sexta-feira, 31 de outubro de 2008

ALEA JACTA EST

“Guerra, sabe quem eles vão chamar? O Chris Robinson, vocalista do Black Crowes”. Tão vendo? Um de meus três leitores saiu em meu socorro e prestou um auxílio luxuoso para Lulu Santos nenhum botar defeito!
Assim sendo, os puristas Zepellinianos que me desculpem, mas, com essa escolha e se ela realmente se concretizar, vem aí um Led Zeppelin de REPERTÓRIO NOVO(repeat)REPERTÓRIO NOVO e deixando de lado um grande número de peças antigas que foram gravadas usando truques de estúdio, como “Immigrant Song”, “Communication Breakdown”, “Since i´ve been Loving You”, “Living Loving Maid”- Identificáveis ao vivo se e somente se cantadas por Plant e nunca por Chris Robinson..
Quanto as acústicas, acredito que todas fiquem no repertório, pois um “acústico MTV”(Irk! Irk! Irk!)cairia de bom grado na veia caça-níqueis que Page e Paul Jones estão demonstrando, além de servir para dar uma alavancada num DVD que TODOS os fãs do Led disputariam a tapa. É bom lembrar que o único material com imagem autorizado continua a ser “The Song Remains The Same” .
Agora: em minha opinião pessoal, a presença ou ausência de Jason Bonham não seria lá uma coisa tão sentida. Acredito que um Toni Thompson(Ex- CHIC), que, há muito tempo atrás foi anunciado como substituto de John Bonham viria mais a calhar, pois daria o punch blackmusic que o novo vocalista sugere, principalmente na execução de Heavy Blues , os quais, eu garanto, Page jamais cortará do repertório. Ele precisa deles para improvisar como vai precisar de “Dazed and Confused”- que, até o momento – é a única das músicas consagradas que eu tenho certeza que continuará on stage. Se isso não se confirmar, eu é que ficarei dazed and amused.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Até Tu, Brutus?

Vem aí um Led sem o Zep! É isso mesmo! Nosso amigo Jimmy Page, ao sentir as repercussões mais que favoráveis a respeito do Queen com Paul Rodgers está “cogitando a possibilidade” de gravar um novo álbum e sair por aí numa tour caça-níqueis sem .............Robert Plant!
O grupo, que já vendeu quase 300 milhões de discos , fêz uma breve aparição há um ano, num show beneficente, tendo na bateria o filho de John Bonham-Jason – que até toca direitinho, mas sem o punch do pai.
Jimmy Page e John Paul Jones estão loucos para voltar com a banda. Só Plant é que resiste à idéia e que já disse e redisse que não sobe em palco ou entra em estúdio para gravar com o grupo.
Já John Paul Jones assinalou à BBC que ele e Jimmy estão testando substitutos para Plant. Mas, até agora não chegaram a um acôrdo.
Dizem as más línguas que, se Keith Relf estivesse vivo, seria ele o vocalista. Page nunca escondeu sua simpatia pelo falecido vocalista do Yardbirds e que, com a finalização da maior banda de rock que a inglaterra teve, saiu à estrada com o Renaissance, também de saudosa memória( Quem não se lembra de “Can You Understand”?).
Outro que foi cogitado para substituto foi Chris Dreja, também ex-yardbird, mas este simplesmente se afastou dos boatos alegando não ter recebido nenhum convite.
Acredito que será muito engraçada uma versão de “Communication Breakdown” sem Plant......Ou mesmo “Stairway to Heaven”

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Mais um Listão!!!!

“Organizar um acervo de 300 discos importantes da gigantesca produção de música popular no Brasil em quase oito décadas não é tarefa das mais fáceis. Mesmo para o músico, pesquisador e produtor Charles Gavin, que, além de ser baterista dos Titãs, tem feito há cerca de dez anos um precioso trabalho de recuperação de álbuns antológicos, abandonados nos acervos das gravadoras. Vários desses títulos que ele trouxe de volta à cena - como as maravilhas do selo Elenco - estão no livro 300 Discos Importantes da Música Brasileira (Editora Paz e Terra, 434 pgs., R$ 230). Acompanham o volume - em forma de LP e luxuosamente ilustrado com todas as capas dos discos - os CDs O Último Malandro, de Moreira da Silva, e Elza Soares/Baterista Wilson das Neves”.
O trecho em negrito e entre aspas eu tirei de uma matéria publicada no Estadão, que fala sobre o livro, sobre algumas colocações já contestadas e do auxílio luxuoso que foram prestados à ele pelo Tárik, pelo Carlos Calado e pelo Arthur Dapíève.
Eu vou ser completamente sincero. Nesse tempo de revolução tecnológica, ninguém está mais interessado em título- ou títulos, já que um título - como está sendo denominado aqui o Lp – traz uma série de materiais indesejáveis ao aficcionado. Um exemplo? Lá vai: você conhece alguém que goste, sinceramente, do Lp “Araça Azul” de Caetano Veloso? Outro? “Miúcha & Tom Jobim”. Deu prá sentir minha colocação?
Voltando a vaca fria: nesse tempo de MP3, quem iPode, iPode. Quem não iPode, se sacode, né mezz? Assim, quem tiver em um MP3Player o listão de músicas que eu selecionei abaixo, vai ter guardado, dentro de um objeto do tamanho de meio maço de cigarros, todo um apanhado da música Brasileira com aquilo que interessa, isso é, com aquilo de mais pop e difundido que foi feito em termos culturais pela indústria fonográfica tupiniquim.
E, dependendo do tamanho da memória Flash do Player, o listão poderá estar numa pasta junto com as outras 300 contendo o material pesquisado pelo Charles Gavin.
Peço desculpas pelo meu mau jeito em reconhecer de pé quebrado a “importância” do trabalho de Gavin, mas em gastar tempo para ouvir 300 trabalhos de uma pesquisa que não coincide com o meu gosto pela coisa e sintetizar a coisa toda ouvindo faixas significativas, prefiro mais a minha razão de pensar do que a dele.
Primeiro porque eu, com meus 36 anos de janela profissional, não devo ter ouvido trezentos elepês de cabo a rabo. Devo ter ouvido faixas e lados A e/ou B de uns 5000, mas trezentos elepês batidos? Nunquinha! Assim, não iria conseguir ouvir os 300 citados por Gavin, coisa que deve ser chatérrima. Imaginem ouvir inteiro um Lp da Paula Santoro? Ou do Marku Ribas? Cês tão é doidos! Eu praticaria harakiri bahiano na primeira esquina!
Eu sempre fui mais para compacto do que para Lp, daí minha preferência por faixas. Diversos intérpretes e artistas tem compactos fantásticos e elepês trash de primeira grandeza. Exemplos? Paulinho Diniz, Sérgio Sampaio, Marcos Valle, Bebel Gilberto, Angela Rô Rô, RPM, Paralamas, só para citar alguns. Estou nessa preferência desde que comecei a comprar música e, na minha média, de cada vinil que possuo eu devo ter ouvido, no máximo, cinco faixas de cada.
É lógico que existem exceções como o “Out of Our Heads” e o “Rolling Stones Now!”, “After The Love has Gone”(Earth Wind & Fire), “Alucinações”( Belchior), “Two Places at the Same Time”(Raydio), “Tommy”, “Quadrophenia”, “Who Came First”, “Sell Out” e “Live At Leeds”(The Who), “Expresso 222”( Gilberto Gil), “Tim Maia Disco Club”( Tim Maia), “Love Island”(Eumir Deodato) e “Younger Than Yesterday”(The Byrds). Mas, no cômputo geral, sou mais fã das minhas impagáveis listas e paradões e essa última, que vai abaixo, vêm sendo compilada desde que me entendo por gente. Se você ouví-la inteira, você saberá tudo que foi feito de bom no país, entre 1950 e 2000. Lá vai:Milton Nascimento – Para Lennon e McCartney
Elis Regina – Madalena
Raul Seixas – Gita
Gilberto Gil – Back in Bahia
Ave Sangria – Seu Waldir
Made in Brazil – Banheiro
Cyro Monteiro – Formosa
Chico Buarque – Bye Bye Brasil
Wilson Simonal – Rapaz de Bem
Dick Farney – Alguém como Tu
Jorge Veiga – O Bigorrilho
Paulinho Da Viola – Foi um Rio que passou em minha vida
Maysa – Meu Mundo Caiu
Gordurinha – Mambo da Cantareira
Maria Bethania – Carcará
Os Cariocas – Ela é carioca
Waldir Azevedo – Brasileirinho
Os Novos Baianos – Besta é Tu
Toquinho & Vinicius – Tarde em Itapoan
Macalé – Gotham City
O Som Imaginário – Nepal
Beto Guedes – Feira Moderna
Nara Leão – A Banda
Quarteto em Cy – Cavalo Ferro
Ney Matogrosso & Fagner – Postal do Amor
Geraldo Mathias – Etelvina
Os Demonios da Garoa – Trem das Onze
Lupicínio Rodrigues – Esses Moços
Moreira da Silva – O Rei do Gatilho
Lulu Santos – Um Certo Alguém
Milionário & Zé Rico – Estrada da Vida
Cauby Peixoto – Conceição
Simone – Cordilheiras
Legião Urbana – Eduardo e Mônica
Dalto – Muito Estranho
Gal Costa – Meu nome é Gal
Jorge Ben – Por causa de Você
Zezé Motta – Dores de Amores
Belchior – Medo de Avião
Zé Ramalho – Avohai
Secos & Molhados – Sangue Latino
Marcelo – Abre Coração
Luiza Maria – Não Corra atrás do Sol
O Terço – Tributo ao Sorriso
Edu Lobo – Ponteio
Tim Maia – A Fim de Voltar
Angela Rô Rô – Simples Carinho
Mutantes – Tropicália
Caetano & Gal – Que Pena
Rita Lee – Lança Perfume.

Estou aberto a discussões.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

O Sonho Acabou

Essa noite eu dei uma de Martin Luther King. Tive um sonho e um monte de coisas que faziam parte de minha vida musical num passado um tanto remoto se fizeram presentes. Uma delas foi “Música no Planeta Terra”- a revista de Júlio Barroso – o primeiro conhecido a se interessar por Reggae, Kerouac, Beat Generation, New Wave, Disco Music, operar as carrapetas de DJ e escrever, não necessariamente nessa ordem.
A morte de Júlio é para mim um misto de lenda com mistério, já que o Okky nunca me explicou direito a coisa e o que eu sei parece delírio de junkie um tanto desconexo. Assim, me reservo ao direito de continuar a ter fé nesse misto de lenda com mistério e deixar cega a faca amolada da dúvida.
Outra coisa que fazia parte da minha vida musical era ler a “Down Beat”, o “New Musical Express”, o “Melody Maker” e a “Teenset”. Era por eles que a gente se situava e escrevia a respeito da cena externa, fascinante para todos e interessante ao extremo já que tudo acontecia lá e nada acontecia aqui. Ou por causa da repressão ou por causa do cagaço que as pessoas tinham em despertar a repressão para cima delas.
As pessoas com cagaço eram várias e todas metidas a árbitros culturais no sentido de informar o que era ou não era “in” e cult. Foi assim que Nelsinho Mota se transformou em agitador cultural, sendo figura de proa em tudo de bom que aconteceu naqueles anos rebeldes que tentávamos ir vivendo. Se não fosse ele, não haveriam os Hollywood Rocks em General Severiano, não haveria o Festival de Rock de Saquarema, não haveriam os Frenetic Dancin Days e não haveria a arena do Morro da Urca. Quanto a Guilherme Araújo, este não quis se expor e Jorge Mautner era muito maluco em seu próprio delírio para agitar qualquer coisa a mais que seu violino completamente desafinado.
E assim, o sonho acabou. Quem não dormiu de sleepinbag nem sequer sonhou. Acordei numa cama de casal, sem saber quem me avisou que o sonho tinha acabado. Se foi John Lennon, Gilberto Gil ou o balconista da padaria.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Que Seja Infinito enquanto Dure!

