segunda-feira, 30 de junho de 2008

Os Anos 70

Para muita gente da minha faixa, é muito mais fácil se apegar aos anos 70 e ficar tentando resgatar a juventude do que encarar a decrepitude neste terceiro milênio. E, dentro dessa visão mítica do período, existe material de sobra para alimentar em quem não viveu aquele passado remoto uma visão “terra do nunca” a seu respeito.
Eu, pessoalmente, gostei bem mais dos anos 60 devido às descobertas que fiz, aos sons que fui apresentado e ao estilo de contexto no qual vivia, percorrendo o caminho de Liverpool à San Francisco. um pouco descolado da visão desbundada que se seguiu, quando a contracultura caiu em mãos não muito contra e completamente a favor de um nada intelectual, onde muito pouca coisa se salvava em termos de produção local, pois, na minha visão, a produção local dos anos 60 foi infinitamente superior a da década que se seguiu( vide Mutantes, Milton Nascimento, Chico Buarque, Geraldo Vandré e a Tropicália).
Vendo o panorama de forma crítica, os anos 70 tem início com a perda de seus três maiores ídolos: Jimi Hendrix, Che Guevara e Janis Joplin.
E com a alteração da formação original dos Rolling Stones, realizou-se no inconsciente coletivo que a sensação de perda causada com o fim dos Beatles teria como acréscimo o saber de que Brian Jones nunca mais poderia voltar a figurar no grupo.
Outro demérito que vejo no período é a crise de egolatria que surgiu no rock com a formação dos chamados “supergrupos” que, em alguns casos, não disseram ao cenário para que se formaram.
Em compensação, diversos trabalhos consistentes ou novos caminhos de tocar música foram implementados, como o trato erudito de Emerson, Lake & Palmer, a entrada para o pop do Fleetwood Mac, o surgimento do Dire Straits e as carreiras-solo de Eric Clapton e Peter Frampton. No cenário local, as únicas coisas dignas de nota são a volta de Caetano e Gil e o surgimento de Raul Seixas, já que o subrock sem visão crítica que se fazia nunca teve apelo nem apoio da indústria cultural e sua batida estava com pouco açucar e sem gelo.
Sempre é bom lembrar que Tim Maia surgiu nos anos 60 e Luiz Melodia não é lá uma Brastemp que mereça ser citada como marco. É apenas mais um no cenário.
Alguns poderão justificar esse marasmo com o estado policial e a censura a qual nossa cultura estava submetida, mas – na minha visão – isso é apenas detalhe – pois , mesmo com ela, o “Almanaque Orion”(Ernesto Bono) circulava e os Novos Baianos diziam presente. Marinaldo Guimarães e Carlos Alberto Sion produziam shows e performances. Haviam eventos e havia mídia. O que faltava era material criativo para ser veiculado. É tudo verdade. Durmam com esse barulho.

domingo, 29 de junho de 2008

RAUL


Hoje, Raul dos Santos Seixas estaria fazendo um dia de nascido. Preferi falar ontem sobre a mentira a respeito de Jimi Hendrix e deixar para este domingo de manhã umas verdades sobre aquele que povoou o imaginário do conflito de gerações nacional, com o mito do rockstar rebelde e sem causa.
Raul estaria com mais de 60 anos, demonstrando a todos a sua desconfiança comportamental com todos que tivessem mais de 30 anos. Só o tempo mostraria se ele não era besta prá tirar uma de herói musical para si, já que para outros foi herói e salvador da pátria, pois se não fosse ele, Jerry Adriani(“Doce Doce Amor”) e Renato & Seus Bluecaps(“ Muito obrigado e aquele abraço porque eu já vou”)teriam pendurado as chuteiras mais cedo e Sergio Sampaio(“Eu quero é botar meu bloco na rua”) nem sucesso faria.

Todas as três estrofes entre aspas citadas acima são resultado de seu excelente trabalho como produtor de discos(na CBS e na Philips), feitos antes de estourar com “Ouro de Tolo”.
A maioria das pessoas só conhece o lado maluco tristeza de Raul, sem sexo, com muita droga e pouco Rock and Roll. Para quem conheceu Raul na sua fase Jardim-de-Alá e se afastou dele com a chegada de Paulo Coelho, a recordação é bem agradável, pois ele e Edith formavam o protótipo do casal Maluco Beleza, abandonado bruscamente com a chegada e presença marcante da cocaína. A partir dessa brizolização, a carreira de Raul transformou-se na maldição de retirar “advanceds” e estar sempre devedor da gravadora, se transformando num dos integrantes do “trio maldição” – ele, Tim Maia e Luiz Melodia- detestados por funcionários e executivos das empresas que os tiveram sob contrato, devido a sua total irresponsabilidade, antiprofissionalismo e inconsequência.

No próximo dia 21 de agôsto, vão fazer 19 anos que Raul nos deixou. Vamos ver o que é que vão falar da nossa versão de rocker.

sábado, 28 de junho de 2008

Olha a Mentira!

Estão anunciando o leilão da “Fender Stratocaster que Jimi Hendrix tocou Fogo”, e que redundou no take famoso que rodou o planeta quando da realização do festival de Monterrey pop em 1967. Quem conhece a história toda sente aquele cheirinho de propaganda enganosa, pois Hendrix estava sem aparelhagem em Monterrey devido a problemas de Alfandega e subiu ao palco utilizando emprestada a guitarra de Frank Zappa. Como sua genialidade permitia , nosso amigo tocava de qualquer maneira devido a ser canhoto. Qualquer maneira significavam cordas invertidas para canhoto ou cordas normais para destro. O que Zappa e Chandler não contavam era Jimi estar portando uma latinha de fluido de isqueiro e um isqueiro, com os quais tocou fogo na guitarra de Zappa, que, depois do atentado musical, à restaurou e continuou a usá-la normalmente.
Como conhecedor da história original e de saco cheio com as histórias e dados mentirosos que vêm sendo divulgados sobre a música do século XX, dei uma corrida atrás da história e levantei o seguinte:
Segundo um tal de Tony Garland, que se apresenta como “ex- empresário” de Jimi Hendrix, “o que pouca gente sabe é que Jimi já havia tocado fogo numa guitarra antes de junho de 1967”(hummmm!) e essa guitarra, “uma Fender Stratocaster, ficou guardada por quarenta anos em um depósito, completamente esquecida”(hummmmmm!). Pois bem! A pseudo guitarra incendiada de Hendrix vai ser leiloada com a renda revertendo para motivos humanitários meio nebulosos( não foi revelado o destinatário. Só se sabe da humanitariedade). O lance inicial é de 150 mil Euros. Interessantíssimo.
Botando os pingos nos iiiis: à época de Monterrey, o empresário e produtor de Hendrix era Brian “Chas” Chandler, ex-baixista do Animals original e que descobrira Jimi em NY, levando-o para a Londres, produzindo seu som, visual e postura, montando o “Experience”( Mitch Mitchell e Noel Redding foram escolhidos por concurso e Chandler seria o baixista, mas desistiu da idéia na última hora) e gravando “Stone Free!” e “Hey Joe”. O resto é história.
O site que está contando a mentira andou dizendo que a gibson SG de braço duplo de Jimmy Page era feita sob encomenda( não era. Aquela guitarra esteve em catálogo até o final dos anos 70 como produto normal) e já disse até que Ozzy Osbourne é norte-americano. Dá para acreditar? Não fica difícil?

