quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Every Picture Tells a Story


Toda foto, se bem interrogada, conta uma história. Em algumas, uma não-história surge do nada, obliterando o signo e o significado. Como essa foto recente de Phil Spector, cujos expressionismos se anulam a uma primeira visada.
Como sempre acontece, o maior produtor da história do pop deve explicações a respeito de fatos que não tem nada a ver com aquilo que sempre soube fazer.
Atualmente, Spector responde a um processo no qual é acusado de ter matado uma atriz que se recusou a fazer sexo com ele. Devido a algumas nebulosidades entre as opiniões dos jurados, o juiz que julga o caso resolveu anular tudo o feito até agora e recomeçar a coisa toda.
Nebulosidade e inconstância sempre foram a arma de seu gênio criativo. Um muro sonoro pronto podia desabar em questão de minutos, jogando para o alto o trabalho de semanas. Bastava uma dissonância menos discreta para que toda uma faixa retornasse ao estado de base e voz guia. Foi assim com "River Deep, Mountain High", foi assim com "The Long ad Winding Road" e foi assim com "RocknRoll Radio".
E , ao que tudo indica, vai continuar assim para Phil e sua vida pessoal. Mais esse percalço volta ao começo para que tudo seja refeito e, a cada refeitura, uma pitada de um tempero muito estranho. Da mesa forma que Dalto(outro estranho) cantaria em seu hit("Muito Estraho"- a sinfonia pop que mais vendeu compactos no Brasil do século XX- 1.230.000 para ser preciso e não nebuloso.) Lembra?

quarta-feira, 26 de setembro de 2007



A razão da chamada crise mundial do disco está na torta ao lado, mantida como verdade absoluta e irrefutável desde a dissolução dos Beatles.

Partindo da premissa que o comunicado da apple sobre a dissolução do grupo data de 1970, há exatos 37 anos que a indústria fonográfica vêm se regendo por estes percentuais definidos por acordos de edição reescritos internamente a cada fusão ou aquisição de grupos editoriais, sem levar em conta a evolução da legislação autoral, o crescimento da pirataria e as novas tecnologias.

Tanto autores quanto produtores e intérpretes vão ser obrigados a se entender num novo formato de partilha que inclua fatos geradores novos como o MP3 e a venda musical por faixas em vez de álbuns. Se não, o bicho vai continuar pegando.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O DIRIGIVEL DE CHUMBO VOLTA A VOAR!


Apesar da foto(The Detours- antes de adotar o ome THE WHO) parecer ter nada a ver com o que vou escrever abaixo, é bom esclarecer: quem batizou o Led Zeppelin está sentadinho naquela bateria. Isso mesmo. Foi Keith Moon que sugeriu a Jimmy Page o nome, pois o guitarrista queria batizar o grupo de......New Yardbirds, já que Chris Dreja(guitarrista, fundador e detentor do nome) ainda fazia parte da banda. Depois, aconteceu o que aconteceu até John Bonham morrer de intoxicação alcoólica(1980).
Agora, compromi$$o$ financeiro$ inadiáveis devem reunir o Led para um concerto- o primeiro desde 1995- em Silverstone. Segundo a organização do evento, a distribuição dos ingressos aos pretendentes sorteados será feita em etapas para preencher os 22 mil lugares existentes no local. Dizem as más línguas que já se pensa até em promover uma excursão, já batizada de last tour. Incrível como o bolso das pessoas têm razões que até a razão desconhece.

sábado, 8 de setembro de 2007

Calar é ouro e ouvir também



A capa desse LP do "Blind faith" foi o palco literal do primeiro confronto de idéias a que eu assisti no backstage do rock tupiniquim. A pergunta que não queria calar em todas as bocas era o qual o propósito da ninfeta pelada. Ouvi calado manifestações várias: desde as pedófilas via Carlos Imperial( não podia ver uma menininha) até o lobby gay de luis henrique et caterva. Não se chegou a conclusão nenhuma, por mais baseados que estivéssemos em baseados.