Essa frase métrica da poesia de Vinicius se aplica bem ao cenário pós-eleição que está dominando essa segunda-feira sem ressaca para muita aliança que elegeu candidato em várias cidades importantes do país, principalmente aqui na RMBH, no RJ e em SP.
E nada melhor nesse cinquentenário da Bossa Nova do que trazer de volta frases, estrofes e títulos, numa blague ao processo que fez muita gente se mostrar de um jeito inacreditável e inusitado.
Para Fernando Gabeira, a eleição foi uma interpretação de “desafinado”, já que perder uma eleição por 1,66% de diferença é desafinar direitinho na última estrofe do “sambinha” como diria Ari Barroso.
Já Kassab e Serra cantaram “Prá que discutir com Madame” em homenagem a Marta Suplicy e seu questionamento sobre a preferência sexual do rival. A interpretação escolhida foi copiar a famosa, com direito a banquinho e violão, dada João Gilberto para o clássico de Janet de Almeida.- Aquela que têm naquele CD duplo ao vivo que a Warner Music lançou nos anos 90 e que, graças à minha sobrinha adolescente, só tenho um, já que o outro virou farofa depois de ser triturado por uma cadeira de rodinhas.
Enquanto isso, em BH, Marcio Lacerda dava sua intepretação pessoal para “Rapaz de Bem”, num jeito de cantar introspectivo de deixar Johnny Alf babando de inveja, suportado por um arranjo orquestral no qual toda a mídia da cidade ajudou, com direito a matérias especiais vinculando o adversário à Paulo Maluf e ao fundamentalismo evangélico da pior espécie. E o rapaz de bem chegou lá sem grandes dificuldades.
A pergunta que fica é: Quanto tempo vão durar as alianças que botaram lá os candidatos eleitos? Elas serão infinitas enquanto durarem? Tal qual os nove casamentos de Vinicius de Morais? Com direitos a paixões virulentas e ocasos no esquecimento? Vamos ver o que acontece e se os barquinhos vão continuar a deslizar no macio azul do mar.......A tardinha cai e o barquinho vai.........até aonde? Será que Márcio Lacerda vai continuar a cantar “Rapaz de Bem”? Até quando? Será que Eduardo Paes fica bem na Fotografia(“Eu, você, Nós dois”......) com Serginho Cabral até 2010?

domingo, 26 de outubro de 2008

"Per-a-Mour"

Desde o início do mês que minha sobrinha adolescente estava de rabo em pé para ver o “Paramore”( a pronuncia certa é a do título desse post) Primeiro, fêz de tudo para ir ver o show no RJ, mas, eu dei aquela desestimulada pois a minha insegurança com relação a segurança dela, somada ao seu total desconhecimento de como se virar na cidade maravilhosa deixaram-na completamente frustrada. Até que pintou uma oportunidade de segurar um gargarejo na performance de São Paulo. Aí, ela descolou dois dias de bem-bom no trabalho, botou prima e bagagem a tiracolo e embarcaram numa excursão que saiu daqui do Terminal JK com direção ao hall de sampa onde o Paramore se apresentou.
Eu ouvi algum material da banda e gostei de “Crushcrushcrush”- que está incluída no listão da minha rádio Web. A sonoridade do Paramore lembra bem o B-52s original, com algumas pitadas de Pretenders, bem mais pop e balançado. O grupo foi formado em Franklin , no Tennessee, em 2004 e é composta por Hayley Williams(vocal e keyboards), Josh Farro( guitarra e vocais), Jeremy Davis( baixo) e Zac Farro( bateria). Eles colocaram o nome Paramore, que é derivado do nome de um antigo baixista da banda, do tempo em que eles ainda tocavam na garagem, uma vez que o grupo descobriu o significado da palavra Paramour ("Amante secreto"), que soa idêntica ao nome escolhido, eles decidiram adotar o nome, usando a ortografia Paramore. A primeira canção da banda foi escrita em conjunto "Conspiracy", que mais tarde foi utilizado no álbum de estréia-“All We Know is Falling”.
O Paramore já tem dois álbuns lançados: “All We Know is Falling”(2005) e “Riot”(2007), lançado aqui no início desse ano, com “Crushcrushcrush” tocando exaustivamente nas rádios dirigidas ao segmento. Já na MTV, o clip que está rodando é o de “Thats What you Get”, que, ao que tudo indica, é a nova faixa de trabalho. Como novidade da coisa toda, a vocalista Hayley Williams deverá ser uma das cantoras disponíveis no game “Guitar Hero IV”.

sábado, 25 de outubro de 2008

Crise? Que Crise?

Amanhã vai ter segundo turno no eixo Rio-SP-BH. A campanha eleitoral, como sempre acontece, foi ao delírio completo e teve de tudo. Desde sexóloga reparando na preferência sexual do opositor até aquela famosa história do “fumei, mas não traguei” em relação a maconha, que não é nenhuma novidade, pois ela foi usada em eleição presidencial norte-americana ainda no século XX, lembram?
Na economia, a lei do retorno- amplamente difundida na umbanda- traz de volta a estatização e enxota o neo-liberalismo do cenário. Este, durante algum tempo, vai carregar o fardo da culpa de quase ter quebrado o mercado mundial de capitais e, se ficar quietinho e se portar bem como cadáver insepulto, num futuro próximo poderá ser ressuscitado por algum economista emergente, que escreverá um livro tão brilhante que todos os leitores deverão lê-lo usando óculos escuros e Fernando Henrique Cardoso segredará a José Serra que ele( o economista) é o filho que ele gostaria de ter tido.
Eu me pergunto onde é que está a crise, já que, entra eleição sai eleição, as histórias são sempre as mesmas, Maluf se candidata, um escândalo qualquer explode entre candidatos e em todos os cenários, os institutos de pesquisa saem com as projeções de intenção de voto mais disparatadas(Nessa eleição o disparate é Belorizontino!) e tudo continua, nada de extraordinário se sucedendo.
O mesmo acontece na economia, pois desde que alguém estruturou as teorias Macro e Micro econômicas, as formas de atuação liberais e estatizantes vêm se sucedendo e, com a exceção de algumas quebradeiras aquí e alí, o dinheiro continua a ter seu valor e não inventaram nenhum processo diferente que não passe pela compra, pela venda, pela oferta e pela demanda. Se inventaram , a Miriam Leitão tá guardando a novidade para uma matéria especial que ela publica amanhã- dia da eleição – e que concorre ao Pulitzer desse ano!
Assim, eu- macaco velho, já sabendo disso tudo, vou votar amanhã bem cedinho, voltar para casa e ficar esperando a hecatombe. Sei que antes dela chegar, meu cachorro vai parar na minha frente e latir até eu levá-lo no poste da esquina, a Dona Socorro- minha vizinha do lado – vai ligar pelo interfone querendo saber se eu vou encomendar a lasanha a bolonhesa que eu pego prá segurar o almoço e minha sobrinha adolescente, que chegou ontem de SP onde foi assistir ao show do Paramore, vai me mostrar- com direito a uma fuçada- os CDs que ela trouxe. Isso é que interessa. A crise não tem pressa.
Outra coisa que eu vou fazer é ouvir o radinho do site “trash 80”, que toca o repertório mais caricato possível, com tudo de ruim que foi feito em termos musicais naquela década e dar boas gargalhadas. Prá quem quiser experimentar, a URL vai abaixo:
http://www.trash80s.com.br/radio/radio.htm

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A minha rádio ativa e atuante



Estou dando uma guaribada num projeto de radio web. Minha radio web vai ser automatizada ao extremo e completamente musical. O escopo da programação vai ser o mais amplo posível, dando grande destaque a música do século XX. Em termos de proporcionalidade, mais de 80% de música considerada internacional e uma abertura de 20% para música não cantada em língua inglêsa. Antes que alguém caia de pau, é bom lembrar que uma web rádio e, antes de tudo, planetária.
Na linguagem de uma web rádio, a cor local ou regional não se justifica. Na medida em que a web rádio pode ser sintonizada em qualquer lugar conectado, a fragmentação e multiplicidade da audiência é um fato inegável, com o qual os Roquettes Pintos da vida nunca teriam sonhado. Assim, fazer uma rádio restrita é tentar firmar prego no angu. Não há como deixar de lado a língua inglêsa, seja no site-base da emissora, seja no que ela veicula.
E, na medida que o projeto vai sendo desenvolvido, as problemáticas de localização e regionalização vão surgindo e sendo resolvidas de forma técnica, deixando de lado qualquer coloração local e/ou nacionalista, já que ela( a coloração) não é aplicável ao nosso propósito.
A Hora certa? Como dar a hora certa? A Web rádio deve dar a hora do servidor no qual está localizada e gera sua transmissão. Assim, a hora certa é hora que vai aparecer no painel- no meu caso o painel frontal do ZaraRadio- software no qual a minha web rádio é toda baseada.
Temperatura e umidade relativa do ar são assuntos delicados, já que são dois componentes locais que individualizam o vetor espaço/tempo no qual estão localizados. Assim, acredito que uma web radio deve deixar e lado esses dois quesitos no sentido de ser conduzida duma maneira proveitosa.
Outro assunto delicado e que vai atingir diretamente as web rádios não automatizadas é a interação proporcionada pela bilateralidade da conexão com a rede. O conceito emissão se restringindo a transmitir e o conceito recepção no sentido estrito estão superados e deram lugar a transceptividade, já que a emissão e a recepção são independentes por cada ponto envolvido na rede conectada à geração de sinais e dados. O ouvinte passivo é passado remoto e o estar on line significa audiência em tempo real, interagindo no meio e na mensagem. O discurso é multidirecional. O rádio web vai se tornar um imenso programa de auditório, com espectadores interagindo das formas mais inusitadas e com as mais variadas expectativas em relação àquilo que vai estar sendo veiculado.
Nada será como antes no rádio web. O rádio que temos cristalizado na idéia morreu. Alguns veículos já se aperceberam do fato e estão direcionando suas transmissões via web para o ouvinte ausente- aquele que, por algum motivo, está distante da base da transmissão. Quem quiser assistir a isso basta sintonizar a Rede Itatiaia de Rádio. Suas transmissões esportivas já são completamente direcionadas nesse sentido.
O futuro do rádio não é o rádio digital. É o web rádio- o uso da rede como canal de transmissão. E, partindo dessa premissa, a corrida ainda está no início, com alguma peças se movimntando no tabuleiro. Eu? Garanto a você que sou uma delas. Você ainda vai me escutar. Espere e ouvirá.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A Música Brasileira Discutida