sexta-feira, 27 de junho de 2008

TortElvis perde!

A maioria dos meus três leitores já deve ter ouvido falar no Dread Zeppelin. Para quem ainda não sabe, o Dread Zeppelin é uma banda que faz cover do repertório do LedZep em versão reggae. Já imaginaram um cover de “Since I´ve Been Loving You” em ritmo de ska? Nem Paralamas, né mesmo? Então?
O Vocalista da banda atende pelo aka de TortElvis e, segundo suas próprias palavras, é um alienígena que veio dar na terra e clonou em si a imagem de Elvis Presley – daí o TortElvis. “Stairway to Heaven” é mais engraçada na voz dele que qualquer discurso anti-China proferido por loura-burra( vide Sharon Stone e a “karma story”).
Mas, quando se trata de Elvis Presley, existem muito mais coisas entre o céu e a terra do que possa supor a nossa vã filosofia. Para usar um clichê mais contuntrash, a realidade supera a ficção. Basta ver a foto que ilustra o post de hoje.
Se você já achava uma babaquice esse concurso mundial de bandas Beatles Covers, para ver quem toca mais igual ao fabfour e que tem final em Liverpool, fique sabendo que o concurso de imitadores de Elvis que tem final em Graceland, já existe desde 78. Inclusive, já fizeram um filme a respeito, onde dois dos que disputam são supostos filhos bastardos de The Pelvis( uma coisa completamente provável de ser real).
Só no Japão existem 37 imitadores de Elvis com agenda lotada de shows por todo o arquipélago. E imitação de Elvis com inglês em sotaque de japonês deve ser de rolar de rir. É bom lembrar que japonês é uma língua que não tem L nem R. Quem quiser ter uma idéia da coisa basta rememorar mentalmente a letra de "its now or never", onde as duas letras dão show de bola, aparecendo até juntinhas( em darling).
Elvis continua a ser um ótimo vendedor de discos. Seus 73 álbuns continuam em catálogo, disponíveis em todas as mídias imagináveis. Os DVDs de sua carreira cinematográfica vendem que nem água e, como diria Mino Carta, até o mundo mineral sabe que qualquer coisa inédita a ser descoberta, feita pelo falecido, vai ser consumida pelo mercado de fans.
Você encontra a venda desde roupas cópias das usadas por Elvis até óculos escuros e perucas dotadas daqueles costeletões que ele adorava. Tão vendo? TortElvis perde, maninho!

quinta-feira, 26 de junho de 2008

One More Time!


