A gravadora BMG Brasil foi condenada pela juíza da 31ª Vara Cível do Rio de Janeiro, Ana Paula Pontes Cardoso, a pagar indenização de aproximadamente R$ 1 milhão ao espólio do cantor Bezerra da Silva. O valor é referente aos direitos artísticos da venda de discos reproduzidos após término do contrato firmado entre as partes. A BMG também foi condenada a pagar R$ 18.753,81 de multa contratual.A parceria começou em 1980 com contratos sendo firmados por tempo determinado. No último, com vigência de 1990 a 1994, foi acertado que Bezerra da Silva produziria um disco por ano e uma das cláusulas transferia para a gravadora a plena propriedade dos discos produzidos durante a sua vigência, podendo relançar as gravações de LP em forma de CD.Após o término do contrato, a gravadora deveria efetuar os pagamentos dos direitos artísticos ao sambista, da mesma forma que fora pactuado. Só que, para variar, a gravadora resolveu dar uma de esperta e pagou ao cantor valores inferiores aos fixados por contrato. O processo judicial foi iniciado por Bezerra em 2002, mas o sambista faleceu dia 17 de janeiro de 2005, e, então, a ação foi retificada posteriormente para o espólio.A História de Bezerra da Silva na música é supercuriosa. Até se transformar no estereótipo do 171( artigo do código penal reservado ao estelionato, usado para designar o malandro), num tráfego não muito delimitado entre o legal e o marginal, Bezerra gravou até forró.
Sua primeira participação em uma gravação foi no disco que trouxe Zé Ramalho as raízes do “Admirável Gado Novo”, no qual o paraibano transformou um dito aboiador em síntese da vida brasileira(“Vida de gado/Povo feliz”).
Bezera da Silva nem carioca era. Era Pernambucano. Cantava repente e coco antes de se transformar no grande partideiro pós-Dicró e Elias do Parque. Sua fama de 171 perseguiu-o até a morte, pois morreu num 17de janeiro(17/1). Até o politicamente correto tomar forma e letra de lei, Bezerra era conhecido por suas letras consideradas mais tarde como apologia ao uso de drogas(“Vou enrolar/mas não vou acender agora”). Até o momento, sua critica social não encontrou substituto em nenhum segmento da música brasileira.

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