As artes e tendências já foram bem mais discutidas no país do que são hoje em dia. Como diria Nelson Rodrigues, hoje prevalece uma unanimidade burra na mídia, que opta pelo banal em vez da criatividade.
A herança dos monopólios impostos pela matriz lusitana à colonia ainda se faz sentir na cultura Brasileira. Não existem mais concorrentes. Desde a última década do século XX e a cristalização do Rock Brasileiro(BRock) existe alguém que lidera e vários que o seguem.Quando o líder sofre algum acidente de percurso, seu lugar é ocupado por um dos seguidores. E, na medida que um seguidor de destaque vai se acidentando no percurso, outro o vai sucedendo até que sobre apenas um. Se antes tínhamos Titãs, Barão, RPM, Legião, Kid Abelha, Caital Inicial, Plebe Rude, Biquini Cavadão, Nenhum de Nós, Engenheiros do Havaí, etc; hoje temos Titãs, Kid e Capital Inicial. Amanhã teremos..............?
E não me venham com essa história de estilos, tendência, mais heavy, mais melódico ou o raio que o parta. Isso no nosso cenário não têm a mínima importância. Todos são pop, querem fazer sucesso, viver sob holofotes e vão carregar esse rótulo. Não passam disso mesmo.
Outro rótulo cristalizado está aí há 50 anos, na mesma batida e no mesmo compasso do tudo igual. Como a chatura de João Gilberto não sofreu nenhum acidente de percurso, tudo vai ficar igual até ele ser enterrado junto com o banquinho e o violão dele. Aí, o banquinho e o violão de um seguidor se sobressairá. Resta saber quem e resta saber também se vai haver banquinho e violão.
O fato da Bossa Nova se constituir num movimento sem futuro criativo vêm sendo denunciado por diversos de seus titulares. Um deles é Eumir Deodato que, ciente de sua evolução para outro estágio como compositor e arranjador, vêm apontando, em várias entrevistas, o fato de como a preguiça de Tom Jobim o teria impedido de ir mais além na criatividade- fato que incomodou ao próprio Vinicius, que procurou um ar menos viciado na parceria com Toquinho.
Deu no que deu. A Bossa Nova hoje é como o Choro. Um movimento no qual surgem intérpretes e especialistas, que estudam a lição e a repetem ad infinitum para uma platéia de apreciadores que já sabe o que vai ouvir, encontrar e, no máximo, comparar com a fonte geradora ou outro intérprete ou outro especialista. E isso não é privilégio dos dois. O Jazz, o Samba e o Rock estão indo para o mesmo caminho.
Não tem solução. A música- como arte e como criativa- necessita de cooptar algo ou ser cooptada. O rap, o hiphop e o sampler já cumpriram seu papel modificador e estão começando a trombar pelas estantes. Quem já ouviu uma época Run DMC e hoje é obrigado a ouvir Gaiola das Popozudas têm completa ciência do que eu estou falando. Para a mídia é mais fácil a mensagem explícita. Acabaram-se as metáforas e as figuras. Pão pão queijo queijo. Se resta uma palavra de consolo, essa palavra é o foda-se. Do jeito que as coisas vão, está provado que o Mundo é Raimundo. Se for Nonato já é diferente e pode ser criativo. Isso sim está em falta. Criatividade. Agora, nesse momento, o que importa é o banal pelo banal e nada mais.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Um Tom acima

Minha Música Brasileira tem vários Toms: o Zé, o Jobim, o do Dito e o Capone. Todos eles interessantes a maneira deles. Meu cinema tem Tom Cruise, teve Tom & Jerry e até Tom Mix.Adoro trocadilhos e duplos sentidos. Gosto de formar anagramas com as coisas, palavras, sons e metáforas.
Nisso sou semelhante a Tom Zé, meu primeiro tom musical e afinado nesse concerto Varesiano que estou redigindo. Naquele tempo de início de tropicália, ele não me chamava muito a atenção. Só fui descobrir sua musicalidade mal comportada depois de algum tempo e estudo. “São São Paulo Meu Amor” passou quase que batido, numa comparação menor que seja com “Tropicália”, “Domingo no Parque” ou mesmo “Alegria Alegria”.
Na verdade, a visão de Tom Zé e o aúdio dos Mutantes transcendeu a tudo que surgiu naqueles festivais revolucionários em certo ponto, já que mais careta e comportado que Geraldo Vandré não era possível ser. Ele ainda queria falar de flores. Ele só era um animal político na concepção aristotélica.
A Música de Vandré era a própria voz do morto, enquanto Edu Lobo, Chico e outros botavam a musicalidade em ponto morto. Não havia primeira nem segunda. O câmbio não era universal como Smetak na Bahia. Essa voz do ponto morto era uma música cooptada pela esquerda e pela militância de um CPC repleto de idéias revolucionárias para uma nova concepção política com nota zero em educação artística.
Ser artista desengajado era dividir a luta. Ligia Clark, Gláuber Rocha, Rogério Duarte e Hélio Oiticica eram considerados alienados, incluídos num esquema trotkysta pelos stalinistas ortodoxos que controlavam centrais e um movimento. Teóricos, eles deglutiam Maiakovsky, Eisenstein e Sartre, vomitando revisões críticas sobre tudo o que se fazia. Demoliam-se estruturas consideradas arcaicas, não sobrando pedra sobre pedra. Os anos 60, que não vieram nos ver, prediziam a dicotomia que se seguiria em todos os nichos e segmentos. Veio um 64, veio um 68, um AI-5. A década não deu o ar de sua graça. Estamos até hoje a sua espera.
No que se seguiu, Tom Zé e Mutantes foram a ruptura- que dividiu o cenário em dois. De um lado a nova tendência. Do outro a Música Popular Brasileira cristalizada nas iniciais MPB e bifrontada como um Janus Romano. Num rosto a expressão nacionalista de preservação. No outro a expressão colonizada no jazz da Bossa Nova.
Caetano e Gil faziam MPB eletrificada e nem foram tão longe assim. Faziam política nas letras e estavam engajados numa luta deles contra o sistema. Tom Zé e Mutantes não representavam nada naquilo. Não eram nada daquilo. Eram outra coisa.
Naquele momento histórico, em meu caso específico, eu não me apercebia da existência dessa ruptura. Não tinha noção que uma guitarra poderia ser uma arma fantástica para exterminar fascistas. Os engajados também não e me estigmatizavam como colonizado. Existiam outros caminhos. E um deles estava na arte engajada e compromissada com o novo desse Tom da Música Brasileira sobre quem eu escrevo.
As portas dessa percepção foram se abrir bem mais tarde, quando descobri que Tom Zé, tal qual um Cartola do terceiro milênio, estava trabalhando como frentista de posto de gasolina para sobreviver. Que ia largar tudo e voltar para a Bahia, para Irará. Tinha jogado a toalha.
E se não fosse o David Byrne? Já imaginaram o verdadeiro Tom da música- o tom afinado e com princípios Smetakianos- único dos ditos tropicalistas que estudou música, largando tudo?
Como isso não aconteceu(- Graças a Deus!), Tom Zé está de CD novo na praça. Agora, Tom Zé estuda a Bossa Nova, num jeito e maneira à lá Kollreuter, com pitadas de Smetak- dois de seus antigos mestres no curso de música da Universidade Federal da Bahia. Segundo ele, sua vida teria sido outra se não tivesse ouvido “Chega de Saudade”. E é isso que ele tenta reinventar em “Estudando a Bossa”- com citações a tudo e a todos que participaram desse movimento cinquentão.No Cd as vozes de Fernanda Takai e Mariana Aydar, que contraponteiam em suas participações uma imitação vocal do violão de João Gilberto, fazendo a levada que aprendeu de um cara em Brotas-bairro de Irará- em 1958. “Ele já fazia igualzinho. Fui lá tocar com ele umas vinte vezes”, diz Tom, assinalando que continua a tentar fazer igual ao que o mestre executa.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Samba Morto

Morreu meu último amigo sambista de primeira. Tinha 59 anos. Morreu de câncer. Luiz Carlos da Vila foi o último vivente do mundo do samba que eu conheci realmente- daqueles conhecimentos de ir prum buteco encher a cara de cerveja e ficar conversando sobre tudo. Desde mulher até política, com considerações filosóficas sobre quesitos os mais inusitados. Papo de bêbado, sabe cuméquié, né?
Muita gargalhada, garçon dando espôrro por tu tá incomodando TODOS os vizinhos do lado, sem perguntar resultado de nada. Pedindo depressa uma cerva bem gelada e aquela lingüiça pingando gordura- que só tem em buteco. Aquela que mosca mais esperta não pousa para não ficar grudada e ser incluída na conta.
Conheci o Luiz Carlos em 1977, quando ele ia participar do “A Hora e a vez do Samba”- um programa de samba que tinha na Rádio Roquette Pinto, apresentado pelo Zé Galego. Eu trabalhava na programação da rádio e ganhava um extra operando a externa que era feita do auditório, toda sexta-feira, quando o programa era ao vivo, de meio dia até as quatro da tarde.
E aí tu ia conhecendo a galera, pois era um tal de ajeitar microfone e dar esporro na base do “ fica aqui”, “Canta no bocal”, “vê se não cospe, porra!” que, no final das contas e de cada programa, tu já conhecia a galera toda.
Foi fazendo isso e gravando samba-enrêdo para corte que eu conheci o Zé Dedão, Hélio Turco, Dicró, Elias do Parque, Roberto Ribeiro, Joel Teixeira, Marimbondo e o Luiz Carlos.
Quando chegava a época da escolha do samba-enrêdo nas escolas, o Zé Galego armava um esquema de gravação meio pirata, na rádio, todo domingo. O esquema funcionou legal uns quatro anos e consistia no seguinte: Todo domingo a tarde, quando a rádio só funcionava no plantão, nos armávamos uma mesa com quatro microfones e uma máquina de dois canais no auditório. Eu, que trabalhava na programação, cuidava de dar baixa nuns oito ou dez rolos de fitas velhas, pedindo substituição e guardava no meu escaninho, Cabralzinho trabalhava no TapeSpot Publicidade e lá, ele ia pegando carretelzinho velho de fita recusada por anunciante, trazia prá rádio e guardava no escaninho dele.
Aí, a cada domingo, a partir das duas da tarde até umas dez da noite, Eu, o Zé, o Cabralziinho e o Rangel Operador nos revezávamos gravando os sambas de quem pagasse, o equivalente em grana de hoje, a uns quinze reais, cortando e enrolando a cópia em cada carretelzinho. Gravando uns quinze por domingo durante uns dois meses, nós quatro tínhamos um bom natal.
Num desses domingos é que o Luiz Carlos apareceu. Apareceu com um samba-enrêdo para o corte na Vila Isabel- Escola de fé!- E o samba era bem manêro. Eu dei a sorte de estar na minha vez de operar a tralha e gravar o samba dele. Ficamos conversando sobre carnaval, Vila Isabel e o mundo do samba até a sessão acabar e descemos dalí da Roquette(ficava na Erasmo Braga) para a Praça Mauá, onde emburacamos uns 30 chopes no Flórida, com direito a muito mais conversa, puta pedindo cigarro e jogando charme, marinheiro atrás de confusão e outras mumunhas do calibre.
Desse primeiro porre, seguiram-se mais uma infinidade, obrigatoriamente toda a sexta de noite. Ou era no Flórida ou no Siri da Rua dos Artistas. Luiz Carlos era uma figuraça. Soube ontem que ele tinha morrido. Quem me avisou foi o Maneco, meu primo- que também era amigo.
Nossa rotina etílica terminou bem antes, em 1982, quando eu me acidentei-Tinha nego bêbado aí- quase morri.
Entrei na mureta da Urca com uma moto a 80 Km, maninho! Fiquei sete meses de cadeira de rodas. Depois, vim embora para BH e tô aqui até hoje- Muita gente na lembrança, sem amigos presentes e agora com a lista de ausentes abrindo outra lacuna nos existentes. Chato, né?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Brigas+Brigas+Brigas Prá lá e Prá Cá!