A participação do Rádio na minha vida musical é a mesma que a participação da música na minha vida de radialista. Fifty by Fifty e estamos conversados. Foi o rádio que me levou a música e ela que me trouxe ao rádio como profissional.
A primeira pessoa que me levou a um programa de auditório foi a saudosa Maria Botafogo- figura folclórica do Bar 20(Ipanema) e que trabalhava como doméstica na casa de minha vizinha Tia Rute, que não tinha filhos e me tratava como tal.
Maria me levou ao auditório da Rádio Nacional onde vi de perto Caubi Peixoto e Linda Batista(Meus ídolos), numa tarde de domingo na qual um garoto de nove anos saiu completamente siderado de um auditório para 200 pessoas que, pelo esporro lá dentro, parecia que tinha umas 4000. Fomos de 123(Mauá- Ipanema) e, na volta, andamos da Pça Mauá 7 até o Tabuleiro da Baiana pegar o bonde de volta(o Ipanema – que tinha ponto final no Bar 20). Me lembro como se fosse hoje. No dia seguinte- uma segunda feira – comprei o dez polegadas de Linda Batista com “Atiraste Uma Pedra” que, como o de Caubi Peixoto, se perdeu numa de minhas n mudanças.
Foi com a Maria que eu também fui ao Maracanã pela primeira vez ver o Botafogo jogar! Eu sou do tempo de Garrincha em campo, gentiboa! Eu vi ele, Nilton Santos, Didi, Amarildo, Elton, Pampolini, Rildo, Manga, Veludo, Adalberto, Zagalo, Quarentinha, Gerson, Luiz Carlos e Jairzinho e muita gente no time que transformou minha alma em mais uma estrela solitária, com direito a explosões de alegria e implosões depressivas.
Só por ter me feito dependente físico do rádio e do Botafogo, Maria merece um monumento no meu jardim mental de recordações boas. Ela me apresentou a muitas coisas mais, mas isso são outras histórias que não tem muito a ver nesse espaço.
Quando o rock explodiu na minha cabeça( culpa de Chubby Checker, Bobby Rydell e Joey Dee), comecei a frequentar os programas de auditório que tratavam da coisa. Fui a todos-desde a Rádio Vera Cruz(“Audições Inácio Lins”) até a Rádio Continental(Programa Waldir Pinote), passando pela Radio Mauá(Programa Célia Mara), indo até a Radio Eldorado(“Hit Parade da Juventude” – do Roberto Nunes e o único que era de estúdio), para bater ponto todo sábado no maior programa de todos- “Hoje é Dia de Rock”, apresentado pelo Jair de Taumaturgo e que ia ao ar na Rádio Mayrink Veiga.
Foi neles que conheci o Toni Checker(hoje Tornado), entrei para a turma da Rua do Matoso( Arlênio Lívio manda lembranças- também entrou para o rádio que nem eu) e tratei de igual para igual com Renato Barros, Paulo Cesar seu irmão, Toni( baterista e meu vizinho de “jornalistas”) e a primeira mulher pela qual eu quase fiz merda – a Lilian Knapp.
Depois de uns nove anos infrutíferos de tentativas, sexo, mentiras, videotapes + sexo, drogas e rocknroll, notei que a batida da minha banda tava com pouco álcool e fui parar como operador de áudio e produtor da Rádio Nacional( ainda nos 980Khz).
De 72 até 94, passei por umas oito funções distintas no veículo. Participei das “40 +DA AMERICA HUM”- a grande revolução no rádio musical carioca e fui um dos fundadores da “Antena 1 Radiodifusão”. Em 94, um dono de rádio que não me deixava trabalhar e interferia o tempo todo me demitiu por eu ter batido de frente com ele. Nunca mais botei os pés numa emissora. De lá até agora, fiquei apenas como ouvinte.
Mas, os tempos m-u-d-a-r-a-m!!!!!- É! A microinformática fez o sol se levantar novamente numa terra de anões onde só havia crepúsculo! O barateamento do hardware e a democratização de possibilidades foi um canto para a alvorada na agora terra de gigantes que, me desculpem o clichê, nunca tinha ouvido isso antes.
Hoje em dia, para desespero dos dos proprietários de Rádio, TV e Jornal, qualquer um que se preze pode assumir a posição de fornecedor de conteúdo! E a um custo que derruba qualquer pretensão monopolística de quem quer que seja!
Com um equipamento orçado em US$ 4.000 , eu – agora fornecedor de conteúdo – tenho condições de competir com um radiodifusor detentor de um equipamento de US$ 30 Milhões e ganhar a corrida! Minha conta de luz tem custo doméstico. – A dele? Minha folha de pagamento é orçada em horas-bunda. –A dele? Tenho acesso a tudo que ele tenha, com a mesma rapidez, e, quem decide a utilização ou o descarte sou eu.
Não tenho que aguardar por decisões- as vezes completamente estapafúrdias. E, por último, não sou obrigado a bater de frente com ninguém e só me queimo na MINHA fogueira de vaidades. Eu garanto o prazo e a validade do meu produto. Não sou obrigado a empenhar minha palavra numa- as vezes – mentira. A única desvantagem dessa coisa toda é que sou autônomo, não tenho férias nem 13º salário. Se não produzir, babau!
Isso tudo serve para explicar que a minha rádio – a “HITECH- A RÁDIO QUE TOCA O QUE EU GOSTO” está em testes e, mais dia menos dia, estará na rede. Se você quer saber como se comporta uma radionet e a sua qualidade de áudio, ouça a RADIO MALAVEIA. Nesse momento, você que me lê vai ouvir a RADIO MALAVEIA aqui.
Escrevi tudo isso para dizer que, apesar dos pesares,continuo um addict de radio e sou apaixonado pelo veículo. E que agora, com as possibilidades que a Internet oferece, eu não posso deixar essa chance passar batida. E, para melhorar a coisa, fazendo a coisa bem feita vai ter lugar ao sol para todo o mundo. Garanto.
Quanto a foto, ela é de Alan Freed - o homem que saiu de uma banda de swing("Sultans of Swing") para ser o cara que cruzou Rock and Roll com música pela primeira vez e foi destruído pela maldade alheia que o acusou de jabazeiro( o famoso "payola scandal"). Mais tarde, Ben Fong-Torres( o maior jornalista de rock de todos os tempos) provou que as acusações eram mentirosas. Depois eu conto tudinho!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

The South American Way

Uma dúvida a ser dirimida pelos entendidos. A colonização cultural da música Brasileira começou com os “Oito Batutas”, com Carmem Miranda ou com o fatídico show de 1962 no Carnegie Hall?
Agora, uma pergunta: Qual a influência das censuras ditatoriais( Estado Novo e Redentora)nesse processo de aculturação, acelerado enormemente pela mídia e por outros fatores exógenos à toda a industria cultural e os movimentos conflitantes existentes no seu escôpo?
Estou escrevendo um projeto sobre o conflito entre a geração pós-armistício, que se perdeu na segunda grande grande guerra e a geração que aceitou esse conflito, já nascendo em combate(Coréia) e que, até os seus 50 anos de nascida, não quis assinar nenhum tratado de paz com quem quer que fosse(2000 como ano limite). E é aí que surge a dúvida a ser dirimida: Pixinguinha? Carmem Miranda? Ou João Gilberto?
Segundo palavras de Johnny Alf – a quem eu considero um grande colonizado musical – a desculpa que deram para não levá-lo ao show do Carnegie Hall foi a de que ele não havia sido encontrado para que lhe fizessem o convite. O problema é que, naquele momento, ele estava em cartaz como atração numa boite paulistana já faziam oito anos! Na verdade, Aloísio de Oliveira não gostava dele e impôs a sua não participação na coisa. Entre um fã de Frank Sinatra e um imitador de Chet Baker, acredito que a coisa seja apenas uma troca de seis por meia-dúzia e estamos conversados.
Acho que essa rejeição a Johnny Alf por Aloísio de Oliveira é apenas uma compensação retaliatória à influência que têve no processo colonizatório de Carmem Miranda- omitida no documentário “Banana is my Business” propositalmente e, em outro sentido, para se livrar da imagem de agente da Ditadura Vargas junto à Holywood( ver sua participação no personagem Zé Carioca). É bom lembrar também que assinalar essa demonização de Aloísio de Oliveira agora deve deixar os comemoradores dos 50 anos da Bossa Nova em palpos de aranha já que- segundo a história oficial do movimento – se não fosse a gravadora ELENCO( de sua propriedade) não haveria nem banquinho nem violão.
Em minha modesta opinião, a bossa nova foi criada pela geração pós-armistício para mostrar que a colonização cultural poderia ser usada para injetar sangue novo em algo que eles consideravam decadente( A Velha Guarda, O Rádio, seus cantores e seus músicos). Ser moderno era tocar samba com trio de jazz(piano,baixo e bateria) numa batida diferente. Ou dedilhar o violão num sincopado diferente de Cesar Faria e Dilermando Reis. Ser moderno era ser assim. O resto era lixo. Hitler pensava do mesmo jeito. A Bossa Nova compensava seu fascismo cultural com o engajamento de alguns de seus membros no CPC da UNE.
O som da geração que aceitou o conflito e não teve paz só foi ouvido e consumido ad nauseam no BRock . Ele já vinha sendo gestado nas bandas de garagem que povoavam o Brasil com a invasão dos Beatles na mídia controlada a ferro e fogo pela ditadura, que calou a força o movimento musical da geração pós-armistício( vide Vandré e Chico Buarque).
O BRock se engajou no conflito e modificou seu formato. Não deu mais chance aqueles que se diziam portadores da voz do morro ou da voz do morto. Renato Russo tornou Chico e Caetano letras mortas na poesia musical. Era a vez dele (BRock) ser o rei do terreiro. A indústria musical nacional nunca faturou tanto! “Muito Estranho”(Dalto) vendeu 1.200,000 compactos! “Radio Pirata ao vivo”(RPM) vendeu 2.600.000 Elepês, num mercado onde o grande vendedor(Roberto Carlos) nunca havia passado do 1.500.000 .
O Movimento musical da geração que aceitou o conflito continua. Ainda tem muito caldo para verter. Ainda vamos assistir da ponte a um panorama em 360 graus. O resto é o que o título admite: uma via sul-americana de expressão musical até o hoje em dia. A Oxum nascida em Marco de Canavezes não é a grande culpada. Carmem foi apenas uma vítima do sucesso, sem o reconhecimento devido e que não aguentou a pressão da inveja e do despeito. O mesmo processo se repetiu com o RPM e vai se repetir sempre em cima daquele que for destaque nessa terra de gigantes. Será que já não ouvimos isso antes?

