “Me Segura que eu vou dar um troço”.
Minha parcela paulista desse Rock todo teve como protagonistas um "Made in Brazil" e o primeiro disco de Rock Brasileiro que foi feito("Jack o Estripador"), um "Moto Perpétuo" de um Guilherme Arantes a quem eu conheci furioso numa entrega da "Pedra do Rock" no Teatro das Nações, Caíto Gomide e suas botas de travesti compradas numa banca da rodoviária da família Frias e uma Lucinha Turnbull a quem eu olhava diferente. Confesso que tinha tesão nela da mesma forma que ele voltou a despertar com a Madame Mim e seu "Helado de Limon".
Meu Rock Brasileiro teve Carlos Alberto Sion e seus concertos, onde Paulo, Cláudio e Maurício eram estrelas e o Urubu Roxo tão underground que as minhocas eram o grosso de sua audiência. Muita coisa se perdeu desse rock, que rolou comigo de uma forma que não rolou com ninguém. Agora é Cinza. Tudo acabado e nada mais de baseado.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Nada substitui o Talento!

Essa frase, mais velha que a sé de Braga, é da lavra do Carlos Inácio Nasser, meu companheiro de Telecentro(Rede Tupi) e Rádio Capital. A frase, da qual a Globo se apropriou( da mesma forma que fez com o “Anunciou?Vendeu!” do BalcãoBH), é um dos ícones da esquerda estrebuchante e serve para mostrar que ainda existe vida inteligente na terra, mais precisamente na MTV e não na aldeia global que, infelizmente, está repleta de Pedros Biais, além de disponibilzar a todos as pílulas de sabedoria de Frei Galvão Bueno.
Falo de Marcelo Adnet, seus “15 minutos” e da Madame Mim – meu novo objeto de desejo, que, apesar da minha vetusta e adulta contemporaneidade, me deixou babando de excitação. Devo ser meio tarado pois, além de achá-la carismática, gamei no seu jeitinho tesudo!!!! Devo ter assistido ao clip de “Helado de Limon” umas trocentas vezes. Vi todas as versões. Achei o maior barato aquela roupinha de Minnie e aquela calçona de Lurex Laranja! Passei mal, dei jeito no pescoço(tenho problema de coluna). Tarei absoluto!!!!
Já o Adnet e o Quiabo fazem uma dupla onde a música faz a escada de um humor completamnte cáustico. O “rap do Hidrante” e a “Melô do Horóscopo” desnudam a indigência sonora desse funk tupiniquim meio chinfrim, no qual tentam nos empurrar pelo goto “Gaiola das Popozudas” e todo o lixo gerado pela Furacão 2000 e associados. Nem as letras de\Mano Brown resistem ao furacão Adnet, que, numa troça aqui e outra ali faz o mano entrar pelo cano do humor onde se perde um bom letrista mas não se perde a piada.
Assim, o blog disponibiliza hoje para todos o “rap do hidrante” e Marcelo Adnet- para mim, o lado bom da TV Brasileira.
Falando nisso, alguém viu o CQC de ontem?


segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Censurar Alguém se Atreve?

A Sociedade Brasileira está em crise? Está. Procura-se uma identidade desesperadamente e o reflexo cultural dessa procura é desalentador, maninho. Segundo o contraditório da nova luta, duas classes se enfrentam: a neo-direita alvoroçada, repleta de banalidade, louca para criar um impasse e a velha esquerda estrebuchante, que como diz o velho samba, agoniza mas não morre, devolvendo pedra por pedra das agressões baratas das quais é vítima.
Vê-se a equidade dos três poderes ir para o brejo numa ditadura instaurada pelo judiciário, que faz o executivo e o legislativo reféns, tudo com o auxílio de uma mídia que defende o entreguismo e a colaboração rasteira, quando não a colonização cultural pura e simples.
Sempre fomos vítimas dessa colonização, escancarada com a vitória norte-americana na segunda guerra e a chegada sem convite dos zés cariocas, acordos MEC-USAID e da aliança para o progresso. Se antes a colonização era institucionalizada pelo Departamento de Estado, financiando a mídia e tudo o mais que influisse na política(remember IBAD e Dario de Almeida Magalhães), hoje ela está presente em ONGs e missões evangelizantes, que agridem os cultos afro-nativos, se auto-intitulando como único caminho da salvação, levando a Deus seus verdadeiros crentes e financiadores. Culturalmente falando, a música que produzem não é pop, é rasteira, todas têm a mesma letra, laudando um Cristo mercantilizado como centro de um culto de dízimos e negócios, que se autofinancia numa forma de fazer inveja o complexo bancário que domina a economia nativa.
De uma forma burocrática e babaca, a direita alvoroçada tenta influir na revolução tecnológica, apresentando projetos de lei, para “regular”e “controlar”o fluxo de informações e dados, repassando a sociedade o custo de proteção da propriedade intelectual que as grandes corporações querem se apropriar.
Como já disse ontem, vivemos uma idade média e precisamos rapidinho de um renascimento. Será que até para isso vai aparecer alguém querendo propor um regulamento? É possível................