“Brigar é a lei do Mundo- Brigar é a lei do Universo!- Briguem meus queridos brigões, pois brigando eu fiz esse verso”.
O mercado é repleto de desavenças. A última aconteceu semana passada entre o Fabinho Fernandes, Presidente da FNazca e o Nizan Guanães, num Maximídia - seminário de mídia desses que publicitários fazem para publicitários, tudo pago pelos anunciantes. Eu não estava presente, mas uma amiga minha que assistiu a coisa toda, me mandou um emeio relatando o “contecimento” e, mais tarde, o Fabinho escreveu sobre a ocorrência no “CMIBRASIL – Centro de mídia Independente”(http://www.midiaindependente.org/) . Transcrevo abaixo o primeiro parágrafo do que o Fabinho escreveu, para vocês terem uma idéia do rolo.
“Conhece o Nizan Guanaes?Por Fabio Fernandes 17/10/2008 às 19:07
Não, você não conhece.
Carta do Fabinho Fernandes, presidente da F.Nazca à equipe dele, depois da briga que teve com esse monte de estrume ambulante, esse porco venal chamado Nizan Guanaes, que aliás acaba de demitir 30 profissionais porque não teve competência para manter um cliente. Demorô. Finalmente, alguém abre o bico para dizer a verdade, no meio desse bando de cagões corporativistas que são os publicitários brasileiros e seus jornalistas comprados".
Tão sentindo o drama? Pois é- o pau comeu legal e , como sempre acontece, os egos dessas figuras ditas públicas não têm muitos freios e nem fronteiras. Se, na publicidade, a coisa fica feia, dá prá imaginar como é que o bafafá esquenta nas artes em geral.
No meu caso de discussão – a música – o lance sempre pegou pesado. Recentemente, tivemos um grande pega tripartite entre Caetano Veloso, Raimundo Fagner e o finado Paulo Francis, entrevero no qual todos saíram de orelhas quentes. Paulo chamou Caetano de bahiano subdesenvolvido, Caetano disse que Francis era um viado enrustido e Fagner execrou o Caetano, assinalando que a letra de Belchior para “Apenas um rapaz latino-americano” passava a realidade sobre o dono da tropicália- “Um velho compositor bahiano que dizia que tudo é divino e maravilhoso”.
Outro que tem sempre uma pendenga a resolver é Roberto Carlos. Nos últimos 20 anos, Roberto pedeu dois processos em que era acusado de plágio e ganhou um contra o autor de sua biografia, no qual a própria editora traiu seu contratado e entrou em acôrdo com o Rei, se comprometendo a destruir os volumes que tinham sido impressos. Como vingança contra a bobagem completa de Roberto, a biografia virou um PDF que foi distribuído de graça via Internet, se transformando no campeão de downloads não autorizados de 2007.
Já no caso da Xuxa, o que de fato existe é uma paranoia daquelas a respeito de seu passado de gostosona e modelo dos chamados “ensaios”- uma forma elitista de batizar o nu fotográfico que, de artístico não têm porra nenhuma. A ex-peladaça já deve ter processado meio mundo por causa daquele filme onde ela aparece em cenas para lá de calientes com um garotinho que hoje, graças a paranóia dela, é um dos artistas de filme pornô mais bem cotados do mercado. Isso sem contar nas edições de “Playboy” e “Ele&Ela” onde ela é centerfold e que estão avaliadas em dólar, brother!
Pendengas a parte, são elas que fazem o marasmo do mercado jogar o banal para o alto e passar um verniz de lisura e bom comportamento na coisa toda, já que as brigas que vazam para o público são minoria ínfima. Um exemplo? A briga entre os herdeiros de ACM. Dizem que o negócio é um angu de carôço daqueles, mas, como pessoas civilizadas, vão resolver tudo na justiça. Outro final feliz de uma quase-briga é a decisão de Lily Marinho em fazer leilão de seus pertences, cuja avaliação por baixo bateu nos sessenta milhões de dólares! Lá fora, a irmã de John Lennon processa Ioko no sentido de receber sua parte da herança de John , que a japonesa sistemáticamente lhe sonega. Ao mesmo tempo, ela, Paul, Ringo e os herdeiros de Jorge movem um processo contra a Apple Computer por uso indevido de marca, já que a Apple Records é bem anterior.
A Beligerância do ser humano vai continuar a manter esses conflitos em evidência, já que o querer justiça e a lesão de direitos acompanham a humanidade desde o início da sociedade organizada, que organizoua justiça só para que esses conflitos tivessem resolução. E hoje, a coisa tomou um vulto tão grande que, se por uma ficção qualquer, eles se reduzissem, muita gente iria ficar desempregada e com fome. Assim, conflito, briga, quebrapau ou qualquer outra denominação que sejam dadas a essas disputas vão continuar, como o tráfico vai continuar e outra série de transgressões, pois muita gente vai perder dinheiro caso tudo isso tenha um final feliz.

domingo, 19 de outubro de 2008

Domingolão!!

Hoje chove fino, começou na vera o horário de verão e tem Atlético e Cruzeiro no Mineirão. Hoje é a volta do “mais brilhante”(Alberto Rodrigues)-locutor oficial cruzeirense da Rádio Itatiaia e que estava afstado do microfone devido a campanha política, na qual se reelegeu. Ele narra um dos tempos e o Willy Gonser o outro. Vou ligar a caixinha preta e ficar colado nela. Sei que vai dar Raposa na cabeça, tô confiante e tô nem aí pressas galinhas pretas.
Eu nunca fui muito de futebol. Peguei mais a mania por causa de minha mulher – cruzeirense fanática- ainda mais depois que ela adoeceu e aí virou vicio. Como eu sempre gostei do rádio eclético, ouvir esporte e noticiário pra mim é mole. Vou acompanhando a coisa e fantasiando, pois, em rádio, qualquer pelada vira final de copa do mundo. Depende só da locução e do comentário. E nisso e na resenha, a Itatiaia é boa de bola e de fala. Tem a melhor equipe de BH e estamos conversados. O resto é merda.
Hoje de manhã eu tava dando uma arrumada no computador,quando me lembrei de dar uma olhada nos MP3que venho baixando pelo Limewire e dar uma examinada na qualidade do material. Nada que tivesse que ser deletado, graças a Deus. Fico puto com isso, já que a espera pelo bit torrent as vezes é enorme para que o arquivo chegue corrompido ou completamente virótico.
Por causa de vírus, desisti de baixar arquivos de música nacional. Num dia só eu recebi seis vírus embutidos em arquivos. Uma bosta. Graças a Deus, meu antivírus é estupendo e o Firewall é um sygate daqueles que pergunta de tudo e me obriga a dar OK a tudo que entra ou sai. Acho que é bem melhor se chatear um pouco do que ter surpresas desagradáveis. Já tive três barra-pesada e nunca mais, brother!
Outra coisa chata dos MP3 éque a maioria deles vêm com clamorosos erros de Tag. Mais por desinformação do que outra coisa. Os títulos das músicas são peças de ficção. Você vê logo que quem fez a transcrição não deve ter se preocupado em ouvir o resultado final.. Mas, como teno ferramental apropriado,vou baixando e vou corrigindo. E e agora até o jogo vou me dedicar aa essa faina. Gosto e vou ouvindo. É Domingolão e sou louco or música.

sábado, 18 de outubro de 2008

Do you Believe in Magic?

O Título é de uma música de John Sebastian, gravada nos anos 60 pelo Lovin Spoonfull e que eu nunca mais ouvi. Ela veio toda à minha cabeça quando pensei no título. E , usando a cena mental como mote, resolvi escrever algo a respeito desses big hits que fazem parada na tua memória e entram para a tua história, bem ao estilo “O Rio de Janeito têm 20 milhões de histórias: Uma delas pode ser a tua”.
Essa frase final é a frase final de “Cidade Nua”(Jules Dassin) e que depois foi aproveitada no seriado de TV de mesmo nome, estrelado pelo Paul Burke e que eu via toda quinta-feira, as 22h, na TV RIO de boas lembranças. A música tema era de Nelson Riddle- famoso pelo eu trabalho com Frank Sinatra e pelas trilhas próprias sendo a mais famosa a feita para “Route 66”.
Falando nesse assunto, quem moreu anteontem foi o trumpetista e arranjador Neal Hefti, famoso pelos arranjos executados pela orquestra de Count Basie e por uma trilha que o levou a consagração total – a do Batman original(com Adam West) e que valeu a pena, repleto de “socks!”, “wham”, “oops” . Quase ninguém sabe que Hefti é o autor da trilha, atribuída até a Nelson Riddle. Eu sempre o tive na conta de um puta músico e guardo até hoje o compacto RCA de selo preto. Tá meio esculhambado, mas audível.
Outra música que sempre me vem a cabeça e está no meu hit parade de chuveiro é ‘Alguém como Tu”, na qual eu dou uma interpretação de dar inveja ao finado Dick Farney. Falei isso uma vez à ele quando o entrevistei e ele caiu na gargalhada, sentou-se no piano de sua sala e cantou a música- só eu alí ouvindo – fiquei emocionado de lágrimas nos olhos. Como eu sempre fui um cara de pau daqueles, puxei uma “Teresa da Praia”(felizmente ele cantava em tom baixo) que teve como resposta a música inteira. O negócio degringolou e ele cantou mais umas duas, finalizando com uma versão intimista e pessoal de “Garota de Ipanema” em inglês, digna de um disco com trio de jazz capaz de botar QUEM FOSSE(Sinatra? Tony Bennett?) no chinelo. Toda vez que lembro disso, fico meio besta, pois o que eu assisti garanto que muita gente pagaria os tubos para ter acesso.
Outra dessas entrevistas que viraram presentation e me deixaram perturbado foi com Sueli Costa e ela cantando, em seguidinha- “Dentro de Mim Mora um anjo” e “As balas do seu 38”. Todas as duas se enterraram em minha alma como açucar candy- daqueles que a gente ganhava dos avós em dias das crianças- e que iam se derretendo no contato morno do interior da boca ávida por mais doce e mais sensação gostosa. Só fui repetir esse estado de delírio quando dei o primeiro beijo apaixonado. Isso faz tanto tempo................
Eu continuo a acreditar em Mágica Musical. Pego um disco ou CD que tava jogado num canto, taco no player e deixo o som me levar pronde ele quiser. Como testemunha muda, um copo de quelque chose. Como testemunha falante, Bonitinho – um Yorkshire que me persegue há três anos. E É nessa mágica que minha alma escancara a janela.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A Música na Televisão