terça-feira, 24 de junho de 2008

A Volta dos que não foram

Enquanto a mídia discute o sexo dos anjos a respeito de música pop, dando informações distorcidas e deixando de lado o que interessa( música), quem é bom não está nem aí e, apesar de fora do escopo dos refletores, continua a tocar legal a zabumba, mostrando que ainda dá para o gasto.
Esse é o caso particular de Cindy Lauper, que volta em grande estilo a parada, com um top one na parada dance da Billboard. No CD que deve chegar aqui ainda este ano, colaborações com Basement Jaxx e muito mais artistas da nova onda eletrônica que vêm tomando conta do cenário e que, particularmente, me agrada muito( vide Lallo, Bushawacca e Alan Freeland).
Considerada por muitos como a grande rival de Madonna nos anos 80, Cindy enveredou por outros caminhos e continua na estrada. Apesar de integrante da True Colors- fundação de apoio à causa BGLT, a cantora é casada a mãe de um filho. Está com 55 anos de idade e continua razoavelmente gatinha, cuidando do físico e da saradice, pois, segundo suas próprias palavras, quem se apresenta dançante tem, obrigatóriamente, que manter em dia a musculatura e o aspecto.
Até o final do ano, Cindy vem ao Brasil na tour de divulgação de seu novo trabalho, que faz parte do suplemento da SONY-BMG.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Ouvir Radio

Quando eu comecei a ouvir o que a caixinha preta falava, eu pegava ela e ficava brincando nas ondas curtas, coisa que era moda naquele tempo. Você ficava ouvindo, mandava uma carta para lá, dizendo local, hora que você tinha recebido a transmissão e a frequência da sintonia e eles te mandavam uma confirmação num cartão padrão, chamado de DX no jargão dos sintonizados.
Foi assim que eu consegui um DX da Radio Belgrano( Buenos Aires) e um da Deutsche Welle( Frankfurt). A primeira vez que ouvi Beatles foi na BBC ONE e por aí vai. Em 1965 entrou no ar a Radio Mundial, em 860Khz e com uma transmissão bem melhor que a da sua rival, a Radio Tamoio( 900Khz), desbancando essa última como a rádio musical por excelência do Rio de Janeiro. Como o mundo gira, a lusitana roda e assim caminha a humanidade, a evolução tecnológica fez por onde e, em 1977, entrou no ar a radio que bagunçou o armário do éter carioca – a Radio Cidade! A partir da cidade(102,9), tudo ficou diferente e o rádio saiu do armário, trazendo para a audição da caixinha preta um pessoal que, quando ouvia rádio, ouvia futebol e chega.
Com a popularização da rede, a Internet virou o veículo por excelência, pois ela democratizou o fornecimento de conteúdo, possibilitando a qualquer inteirado a montar sua emissora particular. Eu estou com a minha em testes e existem milhões transmitindo pelos shout casts, seja em tempo ilimtado ou em podcasts.
Mas tem uma que já tá nas bocas e tá bombando geral no planeta, transmitindo de BH. É a RADIO MALAVEIA, a qual você pode sintonizar clicando aqui . Se você quiser saber mais alguma coisa sobre rádios transmitindo na internet, vá até ao http://www.radio-locator.com/
Eu, particularmente, prefiro ouvir esse tipo novo de rádio do que as comerciais padrão. Primeiro porque elas não tocam bunda music e, segundo porque lá você descobre coisas proibidas pelo comportamento politicamente correto. Viva a diversidade!

domingo, 22 de junho de 2008

Uma foto & Uma Lembrança & Uma Ficção

O que será que James Brown estava pensando quando alguém( não sei quem é) bateu esse instantâneo revelador? Na vida particular? Problemas(Tinha até demais)? Na carreira? Isso dá tanta asa aos macaquinhos moradores do meu sótão que eu não sei por onde começar a imaginar o que o negão pensaria.
Eu não sei qual é a atitude do meu leitor com respeito a alguma imagem que o impressione. Para meus sentidos, uma imagem sempre valeu mais que mil palavras, dando para minha idéia o suporte certo no sentido de articular suposições e/ou ficções. E, nesse particular, as capas de discos sempre suportaram meus delírios visionários. Deixando-os a parte, aqui vai mais um de meus hit parades, dessa vez a respeito de......capas de disco!
The Beatles – Beatles 65 (a da discografia nacional[ODEON] anterior a oficial[EMI])
Pink Floyd – Pigs
Riff Raff – Vinyl Features
Deep Purple – In Rock
Made in Brazil – Jack o Estripador
Chico Buarque de Holanda – Calabar( o recolhido)
The Beatles – Yesterday & Today( a capa do açougue)
The Jimi Hendrix Experience – Electric Ladyland( a capa da mulherada pelada)
Blind Faith – Blind Faith ( a da ninfeta com o top de Buick nas mãos)
Muddy Waters – Fathers and sons
Se alguém tiver acesso a elas, que olhe e pare para pensar um pouco. Um abraço.