E esse ouvir de música e verso, de verso em prosa e de prosa até o fim de noite era um dia de ir e noite passar também, só ouvindo- música e os trenzinhos caipiras que chegavam do ceará(amigos de Fagner e de Belchior), do interior de são paulo ou do sul via curitiba e que, na certa, batiam na casa do Eduardo Andrews ou da Angela de Almeida.

Foi nesse ouvir que fui parar na casa de Fernando Picanço. Nunca vi nem ouvi tanta coisa boa na vida. Até Grand Funk nós ouvimos- aquela coisa produzida por um marketing distorcido. Quanto ao Spinal Tap, paramos de nos ver e nos ouvir bem antes desse lançamento, para mim completamente inusitado, já que tentava levar a coisa um pouco a sério.

E foi assim que vi o Som Imaginário, a Folha que Cai, Paulo Cláudio e Maurício, Daniel Azulay, Piti( o da "espuma congelada"), A Fenda, Módulo Mil, Urubu Roxo, Estomago Azul, A Década, Os Lobos, Maurício Melo e a Companhia Mágica, Vímana, A Bolha, Os Fevers, Os Canibais, Os superbacanas, O Rancho, Funeral 1917, Os Famks, Os Carbonos , The Pops, Osvaldo Nunes, Rossini Pinto, Sergio Murilo, Denise Barreto, Cleide Alves, todas as invenções do Imperial e Wilson Simonal. Como o Brasil passa vinte anos esquecendo os últimos vinte anos que viveu, ninguém lembra mais da existência das malas pesadas citadas. Todas gravaram disco, todas tocaram em rádio e todas tiveram seus quinze minutos de Andy Warhol.

Fui a Saquarema em 1974 e tomei champagne com Nelson Motta, vi o Hollywood Rock em General Severiano e também conversei com Nelson Motta, dancei no "Frenétic Dancin Days", vi Leiloca de Garçonete e vi Nelson Motta dançar e ir ao chão, completamente drakão( ele e o Ney), subi o morro da urca e vi Nelson Motta em cima do palco com Pelé Deejay. Tudo acontecia se e somente se Nelsinho estivesse dentro da coisa. É triste chegar-se a uma conclusão dessas e tão tardia. Se não fosse Nelson Motta, o BRock ia ter que esperar mais umas duas décadas, isso na melhor das hipóteses. Nunca concordei com essa história do BRock dever sua existência ao formato "maldito" da Fluminense FM. Na minha opinião, aquilo foi um delírio bancado pela produção de certas multinacionais que precisavam de veículos no segmento para que o marketing global se cruzasse e incluísse o Brasil em seu escopo. Havia demanda e havia produto. Só não haviam veículos por causa da cegueira que sempre imperou em suas direções executivas, além da ressabiada geral causada pela repressão.

Acho que esse início de milênio está precisando de um novo Nelsinho Motta. Só sei que ele não é o Luciano Huck.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

A FALTA DE UMA PALAVRA MÁGICA


É isso o que realmente acontece. Falta uma palavra mágica o conjunto de funções e procedimentos que eu utilizo na transcrição de vinis para matrizes digitalizadas, seja qual seja o formato(CDDA, .WAV ou MP3). Já tentei de tudo. Nenhum progresso no sentido de manter na matriz o mesmo clima do fonograma. O " Já tentei de tudo" inclui diversos programas de captura(desde o sofrível NERO até o fantástico SoundForge), tentativas de reequalizar o trabalho num estágio intermediário, indo até a horas de trabalho braçal debruçados num faz tudo da área digital sonora. Nerusca de Pitibiriba. O Vinil continua diferente.

Descobri em minhas transcrições novas mixagens, como na maioria das músicas gravadas pelos Beatles. "Nowhere man" e "Across the Universe" ficaram bem mais psicodélicas que o necessário. A versão estéreo de "She Loves You" em alemão foi recanalizada completamente: as vozes ficaram no canal esquerdo. O instrumental e o coro no canal direito. Já no caso de "So You Want to Be a Rock'n' Roll Star"(Byrds), ganhei quatro versões: a do compacto, a original do "Younger than Yesterday", a do "Big Hits" e a digital. "Aint we Funkin Now"(Brothers Johnson) ganhou duas fantásticas. O problema é que 50% delas ou mais são tão xõxas quanto a Coca Cola Zero. Todas são digitais. Não dizem a que vieram.
Vendo as coisas por um lado positivo, estou reouvindo toda minha bagagem em outros formatos, completamente inusitados para a minha memória. Por outro lado, sinto que falta alguma coisa. Acho muito chato e provávelmente impossível que a tecnologia esteja diminuindo a minha sensibilidade. Que idéia mais besta, né?