Confesso a vocês que estava meio por fora do que estava acontecendo em termos musicais na Tv aberta e paga que recebo via cabo direto na minha Toshibona. E volto a confidenciar que fiquei surpreso com a variedade de bobagens e coisas mais ou menos sérias que vêm sendo oferecidas.
Falo um mais ou menos sério porque nenhuma pessoa séria aprovaria aquela narração que foi colocada no “Brasileirinho”(Filme sobre o Choro). A narrativa peca pela péssima pronúncia e pelo baixo nível de áudio. Até o som direto do filme dá de dez a zero naquilo que, teóricamente, teria que ser nota dez e não é. Tudo bem que eu esteja velho e surdo, mas se eu consigo ouvir a dublagem da TNT, porque é que eu não ouviria o áudio do Canal Brasil?
Mas o indigitado canal se redimiu ao apresentar “Vinicius”( Miguel Faria, Jr) que me deixou sentado no sofá até terminar. Quase fiz pipi no chão ao correr para um banheiro longínquo e que alguém- de sacanagem – deixou de porta fechada.
Não sei se é por causa de minha aparelhagem sonora( boa), mas a trilha- tanto de Brasileirinho quanto de Vinícius estão impecáveis. Os clipes da MTV e da Multishow também entram redondo. Só as variações e volume na transmissão é que são drásticas, numa oscilação de perturbar qualquer equilíbrio. Uma merda.
Tirando esse detalhe, o cômputo geral é satisfatório. E aí é que vai se vendo como o clipe está tomando o lugar do fonograma, numa velocidade de substituição assustadora. Até a mim, acostumado com o fonograma( ouço música desde os nove. Tenho 57) O clip vem impressionando bem mais do que o áudio puro e simples. Agora, cantora tem que ter imagem e ser gostosa(vide Fergie, Beyoncé e Rihanna). Senão dá cum os burros n´água. Não faz muito tempo, uma Janis, uma Bette Midler ou uma Barbra Streisand tinham voz e lugar ao sol. Hoje, aconteceria com elas o que aconteceu nas Olimpíadas . Deixaram a feiosa dublando a bonitinha e ponto final.
Quanto ao resto, a tirania do rap vem dominando, em detrimento da melodia. Muito raro surgir uma música bonita. Não ouço uma já faz tempo. E você, o que é que você tem ouvido?

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Como achar um Bacalhau na Feijoada

Tá todo mundo elogiando o novo álbum do Queen que traz Paul Rodgers nos vocais. Eu me reservo à abstenção pura e simples. Achei as incursões returns de Paul Rodgers pós Bad Co. uma merda e não vou me dar ao luxo de gastar tempo-tímpano com mais uma. The Cosmos Rock vai ficar onde está. Fora do meu alcance.
Acho esses híbridos completamente destemperados e duma altíssima falta de gosto. Tremi na base quando correu o boato que o Led Zeppelin poderia voltar com John Bonham sendo substituído por Toni Thompson( CHIC). Não ia soar direito. Traduzindo, ia ser um Jota Quest com o Cavalera drummer esmurrando a bateria. E o que que aconteceu? Jimmy Page pegou Paul Rodgers e fez o The Firm- coisa detestável em certos pontos, mas que tinha algo a ver no sentido de direcionamento de idéias já que as influências dos dois eram convergentes e não divergentes, como Rodgers e Brian May. Seria a mesma coisa que David Gilmour refazer o Pink Floyd com Kenny Jones nos teclados. Não ia dar pedal.
Trazendo a problemática para um ambiente mais próximo, nós também tivemos uma reunião de monstros sagrados que degenerou em filme classe B batizada de “Os Tribalistas”. A antiga MPB já havia incorrido nesse erro com “Doces Bárbaros”. Foi, em extrato Holywoodiano superestelar, um filme com Drácula, Frankenstein, A Múmia e o Lobisomem. Eram quatro cabeças, quatro sentenças, todas diferentes.
Para que uma reunião dê certo, é necessário um pouco que seja de nexo causal. Um exemplo, o famoso disco de Jorge Ben e Gilberto Gil que nunca foi lançado como deveria. Existe o master e, se a Universal tiver a vontade político-artística de lançá-lo, todos verão a oportunidade perdida que a reuniao significou, com grandes clássicos revisitados, incluindo uma versão suingante de “Jurubeba” para ninguém botar defeito. Outra reunião que daria certo seria a de Tim Maia com Jorge e Gil. Tudo a ver. Eric Clapton e Gary Moore? Tudo a ver. Agora: Queen com Paul Rodgers? Nada a ver.

Pagando Pela Diferença

Uma revista Belorizontina- a “Encontro” – feita por socialites para socialites, veio com a matéria de capa para este mês falando sobre a “sorte” que a capital mineira têm em agora fazer parte do circuito internacional de astros e estrêlas. Na capa, a foto de um Rudolph Schencker(Scorpions) completamente decadente, nos seus 60 anos de PopMetal( comemorou no RJ, numa festa regada a putas e caipirinhas), em sua primeira apresentação em BH.
O que a revista “esquece” é que essa é a quarta vez que o Scorpions vem ao Brasil. E apesar do Queen, do Duran Duran, do Paramore também virem ao Brasil, eles não virão a BH, nem irão a Recife ou a Campinas- os novos pousos forçados de qualquer banda que faça uma tour por aqui.
Na verdade, o circuito nacional ficou interessante porque, na devida proporção, a sede de faturamento dos artistas também aumentou devido a dois fatores convenientemente desprezados pelo jornalismo cultural de resultados: algumas bandas estão nos estertores e realizando suas últimas tournées caça-níqueis(caso do Scorpions e Deep Purple) ou então em início de carreira(Paramore), quando qualquer cachê é cachê e a exibição é o que vale, no sentido de venda de material, execução na rádio e clipe na MTV.
Mesmo assim, apesar da decadência, o cachê de um Queen ou de um Duran Duran ainda é bem caro para os padrões apresentados por BH, Recife e Campinas- sem a mínima infraestrutura financeira e mesmo técnica para receber bandas de megapadrão. As datas seriam marcadas por sublocação(quem traz o grupo monta o show na praça em parceria com um empresário local) e, no caso de Campinas e de BH, aparelhagens teriam que ser deslocadas de SP( Campinas) e RJ( Belo Horizonte). Por outro lado, apesar do Paramore ser uma banda de cachê barato, no caso de BH ele é uma banda completamente desconhecida, não tocando nas rádios locais e aparecendo sómente na rede MTV, sendo um risco assumir um show dessa forma.
Pode parecer sem nexo o que eu escrevo hoje, mas aqui vai a explicação necessária. Uma leitora de meus escritos assinalou que eu tinha um pouco de razão em assinalar que o Jornalismo Cultural de hoje- com raríssimas exceções – está de braço dado com a desinformação e a negligência. E é verdade.
Uma matéria séria para a capa da “Encontro” obrigatóriamente teria que falar a verdade sobre o porque de BH agora ser tão “$ortuda” em poder assistir ao $how geriátrico e caça-níquei$ do Scorpions no Mineirinho- local não muito indicado para aquele tipo de show, já que sua acústica é péssima. Na verdade, a matéria não passa de um elogio ao show e a outras presentations, em locais “bem frequentados” e que “contribuem” com anúncios para fechar o faturamento da publicação- sucesso editorial desde seu lançamento no segmento ao qual se dirige.
Tomando a praça de Belo Horizonte como exemplo, esse tipo de ocorrência- saudar “realizadores” intere$$ante$- não é privilégio da “Encontro”. Até a chegada do “Magazine”- caderno de cultura de “O Tempo”(1996), todas as editorias de cultura eram “bem relacionadas”, principalmente o chamado “Jornalismo de Amenidades”, que levou e ainda faz a mídia diária de BH ter mais colunas que toda a antiguidade greco-romana( O próprio Diretor da “Encontro” é colunista e edita um caderno semanal no “Hoje em Dia”- diário pertencente a Igreja Universal Reino de Deus).
Foi com o “Magazine” que o jornalismo cultural da cidade começou a ter opinião e a recomendar ou alertar o público para eventos considerados picaretas. Um dos grandes exemplos e que quase degenerou em pancadaria foi a chegada à cidade para duas apresentações do “Creedence Clearwater Revisited”, que foi apresentado ao público de BH como sendo o grupo original quando, na verdade, trazia apenas o baixista e o baterista do Creedence Clearwater Revival(Original), já que os irmãos Fogerty- brigados entre si e com o resto do grupo - não compactuavam com a mutreta e não tinham cedido autorização para o uso do nome, que lhes pertence.
Apesar do engodo e da distribuição de releases pelo empresário belorizontino, autenticando a muteta, a Agencia Folha saiu com uma resenha do espetáculo feito em São Paulo, onde a falsificação era denunciada. O “Magazine” fez uma matéria de serviço alertando para o fato e o empresário local foi à redação tomar satisfações, sentindo-se ofendido, pois antes nunca ninguém tinha “duvidado de sua palavra”.
Hoje, acredito que esse tipo de jornalismo esteja extinto, pois entretenimento é falar de Televisão, do filho da artista de sucesso, de quem namora quem, onde quem foi fazer compras e toda futilidade possível. Quando muito uma grande inutilidade é apresentada como matéria exclusiva( vide mulher melancia, mulher jaca, mulher moranguinho e outras rebolativas, como diria Sergio Porto).
Quanto a falar de música, não se fala mais nisso, já que a indústria fonográfica está completamente destroçada, não sobrevivendo à crise interna desencadeada pela revolução tecnológica. E assim, aqueles que se interessam vão pagando um preço alto pela diferença de qualidade na informação que procuram e custam a obter, completamente desfocada, sem propósito e desconexa, num ufanismo a respeito daquilo que é mostrado que chega as raias da infantilidade. Tudo isso num texto cheio de erros de grafia e de informação, no qual a culpa nunca é a falta de capacidade e sim a estreiteza do deadline e do fechamento. Durma-se com esse barulho.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Rock

