quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O Rutchikoo do Rock and Roll

1968 foi, para este que você lê, realmente um ano very special. Retornei a Copacabana, indo morar num segundo andar na Avenida Atlântica, ainda sem calçadão e com pista estreita, no quarteirão entre Almirante Gonçalves e Djalma Ulrich.
Fui apresentado as drogas naquela Copacabana que enganava todos e, paranóico e temeroso, na hora me rebelei e não desejei para mim o então presente do indicativo vivido por “Gaúcho”, “Papel” e outras figuras que vegetavam entre a Miguel Lemos e a travessa Cristiano Lacorte, tomando um pico de anfetamina atrás do outro e exibindo os braços repletos de crateras como troféus invejáveis, num grito mudo de “eu sou doidãããão”!
A trilha sonora era feita pelo Outcasts de Bruce Leitmann e o Trolls, do Ken, Rafael, Steve e Chris, que, sábado sim e outro também animavam noites dançantes no Clube Paissandu. O Piraquê era o palco do Analfabitles- primeira banda de meu imaginário próximo a ter fã clube de gatinhas e uma vida semi-profissional de respeito. Para tocar no Radar, clube de praia que tinha sede, obrigatoriamente a galera tinha que ira uma festinha na casa do Eurico-diretor social do clube. Outro gay que se dizia “interessado” em música era o Tobias, dono de uma importadora na Miguel Lemos e que depois se transformou em imobiliária. Tobias(Toby para os íntimos) “empresava” algumas bandas, como The Loneliese o Beggers. As más línguas diziam que Lilico(Lonelies) e Luizão( Beggers) enfornavam o robalo nele.
Ai de ti se andasses a solta naquela Copacabana que enganava e, ao mesmo tempo, seduzia com seus tabus e lugares proibidos. Tremenda sujeira era ir na direção da Praça do Lido. Depois da Hilário de Gouveia e até a Princesa Isabel, o bairro era sem lei e sem ordem, sujeito a achaques, tiros, drogas, porradas e muita prostituição.
Mariel, Cromado e Tigrão quando não estavam no “Kicê”(esquina de Copacabana com a Miguel), sentavam praça na esquina de Duvivier com Copacabana, também num bar da esquina, trocando os cheques de viagem que as putas roubavam dos turistas por pó da melhor qualidade. Mariel namorava Darlene Glória, Imperial namorava Elzinha de Castro e Ângelo Antonio era só mais um gordo no pedaço.
Quem gostava de música, fosse tocando ou só ouvindo, tinha –obrigatoriamente –de bater ponto em três lugares: Na Todamúsica, que durante mais de uma década foi a única loja de instrumentos musicais e consertos do bairro- e ficar ouvindo os papos de “seu” Mário, sósia do Groucho Marx, ir até a “Modern Sound” conversar com o Pedro e, no auge das boates, ir até a Billboard ver as novidades disco com o Emílio. Lilico era balconista da King Carol, mas ficou queimado junto a galera quando garantiu a um comprador que o som do Grand Funk era igual ao de Crosby, Stills & Nash. A fofoca se espalhou rápido e o movimento no local foi quase a zero.
A cena musical era repleta de figuraças. Emilson e Edson eram irmãos e donos do nome “Nômades”. Na bateria, Luizinho Mendes Jr e na guitarra, Renato- um dos dois de Copacabana a possuirem uma Gibson( O outro era o Homero). O grupo era meio endêmico e Emilson foi um dos primeiros a se profissionalizar na coisa, passando depois a cantor na noite, pelas boites e inferninhos da região. Luizão(Beggers) teve o primeiro Marshall do RJ. Um Marshall combo, daqueles usados por Clapton no Bluesbreakers e que uma loja de som, da qual não me lembro o nome e que ficava na esquina de Barata Ribeiro com República do Peru, havia importado não se sabe para que. Até a Eko de Luizão ganhava som no drive do amplificador. Drive era uma coisa da qual a gente nunca havia ouvido falar! No máximo a novidade eram os distorcedores e o ua-ua, usado e abusado por Hendrix e mais alguns. Não sabíamos nada, né mesmo? Como a gente era feliz........Aguardem mais uma continuação, sem cenas de próximos capítulos!

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