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Panela Velha também faz comida ruim

O eco do "Ressuscita-me" gritado por Gal Costa nas sombras dos estúdios imortais teve seu tempo de delay e volta mais uma vez, nessa contando aquela história que o Raul adorava como exercício dialético. A famosa proximidade entre Gonzagão e Elvis Presley- uma mentira que ele pregava a si próprio como justificativa ideológica, no sentido de ficar bem num filme que sempre o atormentou. Ser chamado de colonizado durante sua curta vida estudantil na Faculdade de Direito de Salvador. Um dos que dizia essa verdade que doia era Moraes Moreira("Ele era da turminha que usava camisinha ban-lon", disse e repetiu Raul várias vezes para mim)- um bossanovista ferrenho, seguidor de João Gilberto até a alma e colega de Raul na instituição.
Vale uma explicação tardia. Eu fui um dos privilegiados em privar da companhia de Raul ANTES dele virar sucesso- coisa que ele ambicionava muito, mas não tinha nenhuma estrutura para segurar a onda. Nessa época havia a Edith. Como mulher foi nela que o Raul se completou. As outras só serviram para tentar a procriação de um macho. E nisso ele também deu azar. Raul era primo do Horácio , morador num prédio vizinho e fora lá que ele ficara quando veio da Bahia com "Os Panteras"- naquela época em que eles gravaram LP pela Odeon, etc...etc...... E Foi nesses papos que eu conheci um Raul diferente do que ele apresentou para a mídia e para os fans. E, baseado nesses papos, afirmo a mentira daquela história. Porque?
Primeiro: Quem é fá de Elvis Presley não é fã de mais nada. É fã de Elvis. Que nem fã de Beatles. o que interessa é Beatles. O resto é o resto.
Segundo: Toda essa lenda tem a ver com o peso que a figura do Paulo Coelho teve em cima do Raul numa certa época da curta existência que viveu no sistema. E só pode ter sido ele que deu a idéia ao Raul de usar essa porra dessa história escrota para justificar esse "desvio ideológico". Autocríticas estavam na moda. E se passasem perto do livrinho vermelho, eram um sucesso!
Raul queria um destaque político- ele sempre quis ser mito. Mais pra Jerry Lee, mais prá Elvis, mais prá lampião e não más prá cangaceiro tocando guitarra elétrica. Se lá em Londres Gil dizia que tava longe daqui, Raul tava longe daqui aqui mesmo. Esse era o Teatro de Concreto armado que valia.
Agora: aqui prá nós. Essa história da proximidade do Gonzagão com o Elvis é fajutésima, né?

domingo, 2 de setembro de 2007

LOVE AT FIRST LISTENING



E foi assim mesmo. O primeiro LP que escutei inteiro foi o "Happy Jack", em sua versão da DECCA norte-americana. Coisas como "Boris the Spider" eram bastante inusitadas numa época em que, como sempre, o pop consumia canções de amor. E a coisa fazia sentido. Com a chegada de "Sell Out", a primeira impressão se consolidou

"Its wonderful sailing/in the high sucessfull sound/of wonderful radio/ London"..........

"I Can see for Miles" chegou no momento-LSD exato. Sem tirar nem por. Só fui ouvir o "Who sings My Generation" bem depois, e, mesmo assim, me pareceu um monte de rascunhos de coisas que eu já ouvira mais bem feitas. E Townshend é mestre em fazer isso. Ele dá uma aula no quesito naquela versão de "Pure and Easy" que está no Lp-Solo dele, se comparada à versão gravada pelo grupo. Esse é o seu processo de criação, que os outros três sempre cumpriram a risca. Brian Wilson também é assim , só que não tem a mínima estrutura para manter o " a risca".