Sem assunto, sem lenço, sem documento e sem muito papo, vou enumerar numa lista( adoro elas!) tudo que a palavra Rock e seus compostos podem significar ou me trazem à memória toda vez que, usando o jogo de signo e significado, penso nela.
Rock – pedra na língua inglesa
The Rock – fortão que acha que é artista de cinema e faz filme na linha WinDiesel, Chuck Norris, Steven Seagull e outros fortões que, em alguma época, já pontificaram nas telas.
Red Rock – aqueleedrão que têm no meio de um deserto Australiano
Rock and Roll – Genero musical criado em 14 de abril de 1954, quando, em três tomadas, Bill haley gravou Rock Around The Clock num estúdio no interior dos Estados Unidos. Mais tarde, o gênro ficou conheido como rock apenas.
Rock nd Roll Quuen – faixa do Lp de mesmo nome gravado pelo Mott The Hoople em 1974.
Rock me Baby – Gravação de Arthur Crudup que alguns assinalam ser o primeiro rock da história. Johnny Winter têm um cover, por sinal muito bom.
Rock,Rock,Rock – Filme musical de Rock com a presença de Chuck Berry e Alan Freed, entre outros.
Rock and Roll Music - clássico de Chuck Berry, regravado por 11 entre 10 artistas do rock, incluindo Beatles.
Rock Horror Show – Peça musical meio paródia e completamente avacalhada, contando a história de um casal de adolescentes que passa uma noite em companhia de um vampiro gay. Peça é encenada até hoje em NY num teatrinho da Washington Sqaure, onde a platéia participa a seu modo da representação. As reservas para participar do evento são feitas com até oito meses de antecedência.
(Rock and)Roll With Me – Clássico de Johnny Winter, gravado ao vivo em 1977 em Austin no Texas, tendo como “backing band” os integrantes do The McCoys- grupo que gravou um único single- “Hang on Sloopy”- que foi a primeiro lugar e vendeu cinco milhões de cópias, em 1965. No Brasil a faixa recebeu a versão “Pobre Menina”( Leno & Lilian).
Roque e Role Comigo – faixa de abertura do Lp solo e único de João Ricardo( Secos & Molhados), que estava sendo aguardado como hit e, na verdade, figurou como um tremendo fracasso, encerrando a carreira musical daquele que se achava a grande estrela do grupo do qual surgiu Ney Matogrosso.
It´s Only a Rock and Roll – Faixa título de um dos melhores elepês gravados pelos Stones.
So You want to be A Rocknroll Star – faixa de abertura do Lp “Younger Than Yesterday”, quarto album da carreira dos Byrds. Álbum marcou a ruptura entre David Crosby e o resto do grupo.
Rock Ebó – um dos vários grupelhos de rock formado no Rio no início dos anos 70. Tinha Ana Maria Valle nos vocais, Perinho Santana na Guitarra, ficando famoso pela facilidade com que a vocalista tirava a blusa e fazia topless no auge das apresentações. Hoje, Ana é a conhecida mulher de branco, que vaga por Ipanema recitando frases desconexas, num surto eterno.
Rock and Roll Al Nite – faixa do Kiss que estourou aqui, transformando o grupo em sucesso estrondoso.
Rock and Roll Music To the World – faixa do Lp de mesmo título do Tem Years After pós- Woodstock.
In Rock – Lp do Deep Purple no qual o grupo figura como as pedras do Mount Rushmore.
Rock it! – Último Lp de estúdio de Chuck Berry, gravado nos anos 80. De lá para cá, Chuck só tem registros ao vivo.
Reelin and Rockin – um dos clássicos de Chuck Berry. Só ele regravou a música quatro vezes. O Dave Clark Five tem uma regravação antológica da faixa em questão.
Rockin Robin – Faixa de Chuck que conta a história de um passarinho cantor de rock.
Rock & Roll – Lp histórico do Vanilla Fudge, no qual o grupo faz experimentos musicais e improvisos, deixando de lado a influência negra contida em “You Keep me Hanging On” e “The Beat Goes On”, seus dois álbuns anteriores.
Por Hoje é só.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Blues

Se eu for usar o rótulo, o primeiro bluesman que eu conheci foi o Zé. Zé Laforgue foi meu colega de Ginásio no Santo Agostinho, mas sua paixão pelo Blues começoudepois, no Pedro Segundo, sede Humaitá. Foi o primeiro conhecido a arranjar uma Marine Band autêntica. Tinha uma em dó e não se separava dela nem para cagar. Mais tarde, aprendeu sozinho a tocar violão e virou artista manjado, gravando um compacto(”O Suburbano”), cuja batida tava meio fraca e se perdeu pelo caminho.
O João Stoned foi o segundo. João era moçambicano e meu vizinho. Morava num prédio que o tio-avô dele tinha construído e tá lá em pé até hoje, na esquina de Borges de Medeiros com General San Martin, bem em frente ao de mamãe. A gente tocou junto uns três anos, até irmos embora para Noviorque. Quando o João voltou, em 1970, trouxe uma SG Les Paul cherry e um monte de discos de Otis Spann, Muddy Waters, Willie Dixon e Bo Diddley. A SG ele vendeu prum tal de Ronaldo – que morava numa mansão na Gávea - , que depois a trocou com o Pedrinho da “Bolha” por uma Stratocaster e um Tremendão com duas caixas. Os discos nós ouvímos até quase descolar faixa por faixa.
Foi com o João que eu comecei a intuir que o Blues era realmente um estado de espírito. Tocar o Blues era uma coisa. Ser um bluesman e viver o blues era outra radicalmente diferente. Pela filosofia de João, nós( eu e ele específicamente) nunca seríamos bluesmen por uma série de razões, a começar que nós eramos whitemen insensíveis, completamente wasps( no que ele tava coberto de razão). Depois, porque nós nunca iríamos a um cruzamento de highways fazer um pacto com o barão, pela simples razão que éramos dois cagões. Já tínhamos puxado o freio em frente a heroína e nunca teríamos cu de peitar o diabo- coisa que ele também tinha razão. Bluesmen eram Luther Allison, Robert Johnson e outros mais, que foram a um crossroads e brincavam de igual para igual com a sweet jane. Nós? Nunquinha!
A primeira grande discoteca do assunto que eu ouvi foi a do Carlito. Carlito foi o primeiro harmônica player de fato a aparecer no Rio- bem antes daquele cara que tocou no Blues Etílico. Carlito tocava os clássicos de Little Walter e Sonny Boy Williamson na gaita, mas só tocava. Não acrescentava nada e repetia os clichês até a exaustão, coisa que o Zé tinha mais feeling e dava de dez a zero. Valia só pela discoteca.
Frustrado por não ter uma levada boa nem me sentir um bluesman, ao menos decidi montar uma discoteca razoável- cheia de vinilzada e cdzada. Dentro da postura de whitemen insensível, até que não me comportei tão mal. Meu material até que pode ser considerado razoável, já que tenho os clássicos e mais alguma coisa boa como Big Mama Thornton, Jimmy Witherspoon, alguma coisa da Congress Library Label- etiqueta do Congresso norte-americano e responsável por mais de 24.000 horas de gravação de tudo que faz parte do folclore dos EUA e um material esparso vindo de todos os cantos do planeta.
Sou um bluesman na intenção e no conhecimento. Sei das coisas sem ter precisado passar uma crawling king snake entre os dedos(dizem que o mais recente a fazer a coisa foi o Elvin Bishop), conversar com o barão ou aguardar a visita do the doctor. E vou vivendo aqui nesse meu quarto fechado, entre uma garrafa de Jim Bean e minha Echo Vamper, que me faz ouvir os miados do gato arranhando a janela para entrar na minha alma. Se for pussy eu convido prá entrar. Se for cat, não passa do alisar.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Bolero

O Brasil não é um bolero, como a maioria das pessoas acredita. O Brasil é Heavy Metal e bem pesado por sinal. Sobreviver nessa terra de gigantes, só sendo mais um Daniel Dantas da vida. Senão, vamos ficar afogados nas marés de sapo que todos que vislumbram uma parcela de poder tentam repassar aos habitantes desse país de coitadinhos.
Já passamos por sucessivas reservas de mercado que beneficiaram todas as associações elitistas e empresariais existentes. Essas reservas destruíram a competitividade e a livre concorrência em todos os setores da economia, incluindo a indústria cultural.
Quem inventou essa história de bolero nacional foi o mesmo grupo que criou a Jovem Guarda e outros “movimentos” no sentido de aliar consumo ao marketing e satisfazer a alguns que demandavam bens que eles julgavam poder ofertar. Essa espécie de pirâmide terminou como todas. Quem decolou nos primeiros lugares, faturou. Quem pegou o rescaldo teve um tremendo prejuízo.
A Jovem Guarda foi o ponto de partida para a criatividade publicitária decolar com uma série de produtos e etiquetas, cada uma delas aliada a uma estrêla do movimento. Tivemos calça Calhambeque, blusa Ternurinha, chapéu e botas Tremendão.
Só não tivemos carangas incrementadas porque a indústria automobilística deu-se ao respeito, já que carro ainda era artigo de luxo no país e a publicidade podia ser meio permissiva, mas não era tão devassa ao ponto de garantir um crédito como vemos hoje em dia, quando concessionárias oferecem veículos a 150 reais mensais em 60 parcelas. Naquele tempo, a Volks, por exemplo, não podia esperar cinco anos para receber a integralidade de um produto. O mercado era restrito demais para uma loucura dessas.
Assim que Roberto Carlos largou o popzinho bunda que fazia e passou ao romântico descarado, alguém veio com a história do grande xarope boleiroso que atravancou o rádio e a TV bem mais tempo que o necessário.
Se a Jovem Guarda havia inventado o próprio Roberto, Erasmo, Wanderléia, Jerry Adriani, Ronnie Von e Wanderley Cardoso, agora o Rei Roberto, partindo de uma premissa “romântica”, montava sua corte, cercando-se de Isolda, Carlos Colla, Milton Carlos, Antonio Marcos, Helena dos Santos, Getúlio Cortes e mais uma série de compositores que o abasteciam de hits em progresão geométrica, numa sucessão de Quinze Elepês que venderam a média de 1.200.000 cópias cada um.
Por outro lado, se Roberto era o sol desse sistema solar de romantismo brega, gravitavam em volta da estrela uma série de planetas como Vanusa, Marcio Greyck, Martinha, José Roberto, Fernando Mendes, Ricardo Braga, José Augusto, Joanna, Roupa Nova e até Tim Maia aproveitou para faturar um trocado nessa galáxia.
Com a continuação da demanda, a oferta baixou o nível e veio com Waldick Soriano, Bartô Galeno, Balthazar, Nalva Aguiar, Sérgio Reis e toda uma onda romântica, agora vestindo uma fantasia sertaneja ridícula, na qual astros de última grandeza tropeçavam em esporas, usavam calças de cós tão apertado que, dentro delas cullhões esmagados só faltavam gemer de dor, ostentando cortes de cabelo de fazer vassoura de piaçava morrer de inveja.
O país ainda vive nessa maré de duplas que cantam a duas vozes, num falsete de humilhar cabrito berrador, gravando CDs ao vivo ou então acústicos MTV repletos de encontros sem despedidas com grupos de um pop questionável. Muito difícil essa realidade musical.
Diante disso tudo, dá para se concluir que o Brasil não é um bolero. E, parafraseando o finado Waldick, eu não sou cachorro para ficar assistindo a isso tudo impassível. Eu não sou cachorro mesmo!

