Os aficcionados que me desculpem.Os instrumentos eletrônicos fabricados no Brasil entre 1950 e 1990 sempre deixaram a desejar. Da mesma forma que os amplificadores, os falantes, os mixers, os pedais e os pratos.Ah! os pratos! Bater num Saema ou num Weril era como bater num misto de tampa de lata de lixo com vaso sanitário. Inenarrável As primeiras peles de Nylon da Weril e da Gope pareciam preservativos esticados até o limte de resistência.. As baquetas até que serviam e alguns encordoamentos. Palhetas? Também.Apesar dos aficcionados hoje manterem blogs, querendo mostrar ao mundo aquelas coisas como raridades incompreendidas, não havia como ser iludido. O instrumento nacional não tirava nota para passar de ano nem no vsual. Eram escrotos, tinham uma combinação de cores completamente bregas e eram desagradáveis de tocar.
Quem resolveu montar uma banda e, devido ao custo, teve que , por exemplo,começar a tocar baixo num Alex Brucutu plugado num Phelpa 30, só continuou a tocar porque: a) trocou rapidinho de instrumental, b) gostava muito de música. A mesma coisa valia para uma bateria Saema ou uma guitarra DelVecchio Twist, com escala dinâmica e um timbre nada dinâmico, horrível e completamente sem definição.
Com os teclados não era diferente. Haviam os Diatron, os Saema e os caribbean. Tudo neles era sem comentários. Inclusive o aspecto. A hering tinha uma pianola movida a v-e-n-t-o-i-n-h-a inamplificável e com um som de acordeon tétrico. Para felicidade de rock brasileiro, os tecladistas eram raríssimos e o som que tiravam lembrava mais a buzina do Chacrinha do que outra coisa qualquer.
Tudo isso era devido á política protecionista desenvolvida pelo govêrno, proibindo as importações. O fato desarticulou completamente a competitividade e a concorrência, já que os fabricantes sabiam que tudo era vendável na divisão de faixas de preço de consumo exibidas pelo público interessado. E como essa política também atingia os fabricantes de componentes, a falta de qualidade e inovação começava no básico.
A única coisa que o Collor fez de decente foi abrir a importação. Isso salvou a nossa indústria de ir para o saco, pois a competitividade fez todos abrirem os olhos e hoje o panorama é bem diferente. Hoje você compra o que existe de melhor que o dinheiro possa pagar e seu gosto ou sua possibilidade é sempre satisfeita.

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