sábado, 21 de junho de 2008

Débil Metal






Com raras exceções – e Ozzy Osbourne é uma delas – voz de vocalista de banda de qualquer gênero dito metal é como a foto sugere. O que eu acho mais interessante é o inglês cósmico- aquele inglês de pronúncia indefinida, que não distingue nada de porra nenhuma e no qual o cara excursiona acreditando que tá figurando na fita como se fosse o rei da panqueca frita.
Na verdade, vocalista do gênero está mais para débil metal do que heavy, caso fosse esse o significado daquela entonação de voz misto de jason com extra de “a volta dos morto-vivos” que 11 entre 10 vocalistas das bandas ostentam, declamando letras pseuso satânico-tumulares entre escalas de guitarra de velocidade puramente exibicionista.
A única coisa legal que eu acho no genero é que ele é universal, coisa que o pop não apresenta tanta flexibilidade. Existem bandas metálicas finlandesas, turcas, indonésias, peruanas, filipinas e mexicanas. Basta engrenar o inglês cósmico, uma guitarrada a mil por hora e uma percussão esporrenta e a mistura resulta em um título geralmente tumular como tombstone, sarcófago, krypt ou sons of evil. Aí, a criatividade descabela e aparecem coisas fantásticas. Cirith Ungol é uma delas.
Se o must é generalizar e rotular gêneros como disco music, new wave ou outras coisas mais ou menos pasteurizadas, o metal é, atualmente, o que mais se presta para isso. Tudo soa igual, rosna e se veste de preto. Fora disso parece que a única salvação é não apertar o botão > do player.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

A Primeira Dama

Mariah Carey e outras menos votadas que me perdoem , mas se o pop tem uma primeira dama , ela é Madonna Louise Ciccone e estamos conversados. Ela conquistou sua posição numa convergência de fatores e continua imbatível numa série de quesitos, como o mostrado na foto ao lado. Você conhece alguma popstar que tenha dado um beijo de língua num fã durante uma apresentação? A recíproca é que era verdadeira, né mesmo? E desse jeito a nave vai, com a mulherada fazendo de tudo e mais um pouco no sentido de se firmar como constelação num céu onde o limite para ser alguém está escrito nas estrelas.
Com a humanidade caminhando desse jeito, resolvi armar um playlist de singers in & out of rocknroll bands que se destacaram em alguns quesitos. Lá vai!!

A que levou mais porrada – Tina Turner( até ela reconhece o galardão na biografia)
A mais caricata – Cher( já viram a última plástica da “gatona”?)
A que deu pra subir – Mariah Carey( estreiou casada com presidente de gravadora)
A musa desesperadora – Joni Mitchell (11 entre 10 rockstars foram apaixonados p/ ela)
A mais disputada – Carly Simon( Warren Beatty e Mick Jagger que o digam)
A nascida para perder – Billie Holiday
A mais peituda – Dolly Parton ( Pamela Brandon fica no chinelo, maninho!)
A mais bonita – Julie London( Ver suas fotos, principalmente as dos anos 50)
A melhor compositora – Carole King ( autora de 8 primeiros lugares no top10 da Billboard)
A branca de alma negra – Janis Joplin
A negra de alma branca – Diana Ross
A que calça 44 – K D Lang

Se fossemos armar uma versão nacional dessa parada de fracassos, o primeiro quesito seria de Dalva de Oliveira, o segundo ficaria para Elza Soares, o terceiro para Paula Santoro, o quarto seria uma disputa entre Maýsa e Elis Regina, o quinto ficaria para Marisa Monte, o sexto para Alaíde Costa, o sétimo para Norma Suely, o oitavo disputado por Lilian Knapp e Paula Toller, o nono para Dona Ivone Lara, o décimo para Leni Andrade e o 11º uma disputa apertada entre Bethania, Gal e Simone. Graças aos orixás, o país não possui- em minha opinião- nenhuma cantora negra de alma branca. Qualquer discussão basta mandar um emeio (lsnvic@hotmail.com ).

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Berry Rides Forever

Quem fez a resenha da apresentação de Chuck Berry ontem em Sampa nunca deve ter tido maior contato auditivo com o velhinho nem sabe detalhes a respeito dele. Chuck nunca deu importância a afinação, acompanhamento e acompanhantes em toda sua carreira. Segundo suas próprias palavras, “quem não conhece as músicas de Chuck Berry”?
Partindo dessa premissa verdadeira, pois quem não conhece Berry não conhece picas de rock, não importam os títulos nem o state of art do acompanhamento. Basta um riff de entrada e a afinação em mi e estamos conversados, pois quase todas as músicas de Chuck são quadrados obrigatóriamente passando por mi, mi 7ª, lá e sí. E, para acompanhar isso, qualquer músico serve. Foi gozando Chuck Berry que Miles Davis fez o seu célebre comentário “Qualquer um que saiba três acordes pode pegar uma guitarra, subir num palco e se apresentar. Experimente fazer isso com um violino”. E, utilizando essa gozação em proveito próprio, Berry se aproveitou da facilidade de assimilação de sua música para usar músicos locais para acompanhá-lo, deixando de lado a preocupação de ensaiar uma banda de apoio e tê-los sob contrato. Na verdade, essa preocupação era de quem o contratava, já que ele sempre comparecia, acompanhado da guitarra e mais nada. Só nesses últimos tempos é que seus filhos o têm acompanhado, mais devido a razões de idade e saúde do que outra coisa qualquer.
Mêdo? Essa palavra não consta de seu vocabulário. É bom lembrar que, durante sua carreira, Chuck já dormiu em trailer, bordel e motel de estrada, só para citar alguns lugares agradáveis pelos quais se hospedou para não ter que gastar mais que o necessário. Sua "mão fechada" é folclórica.
Uma das únicas vezes em que Chuck ensaiou com uma banda de apoio foi nas gravações daquele filme que Keith Richards fez sobre a comemoração de seu enésimo aniversário em St Louis. E, mesmo assim, de uma forma bem renitente. A vida de Chuck é o estereótipo do roqueiro cantado por Bo Diddley em “Have Guitar, Will Travel”, numa paródia roqueira ao seriado televisivo “Have Gun Will Travel”( aqui passou com o nome “O Paladino do Oeste”).
Do mesmo jeito que o Rádio Taxi se apresentou em todas as feiras e bibocas existentes em solo tupiniquim, Chuck Berry se apresentou em todos os lugares possíveis dentro do solo norte-americano.”Conheço esse país melhor que qualquer presidente que ele já teve”, garante ele. Pode ser que sua resistência física não seja mais a mesma com a qual ele saiu de St Louis, mas o pique da sua música vai continuar eterno. Long Live Chuck! Long Live Rock!- com a saudação de um Pete Townshend agradecido pela influência e que nunca teve de se valer de uma composição de Berry para seus repertórios de banda.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Diferenças Definidas e Definitivas

