quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Roque e Role Comigo!

Essa foi a grande sacada do disco solo do João Ricardo, lembram dele? Era aquele cara que se achava o Secos & Molhados, se achava do cacete e, ao lado de Paulo Ricardo, Lulu Santos e Paula Toller forma o quarteto mais mascarado que o Rock Brasileiro teve em suas hostes.
João Ricardo, Gerson Conrad, Guilherme Isnard, o gordo do Dr.Silvana, os Mamonas Assassinas e muitos outros são páginas viradas e sem releitura, já que foram únicos num tempo único e que não admite retôrno. No rock internacional temos o caso deAlice Cooper que, aos 60 anos, insiste em falar de conflitos adolescentes em suas letras. Resultado: numa acrobacia ml feita, Alice baixou o estaleiro com várias entorses, interrompendo a tour na primeira data.
Rocar e rolar é bom. Foi bom no passado, legal no presente e será bom no futuro. O problema começou quando apareceu um zé mané que resolveu levar a coisa a sério e configurou o conflito de gerações como atitude, dando uma causa a rebeldia. Assim, quebrar os 78RPM de jazz do professor teve sua análise comportamental e a cena figurou uma ruptura com o passado, coisa meio maluca de ser demonstrada já que, se o blues e o jazz tiveram um filho, o nome dele é Rock and Roll. Nem o marxismo puro explica essa contradição dentro de uma luta de classes escolares.
Rocar e rolar também serve para demonstrar que não há rebeldia que não seja passível de ser cooptada. O grande exemplo continua a ser os Stones- o exemplo de rebeldia e marginália que mais faturou em toda a história do rock como pop music. Para institucionalizar a coisa, a linguinha de Jagger- que vem sendo símbolo da banda desde os anos 70 – virou peça de museu em Londres. Já aqui , se guardarmos as devidas proporções, Roberto Carlos vai ganhar uma sala no museu histórico, pois sua figura atual já parece saída de um livro de arqueologia antropológica. Só falta se apresentar empoeirada e com teias de aranha nos sete buracos da cabeça, como aquela capa do primeiro( ou segundo) Lp do Uriah Heep(Very Heavy,Very Umble).
Outra mostra de cooptação foi a criação do Dia Mundial do Rock – uma das datas mais ridículas criadas pelo homem, só tendo paralelo com a a criação de associações gays para qualquer coisa. Mas, como viver é apenas mais um lado ridículo da humanidade, vamos ter ainda que aturar muita coisa. Basta aguardar.

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