domingo, 7 de setembro de 2008

Já Houve um Jornal de Música

Ele nasceu do “Rock, a História e a Glória”. Ele vinha encartado na revista e, naquele tempo, ele falava de tudo o que acontecia na indústria do disco. Falava bem, falava mal, mas falava alguma coisa.
O disco não passava pela crise que vive, bem mais moral do que da quebra da regra do negócio. O disco era afeito às novas tecnologias de então e sempre se renovava, fosse no hardware, no software ou na cooptação das novidades que vinham de todas as partes e cantos. Locais, regionais e nacionais.
Esses novos cantos e instrumentos, vindos de todos os cantos do planeta eram notícia do “Jornal de Música”.
Mas, os tempos mudaram. O jornalismo cultural que o “Jornal de Música” fazia foi extinto. Também foi extinto o trajeto que o produto cultural, no caso a música, fazia entre sua produção e o consumo. As assessorias começaram a pagar pelo espaço. O aspecto promocional e a troca de interesses substituiu a aceitação de tendências pela massificação. Só não se substituiu o talento.
Hoje, o talento está em crise. Quem prestar atenção nas letras cantadas por grupos ao estilo “Gaiola das Popozudas” está sabendo do que eu falo. O recado dado por Cazuza está vivo e latente. A ascensão de uma nova burguesia acabou com a poesia. Estamos vivendo o banal pelo banal, até quando não se sabe.
O talento ainda vai voltar a reinar no cenário. Esse determinismo é a fatalidade que persegue o grupo social. Nada é eterno. Até a banalidade. Ela surge em surtos e um dia ela se recolhe. Já não passamos pela idade média? Então? Um dia um renascimento acenderá novamente as luzes. Só não trará de volta o Jornalismo Cultural. Esse virá em outro formato, mais adequado às novidades que surgirão no horizonte.
Acredito que não vou estar aqui para presenciar isso tudo. O tempo não para e nunca ficou do meu lado. Sempre esteve contra mim. Sei disso. Vivo isso.

Bezerra da Silva: 171 de gravadora foi pro brejo

A gravadora BMG Brasil foi condenada pela juíza da 31ª Vara Cível do Rio de Janeiro, Ana Paula Pontes Cardoso, a pagar indenização de aproximadamente R$ 1 milhão ao espólio do cantor Bezerra da Silva. O valor é referente aos direitos artísticos da venda de discos reproduzidos após término do contrato firmado entre as partes. A BMG também foi condenada a pagar R$ 18.753,81 de multa contratual.A parceria começou em 1980 com contratos sendo firmados por tempo determinado. No último, com vigência de 1990 a 1994, foi acertado que Bezerra da Silva produziria um disco por ano e uma das cláusulas transferia para a gravadora a plena propriedade dos discos produzidos durante a sua vigência, podendo relançar as gravações de LP em forma de CD.Após o término do contrato, a gravadora deveria efetuar os pagamentos dos direitos artísticos ao sambista, da mesma forma que fora pactuado. Só que, para variar, a gravadora resolveu dar uma de esperta e pagou ao cantor valores inferiores aos fixados por contrato. O processo judicial foi iniciado por Bezerra em 2002, mas o sambista faleceu dia 17 de janeiro de 2005, e, então, a ação foi retificada posteriormente para o espólio.
A História de Bezerra da Silva na música é supercuriosa. Até se transformar no estereótipo do 171( artigo do código penal reservado ao estelionato, usado para designar o malandro), num tráfego não muito delimitado entre o legal e o marginal, Bezerra gravou até forró.
Sua primeira participação em uma gravação foi no disco que trouxe Zé Ramalho as raízes do “Admirável Gado Novo”, no qual o paraibano transformou um dito aboiador em síntese da vida brasileira(“Vida de gado/Povo feliz”).
Bezera da Silva nem carioca era. Era Pernambucano. Cantava repente e coco antes de se transformar no grande partideiro pós-Dicró e Elias do Parque. Sua fama de 171 perseguiu-o até a morte, pois morreu num 17de janeiro(17/1). Até o politicamente correto tomar forma e letra de lei, Bezerra era conhecido por suas letras consideradas mais tarde como apologia ao uso de drogas(“Vou enrolar/mas não vou acender agora”). Até o momento, sua critica social não encontrou substituto em nenhum segmento da música brasileira.

