domingo, 5 de outubro de 2008

Farofa Moderna

A Semana chega ao final com as eleições acontecendo hoje e uma má notícia para as gravadoras. Além de se preocupar com a revolução tecnológica, outra crise se avizinha: os contratados estão revoltados com a passividade e a mediocridade as quais a indústria fonográfica vêm fechando negócios e acordos junto à corporações detentoras das novas regras de negócio, principalmente as operadoras, provedores e distribuidoras digitais, Apple inclusive.
Se num passado próximo a Apple Records e Apple Corporation se envolveram em disputas por compra, venda e distribuição de fonogramas, além da disputa pela marca(apple) e pelo logotipo, agora a disputa é outra e por outro ângulo. Artistas,liderados por Robbie Williams querem que as gravadoras britânicas renegociem com eles toda a parte referente a edição musical, direitos autorais e conexos. Querem um percentual maior, sob a alegação de que os direitos estão sendo mal administrados. Ou as gravadoras pagam ou irão enfrentar batalhas judiciais de final imprevisível, já que qualquer contrato pode ser questionado e passível de ser considerado lesivo.
Essa grande revolta é um fato bem marcante, já que parecia que as questões entre Prince e a WEA e Mariah Carey e sua antiga gravadora, da qual havia sido demitida, eram passado remoto e que a paz voltaria a reinar. Ledo engano. Alguns grupos, como RadioHead e R.E.M. , já haviam partido para a própria divulgação pela Internet e agora se juntam a esses dissidentes, levando o caso a cruzar o Atlântico e ir dar uma sacudida no Brill Building.
Outra questão levantada pela galera é a nova relação de interesses entre produtor e consumidor existente no mercado musical, como a venda isolada de fonogramas e a chegada do MP3. Segundo os artistas, a falta de presteza da indústria em se adequar a essas novidades está causando lesões sérias nos direitos de todos em decorrência de processos infindáveis contra consumidores considerados piratas e que não têm nenhum respaldo legal, já que a Suprema Corte Norte-Americana considerou a propriedade intelectual alegada pela indústria fonográfica como abusiva e ferindo o direito do consumidor em dispor de produto já adquirido e pago.
Enquanto lá fora tudo caminha progressivamente para uma rediscussão deses conceitos, aqui no Brasil o retrocesso é a tônica, com a apresentação do PL do Senador Eduardo Azeredo sobre crimes digitais. O PL não diferencia pirataria de pesquisa e tem como escopo a computação, a informática e uma noção de Internet só vista pela assessoria do político mineiro. Pelo PL, o crime organizado e o conumidorsao nivelados por baixo e penalizados como se fossem um só. Nem a China ou a Grã-Bretanha possuem legislações tão restritivas, com um agravante ao PL do Senador: ele transfere ao poder judiciário a defesa de uma alegada propriedade intelectual detida com lucro por corporações, numa forma nebulosa e pela qual essas próprias corporações irão escrever na lei o que é e o que não é crime.
Já no campo artístico, aqueles que lutam contra a política absolutista e monopolista da indústria em relação aos direitos autorais e a revolução tecnológica, sofreram uma derrota com a cooptação de Lobão pela gravadora que reeditou sua obra e lhe arranjou uma vaga de veejay na MTV.Nunca se viu uma defecção tão porca quanto esta. Ninguém mereceu tal coisa.

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