sábado, 11 de outubro de 2008

Comemorações , comemorações & comemorações

Um de meus três leitores me enviou um emeio me perguntando se eu não ia escrever uma linha que fosse a respeito do centenário de Cartola. Não vou. Não vou porque acho que, no meu caso de colonizado conhecido e roqueiro fracassado, escrever sobre Cartola seria muita hipocrisia da minha parte. Razões? lá vão algumas e enumeradas.
Primeiro, porque fui conhecer a obra de Cartola naquele disco de 1974, lançado pelo Marcus Pereira. Segundo, porque sempre fui Império e nunca nem passei pela Mangueira- apesar disso não querer dizer porra nenhuma, já que admiro muita coisa dentro de contextos com os quais não simpatizo. E, em último, não sou conhecedor de música brasileira no sentido de tentar escrever sobre alguém que fui conhecer bem tarde, mais por esforço profissional do que pessoal, sejamos claros, pois, se dependesse de minha pessoa, nada seria feito nesse sentido.
Foi mais devido a essas razões de consciência que eu também não comemorei o cinquentenário da Bossa Nova e não mexi uma palha para ir ver João Gilberto. Por outro lado, gostaria de ter conversado com Eumir Deodato, a quem admiro como compositor, músico e arranjador, desde os tempos do samba esquema novo.
Quem poderia comemorar, de cadeira e copo, o centenário de Cartola é meu primo, Maneco, detentor de 350 vinis de música brasileira escolhidos a dedo, ao lado de outros tantos CDs. Maneco conheceu Cartola, bebeu com ele, com Carlos Cachaça, Antenor gargalhada, Nelson Cavaquinho, todas as alas de compositores e velhas guardas conhecidas, passando por Monarco, Mano Décio, indo de Dona Ivone até Osvaldo Nunes. Era de ir a jogo no Maraca com este último, que deixava de lado as preferências sexuais quando o papo era futebol. Maneco é a minha versão familiar de um Serjão Cabral. Manja de Música Brasileira da mesma maneira que eu conheço jazz e blues. Ele sim se sairia com um texto nota dez sobre o autor de “O Mundo é um Moinho”. Eu? Que nada.
Meu “texto comemorativo” seria aqueala colcha de retalhos, repleta de lugares comuns e clichês um tanto notórios, falando a mesmice repetitiva que um monte de outros hipócritas iriam repetir ad nauseam.
Eu? Não tenho gabarito para tanto. Me recolho à minha insignificância e me abstenho de fazer semelhante peça contraditória, num atentado flagrante aminha própria ética. Coisa que eu não conheço eu não comemoro nem escrevo. Chega.

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