O desaparecimento de John Alec vai fazer falta nesse trabalho novo que , cada vez mais, vai se assemelhando a um disco solo de sobrevivente. Deus queira que não. Tudo que não precisamos é de um novo Brian Wilson.

sábado, 1 de setembro de 2007

BASS LINE: Um Mantra Ocidental



Essa foto é tão rara quanto a de um Eric Clapton se apresentando com os Yardbirds. Nela você vê o line-up original do Experience, à época de "Crosstown Traffic", com Jimi pilotando uma de suas várias Strato brancas, uma trip de improvisos centrada uma bass line e com a bateria também improvisando numa variegada corrente de explosões sonoras.

Jimi, bem antes de Miles, já utilizava a bass line, indo frontalmete contra o desejo de Noel Redding em também improvisar. Para Jimi, todas as decolagens tinham que partir dele e mais ninguém. Esse desejo vai se realizar não muito magistralmente com o "Band of Gipsies", bada na qual ele colocou o amigo e ex-paraquedista Billy Cox como contrabaixista. Redding então já tentava pilotar o Fat Matress, banda que não deu em nada, apesar de dois Elepês promissores(Ouvir "Mr Moonshine" e "Petrol Pump assistant").

Outro a utilizar a bass line de forma sugestiva foi Herbie Hancock, principalmente em "Chamaleon", que mostrou a todo um cenário como solar o moog synthesizer sem muita repetição de timbres.

A idéia do bass line veio a tona no cenário flower trazida por Ravi Shankar, conforme a postura da tamboura dentro da música que o hindu tocava e se exprimia. Tanto o sitar quanto a tabla improvisavam loucamente, parametrizados pelo escalar melódico e rítmico da tamboura, sem muitos vôos pelo horizonte. E, por incrível que pareça, a pesar da proximidade dos Beatles e dos Beach Boys com a postura, foram os mais descabelados que aproveitaram o contato. quem ouviu John McLaughlin em "Inner Mounting Flame" sabe do que se fala aqui nesse texto. Quem não ouviu, ainda dá tempo. Hoje não se fazem mais bass lines como naquela época. Garanto.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

A Coragem que me falta



E que me falta mesmo. Nunca pegaria isso, romperia o lacre e colocaria no player como eu faria com um lançamento normal ou um objeto momentâneo de desejo. Nem ouvi o sampler que está disponível no CNET. Para mim é tudo muita bobagem por nada.
Essas histórias protagonizadas por Paris, Courtney Love e outras com baixa expressão no eleitorado são marketing demais para conteúdo de menos. Essa instância meio ficcional da Indústria cultural forma um nicho em que tablóides ingleses, revistas de e para pequenas personalidades(vide "Caras") e programas sensacionalistas nadam de braçada, dando vida à banalidade fútil que a vida deles espelha. E nesse nicho eu sou um bacalhau nadando no feiijão preto. Nada a ver, nada a falar e nada a ouvir. Até que escrevi muito a respeito.
Na verdade isso tudo me traz à memória o tempo em que eu era revisor de coluna social dirigida ao universo da província Belorizontina. O que eu penteei de notas completamente descabidas, elogios com dupla finalidade e material pago como publicidade e servido como informação não esteve no gibí. Só acompanhando a coisa para se ter noção do que é discorrer fogos e artifícios sobre o banal, numa tentativa de colorir eventos que alguns transformam em rotina, pois só eles é que estão presentes. Que nem a Paris Hilton- Que nem a Wanessa Camargo- Que nem o Diogo "aargh!" Mainardi. Difícil pra caraca!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Saudade não tem idade




É uma das minhas raridades. Tenho ele desde 1965. Minha prima comprou em NY preu. Agora, que dois já estão mortos, sinto como a banda foi importante na minha formação musical.


Tenho práticamente todos os lançametos, incluindo as duas óperas, a trilha sonora do filme e todos os tributos. Por incrível que pareça só não tenho o "Who sings My Generation". É mole!


A mesma coisa acontece com o Kinks, grupo do qual me roubaram muito material. Chuck Berry o Zé me afanou dois álbuns duplos. Yardbirds quem fez a festa foi o Flávio, que também me levou um Etic Burdon and The Animals.


