O Brasil não é um bolero, como a maioria das pessoas acredita. O Brasil é Heavy Metal e bem pesado por sinal. Sobreviver nessa terra de gigantes, só sendo mais um Daniel Dantas da vida. Senão, vamos ficar afogados nas marés de sapo que todos que vislumbram uma parcela de poder tentam repassar aos habitantes desse país de coitadinhos.Já passamos por sucessivas reservas de mercado que beneficiaram todas as associações elitistas e empresariais existentes. Essas reservas destruíram a competitividade e a livre concorrência em todos os setores da economia, incluindo a indústria cultural.
Quem inventou essa história de bolero nacional foi o mesmo grupo que criou a Jovem Guarda e outros “movimentos” no sentido de aliar consumo ao marketing e satisfazer a alguns que demandavam bens que eles julgavam poder ofertar. Essa espécie de pirâmide terminou como todas. Quem decolou nos primeiros lugares, faturou. Quem pegou o rescaldo teve um tremendo prejuízo.
A Jovem Guarda foi o ponto de partida para a criatividade publicitária decolar com uma série de produtos e etiquetas, cada uma delas aliada a uma estrêla do movimento. Tivemos calça Calhambeque, blusa Ternurinha, chapéu e botas Tremendão.
Só não tivemos carangas incrementadas porque a indústria automobilística deu-se ao respeito, já que carro ainda era artigo de luxo no país e a publicidade podia ser meio permissiva, mas não era tão devassa ao ponto de garantir um crédito como vemos hoje em dia, quando concessionárias oferecem veículos a 150 reais mensais em 60 parcelas. Naquele tempo, a Volks, por exemplo, não podia esperar cinco anos para receber a integralidade de um produto. O mercado era restrito demais para uma loucura dessas.
Assim que Roberto Carlos largou o popzinho bunda que fazia e passou ao romântico descarado, alguém veio com a história do grande xarope boleiroso que atravancou o rádio e a TV bem mais tempo que o necessário.
Se a Jovem Guarda havia inventado o próprio Roberto, Erasmo, Wanderléia, Jerry Adriani, Ronnie Von e Wanderley Cardoso, agora o Rei Roberto, partindo de uma premissa “romântica”, montava sua corte, cercando-se de Isolda, Carlos Colla, Milton Carlos, Antonio Marcos, Helena dos Santos, Getúlio Cortes e mais uma série de compositores que o abasteciam de hits em progresão geométrica, numa sucessão de Quinze Elepês que venderam a média de 1.200.000 cópias cada um.
Por outro lado, se Roberto era o sol desse sistema solar de romantismo brega, gravitavam em volta da estrela uma série de planetas como Vanusa, Marcio Greyck, Martinha, José Roberto, Fernando Mendes, Ricardo Braga, José Augusto, Joanna, Roupa Nova e até Tim Maia aproveitou para faturar um trocado nessa galáxia.
Com a continuação da demanda, a oferta baixou o nível e veio com Waldick Soriano, Bartô Galeno, Balthazar, Nalva Aguiar, Sérgio Reis e toda uma onda romântica, agora vestindo uma fantasia sertaneja ridícula, na qual astros de última grandeza tropeçavam em esporas, usavam calças de cós tão apertado que, dentro delas cullhões esmagados só faltavam gemer de dor, ostentando cortes de cabelo de fazer vassoura de piaçava morrer de inveja.
O país ainda vive nessa maré de duplas que cantam a duas vozes, num falsete de humilhar cabrito berrador, gravando CDs ao vivo ou então acústicos MTV repletos de encontros sem despedidas com grupos de um pop questionável. Muito difícil essa realidade musical.
Diante disso tudo, dá para se concluir que o Brasil não é um bolero. E, parafraseando o finado Waldick, eu não sou cachorro para ficar assistindo a isso tudo impassível. Eu não sou cachorro mesmo!

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