quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A Música Brasileira Discutida

As artes e tendências já foram bem mais discutidas no país do que são hoje em dia. Como diria Nelson Rodrigues, hoje prevalece uma unanimidade burra na mídia, que opta pelo banal em vez da criatividade.
A herança dos monopólios impostos pela matriz lusitana à colonia ainda se faz sentir na cultura Brasileira. Não existem mais concorrentes. Desde a última década do século XX e a cristalização do Rock Brasileiro(BRock) existe alguém que lidera e vários que o seguem.Quando o líder sofre algum acidente de percurso, seu lugar é ocupado por um dos seguidores. E, na medida que um seguidor de destaque vai se acidentando no percurso, outro o vai sucedendo até que sobre apenas um. Se antes tínhamos Titãs, Barão, RPM, Legião, Kid Abelha, Caital Inicial, Plebe Rude, Biquini Cavadão, Nenhum de Nós, Engenheiros do Havaí, etc; hoje temos Titãs, Kid e Capital Inicial. Amanhã teremos..............?
E não me venham com essa história de estilos, tendência, mais heavy, mais melódico ou o raio que o parta. Isso no nosso cenário não têm a mínima importância. Todos são pop, querem fazer sucesso, viver sob holofotes e vão carregar esse rótulo. Não passam disso mesmo.
Outro rótulo cristalizado está aí há 50 anos, na mesma batida e no mesmo compasso do tudo igual. Como a chatura de João Gilberto não sofreu nenhum acidente de percurso, tudo vai ficar igual até ele ser enterrado junto com o banquinho e o violão dele. Aí, o banquinho e o violão de um seguidor se sobressairá. Resta saber quem e resta saber também se vai haver banquinho e violão.
O fato da Bossa Nova se constituir num movimento sem futuro criativo vêm sendo denunciado por diversos de seus titulares. Um deles é Eumir Deodato que, ciente de sua evolução para outro estágio como compositor e arranjador, vêm apontando, em várias entrevistas, o fato de como a preguiça de Tom Jobim o teria impedido de ir mais além na criatividade- fato que incomodou ao próprio Vinicius, que procurou um ar menos viciado na parceria com Toquinho.
Deu no que deu. A Bossa Nova hoje é como o Choro. Um movimento no qual surgem intérpretes e especialistas, que estudam a lição e a repetem ad infinitum para uma platéia de apreciadores que já sabe o que vai ouvir, encontrar e, no máximo, comparar com a fonte geradora ou outro intérprete ou outro especialista. E isso não é privilégio dos dois. O Jazz, o Samba e o Rock estão indo para o mesmo caminho.
Não tem solução. A música- como arte e como criativa- necessita de cooptar algo ou ser cooptada. O rap, o hiphop e o sampler já cumpriram seu papel modificador e estão começando a trombar pelas estantes. Quem já ouviu uma época Run DMC e hoje é obrigado a ouvir Gaiola das Popozudas têm completa ciência do que eu estou falando. Para a mídia é mais fácil a mensagem explícita. Acabaram-se as metáforas e as figuras. Pão pão queijo queijo. Se resta uma palavra de consolo, essa palavra é o foda-se. Do jeito que as coisas vão, está provado que o Mundo é Raimundo. Se for Nonato já é diferente e pode ser criativo. Isso sim está em falta. Criatividade. Agora, nesse momento, o que importa é o banal pelo banal e nada mais.

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