quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Every Picture Tells a Story


Toda foto, se bem interrogada, conta uma história. Em algumas, uma não-história surge do nada, obliterando o signo e o significado. Como essa foto recente de Phil Spector, cujos expressionismos se anulam a uma primeira visada.
Como sempre acontece, o maior produtor da história do pop deve explicações a respeito de fatos que não tem nada a ver com aquilo que sempre soube fazer.
Atualmente, Spector responde a um processo no qual é acusado de ter matado uma atriz que se recusou a fazer sexo com ele. Devido a algumas nebulosidades entre as opiniões dos jurados, o juiz que julga o caso resolveu anular tudo o feito até agora e recomeçar a coisa toda.
Nebulosidade e inconstância sempre foram a arma de seu gênio criativo. Um muro sonoro pronto podia desabar em questão de minutos, jogando para o alto o trabalho de semanas. Bastava uma dissonância menos discreta para que toda uma faixa retornasse ao estado de base e voz guia. Foi assim com "River Deep, Mountain High", foi assim com "The Long ad Winding Road" e foi assim com "RocknRoll Radio".
E , ao que tudo indica, vai continuar assim para Phil e sua vida pessoal. Mais esse percalço volta ao começo para que tudo seja refeito e, a cada refeitura, uma pitada de um tempero muito estranho. Da mesa forma que Dalto(outro estranho) cantaria em seu hit("Muito Estraho"- a sinfonia pop que mais vendeu compactos no Brasil do século XX- 1.230.000 para ser preciso e não nebuloso.) Lembra?

quarta-feira, 26 de setembro de 2007



A razão da chamada crise mundial do disco está na torta ao lado, mantida como verdade absoluta e irrefutável desde a dissolução dos Beatles.

Partindo da premissa que o comunicado da apple sobre a dissolução do grupo data de 1970, há exatos 37 anos que a indústria fonográfica vêm se regendo por estes percentuais definidos por acordos de edição reescritos internamente a cada fusão ou aquisição de grupos editoriais, sem levar em conta a evolução da legislação autoral, o crescimento da pirataria e as novas tecnologias.

Tanto autores quanto produtores e intérpretes vão ser obrigados a se entender num novo formato de partilha que inclua fatos geradores novos como o MP3 e a venda musical por faixas em vez de álbuns. Se não, o bicho vai continuar pegando.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O DIRIGIVEL DE CHUMBO VOLTA A VOAR!


Apesar da foto(The Detours- antes de adotar o ome THE WHO) parecer ter nada a ver com o que vou escrever abaixo, é bom esclarecer: quem batizou o Led Zeppelin está sentadinho naquela bateria. Isso mesmo. Foi Keith Moon que sugeriu a Jimmy Page o nome, pois o guitarrista queria batizar o grupo de......New Yardbirds, já que Chris Dreja(guitarrista, fundador e detentor do nome) ainda fazia parte da banda. Depois, aconteceu o que aconteceu até John Bonham morrer de intoxicação alcoólica(1980).
Agora, compromi$$o$ financeiro$ inadiáveis devem reunir o Led para um concerto- o primeiro desde 1995- em Silverstone. Segundo a organização do evento, a distribuição dos ingressos aos pretendentes sorteados será feita em etapas para preencher os 22 mil lugares existentes no local. Dizem as más línguas que já se pensa até em promover uma excursão, já batizada de last tour. Incrível como o bolso das pessoas têm razões que até a razão desconhece.

sábado, 8 de setembro de 2007

Calar é ouro e ouvir também



A capa desse LP do "Blind faith" foi o palco literal do primeiro confronto de idéias a que eu assisti no backstage do rock tupiniquim. A pergunta que não queria calar em todas as bocas era o qual o propósito da ninfeta pelada. Ouvi calado manifestações várias: desde as pedófilas via Carlos Imperial( não podia ver uma menininha) até o lobby gay de luis henrique et caterva. Não se chegou a conclusão nenhuma, por mais baseados que estivéssemos em baseados.

E esse ouvir de música e verso, de verso em prosa e de prosa até o fim de noite era um dia de ir e noite passar também, só ouvindo- música e os trenzinhos caipiras que chegavam do ceará(amigos de Fagner e de Belchior), do interior de são paulo ou do sul via curitiba e que, na certa, batiam na casa do Eduardo Andrews ou da Angela de Almeida.

Foi nesse ouvir que fui parar na casa de Fernando Picanço. Nunca vi nem ouvi tanta coisa boa na vida. Até Grand Funk nós ouvimos- aquela coisa produzida por um marketing distorcido. Quanto ao Spinal Tap, paramos de nos ver e nos ouvir bem antes desse lançamento, para mim completamente inusitado, já que tentava levar a coisa um pouco a sério.