domingo, 12 de outubro de 2008

Samba

Toda vez que penso em Samba, a primeira coisa que me vêm a cabeça é a introdução daquela orquestração de Severino Araújo( “Que bonito é”......) que o Carlinhos Niemeyer usava no CANAL 100 para prefixo do Flamengo, com o inevitável gol da estrêla do clube no momento. O texto do Carlos Leonam, narrado pelo Cid Moreira era fundamental para que eu, Botafoguense que vi Garrincha jogar, me enfiasse puto na cadeira do cinema ao ver a bola bater na rede em slow motion.
Os arranjos da Orquestra Tabajara e o samba sempre andaram de braços dados na minha cabeça. A abertura do “Noite de Gala” na TV RIO era a mesma simbiose de Severino com o “Hino ao Samba”.
O Slideshow se segue com a imagem de Ataulfo Alves e suas pastoras, cantando músicas das quais sempre assobio trechos e , na sucessão de imagens, surge Elizeth Cardoso cantando “Cidade do Interior tem a sua Estação....de Trem”( a pausa era dela), se alternando para a magistral interpretação que ela dava para “Eu bebo sim....E vou vivendo....Tem gente que não bebe e está morrendo”.....
Na sequência, Jorge Veiga e os bigorrilhos da vida, a gozação feita pelo Luis Reis para o Gonçalo Bola, famoso no Jóckey Club e nas narrativas de Teófilo de Vasconcellos. Era o final da minha era do rádio e cantoras como Ruth Veiga, Mara Silva, Luciene Franco ou vozes masculinas como a de Risadinha, Gordurinha, Luiz Wanderley, Carlos Gonzaga e outros que se perderam entre circuitos defeituosos e válvulas queimadas dos aparelhos de rádio de minha avó- minhas primeiras e fascinantes caixinhas pretas, onde ouvia de tudo que o dial conseguisse sintonizar e colocar ao alcance do ouvido de um garoto que sabia as músicas de cor, cantava a plenos pulmões e era a alegria de um avô de neto único que ria as gargalhadas ao ouvir meus tropeços em palavras que eu não compreendia, mas tentava repetir que nem eu ouvia.
“Atenção comandantes das aeronaves......Aqui fala Jorge Veiga pelo Microfone da Rádio Nacional....Queiram dar seus prefixos e suas coordenadas!....”, ou então os Quatro Ases e Um Coringa em “Essa canção é só prá quem quiser cantar......Cantamos Nós, cantamos eu cantam vocês”..... na abertura do programa César de Alencar – que eu fui várias vezes com a Maria Botafogo, minha iniciadora em várias coisas fantásticas, incluindo ser Botafoguense com B Maiúsculo e que sempre vai ter um lugar de destaque na saudade que eu trago dentro de meu baú de ossos mais empoeirado que o do Pedro Nava.
Esse é o meu samba que pede passagem e que continua a ser meu batuque na cozinha que não há sinhá que proíba. Se recordar é viver, estou vivinho, vivinho, num samba sem breque e de roda livre, que vai sempre descer minha ladeira, sem eira e nem beira prá me segurar.

O Som do Rio

O som do Rio é diferente de tudo o que se ouve por aí. Não tem comparação com nenhum outro. É distintivo em qualquer ritmo. É carioca antes de tudo. Talvez seja isso que o faz diferente, já que a cidade do Rio de Janeiro é diferente, no Sol, no sal, na Zona sul e no mar azul – que também é diferente. O mar de Niterói é outra coisa com uma poça dágua divisória.
Como diria Julio Barroso, a Guana Bay Area divide a sonoridade da música feita na região. Dalto é diferente de Lulu Santos. Um fala da alma e acha tudo muito estranho. O outro procura um certo alguém para dividir com ele os tesouros da juventude.
O som do Rio passa por Tim Maia, Trio Esperança e os Golden Boys, vai a Renato & Seus bluecaos, vêm a Erasmo e a Luiz Melodia, num mix de tendências que faz tudo ficar estiloso e diferente, um som único- nos sons que a cidade apresenta como seus.
O som do Rio tem a metronímia ferroviária dos trens suburbanos, ligando a Serrinha à Gamboa, fazendo Madureira chorar a morte de Záquia Jorge e os Trigêmeos Vocalistas irem até Jacarepaguá, completamente neurastênicos, numa chanchada sonora com Oscarito imitando Elvis, Cyll Farney dando solo numa bateria cinematográfica e Sonia Mamede desfilando repleta de Plumas , Paetês, figurando entre as certinhas do Lalau- tudo regado na cervejinha gelada do Pantera, Rei do Angu na Praça XV ou tendo como trilha sonora o chorinho do Sovaco de Cobra.
Joel do Nascimento, Jacob do Bandolim, Zé da Velha e muitos chorões frequentaram aquelas duas portas embaixo da Igreja da Penha, em saraus memoráveis onde um dos sons que fazem a música carioca existir como entidade, dançava no terreiro ao lado de outros orixás de respeito, com a mesma dignidade encontrada nos batuques existentes nos terreiros da Serra dos Pretos Forros ou na casa de Tia Ciata.
No Samba Enredo da existência, o Som do Rio faz a Marques de Sapucaí no tempo certo, mostrando orígem e toque pro santo.- Saravá Mestre Fuleiro! Salgueiro manda lembranças, dirigindo a harmonia das irmãs e iguais, da Tijuca à Braz de Pina e de Botafogo á Santa Cruz. Viradouro e Beija Flor que me desculpem- uma é da baixada e outra é de Niterói- e ai dói não ser carioca, pois o Som do Rio é o antigo Distrito Federal, município neutro e sem igual.
No Som do Rio tem bairrismo e cor local, teve Pier e Circo Voador, teve Blitz e Dancin days, numa agitação frenética que sacudiu o Morro da Urca e o Parque Lage, foi a Lapa e ao Rock in Rio. Hoje ainda tem Canecão, alguns halls e o sambódromo, fazendo sala para todos se mostrarem, seja em lugar fechado ou na praia.
Tudo é som no Rio.Mas nem tudo é o Som do Rio, pois a região é exigente na composição de sua trilha sonora. Alguns vêm, alguns vão, todos querem ficar.Difícil é permanecer e figurar na memória, pois o Som do Rio é outra história.
O primeiro a descobrir isso foi Dorival Caymmi. Porisso ele tinha saudade da Bahia. Outro foi João Gilberto, que nunca cantou no céu aberto, para poder botar a culpa no som e no ar condicionado, que o deixa desafinado e sem poder cantar o cancioneiro deTom Jobim- um carioca fazendo arroz no piano assim, assim. E das teclas saindo coisas como a garota de Ipanema, Ela é carioca, a sinfonia do Rio de janeiro e outras peças que fazem do Som do Rio um verão sem fim.

sábado, 11 de outubro de 2008

Comemorações , comemorações & comemorações

Um de meus três leitores me enviou um emeio me perguntando se eu não ia escrever uma linha que fosse a respeito do centenário de Cartola. Não vou. Não vou porque acho que, no meu caso de colonizado conhecido e roqueiro fracassado, escrever sobre Cartola seria muita hipocrisia da minha parte. Razões? lá vão algumas e enumeradas.
Primeiro, porque fui conhecer a obra de Cartola naquele disco de 1974, lançado pelo Marcus Pereira. Segundo, porque sempre fui Império e nunca nem passei pela Mangueira- apesar disso não querer dizer porra nenhuma, já que admiro muita coisa dentro de contextos com os quais não simpatizo. E, em último, não sou conhecedor de música brasileira no sentido de tentar escrever sobre alguém que fui conhecer bem tarde, mais por esforço profissional do que pessoal, sejamos claros, pois, se dependesse de minha pessoa, nada seria feito nesse sentido.
Foi mais devido a essas razões de consciência que eu também não comemorei o cinquentenário da Bossa Nova e não mexi uma palha para ir ver João Gilberto. Por outro lado, gostaria de ter conversado com Eumir Deodato, a quem admiro como compositor, músico e arranjador, desde os tempos do samba esquema novo.
Quem poderia comemorar, de cadeira e copo, o centenário de Cartola é meu primo, Maneco, detentor de 350 vinis de música brasileira escolhidos a dedo, ao lado de outros tantos CDs. Maneco conheceu Cartola, bebeu com ele, com Carlos Cachaça, Antenor gargalhada, Nelson Cavaquinho, todas as alas de compositores e velhas guardas conhecidas, passando por Monarco, Mano Décio, indo de Dona Ivone até Osvaldo Nunes. Era de ir a jogo no Maraca com este último, que deixava de lado as preferências sexuais quando o papo era futebol. Maneco é a minha versão familiar de um Serjão Cabral. Manja de Música Brasileira da mesma maneira que eu conheço jazz e blues. Ele sim se sairia com um texto nota dez sobre o autor de “O Mundo é um Moinho”. Eu? Que nada.
Meu “texto comemorativo” seria aqueala colcha de retalhos, repleta de lugares comuns e clichês um tanto notórios, falando a mesmice repetitiva que um monte de outros hipócritas iriam repetir ad nauseam.
Eu? Não tenho gabarito para tanto. Me recolho à minha insignificância e me abstenho de fazer semelhante peça contraditória, num atentado flagrante aminha própria ética. Coisa que eu não conheço eu não comemoro nem escrevo. Chega.

Música – Uma visão crítica dos Críticos

Assim que eu comecei a ler sobre música e espantar as lendas urbanas musicais da minha cabeça, a crítica geral se dividia em duas correntes majoritárias: a antiga – encabeçada por Brício de Abreu e que tinha como expoentes Jota Efegê, Francisco Guimarães, Orestes Barbosa e a nova – encabeçada por Lúcio Rangel e Sérgio Porto, onde Ary Vasconcellos pontificava.
Sérgio Porto – a quem alguns atribuem a invenção do termo Bossa Nova era o cara dos grandes escritos, o cara que tinha redescoberto Cartola lavando carros no estacionamento do Ministério da Fazenda, o cara que falava bem da música nova e da velha guarda, sem nenhuma torcida contra ou a favor. Tentou inventar Jorginho Guinle como crítico de jazz, mas o playboy não quis nada com a dureza e Sérgio deu com os burros n´ água
Atrás dele vinham Sérgio Cabral( criador do Zicartola), Hermínio Bello de Carvalho, Paulinho Tapajós e Ricardo Cravo Albim. Nestor de Hollanda e José Ramos Tinhorão se alinhavam mais com os antigos e davam uma de Rogério Corção, rezando um padre nosso mais fervoroso que o do Papa.
Tinhorão conseguia ser detestado por todos. Tom Jobim, ao falar do desafeto, assinalava:"Toda vez que chego em casa de manhã, dou uma mijada boa num tinhorão que têm no jardim". Já Bituca tinha a certeza de que o crítico falara mal de seu primeiro disco com Wayne Shorter sem ouvir nenhuma faixa.
Quando o BRock fez a praia, se transformando na deusa maia das gravadoras, Tinhorão já havia caído no Limbo. Segundo ele, um crítico deve passar para a história escrevendo livros. E ele escreveuvários dos quais não me lembro de nenhum título.
A crítica que me interessava- falando do nacional novo e do internacional que pintava – tem início com Sylvio Túlio Cardoso, que, com sua coluna diária em “O Globo” falava de tudo um pouco, agradando a gregos, troianos e o resto. Mais tarde, Júlio Hungria veio pelo JB a falar de tudo também, ao lado de Tárik de Souza. Júlio foi o inventor do “Autofalante”, House organ da EMI- a primeira gravadora a ter um jornalzinho falando de seus contratados.
Quanto a Ary Vasconcellos , este queimou o filme ao achar que Bob Dylan e Donovan Leitch eram a mesma pessoa e outras bobagensdo mesmo quilate.
Nessa época idílica, a crítica funcionava como uma porta de saber em relação ao outro lado da vida artística, falando de agendas e possibilitando a todos ter um acesso quase que irrestrito ao que realmente interessava ao leitor consumidor de música e eventos.
Era o tempo em que falar com artista era fácil. Bastava ligar para sua( dele) casa e marcar entrevista. Quase ninguém possuia assessor de comunicação e as Ivone Kassus da vida foram surgir bem mais tarde, como obstáculos quase que intransponíveis ao acesso, prejudicando para sempre o trabalho de todos em detrimento de alguns eleitos de suas agendas, sendo - em vários momentos - mais estrelas do que aqueles a quem assessoravam.
A virada da maré, isso é, o artista só divulgando aquilo que lhe interessava ou o que interessava a seu empresário acontece quando Guilherme Araújo- empresário da bahianada( gil,caetano, bethania e gal), pela GAPA(Guilherme Araujo Produções Artísticas), lança a primeira assessoria de imprensa especializada, chefiada por Amin Khader. Um pouco mais além, Mônica Lisboa faz o mesmo para Rita Lee, tendo Suely Aguiar como cabeça da coisa.
A partir desse marco divisório, toda gravadora fundo de quintal partiu para a montagem de uma assessoria, na tentativa de filtrar o interessante para elas do interessante para a imprensa. Começa a era dos presentinhos, dos shows restritos, das sessões abertas de estúdio e outras invenções promocionais. Algumas deram certo. Outras nem é bom falar delas.
Usando a imprensa especializada como cobaia, as assessorias promocionais das gravadoras partiram para a manipulação da massa e lançaram o estilo “ao vivo”. Todo artista conhecido têm, no mínimo, um “ao vivo” em seu catálogo. Mais tarde veio o “acústico MTV”, feito até por Chitãozinho e Xororó. E hoje, depois de esgotadas todas as possibilidades, o disco vive uma maré de sapo daquelas, sem nenhuma luz a pintar no fim do túnel, se é que o túnel têm fim.
Hoje, a imprensa especializada também vive um impasse. Com o enxugamento dos catálogos, falta matéria e falta qualidade na matéria prima que surge. Por outro lado, os novos críticos são meros resenhistas de lançamentos, além de despreparados, sem conhecimento ou referência, já que erros de informação são frequentes nas matérias e/ou críticas. O atual resenhista deixou de ser isento e virou tiete - aquela espécie de admirador tão bem descrita na letra da marchinha de Gilberto Gil.
Ler sobre música é dar o braço à desinformação. E alguns teimam em fazer crítica, não se sabe com que capacidade para tal. É chato se falar assim e e colocar em animosidade com uma parcela de coleguinhas, mas essa é a realidade. Esse é o hoje em dia. É muito difícil admitir essa extinção de classe.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