Quanto a labels, a que sempre me fascinou mais foi a fundada pelos Ertegum Brothers. Tenho material as pampas, incluindo Solomon Burke, Wilson Pickett, Young Rascals, Cream, Led Zeppelin e muito jazz. A Atlantic sempre foi uma casa muito pródiga. Que nem a minha estante.

Aos poucos vou apresentando minhas armas. Aguardem!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

ANDEI NA CONTRAMÂO



Nunca parei para Ouvir Osibisa. Não sei identificar nada deles. Nunca tive muito saco para world music. No meu entender, certas manifestações são como bacalhau na feijoada. E Osibisa era um bacalhau da noruega boianndo no meu feijão grossinho. T REX foi a mesma coisa. Conheço "Bang a Gong". David Bowie, Gary Glitter, Bruce Springsteen, a maioria das mulheres, menos Grace slick, Chrissie Hynde e Janis Joplin. Para grupos de Folk Rock, o menos ouvido foi Flying Burrito Brothers, que venceu apertado Poco, Eagles, David Lindsay e J J Cale- do qual só coheço "Cocaine" e, mesmo assim , via Eric Clapton.

Dentro da minha teoria crítica, não existe homogeneidade dentro de qualquer trabalho. Na verdade, o artista cria instâncias como objetos dentro de uma grande classe de modelos. E essas instâcias - que seriam as faixas de um LP, por exemplo, é que determinam seu status dentro da indústria cultural.

Meus exemplos são vários. João Gilberto poderia ter parado na sua versão de "Prá que discutir com madame" e, se tivesse gravado apenas o "Amoroso"(WEA - arranjos de Claus Ogerman). Caetano em "Odara" e na sua versão para o Samba- Enredo da União da Ilha. Gal Costa o LP onde ela interpreta Dorival Caymmi. Se os Stones não tivessem gravado "Black in Blue", tava tudo bem É o pior trabalho deles. Como "Come Together". Os Beatles poderiam ter passado sem ele.

Minha seletividade sempre foi muito arisca. O gostar e o nnão gostar acontecem, como os acidentes literários de Fernando Pessoa, numa esfregação fantasiosa e sexual.Exemplo prêsse sentimento tá na versão de "Fever" com Sarah Vaughan e remixada pelo Alan Freeland("Verve/Remixed- vol.III). Foi uma das melhores coisas que ouvi nesses últimos cinco anos. Imbatível. Pru resto venho andando na contramão.

TOO YOUNG TO DIE, BUTT..................


A gente já viu e já fez muita coisa que hoje, sob um crivo mais crítico, se arrepende. Uma dessas coisas- que fiz num passado mais ou menos remoto- foi considerar isso aí do lado como um instrumento musical. A foto em questão retrata um contrabaixo DelVecchio sem trastes, no qual ainda tive a coragem de realizar um upgrade, colocando nele um captador Fender Precision, que minha madrinha trouxe de Miami, em 74( o baixo foi comprado em 66). mantive o captador original e, onde ficava o botão de graves e agudos, coloquei uma chave seletora, que fazia a alternância dos captadores. Só mantive o volume. Tudo isso plugado num Phelpa Baixo em paralelo com um True Reverber cortado como cabeça e três caixas de Thundersound Original(uns 30 watts RMS cada). Eu também tinha um Alex Brucutu e uma Guitarra Giannini Ritmo II preta. Não era um instrumental do caralho?
Na minha opinião pessoal, o custo da importação gerando a falta de concorrência e competitividade, somado ao desinteresse gerado pela ocorrência anterior, atrasaram em muito qualquer manifestação nativa que tivesse como suporte a eletrônica e seu instrumental. Nossos instrumentos, além de feios, tinham falhas no fabrico e na afinação. Todos tinham o mesmo timbre. Na amplificação, o desempenho era sofrível. Todos os amplificadores da linha Phelpa sofriam de um superaquecimento crônico e, com exceção da linha Giannini, nenhuma outra marca ou modelo era confiável. Os teclados eram ridículos e seus circuitos eram baseados em kits de instrução fornecidos por correspondência, como aqueles do "Instituto Monitor".
Qauanto a montagem de estudios domésticos, isso era impossível. Não haviam componentes. E, para piorar as coisas, não havia pessoal especializado ou que tivesse noção de coisas básicas como isolamento acústico.
O bom dessa coisa é que tivemos de começar do zero adiante. E hoje existe uma estrutura que consegue dar algum auxílio mais ou menos luxuoso a quem necessita dele.
Com a chegada da microinformática, voltei a me aventurar e hoje tenho uma banda eletrônica - o 'laboratório de sons estranhos" - que já tem até uma ópera-dance composta: "Atom Heart Mother(Assim eu vejo Roger Waters)". Acho ele e o Brian Wilso os egos mais inflados do século XX, superando até Mark Bolan e Phil Spector. Mas isso fica para outra postagem........