Quem lida com áudio e música e é egresso da era analógica vai sentir bastante saudade dos antigos tempos. A diferença entre a digitalização e a analogia é definida pelo fim da modulação gradual e definitiva no 0(sem conteúdo) e 1( com conteúdo).
Qualquer fade(seja in ou seja out) não se realiza mais com a suavidade que era possível anteriormente num equipamento analógico. Num equipamento digital ou no áudio digitalizado, a passagem do 0 para o 1 e vice-versa sempre é abrupta. Acabaram-se as graduações. Sobraram só os Levels( níveis). O que era antes um defeito da equalização gráfica( sempre preferí a paramétrica) hoje é a constante do áudio digital. Não existe mais qualquer tipo de meio termo.
Quanto a qualidade obtida, a melhoria é inegável já que a reprodução é perfeita- desde que o digital seja o padrão do princípio ao fim. Reproduzir ou remasterizar áudio analógico em formato digital nunca dá certo. A maioria das vezes, a tentativa termina em tragédia auditiva.
Senti isso na carne agora, no digitalizar a minha discoteca vinílica. A primeira grande tragédia foram os Beatles. Todo o material mono- gravado entre 62 e 66, foi digitalizado sem maiores problemas. O recanalizado para estéreo ou o já gravado nesse padrão sofreu uma modificação, no mínimo, curiosa: a mixagem original foi completamente alterada sem maiores razões. Assim, instrumentos que estavam obscurecidos tiveram sua participação realçada e , em algumas faixas, os vocais foram simplesmente suprimidos! Isso aconteceu nas versões em alemão para “I Want to Hold Your Hand” e “She Loves You”. “ Across the Universe” ficou bem mais psicodélica e em “Come Together” um sintetizador moog apareceu não sei de onde fazendo a linha musical. Incrível! Agora: é nessas horas que você sente que clássico é clássico e não se fala mais nisso. Essa classificação fica para “All my Loving”- em minha opinião, a faixa mais perfeita gravada pelo quarteto e a qual eu imponho ditatorialmente como o melhor single deles.
Outra tragédia, em minha opinião de profissional do assunto, vai acontecer com o rádio digital, mais particularmente nas rádios em processo de automatização- futuro das rádios musicais. Nelas, não haverá mais nada mixado. Todo o conteúdo terá interrupções mínimas e sensíveis àqueles que, como eu, são originários da era analógica. Assim,a passagem de uma fala para uma vinheta ou dessa última para a notícia, a comercialização, ainformação de prefixo e tudo o mais terão essas interrupções mínimas entre 0 e 1 e que, garanto, vão encher o saco.
Já com as rádios operadas manualmente, esse problema dificilmente ocorrerá e, acredito, que esse fator será determinante de audiência, pois a diferença entre as apresentações será gritante. Em minhas previsões, a procura de mão de obra especializada não vai cair e haverá sempre uma oportunidade para o desabrochar de talentos e um lugar ao sol para os mediocres, pois mesmo suas falhas gritantes vão superar a perfeição fria do maquinário. Isso eu espero que aconteça. Como nada é definitivo.....
Definitivo apenas é o estado de coisas, já que não existe a mínima chance de se retornar a analogia. O custo para esse retrocesso não vai compensar e a qualidade digital nunca será atingida. Nada será como era e isso, eu sei que vai acontecer, queiram os luditas ou não queiram.

terça-feira, 17 de junho de 2008

MTV Out!

Os assinantes da Sky devem estar putos pois não estão mais recebendo o sinal da MTV, a primeira e melhor geradora de conteúdo musical existente no país. Críticas a parte, a MTV é a única força criativa a aparecer na TV Brasileira nos últimos 20 anos, com as melhores vinhetas e soluções únicas e inéditas como o RockGol e os “piores clipes”, consagrador de Supla e seu “Japa Girl”- uma das piores coisas que eu presenciei em toda minha vida de janela.
Foi nela que eu descobri o Marcos Mion, a minha musa Marina Person e formatos de programação musical bem interessantes. Como único defeito, a pretensão em ser definitiva e a autocolocação no mercado eletrônico num pedestal semelhante ao que a “Folha” se colocou no mercado impresso. Resultado: com raras exceções, nenhum de seus revolucionários televisivos deu certo debaixo dos refletores da concorrência. Exemplos? Onde está hoje a Sabrina Parlatore?
Fazer TV na editora Abril deve ser muito difícil, pois eles são bitolados na cultura que tem papel como mídia de armazenamento. Todas as excursões fora da herança de Gutenberg sempre tiveram final trágico, haja visto a tentativa de ter uma gravadora e agora essa “diferença contratual” com a Sky, que indica para mim que a MTV está subindo no telhado. Eu e muita gente que assiste seu conteúdo esperamos que não. Quem sabe, né?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

A Minha Rádio



Uma das coisas que a digitalização de meu acervo( acervo?) está me proporcionando é a montagem da minha emissora de rádio que, futuramente, estará no ar pela rede em shout cast. “Vem aí a Hitech – o melhor da música do século XX – a rádio que toca o que eu gosto”.
Por enquanto, estes são os três textos de identificação de meu produto, que, vai apenas satisfazer ao meu gosto pessoal. Afinal, não é a rádio que toca o que eu gosto? Então? Não vai tocar bunda music nem pagode, vai seguir a fórmula que propusemos na Antena 1 com algumas imperfeições(10% de música nacional) e será totalmente automatizada. Já tenho voz padrão, hora certa em castellano e estou montando as vinhetas- até o momento temos a do “playlist digital” e o “Bestmixhitech”. Teremos mais coisas que, futuramente, poderão ser comercializadas. Para que isso aconteça, contarei with a little help from my friends e basearei a rádio em BH, mais precisamente no Monsenhor Messias, onde ficará meu novo castelo, dotado de baixinha rainha e bonitinho cão de guarda.
Como não pode deixar de ser, a rádio é uma rádio experiência, toda feita em cima de software livre ou licença GPL, usando material de produção feito por mim ou FFA(FreeForAll). Toda a programação musical é produzida em um SoundForge e a máquina “no ar” não é a maquina da produção, no sentido de evitar visitantes indesejáveis.
Assim vai ser a minha rádio. Sem preocupação de estar atualizada e sem paranóia de audiência. O custo é baixo e dá para aguentar um vermelho imprevisível. Sem handicaps e sem surpresas. Até o momento, apenas um probleminha- manter a modulação em 100%. Mas, isso é resolvível. Depois eu conto mais.

