Uma vez numa entrevista, o Erasmo me disse que o som que você guarda prá sempre é aquele que te fez a cabeça. É como uma experiência alucinógena. Você nunca mais vai ser um iniciante e tudo vai ser deglutido e criticado sob os parâmetros que ele definiu na sua sensibilidade. 30 anos depois desse papo deu preu entender a adoração que Erasmo tinha por Elvis Presley.
Eu esclerosei com o Cream e com Jimi. A partir de "I Feel Free", "I´m so Glad" e "Purple Haze", meus ouvidos não foram os mesmos nem com os Stones. O primeiro passo para que isso acontecesse foi ser apresentado aos Blues Project por um amigo. Ele me obrigou a ouvir o "Live at Café au gogo". Daí para tudo que o Yardbirds havia gravado até então foi mais uma porrada na porta da percepção, que ficou sem tranca até o encerramento do século passado. Depois disso, o recesso e uma pausa para avaliar todo o material.
Conclusão? Acho que perdi o pé e o senso crítico. O material atual não resiste a uma comparação com o que foi feito há tempos jurássicos. Tenho achado tudo muito ruim. Ou eu só tenho ouvido coisa ruim. Não sei mais bem o que acontece. Acho que fiquei velho. Velho para o funk carioca-velho para a bunda music e velho prêsse pagode escroto que não dá nem tesão de acompanhar a batida na mesa. Acredito que a crise na Indústria Fonográfica começa e termina aí, pois eles também perderam o pé e o senso crítico. É impossível que alguém sustente o material produzido com argumentos sólidos numa "reunião de lançamento"( se elas ainda vêm sendo feitas ). Me recuso a acreditar

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