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

NOW STOPPED!!!


Desde a última segunda-feira, boatos dão conta de que o grupo Rolling Stones pode abandonar os palcos. E para sempre. Seus quatro integrantes - Mick Jagger, Keith Richards, Charlie Watts e Ronnie Wood - já passaram dos 60 anos e, caso topassem nova turnê, bateriam os 70. O boato foi divulgado pela revista eletrônica Digital Spy, que conversou com uma fonte próxima da banda. As informações são do Jornal da Tarde.


Também já não era sem tempo tomar esta decisão. Morrer em palco só fica bem para um crepúsculo de deuses e não é bem nisso que os glimmer twins estão pensando. De repente, Keith pode entrar em sete milhões de dólares contando sua trajetória. E não vai ter que dividir nada com Mick. Todos tem algum projeto pessoal guardado que ainda tem tempo para ser realzado. E eles tem dinheiro para a empreitada. Porque não deixar os Stones continuarem o rumo ao seu objetivo mitificado? Afinal, aint no stoppin they now!

DESDE JÁ AGRADECIDOS


A ilustração ao lado é uma colcha de retalhos. Tudo que você está vendo aí teve seus 15 minutos de glória absoluta. Tudo foi conflito. Tudo fez a cabeça e todos ganharam o rótulo VIP e exerceram esse poder ad nauseam.
Jeff Beck deve ser o único guitarrista que continua experimentando suas possibilidades de vitória na luta que trava contra as seis cordas do instrumento. Clapton e Frampton se seduziram pela própria voz- um fato que não chegou a sensibilizar Hendrix.
Jim Morrison marcou pela voz. Indiscutível e superdistinta. Melhor que ele só Eric Burdon. Já Michael Jackson?............Como ele soube se autodestruir, né? Nem Prince conseguiu essa façanha de Orlando Silva internacional. E falando em agradecimento, ontem eu passei por uma foto de Jerry Garcia ostentando uma Sternberger Até ele aderiu ao instrumento que foi o ícone dos anos 80. Todos tiveram uma: até o Paulo Ricardo(RPM).
E eu me considero agradecido por ter lidado com todo esse material. No duro: me considero mesmo. Ouvi "Tommy" no lançamento original. Vi "Woodstock" no primeiro dia em cartaz(no saudoso RIAN da av. Atlântica) e ainda tenho um monte de bootlegs assinados pelo porco capitalista - uma marca tradicional da qualidade sem prazo de validade desse tempo sem retôrno.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

QUALIDADE SEM PRAZO DE VALIDADE



Uma vez numa entrevista, o Erasmo me disse que o som que você guarda prá sempre é aquele que te fez a cabeça. É como uma experiência alucinógena. Você nunca mais vai ser um iniciante e tudo vai ser deglutido e criticado sob os parâmetros que ele definiu na sua sensibilidade. 30 anos depois desse papo deu preu entender a adoração que Erasmo tinha por Elvis Presley.

Eu esclerosei com o Cream e com Jimi. A partir de "I Feel Free", "I´m so Glad" e "Purple Haze", meus ouvidos não foram os mesmos nem com os Stones. O primeiro passo para que isso acontecesse foi ser apresentado aos Blues Project por um amigo. Ele me obrigou a ouvir o "Live at Café au gogo". Daí para tudo que o Yardbirds havia gravado até então foi mais uma porrada na porta da percepção, que ficou sem tranca até o encerramento do século passado. Depois disso, o recesso e uma pausa para avaliar todo o material.

