
A capa desse LP do "Blind faith" foi o palco literal do primeiro confronto de idéias a que eu assisti no backstage do rock tupiniquim. A pergunta que não queria calar em todas as bocas era o qual o propósito da ninfeta pelada. Ouvi calado manifestações várias: desde as pedófilas via Carlos Imperial( não podia ver uma menininha) até o lobby gay de luis henrique et caterva. Não se chegou a conclusão nenhuma, por mais baseados que estivéssemos em baseados.
E esse ouvir de música e verso, de verso em prosa e de prosa até o fim de noite era um dia de ir e noite passar também, só ouvindo- música e os trenzinhos caipiras que chegavam do ceará(amigos de Fagner e de Belchior), do interior de são paulo ou do sul via curitiba e que, na certa, batiam na casa do Eduardo Andrews ou da Angela de Almeida.
Foi nesse ouvir que fui parar na casa de Fernando Picanço. Nunca vi nem ouvi tanta coisa boa na vida. Até Grand Funk nós ouvimos- aquela coisa produzida por um marketing distorcido. Quanto ao Spinal Tap, paramos de nos ver e nos ouvir bem antes desse lançamento, para mim completamente inusitado, já que tentava levar a coisa um pouco a sério.
E foi assim que vi o Som Imaginário, a Folha que Cai, Paulo Cláudio e Maurício, Daniel Azulay, Piti( o da "espuma congelada"), A Fenda, Módulo Mil, Urubu Roxo, Estomago Azul, A Década, Os Lobos, Maurício Melo e a Companhia Mágica, Vímana, A Bolha, Os Fevers, Os Canibais, Os superbacanas, O Rancho, Funeral 1917, Os Famks, Os Carbonos , The Pops, Osvaldo Nunes, Rossini Pinto, Sergio Murilo, Denise Barreto, Cleide Alves, todas as invenções do Imperial e Wilson Simonal. Como o Brasil passa vinte anos esquecendo os últimos vinte anos que viveu, ninguém lembra mais da existência das malas pesadas citadas. Todas gravaram disco, todas tocaram em rádio e todas tiveram seus quinze minutos de Andy Warhol.
Fui a Saquarema em 1974 e tomei champagne com Nelson Motta, vi o Hollywood Rock em General Severiano e também conversei com Nelson Motta, dancei no "Frenétic Dancin Days", vi Leiloca de Garçonete e vi Nelson Motta dançar e ir ao chão, completamente drakão( ele e o Ney), subi o morro da urca e vi Nelson Motta em cima do palco com Pelé Deejay. Tudo acontecia se e somente se Nelsinho estivesse dentro da coisa. É triste chegar-se a uma conclusão dessas e tão tardia. Se não fosse Nelson Motta, o BRock ia ter que esperar mais umas duas décadas, isso na melhor das hipóteses. Nunca concordei com essa história do BRock dever sua existência ao formato "maldito" da Fluminense FM. Na minha opinião, aquilo foi um delírio bancado pela produção de certas multinacionais que precisavam de veículos no segmento para que o marketing global se cruzasse e incluísse o Brasil em seu escopo. Havia demanda e havia produto. Só não haviam veículos por causa da cegueira que sempre imperou em suas direções executivas, além da ressabiada geral causada pela repressão.
Acho que esse início de milênio está precisando de um novo Nelsinho Motta. Só sei que ele não é o Luciano Huck.

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