quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Panela Velha também faz comida ruim

O eco do "Ressuscita-me" gritado por Gal Costa nas sombras dos estúdios imortais teve seu tempo de delay e volta mais uma vez, nessa contando aquela história que o Raul adorava como exercício dialético. A famosa proximidade entre Gonzagão e Elvis Presley- uma mentira que ele pregava a si próprio como justificativa ideológica, no sentido de ficar bem num filme que sempre o atormentou. Ser chamado de colonizado durante sua curta vida estudantil na Faculdade de Direito de Salvador. Um dos que dizia essa verdade que doia era Moraes Moreira("Ele era da turminha que usava camisinha ban-lon", disse e repetiu Raul várias vezes para mim)- um bossanovista ferrenho, seguidor de João Gilberto até a alma e colega de Raul na instituição.
Vale uma explicação tardia. Eu fui um dos privilegiados em privar da companhia de Raul ANTES dele virar sucesso- coisa que ele ambicionava muito, mas não tinha nenhuma estrutura para segurar a onda. Nessa época havia a Edith. Como mulher foi nela que o Raul se completou. As outras só serviram para tentar a procriação de um macho. E nisso ele também deu azar. Raul era primo do Horácio , morador num prédio vizinho e fora lá que ele ficara quando veio da Bahia com "Os Panteras"- naquela época em que eles gravaram LP pela Odeon, etc...etc...... E Foi nesses papos que eu conheci um Raul diferente do que ele apresentou para a mídia e para os fans. E, baseado nesses papos, afirmo a mentira daquela história. Porque?
Primeiro: Quem é fá de Elvis Presley não é fã de mais nada. É fã de Elvis. Que nem fã de Beatles. o que interessa é Beatles. O resto é o resto.
Segundo: Toda essa lenda tem a ver com o peso que a figura do Paulo Coelho teve em cima do Raul numa certa época da curta existência que viveu no sistema. E só pode ter sido ele que deu a idéia ao Raul de usar essa porra dessa história escrota para justificar esse "desvio ideológico". Autocríticas estavam na moda. E se passasem perto do livrinho vermelho, eram um sucesso!
Raul queria um destaque político- ele sempre quis ser mito. Mais pra Jerry Lee, mais prá Elvis, mais prá lampião e não más prá cangaceiro tocando guitarra elétrica. Se lá em Londres Gil dizia que tava longe daqui, Raul tava longe daqui aqui mesmo. Esse era o Teatro de Concreto armado que valia.
Agora: aqui prá nós. Essa história da proximidade do Gonzagão com o Elvis é fajutésima, né?

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