domingo, 21 de setembro de 2008

Mental Masturbation Blues

Eu conheci o electric blues via os Rolling Stones, o Animals e os Yardbirds. Não havia grupo norte-americano da época que tivesse os clássicos no repertório. E a maioria do pessoal que atuava no British Rock tinha sempre alguma coisa. Engraçado é que o último dos Britânicos que tocavam blues que eu ouvi foi John Mayall. Tomei conhecimento de sua existência em 66 por notíciário na Melody Maker, mas só fui ouví-lo em disco realmente nos anos 70.
Nem o Pedro(Modern Sound) trazia discos de Mayall para botar na Loja.”Isso não vai vender”, dizia. A não ser que você encomendasse, mas aí o preço era acrescido de mais 20%. O primeiro Mayall que eu ouvi foi “Diary of a Band”, uma compilação com faixas onde Mick Fleetwood, Petr Green e Mick Taylor pontificavam. O disco realmente apareceu aqui devido a ida de Taylor para os Stones, na vaga recusada por Eric Clapton.
Apesar de ser considerado o pai do Blues Britânico, Mayall nunca me bateu no paladar. Sei láporque, mas não o via assim como se fosse um supra sumo. Paul Butterfield, no meu entender, era bem mais real e audível.
Acho que os Rolling Stones cumpriram melhor o papel de disseminadores do electric blues de Chicago, principalmente ao gravarem “2120 South Michigan State Avenue”, que vem a ser o endereço real da Chess Records( a faixa está no 12X5), a verdadeira casa mundial do Blues Elétrico e, por uma cagada, aquela que também deu guarida a Chuck berry. Se não fossem os Chess Brothers, não haveriam Muddy Waters, Howlin Wolf, Willie Dixon, Bo Diddley, J B Lenoir e muito mais gente admirável e fazendo coisa boa de se ouvir.
O novo Blues Americano começou a botar as manguinhas de fora para mim quando fui apresentado a Johnny Winter, naquele Lp clássico que tem “Johnny B Goode” e “Jumpin Jack Flash”(o da capa azul em autocontraste). Quem me apresentou a bolacha foi o Zé da gaita, que tinha arrumado emprestada com o Álamo e nós ouvimos na casa do Chust. Outra grande apresentação, aí já do blues elétrico tradicional, foi o “Father & Sons” do Muddy Waters, que o João Ceppas havia trazido direto de Nova Iorque, junto com dois do Otis Spann, um do Junior Wells e outro do Pinetop Perkins. Mais tarde eu roubei um “Father & Sons” do Gabriel O´Meara e tenho ele até hoje.
Mudando de assunto: o emeio que mandei ontem para o “Estado de Minas” reclamando do erro crasso na capa do caderno de Cultura( alguém legendou uma capa do E,L&P como se fosse uma foto do Black Sabbath) foi classificado como SPAM e recusado! Ao menos foi isso que o Pedro Cerqueira disse ao responder minha solicitação. Tão vendo como é que os leitores são bem tratados pelo grande jornal dos mineiros? Depois, quando a gente classifica o órgão como pasquim de província, todo mundo fica puto. Difícil.

Um comentário:

Anônimo disse...

O blues americano é um livro cheio de histórias com enredos improváveis, feitas de desavenças, álcool, miséria, morte e música, muito boa música! Infelizmente, a mídia anda sempre muito desatenta ao blues – e mais ainda às manifestações mais clássicas do blues... É pena que a mídia mais tradicional não abra esse livro e remeta para o esquecimento geral muitas dessas páginas. A Internet veio revolucionar isso também e aqui deixo um bom exemplo disso. Como o blues merece!
http://cotonete.clix.pt/quiosque/especiais/blues/index.asp