domingo, 15 de junho de 2008

Sunday Morning



Tenho a impressão que o silêncio que faz trilha para a manhã desse somingo é em homenagem ao Jamelão, resistente até a última trincheira. É o terceiro da música nacional que bate as botas nesse mês- e ainda falta uns 40 dias para o início de agôsto, né mesmo?
Morrisey é que tem uma letra que fala que todo dia é cinza como domingo(“Everyday is like Sunday/Everyday is dark and gray”). Já para mim, domingo sempre foi dia de trabalho, já que dar plantão em redação é ir de encontro ao nada, como em qualquer outro dia no qual você cumpre a jornada, como num jogo de baralho onde você sempre perde tempo e dinheiro, pois nunca te pagam o devido.
Essa mais valia sempre pesa em qualquer relação, seja ela de trato ou de cultura, seja no falecido Jamelão ou num Morrisey vivo e obscuro. Na minha visão crítica, Jamelão- apesar da idade – nunca venceu seu prazo de validade. Foram 58 anos à frente do samba-enrêdo, colocando voz e afinação para a multidão que desfilava os temas propostos e vencidos na quadra por alguém da ala dos compositores. Já quanto a Morrisey- sua validade se encerrou em alguns trabalhos(“The boy with the thorn in his side”, “Panic” e a já citada) e teve como destino a estante e o sumiço. Que nem eu quanto a vida profissional. Fiquei ultrapassado e ponto final. Ninguém me quis mais. Também não fiz peregrinação a cata de emprego. E recusei dois convites para voltar ao lugar de onde tinha sido demitido.
Apesar da fantasia, é nessas horas que você vê como não é bom precisar do holofote, ser alguém entrevistável. No dia que a moda própria acaba, você vira uma Gloria Swanson a procura de um crepúsculo dos Deuses próprio, em busca de uma última atração que dê sopro de vida ao boneco de barro que você encarna. Isso é que é crueldade mental. Tenho pena das Gretchen da vida, das capas de playboy e de quem apareceu por um momento. Como diria o velho Carlos Inácio, nada substitui o talento. Ele é que vale.E isso Jamelão tinha de sobra.

sábado, 14 de junho de 2008

Inéditos & Exclusivos

Esse sábado o segundo caderno do Globo traz matéria com Lula Freire, suas histórias sobre bossa nova, suas gravações, seu apartamento e, num pé de página, a celeuma que está causando o leilão de peças inéditas de Fernando Pessoa por seus herdeiros.
Enquanto Lula Freire é obrigado a bancar a gravação em CD das fitas que gravava em seu ampex das reuniões que aconteciam no apê da Toneleiros(ou Tonelero?), em Lisboa a questão é entre herdeiros e o Estado, já que o atual governo declara que vai impedir a saída do material do poeta daquele país. Segundo estudiosos, o material mais impressionante a ser leiloado é a correspondência secreta entre Fernando Pessoa e Aleister Crowley – ídolo de Raul Seixas e do qual Paulo Coelho é apenas uma cópia mal feita.
Tanto o caso Lula Freire quanto o caso Fernando Pessoa dão sentido a ambiguidade que reside no conceito preservação dentro daquilo que se tenta reunir como cultura local. Enquanto aqui se o proprietário do material não se mobiliza para preservá-lo, ele desaparece, lá o proprietário – ao menos na preservação – encontra um Estado com pretensões de fazê-lo.
Numa associação de idéias daquelas dignas de serem baseadas num baseado(vide Ezequiel Neves), encontrei material exclusivo e inédito dentro de minhas coisas! Como já é de conhecimento público, estou digitalizando meu arquivo por uma série de razões, a principal delas para me adequar a revolução tecnológica e a teoria da informação reversa- a qual defendo e estudo. E, nesse trabalho insano me deparei com uma série de gravações ao vivo, indo de Aerosmith até The Tubes, Kinks( dois shows distintos com duas décadas de diferença), Hendrix, Ashford & Simpson, Four Seasons e muitos outros. Estou digitalizando tudo para a posteridade e depois vou dar um grand finale na coisa, montando tudo em CDDA. Como as gravações são praticamente inéditas e estão fora de catálogo, acredito que muita água vá rolar debaixo da ponte. Assim, vamos a luta pois isso interessa apenas a mim e não a um Estado Nacional que, depois dessa, deve me considerar um colonizado cultural daqueles. Sou mesmo e com muito orgulho. Ah! A foto é inédita- O pai de Elvis com o Cel. Tom Parker no jardim de Graceland.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Yesterday Papers

Ontem, antes de cair no sono, fiquei matutando no escuro se é ou não é interessante a mim mesmo criticar e apontar defeitos naquilo que li e ouvi nesses meus últimos 45 anos de janela. Só uma coisa eu nunca fiz. Ignorar e falar mal. Nunca dei uma de José Ramos Tinhorão. Esse conseguiu falar mal do disco de Milton Nascimento com Wayne Shorter sem ouví-lo. O que aliás, guardando as devidas proporções, considero uma das grandes histórias contidas no “Não ouvi e não gostei”.
Já alternei ódios intelectuais extremos por Jorge Mautner(“Narciso em Tarde Cinza”) e Wally Salomão(“Me segura que eu vou dar um Troço”) com total indiferença. Depois, rotulei-os como dois males necessários ao desenvolvimento de uma contracultura tupiniquim, se é que isso aconteceu no país em algum tempo, nas cinco últimas décadas do século XX.
Ouví ví e lí material completamente indigente como Sergio Bandeyra, Carlos Lee, Luiz Carlos Porto e Paulo Coelho, como ouví, lí e ví material bom de Ernesto Bono, Paulo Gomide, Luiz Carlos Maciel, Lulu Santos, Ezequiel Neves, Charles Bukowsky, Paulo Francis, Ben Fong-Torres, Jan Wenner, Pedro Alexandre Sanches, Artur Dapiéve, Brother e Antonio Carlos Miguel. Por outro lado, nunca levei em consideração material escrito por Nelson Mota, Ary Vasconcellos e toda uma dita crítica flutuante e gravitacional existente na periferia.
Estive presente à Redações e mais redações, desde a Rua Marques de Caravelas até a Rua Equador, passando pela Rua da Lapa, Rua do Russell e indo até a Rua do Livramento. Visitei assessorias na rua Itaipava 44, rua Santa Clara 50, rua Mena Barreto 151, rua Visconde do Rio Branco 50 e Rua Alice 171. Em suma: trabalhei pelo Rio todo e andei meia cidade na cata de material de trabalho. Nem quando fui office-boy de meu pai andei tanto pela cidade maravilhosa. Exemplo: Cês sabem onde é a Rua Desembargador Viriato? É aquela ruazinha espremida entre o consulado norte-americano e o prédio ao lado, onde ficava a sala de exibição da Paramount. Aí eu me pergunto: valeu o esfôrço?
Valeu, pois assisti a muita coisa que hoje eu leio deturpada no texto de pessoas que apenas ouviram falar e dou boas risadas. Caí na gargalhada quando li a “biografia” de Tim Maia como sei que vou rir até perder a respiração com qualquer coisa escrita sobre Raul Seixas. Já vindo na contramão temos a biografia de Roberto Carlos, bem escrita e realmente muito bem apresentada. Não sei como o Roberto deu aquele chilique. Coisa de gay, né mesmo?
Só sei que fui dormir tranquilo e sem remorso de ter falado mal daquele trabalho cometido pelo Som Imaginário- aquele aborto eletrificado que só serviu mesmo para atuar como banda de apoio de um Milton Nascimento em início de carreira- este sim, um moderno naqueles tempos difíceis.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Modernidade Ridícula