E foi assim que vi o Som Imaginário, a Folha que Cai, Paulo Cláudio e Maurício, Daniel Azulay, Piti( o da "espuma congelada"), A Fenda, Módulo Mil, Urubu Roxo, Estomago Azul, A Década, Os Lobos, Maurício Melo e a Companhia Mágica, Vímana, A Bolha, Os Fevers, Os Canibais, Os superbacanas, O Rancho, Funeral 1917, Os Famks, Os Carbonos , The Pops, Osvaldo Nunes, Rossini Pinto, Sergio Murilo, Denise Barreto, Cleide Alves, todas as invenções do Imperial e Wilson Simonal. Como o Brasil passa vinte anos esquecendo os últimos vinte anos que viveu, ninguém lembra mais da existência das malas pesadas citadas. Todas gravaram disco, todas tocaram em rádio e todas tiveram seus quinze minutos de Andy Warhol.

Fui a Saquarema em 1974 e tomei champagne com Nelson Motta, vi o Hollywood Rock em General Severiano e também conversei com Nelson Motta, dancei no "Frenétic Dancin Days", vi Leiloca de Garçonete e vi Nelson Motta dançar e ir ao chão, completamente drakão( ele e o Ney), subi o morro da urca e vi Nelson Motta em cima do palco com Pelé Deejay. Tudo acontecia se e somente se Nelsinho estivesse dentro da coisa. É triste chegar-se a uma conclusão dessas e tão tardia. Se não fosse Nelson Motta, o BRock ia ter que esperar mais umas duas décadas, isso na melhor das hipóteses. Nunca concordei com essa história do BRock dever sua existência ao formato "maldito" da Fluminense FM. Na minha opinião, aquilo foi um delírio bancado pela produção de certas multinacionais que precisavam de veículos no segmento para que o marketing global se cruzasse e incluísse o Brasil em seu escopo. Havia demanda e havia produto. Só não haviam veículos por causa da cegueira que sempre imperou em suas direções executivas, além da ressabiada geral causada pela repressão.

Acho que esse início de milênio está precisando de um novo Nelsinho Motta. Só sei que ele não é o Luciano Huck.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

A FALTA DE UMA PALAVRA MÁGICA


É isso o que realmente acontece. Falta uma palavra mágica o conjunto de funções e procedimentos que eu utilizo na transcrição de vinis para matrizes digitalizadas, seja qual seja o formato(CDDA, .WAV ou MP3). Já tentei de tudo. Nenhum progresso no sentido de manter na matriz o mesmo clima do fonograma. O " Já tentei de tudo" inclui diversos programas de captura(desde o sofrível NERO até o fantástico SoundForge), tentativas de reequalizar o trabalho num estágio intermediário, indo até a horas de trabalho braçal debruçados num faz tudo da área digital sonora. Nerusca de Pitibiriba. O Vinil continua diferente.

Descobri em minhas transcrições novas mixagens, como na maioria das músicas gravadas pelos Beatles. "Nowhere man" e "Across the Universe" ficaram bem mais psicodélicas que o necessário. A versão estéreo de "She Loves You" em alemão foi recanalizada completamente: as vozes ficaram no canal esquerdo. O instrumental e o coro no canal direito. Já no caso de "So You Want to Be a Rock'n' Roll Star"(Byrds), ganhei quatro versões: a do compacto, a original do "Younger than Yesterday", a do "Big Hits" e a digital. "Aint we Funkin Now"(Brothers Johnson) ganhou duas fantásticas. O problema é que 50% delas ou mais são tão xõxas quanto a Coca Cola Zero. Todas são digitais. Não dizem a que vieram.
Vendo as coisas por um lado positivo, estou reouvindo toda minha bagagem em outros formatos, completamente inusitados para a minha memória. Por outro lado, sinto que falta alguma coisa. Acho muito chato e provávelmente impossível que a tecnologia esteja diminuindo a minha sensibilidade. Que idéia mais besta, né?

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Panela Velha também faz comida ruim