Conclusão? Acho que perdi o pé e o senso crítico. O material atual não resiste a uma comparação com o que foi feito há tempos jurássicos. Tenho achado tudo muito ruim. Ou eu só tenho ouvido coisa ruim. Não sei mais bem o que acontece. Acho que fiquei velho. Velho para o funk carioca-velho para a bunda music e velho prêsse pagode escroto que não dá nem tesão de acompanhar a batida na mesa. Acredito que a crise na Indústria Fonográfica começa e termina aí, pois eles também perderam o pé e o senso crítico. É impossível que alguém sustente o material produzido com argumentos sólidos numa "reunião de lançamento"( se elas ainda vêm sendo feitas ). Me recuso a acreditar

sábado, 18 de agosto de 2007

ELVIS: Algumas Cosiderações de um não-fã


Fui indiferente a Elvis Presley. Quando virei consumidor de discos, o Coronel Tom Parker tinha mandado seu pupilo para a Alemanha passar férias engajado. "Saudades de um Pracinha"(Título que o filme de Elvis no Exército recebeu no Brasil) foi censurado para 14 anos. Como eu tinha 8, dancei. Não sei se fiz bem ou mal, pois seu estigma não me perseguiu, ficando minha pessoa lépida e fagueira para receber Beatles e queijandos.
Fui tentar ver e ouvir Elvis com outros olhos a partir dos anos 70- uns quatro anos antes de sua morte. Li até biografia. Na verdade, o que se descortinou ante meus olhos foi a colcha de retalhos que era o country pop abaixo de Memphis e indo até Lubbock, isso é, com uma cajadada só matei os coelhos Carl Perkins, Johnny Cash, Roy Orbison, Buddy Holly, Jerry Lee Lewis e Bil Haley.
Descobri a classe de 55 de uma forma não muito ortodoxa e a verdade sobre Elvis nunca me satisfez plenamente. Principalmente a guinada que seu escopo fez quanndo voltou da Alemanha. A partir de "It´s Now or Never" nunca mais o levei a sério. Acredito que não só eu tenha tomado esta atitude. Seu Charisma se evanesceu..........

LENNON NÃO ERA CHUCK BERRY



E não era mesmo. Apesar dos pontos de contato entre letras, a música de cada um tinha diferenças audíveis em primeiro ponto. Criado em St Louis, Berry estava na passagem natural do rural blues em direção à Chicago industrializada E o ex-cabeleireiro bebeu em demasia nessa fonte, que até hoje rende riffs, words and music, já que a mesma música em gravações distintas tem apenas pontos de contato.

O grande exemplo dessa falta de prolificidade em Lennon vêm a partir de 1970, quando a dupla Lennon-McCartney se desfaz e mostra que a música Beatle tinha 50% de cada um. A carreira do Beatle contestador se torna errática e confusa, com algumas canções antológicas cercadas de muito material ruim. E isso tornou-se a tônica até o episódio Dakota.

Quanto a Paul, sua mente beatle o fez um pouco mais seletivo em sua criatividade. É impossível uma comparação entre a qualidade do material produzido solo e o gerado pela antiga dupla. Quanto a comparar o material da dupla com o de Chuck Berry, o deste último se sobressai em muito, guardando-se as devidas proporções. A única coisa que se sabe é que Berry nunca tocou Lennon-McCartney. Quanto a Lennon-McCartey, beethoven rollover the news andl tchaikowsky are called.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

UM SITE MUSICAL





Sempre tive esse tesão. Fazer um site musical cono Tárik e o Diter fizeram uma época e depois passaram adiante, para um desses macro-portais que englobam tudo e não conseguem falar de nada direito.

Meu problema é ter ciência de que o campo está esgotado. Todos tem site ou já fizeram site para marcar presença. Mesmo assim, vamos tentando. Tenho esse blog e o site existe. Sua URL é:( http://www.popmuzik.rocknroll.nom.br/).