No Mundo da Lua bem antes de qualquer Missão Apolo

Quem vivia lá era Keith Moon- o caos ordenado da percussão na música composta e dirigida por Pete Townshend. E se houve algum baterista original na história do Rock, esse alguém foi ele. Todos os outros tinham estilo ou vinham de alguma vertente. Ele não. Era autêntico. E por ser autêntico, tinha personalidade.
Keith vinha com Pete e Roger desde a época do Detours. Até se chamar Who, ainda houve o High Numbers.Keith fazia tudo que Pete mandasse. Inclusive ir pegar uns hamburgers na hora em que ele e Roger estavam colocando vozes na faixa, fosse qual fosse que estivessem trabalhando. Tirando “Drowned in Cold Water” e “Bell Boy’ são raros os vocais assumidos por Keith dentro do Who. Essa servidão junto a Pete não era por falta de criatividade e sim por amizade.
Aliás, por amizade ele fez coisas fantásticas. Uma delas foi dar, de presente, ao amigo Jimmy Page o nome “Led Zeppelin”. Jimmy estava quase colocando em sua nova banda o nome “New Yardbirds” quando Keith, já mais para lá do que para cá, falou ao amigo: “Por que não Led Zeppelin(dirigível de chumbo)?”. Jimmy, que gostou, perguntou se podia usar e Keith respondeu que ficasse com aquilo.
Falar mal de Pete Townshend perto de Keith era arrumar um inimigo. Sua adoração pelo amigo de adolescência chegava as raias do desespero. Quando gravou seu primeiro e único disco-solo, Keith dedicou a ele sua versão para “The Kids are Allright”(de autoria do próprio Pete), a qual ele gravou em 14 tomadas por não conseguir cantar, pois chorava a cântaros no refrão. Segundo Keith, aquela música eram ele e os “garotos”(Pete, John e Roger).
O álcool foi a ruína de Keith. Nos últimos tempos, a interupção de concertos por estafa e problemas de saúde o levaram a uma profunda melancolia, que degringolou num colapso mortal. O Who nunca mais foi o mesmo, apesar da substituição a altura feita por outro amigo de copo, Kenny Jones. Nunca mais as excurões foram engraçadas e nunca mais houve cadillacs dentro de piscinas de hotéis.
Sempre admirei Keith e seus dois bumbos. Ele usou o kit da bateria com dois bumbos pela primeira vez em 1966. Em 1967, ele adicionou o terceiro tom tom e voltou a usar o contratempo em algumas conduções musicais.Foi o primeiro a usar tímpanos sinfônicos e gongos, bem antes de Carl Palmer. Keith foi o original. O que sobrou eram cópias ou fakes.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

News Of The World - 1

Duran Duran, quem diria, está de volta. Dos originais, apenas Nick e Simon. Mas, mesmo assim, o som que eles tiram ainda é distintivo. Eu gosto de “A View to a Kill”, “The Reflex’, “Rio” e muitas outras, sampleadas em excesso pelos Carl Cox da vida, que, de remix em remix, vão fazendo seu trabalho um state of art total e indiscriminado. Legal demais.
Quem também aporta por esses dias no patropi é o Queen bem desfalcado portando um Paul Rodgers no vocal. Qualquer comparação com o finado Fred Mercury não procede nem precede. Seria como Zeca Pagodinho asumir o lugar de Jamelão na Mangueira.
E ontem, pela primeira vez, eu assisti Luiza Possi cantando e a achei maravilhosa. Ela realmente é linda, canta para cacete(é bem melhor que a Vanessa da Mata) e têm uma sideband nota dez-ao menos na gravação que vi pelo Canal Brasil- feita no Municipal de Niterói.Zizi tem uma herdeira a altura e beleza. Gostei mesmo.
E o novo disco de Michael Jackson? Especulação ou será que a coisa sai, repleta de inéditas e não aquelas colchas de retalhos que ele últimamente vêm lançando? E os Stones?Dão ponto final na trip ou continuam na estrada. Eles são outros que estão devendo um disco de estúdio com inéditas. Será que a inspiração dos Glimmer Twins foi pras picas?
E o que ninguém está mais merecendo é essa chatice da comemoração do cinquentenário da bossa nova. Principalmente depois da entrevista que Eumir Deodato deu ao “Estadão”. O Maestro jogou a derradeira pá de cal na ficção, assinalando que Tom Jobim foi de carona na coisa,onde João Gilberto apareceu porque, na verdade, no disco com Stan Getz, era ele quem valia a pena e não o norte-americano, muito ruim e descolocado.
A primeira pá de cal tinha sido jogada por Johnny Alf que dedurou que ele( Johnny) não fora ao show do Carnegie Hall porque Aloísio de Oliveira detestava-o e fez de tudo para ele não ir, inclusive alegando que não o encontrara para convidá-lo.
E quem está pintando com um trabalho novo e muito bom é o Marcelo D2. Olho nele que aquele rap samba dele vai repercutir. Podes crer.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

3M – Muitos Emes para Muitos Três

Minessota Manufatureira & Mercantil, Maurício Moraes Moreira, Maria Magdalena Máter e porque não Música, Mulheres e Maconha- não necessáriamente nessa ordem? Os três Emes podem significar muita coisa para muitos. Eu, pessoalmente prefiro o último trio e fiz dele um modo de vida durante muito tempo.
Ouço música desde os nove anos, quando comprei meu primeiro disco de moto próprio. A escolha não foi lá essas coisas(Caubi Peixoto – Conceição), mas era o que eu escutava no rádio e foi sua caixinha preta que me iniciou musicalmente. Já quem me iniciou nas mulheres foi uma prima sapeca, que continua a mesma coisa. Basta ela vir ao Rio e, numa saída de noite, tomar um pilequinho. Não dá outra, malandro! Quanto a maconha, quem apareceu com a primeira presença foi o Zulu. Eu, ele e o Galinha apertamos a coisa nas côxas e fumamos na casa de máquinas do prédio. Foi uma loucura.
Comecei a trabalhar com música, numa forma completamente amadora, tocando em conjuntinho de baile. Não tinha carteira da ordem e nunca tirei. Tocava um pouco de bateria e tinha uma voz barítono meio Elvis. Como eu falava um inglês razoável, cantar os sucessos era mole. Tirar a letra também. E, aos poucos, fui cantando aqui, cantando alí, tocando uma percussãozinha acolá e uma gaita de boca lá longe.
Quem me fez a cabeça para deixar aquela bobagem de rock e cair na lama do pop foi o Tenente, meu amigo de rua. Tenente tocava um baixo capenga, uma viola legal e rebocava eu e o João Stoned para irmos com ele aos bailes numas paradas meio indigestas. Éramos os reis do “Sete” da praia do pinto, do “PSA” no conjunto do Horto e da “Sociedade Dramática Particular Filhos de Talma”, na Gamboa.
E entre uma “Pobreza” e outra de “It Aint Necessary So”, eu ia cantando as menininhas que pintassem. Se eu fosse fértil eu ia acabar como pai da humanidade, pois tinha uma mulherzinha em cada canto da cidade. Tinha certinha, tinha santinha, tinha vagaba, tinha cachorra- Tinha mulher até no Jardim América, para você ficar sabendo! Eu gostava da coisa e continuo gostando até hoje.
No rádio musical eu fiquei 16 anos. Comecei na América 1 do RJ e terminei na FM Itatiaia de BH. Minha vida de radialista foi um porre. Bebi álcool em quantidades industriais. E fui aproveitando a coisa como se fosse uma trip de maníaco, guardando as garrafas e latas vazias. Comprava sempre um whisky diferente do outro, um gin, uma vódka, fosse lá o que fosse. Quando me mudei da Gonçalves Dias para o Caiçara, deviam haver umas 400 garrafas vazias no apartamento, muito poucas repetidas. Latinhas? Mais de 1000, tudo amontoado na cozinha, em cima dos armários e da geladeira, num silêncio mudo à minha homenagem etílica. Porra!
Quanto a mulherada, três bateram estacas nas minhas fundações e conseguiram desarrumar de vez meu rmário. Você não imagina a zona que elas fizeram. A primeira um dia disse que não gostava de mim e tinha visto na minha pessoa uma maneira dela sair de casa. Magoei. A do meio era a única que tinha M no nome. Um dia arranjou um analista. Três mêses depois me deu um pé na bunda. Tava na maior dúvida: não sabia se me amava porque precisava de mim ou se precisava de mim porque me amava. Por via das dúvidas, me mandou a merda, comprou um carro novo e começou a transar com o analista. A terceira tá dormindo no quarto ao lado desse que eu digito. Tô olhando ela deitadinha pelo viés da porta. Ela não é linda? Mulher é uma coia boa, mas é tão complicado................