Ele nasceu do “Rock, a História e a Glória”. Ele vinha encartado na revista e, naquele tempo, ele falava de tudo o que acontecia na indústria do disco. Falava bem, falava mal, mas falava alguma coisa.O disco não passava pela crise que vive, bem mais moral do que da quebra da regra do negócio. O disco era afeito às novas tecnologias de então e sempre se renovava, fosse no hardware, no software ou na cooptação das novidades que vinham de todas as partes e cantos. Locais, regionais e nacionais.
Esses novos cantos e instrumentos, vindos de todos os cantos do planeta eram notícia do “Jornal de Música”.
Mas, os tempos mudaram. O jornalismo cultural que o “Jornal de Música” fazia foi extinto. Também foi extinto o trajeto que o produto cultural, no caso a música, fazia entre sua produção e o consumo. As assessorias começaram a pagar pelo espaço. O aspecto promocional e a troca de interesses substituiu a aceitação de tendências pela massificação. Só não se substituiu o talento.
Hoje, o talento está em crise. Quem prestar atenção nas letras cantadas por grupos ao estilo “Gaiola das Popozudas” está sabendo do que eu falo. O recado dado por Cazuza está vivo e latente. A ascensão de uma nova burguesia acabou com a poesia. Estamos vivendo o banal pelo banal, até quando não se sabe.
O talento ainda vai voltar a reinar no cenário. Esse determinismo é a fatalidade que persegue o grupo social. Nada é eterno. Até a banalidade. Ela surge em surtos e um dia ela se recolhe. Já não passamos pela idade média? Então? Um dia um renascimento acenderá novamente as luzes. Só não trará de volta o Jornalismo Cultural. Esse virá em outro formato, mais adequado às novidades que surgirão no horizonte.
Acredito que não vou estar aqui para presenciar isso tudo. O tempo não para e nunca ficou do meu lado. Sempre esteve contra mim. Sei disso. Vivo isso.

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