Mas, ainda não pode ser considerado, pois está uma colcha de retalhos, conjugando- em conjuntos isolados- algumas imagens boas e poucos textos-delírio. Aos poucos vou produzindo coisas, como a arte acima, discretamente "derivada" do Rock Dreams.
E, nessa altura dos acontecimentos, para mim é mais gratificante explorar o visual da coisa do que escrever o complemento do conteúdo. Já escrevi praca sobre o lance. Algumas vezes assinei. Algumas vezes adulteraram. Difícil manter assim um tesao produtivo.







quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Contracultura & Contradição



Se no final dos anos 60 o pop integrava a chamada Contracultura, tendo como apogeu as noitadas de difusão do LSD, patrocinadas pelo "trip-bus" de Ken Kesey e com trilha sonora executada pelo Grateful Dead, afirmar isso hoje seria uma contradição completa. Já se foi o tempo contracultural. A cooptação do pop pelo sistema foi absorvida por todos os integrantes da sociedade planetária. Ser pop é integrar uma dupla sertanejo-brega da mesma forma como tocar guitarra solo num grupo de trash metal.



O Século XX proporcionou visibilidade a todas as vertentes. Fosse o gesto obsceno de Johnny Cash ao cigarro de Bob Dylan, passando pelo uniforme escolar de Angus Young(idéia, pasmem, de sua irmã mais velha!) e indo até a chamada pulverizada de um R.E.M. da vida, todos seguiram os preceitos Warholianos e tiveram seus 15 minutos de glória.

Acredito que nunca mais se repitam explosões como a de Elvis e a dos Beatles, a não ser que o fato novo seja realmente revolucionário para essa maravilha de cenário que a multimídia descortina para um futuro próximo, aliada à microinformática. Nada do que foi atual será inovador mais um dia. O atropelo tecnológico é visível. - Há 20 anos atrás se te contassem a respeito de edição não-linear de imagens, você acreditaria no processo? Pois é.

POP - A MÚSICA DO SÉCULO XX


- O século XX foi a época indiscutível de apogeu do pop em todas as suas variações. Como conhecedor de música à nível crítico, resolvi me restringir ao século XX, selecionando quatro décadas(50 aos 90) de uma prolificidade que tornou irrisória a produçao das quatro décadas anteriores.

As explosões do Swing, do Rock, do Punk, do Metal em todas as suas variantes; as explosões intimistas e regionais do bee bop, do cool, do blues, da bossa nova e de algumas expressões distintas de world music vão deixar sequelas culturais traduzíveis em sentimento. A não-compreensão do processo terá repercussões sensíveis entre teóricos e insufladores do resgate de um frescor criativo, completamente corrompido pelo jabá e outras doenças infantis do marketing.
O Título do álbum que ilustra esta postagem resume tudo aquilo que o pop significou na minha bagagem musical. Troquei de postura e de roupagem tantas e quantas vezes foram necessárias ao ouvir David Bowie e Miles Davis, por exemplo. Esses dois foram letras de frases de períodos de páginas de meu passaporte mimetizante a cada novo trabalho(leia-se "Ziggy Stardust", "The Birth of Cool"," Let´s Dance" e "POP").
Em minha modesta opinião, "Miles alive at Fillmore" foi um dos vários divisores de propostas jogados na cara de uma audiência que fazia de tudo para estar preparada para qualquer surpresa, da mesma forma que Bob Dylan. Este, eletrificado, sobreviveu jurássicamente até hoje. Em 1965, quem não acreditou na eletrificação(Pete Seeger, Joan Baez) não sobreviveu como estrela às duas décadas posteriores.
De 14 de Abril de 1954 - o dia em que Bill Haley registrou Rock around the clock em estúdio- até o dia 31 de dezembro de 2000, foram registradas uma série de variantes do roteiro de "Nasce uma Estrêla", da mesma forma que foram feitos alguns registros de variantes de "Sunset Boulevard". Pela segunda vez, um cidadão chamado Kane morreu pronunciando "rosebud".
E será sobre essa maravilha de cenário mitológico que irei discorrer aqui nesse meu novo canto.