domingo, 7 de setembro de 2008

Já Houve um Jornal de Música

Ele nasceu do “Rock, a História e a Glória”. Ele vinha encartado na revista e, naquele tempo, ele falava de tudo o que acontecia na indústria do disco. Falava bem, falava mal, mas falava alguma coisa.
O disco não passava pela crise que vive, bem mais moral do que da quebra da regra do negócio. O disco era afeito às novas tecnologias de então e sempre se renovava, fosse no hardware, no software ou na cooptação das novidades que vinham de todas as partes e cantos. Locais, regionais e nacionais.
Esses novos cantos e instrumentos, vindos de todos os cantos do planeta eram notícia do “Jornal de Música”.
Mas, os tempos mudaram. O jornalismo cultural que o “Jornal de Música” fazia foi extinto. Também foi extinto o trajeto que o produto cultural, no caso a música, fazia entre sua produção e o consumo. As assessorias começaram a pagar pelo espaço. O aspecto promocional e a troca de interesses substituiu a aceitação de tendências pela massificação. Só não se substituiu o talento.
Hoje, o talento está em crise. Quem prestar atenção nas letras cantadas por grupos ao estilo “Gaiola das Popozudas” está sabendo do que eu falo. O recado dado por Cazuza está vivo e latente. A ascensão de uma nova burguesia acabou com a poesia. Estamos vivendo o banal pelo banal, até quando não se sabe.
O talento ainda vai voltar a reinar no cenário. Esse determinismo é a fatalidade que persegue o grupo social. Nada é eterno. Até a banalidade. Ela surge em surtos e um dia ela se recolhe. Já não passamos pela idade média? Então? Um dia um renascimento acenderá novamente as luzes. Só não trará de volta o Jornalismo Cultural. Esse virá em outro formato, mais adequado às novidades que surgirão no horizonte.
Acredito que não vou estar aqui para presenciar isso tudo. O tempo não para e nunca ficou do meu lado. Sempre esteve contra mim. Sei disso. Vivo isso.

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