domingo, 28 de setembro de 2008

Como Não Discutir Problemas

O Fórum do Luis Nassif abriu uma lista de discussões intitulada “Discutindo a Bossa Nova”,acredito que em comemoração ao seu cinquentenário. Aí eu fui lá e postei que achava a Bossa Nova o primeiro grande movimento cultural colonizado nacional, que atrasou o processo criativo e experimentalista na música, já que o banquinhoe o violão se tornaram a tônica e um imitador de Barney Kessel e Chet Baker passou a ser considerado gênio.
Porra! Prá que, maninho! Tõ sendo escrachado até agora, mas ninguém citou uma prova da originalidade de João, pois a originalidade estava mesmo na batida de Milton Banana. Umavez, numa entrevista, Luizinho Eça disse que Tom Jobim era um medroso, pois com a bagagem e o gabarito que tinha, ele devia largar o popular e sair para o lado Gershwin que faltava à Bossa Nova. Segundo ele, se havia a snfonia do Rio de janeiro, porque não outras peças?
Eumir Deodato, em sua última entrevista ao Estadão, foi pela mesma linha e, complementando as palavras de Eça, disse que Tom sempre teve preguiça de fazer arranjos, preferindo mais compor fazendo aquele arroz entre o dó 3 e o dó 7 que executava cosstumeiramente. Como exemplo citou “Children Game”(mais tarde rebatizada de “Chovendo na Roseira”).
As palavras de Luizinho Eça e Eumir Deodato, já levantadas também por José Ramos Tinhorão nunca são levadas em consideração, pois, da mesma forma que no jornalismo esportivo o repórter não passa de um torcedor, o jornalista cultural é um tiete antes de tudo. E aí fica difícil discutir qualque coisa.
Os exemplos são vários. Quando José Ramos Tinhorão esculhambou o primeiro disco que Milton Nascimento gravou com Wayne Shorter, a maioria dos coleguinhas alegou que Tinhorão não havia ouvido o disco com atenção. Outra oportunidade onde a discussão foi descontruída foi quando Rita Lee gravou ‘Mania de Você”, plagiando maneira, formato e intrumental de “From The Beginning”(Emerson, Lake & Palmer). Quem levantou a lebre sofreu silencio obsequioso. Mais tarde, a mesma dona Rita pegou a idéia de “What a Fool Believes” e fez “Lança Perfume”. Ninguém falou picas. Mas quando Rod Stewart pegou “Taj Mahal” e fez “Do Ya Think I´m Sexy?”, a grita foi geral.
Assim, chega-se a conclusão que a parcialidade é o ponto de partida para qualquer discussão cultural no país. Também, numa terra onde se tomava chocolate na Colombo em pleno verão para respeitar a “saison d´hiver” em Paris(Olavo Bilac e colegas na Confeitaria Carioca), não se pode esperar muita coisa, né mesmo?

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