O eco do "Ressuscita-me" gritado por Gal Costa nas sombras dos estúdios imortais teve seu tempo de delay e volta mais uma vez, nessa contando aquela história que o Raul adorava como exercício dialético. A famosa proximidade entre Gonzagão e Elvis Presley- uma mentira que ele pregava a si próprio como justificativa ideológica, no sentido de ficar bem num filme que sempre o atormentou. Ser chamado de colonizado durante sua curta vida estudantil na Faculdade de Direito de Salvador. Um dos que dizia essa verdade que doia era Moraes Moreira("Ele era da turminha que usava camisinha ban-lon", disse e repetiu Raul várias vezes para mim)- um bossanovista ferrenho, seguidor de João Gilberto até a alma e colega de Raul na instituição.
Vale uma explicação tardia. Eu fui um dos privilegiados em privar da companhia de Raul ANTES dele virar sucesso- coisa que ele ambicionava muito, mas não tinha nenhuma estrutura para segurar a onda. Nessa época havia a Edith. Como mulher foi nela que o Raul se completou. As outras só serviram para tentar a procriação de um macho. E nisso ele também deu azar. Raul era primo do Horácio , morador num prédio vizinho e fora lá que ele ficara quando veio da Bahia com "Os Panteras"- naquela época em que eles gravaram LP pela Odeon, etc...etc...... E Foi nesses papos que eu conheci um Raul diferente do que ele apresentou para a mídia e para os fans. E, baseado nesses papos, afirmo a mentira daquela história. Porque?
Primeiro: Quem é fá de Elvis Presley não é fã de mais nada. É fã de Elvis. Que nem fã de Beatles. o que interessa é Beatles. O resto é o resto.
Segundo: Toda essa lenda tem a ver com o peso que a figura do Paulo Coelho teve em cima do Raul numa certa época da curta existência que viveu no sistema. E só pode ter sido ele que deu a idéia ao Raul de usar essa porra dessa história escrota para justificar esse "desvio ideológico". Autocríticas estavam na moda. E se passasem perto do livrinho vermelho, eram um sucesso!
Raul queria um destaque político- ele sempre quis ser mito. Mais pra Jerry Lee, mais prá Elvis, mais prá lampião e não más prá cangaceiro tocando guitarra elétrica. Se lá em Londres Gil dizia que tava longe daqui, Raul tava longe daqui aqui mesmo. Esse era o Teatro de Concreto armado que valia.
Agora: aqui prá nós. Essa história da proximidade do Gonzagão com o Elvis é fajutésima, né?

domingo, 2 de setembro de 2007

LOVE AT FIRST LISTENING



E foi assim mesmo. O primeiro LP que escutei inteiro foi o "Happy Jack", em sua versão da DECCA norte-americana. Coisas como "Boris the Spider" eram bastante inusitadas numa época em que, como sempre, o pop consumia canções de amor. E a coisa fazia sentido. Com a chegada de "Sell Out", a primeira impressão se consolidou

"Its wonderful sailing/in the high sucessfull sound/of wonderful radio/ London"..........

"I Can see for Miles" chegou no momento-LSD exato. Sem tirar nem por. Só fui ouvir o "Who sings My Generation" bem depois, e, mesmo assim, me pareceu um monte de rascunhos de coisas que eu já ouvira mais bem feitas. E Townshend é mestre em fazer isso. Ele dá uma aula no quesito naquela versão de "Pure and Easy" que está no Lp-Solo dele, se comparada à versão gravada pelo grupo. Esse é o seu processo de criação, que os outros três sempre cumpriram a risca. Brian Wilson também é assim , só que não tem a mínima estrutura para manter o " a risca".

O desaparecimento de John Alec vai fazer falta nesse trabalho novo que , cada vez mais, vai se assemelhando a um disco solo de sobrevivente. Deus queira que não. Tudo que não precisamos é de um novo Brian Wilson.

sábado, 1 de setembro de 2007

BASS LINE: Um Mantra Ocidental



Essa foto é tão rara quanto a de um Eric Clapton se apresentando com os Yardbirds. Nela você vê o line-up original do Experience, à época de "Crosstown Traffic", com Jimi pilotando uma de suas várias Strato brancas, uma trip de improvisos centrada uma bass line e com a bateria também improvisando numa variegada corrente de explosões sonoras.

Jimi, bem antes de Miles, já utilizava a bass line, indo frontalmete contra o desejo de Noel Redding em também improvisar. Para Jimi, todas as decolagens tinham que partir dele e mais ninguém. Esse desejo vai se realizar não muito magistralmente com o "Band of Gipsies", bada na qual ele colocou o amigo e ex-paraquedista Billy Cox como contrabaixista. Redding então já tentava pilotar o Fat Matress, banda que não deu em nada, apesar de dois Elepês promissores(Ouvir "Mr Moonshine" e "Petrol Pump assistant").

Outro a utilizar a bass line de forma sugestiva foi Herbie Hancock, principalmente em "Chamaleon", que mostrou a todo um cenário como solar o moog synthesizer sem muita repetição de timbres.

A idéia do bass line veio a tona no cenário flower trazida por Ravi Shankar, conforme a postura da tamboura dentro da música que o hindu tocava e se exprimia. Tanto o sitar quanto a tabla improvisavam loucamente, parametrizados pelo escalar melódico e rítmico da tamboura, sem muitos vôos pelo horizonte. E, por incrível que pareça, a pesar da proximidade dos Beatles e dos Beach Boys com a postura, foram os mais descabelados que aproveitaram o contato. quem ouviu John McLaughlin em "Inner Mounting Flame" sabe do que se fala aqui nesse texto. Quem não ouviu, ainda dá tempo. Hoje não se fazem mais bass lines como naquela época. Garanto.