sábado, 6 de setembro de 2008

Rótulos, Imagens, Clichês & Queijandos

World Music – Rótulo inventado pelos críticos com três erres(crrríticos) para designar ritmos, tendências, estilos e sonoridades que eles nunca conseguiram rotular. Exemplo?Aquele grupo sul-africano- o Ladysmith Black Mambazo, que gravou com Paul Simon e têm alguns CDs editados pela WEA. Ou então o Dengue Fever, novidade do rock asiático muito em voga em casas de NY, num daqueles circuitos só conhecidos pelos iniciados em......World Music!
Doo-Wop - Rótulo ganho pelos conjuntos vocais que fizeram parte do pop que nem trio na bossa nova. Uma praga disseminada nas high schools, tropas servindo na Alemanha ocupada, Vietnan em guerra e muitos outros locais onde o US Army foi levara versão norte-americana de paz. Até Frank Sinatra fez parte de um, o Hoboken Four. Alguns puristas vão dizer que isso é uma mentira, já que o HF era apenas um conjunto vocal “a cappela”. Nada disso: Jordanaires, Four Freshmen, Inkspots e outros são todos farinha do mesmo saco e identificáveis à léguas. No Brasil tivemos Golden Boys e Trio Esperança, que além de farinha eram todos parentes.
Guitar bands – Sem elas não haveria dois terços do rock conhecido. A primeira conhecida foram os Crickets de Buddy Holly, que inaugurou a formação com duas guitarras, baixo(acústico ou elétrico) e bateria. Depois vieram Beatles, Pacemakers e a maioria do Britsh Rock. E elas atacam até hoje, em qualquer clichê ou imagem.É só puxar pela cabeça que qualquer um identifica em suas predileções um mínimo de três guitars bands.
Bunda Music – Praga que vêm assolando a música brasileira e que têm suas raízes no Estado da Bahia. Não contentes em exportar João Gilberto, Daniel Dantas e Antonio Carlos Magalhães, os estúdios de gravação soteropolitanos inventaram Luis Caldas e Carlinhos Brown. Este último, para fincar realmente raízes na MPB, é casado com a filha de Chico Buarque. Atrás da dupla vieram os grupos da corrente “É o Tcham”, que deram suor e ritmo ao estilo Gretchen de cantar com as nádegas, daí o rótulo “Bunda Music”, dado por Léo Gandelmann e Vinicius Cantuária, obrigados a ir embora do país para continuarem gravando seus trabalhos, já que toda a indústria fonográfica, atualmente, só dá espaço para o estilo.
Pagode – Em algum tempo histórico, serviu para designar as reuniões sem compromisso, na quais os bambas das Velhas Guardas, entre uma pinga e um torresmo, apresentavam uns aos outros as suas composições. A designação foi apropriada pelo produtor musical Antonio Carlos de Carvalho para designar o samba pasteurizado que uma invenção de sua lavra – o Raça Negra – fez e alcançou o sucesso. A aberração grassou que nem infecção e hoje um grupo de pagode pode ser encontrado em qualquer esquina de toda cidade do país que tenha mais de mil habitantes. O grupo de pagode está para o samba atual que nem o trio esteve para a bossa nova.
Funk Carioca – Apropriação terceiro mundista do ritmo inventado por James Brown e diluído entre raps proibidões, uma batida sem graça, vários tiroteios e “ocupações “ de comunidades feitas pelo CORE e pelo BOPE. Na verdade, o ritmo serve de trilha sonora para as galeras se espancarem nos bailes. Já teve alguns destaques que hoje são apenas sombras que vagam na guerra surda movida entre as facções do crime organizado.
Tentei puxar mais alguma coisa para comentar, mas parei aí. Quem quiser que prossiga. Qualquer dia desses a gente volta a falar nisso. Um abração.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A danação do Rock and Roll

A danação do Rock and Roll é sempre perder a cabeça quando ouço a batida. Fico fora de mim onde estiver. No consultório médico, no elevador, onde eu ouvir o 2/4, fudeu. Seja ACDC, Dire Straits, Telex, RPM ou mesmo NXZero. Para mim funciona, seja com qualquer receita, seja de qualquer maneira. Aumenta que isso aí é Rock and Roll.
Essa mania vêm assim desde os anos 60. Começou com Chubby Checker, teve a invasão britânica, mito tempero norte-americano e algumas pitadas nacionais, com alguns desvios pelo caminho, como Milton Nascimento, Tim Maia, Gilberto Gil e Lulu Santos. O resto serviu apenas para apontar algum deslize de minha parte.
Quanto ao BRock, ele serviu às minhas necessidades de programador de rádio, pois, em sua transversal de tempo, teve de tudo para todo mundo e agradando a todos. Você queria seriedade, tinha Renato Russo. Alegria? Paralamas. Revolta? Lobão! Babaquice? João Penca. Breguice?Rádio Táxi!- Tinha de tudo meeesssmmooo!
Agora nesse mês de novembro a EDIOURO lança a biografia da Blitz!. Segundo quem já teve acesso, a biografia vêm bem documentada e cheia de guéri-guéri. Muita história para pouco juízo. Vamos vr se o texto cola. É lógico que, se colar, virão por aí catadupas de bios, depoimentos e tudo mais que seja possível se escrever.
Lá fora aconteceu the same. Foi aparecer uma para aparecerem “n”. É só esperar um pouco que o lance vai segir a mesma trajetória.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O Rutchikoo do Rock and Roll – Parte dois

O Rock in Rio antes do homônimo de Roberto Medina funcionava mais no nosso imaginário que em outra coisa. Já que os empresários não estavam nem aí para o que a galera queria ver e o que vinha pelas quebradas era pop rasteiro(Herman´s Hermitts) ou alguma coisa de soul(James Brown), a única coisa a se fazer era criar a cópia e curtir sua deglutição em festas e bailes onde a galera inteirada acorria para “prestigiar” as versões que as cópias apresentavam das gravações em estúdio dos originais, que faziam a pista à nove horas de vôo do aeroporto do Galeão.
As “presentations”(festas e bailes) tinham seus circuitos definidos: Na Zona Sul, o circuito tinha como pontos o Clube Naval(Piraquê), o Monte Líbano, o Federal, o Paissandu, o Radar, o Olímpico, o Caiçara, o Ginásio André Maurois e o Ginásio Camilo Castelo Branco. Na Zona Norte, o Orfeão Portugal, o Cassino Bangu, o Olaria Atlético Clube e o Grajaú Tênis Clube. E, em Niterói o Vital Brasil, o Central e o Mauá de são Gonçalo. Os grandes contratantes, detentores da maioria dos locais eram Luis Andrade e Carlinhos Garcez que também leoninamente detinham o poder de vida e morte sobre a maioria das bandas, mais amadoras que profissionais. Somente três ou quatro tinham alguma coisa de profissionais(Analfabitles, Cougars, Bubbles, Divers e Crows). As outras eram como explosões solares, não influenciando em quase nada a vida que vegetava no infinito daquele universo então enorme e desconhecido.
De 1963 à 1972, fizeram a história e a glória do rock local foi feita por nomes como Analfabitles, Red Snakes, Bubbles, Divers, Crows, Lonelies, Beggers, Outcasts, Trolls, Sunny Band, Dreams, New Breed, Thunders, Hot Stones, Os Nômades, The Pops, The Fevers, Os Selvagens, Os Canibais, Os Corsários, Os Lobos, The Bottles, Roving Staff, Outcry Association, Funeral 1917, The Youngsters, O Rancho, Os Superbacanas, The Sunshines, Kicks Five, Fórmula Sete, e muito mais gente,etc e coisa e tal.
Como soy acontecer, sempre tem um de todo um caldo que se tempera e dá certo no pop. E esse certo alguém foi Maurício Alberto Kaiserman que, de morador à Rua Barão de Ipanema e vocalista/ritmista do Thunders, ascendeu para Morris Albert, ganhou uma grana afrodescendente( preta) com “Feelings” e foi embora do Brasil. Na última vez que deu notícias via seu irmão, Norton, estava morando em Manila, nas Filipinas. Amanhã tem mais historinha. Bye Bye.