Se o amor é o ridículo da vida, a tentativa de se fazer moderno também é. Principalmente na Música Brasileira. Cometeram esse vandalismo comportamental com Vicente Celestino, quando um produtor cujo nome a terra esqueceu o fez gravar um repertório bossa nova. E Nora Ney quando gravou “Rock Around The Clock”?
É isso. Assumir certas posturas coloca muita gente que procura um sentido para o trabalho , de repente se colocar no sentido inverso virando chacota. Acho que um dos grandes exemplos históricos dessa colocação está no LP do Som Imaginário que leva o título com o nome tem como registro MOFB 3658(EMI-ODEON), lançado em 1970 e que traz “Feira Moderna”, defendida por eles no Festival da Canção. Como sempre aconteceu na indústria cultural tupiniquim, a melhor coisa a se fazer para faturar um troco e ser novidade, mesmo que essa novidade toque as raias do desespero em indigência ou falta de criatividade.
Tirando “Nepal”, o resto não resiste a um corte epistemológico que seja. Estou usando esse álbum como exemplo devido a tê-lo digitalizado ontem. Resgatei apenas três de suas faixas(“Sábado”, “Nepal” e “Feira Moderna”). O resto não vale a pena nem citação.
Voltando a modernidade, o ser moderno é se sentir moderno e não se fazer moderno. Eu, no meu caso, já não carrego nada que possa ser colocado como traço de modernidade. Acho tatuagem uma coisa ridícula, me visto o mais a vontade possível e reconheço minhas limitações. As únicas coisas que gosto são microinformática e música eletrônica e, mesmo assim, dispenso o consumismo tecnológico desnecessário. Quanto a modernidade, sei que ela existe, mas acho que ainda vai demorar um pouco para eu me chegar a ela. Exemplo? HDTV ou rádio digital. Vou esperar sentado para que a coisa se torne palatável e passe da fase demonstrativa. Não estou nem um pouco ansioso. Aguardo apenas o desfecho. Acho ridículo ficar fantasiando sobre possibilidades e certezas. Já foi o tempo.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Vale a Consulta


Nossa ilustração de hoje é o rig de aparelhagem com a qual Eddie Van Halen se apresentava em 1997. Ela consta do banco de dados do "Guitar Geek"(http://www.guitargeek.com/). Lá, os aficcionados poderão encontrar dados com o instrumental e a aparelhagem de todos guitarristas conhecidos do Rock e de alguns outros segmentos contemporâneos.

Ela serve para mostrar também que ser guitarrista de uma banda não é tão simples como pegar uma guitarra, plugar num amplificador e sair pelas bocas esmurrando o encordoamento. As vezes a coisa é uma ciência e bem mais cara do que a gente imagina.

terça-feira, 10 de junho de 2008

CHUCK BERRY PLAYS!

Chuck Berry vêm ao Brasil para quatro apresentações. Pela primeira vez em toda a sua vida, ele traz dois músicos na bagagem: seu filho e sua filha. Berry Jr toca guitarra. Ingrid faz backing vocals e toca harmonica, “tão bem como Steve Miller”, garante o pai.
Chuck é velho conhecido. A primeira vez que o vi Live no Brasil foi em Belo Horizonte, numa performance antológica, num dos galpões da avenida dos Andradas. Inesquecível sempre. Assisti a todos os filmes dos quais participou, incluindo aquele longa metragem bancado pelo Keith Richards, no qual a Ingrid aparece fazendo backing vocals, mas sem tocar harmônica. Quem for vê-lo não vai se decepcionar. Apesar de seus 81 anos bem vividos(E como!), o velhinho é bem mais interessante que Lenny Kravitz, só para citar um exemplo.
Só guardei de memória que ele se apresenta em RJ, Sampa, Curitiba e Porto Alegre, já que achei a matéria publicada no G1 uma merda de mal escrita. Para quem quiser se aprofundar mais sobre o autor do riff mais famoso do R&R, aqui vão dicas: sua melhor antologia é “28 Rocks for all the time”(Chess), seu melhor disco ao vivo é “Chuck Berry Live with The Steve Miller Band”( Mercury) e sua faixa mais vendida é “My Ding-a-Ling”(Quem acreditou que era “Johnny B Goode” se fudeu). Na ilustração, uma montagem de suas imagens. Em cima ele e Berry Jr. O passarinho é CrazyBird, uma dublagem que fez para um pássaro que se diz o pai do rock num desenho animado digno de ser visto. A outra foto dele com alguém, o alguém é Carl Perkins. No mais, suas fotos mais famosas e a pauta do riff de "Johnny B Goode". Ah! O amplificador é um Fender Twin Reverber- o preferido por Chuck desde 1962. Já suas guitarras sempre foram as Gibson ES-335( também a partir de 1962, antes disso valia qualquer uma). Quando perguntado quem era "Maybeleene"( seu primeiro sucesso), ele respondeu:" Era uma vaca".

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Models of Yesteryear

A Necessidade é a mãe da invenção, da descoberta e da novidade. Foi a necessidade que fez a cobra andar e o sapo sair pulando. Foi ela que fez as gravadoras norte-americanas buscarem uma saída de divulgação após o primeiro grande escândalo da payola( aqui o famoso jabá), que custou a carreira de muita gente mais ou menos boa, incluindo Alan Freed – considerado o pai e primeiro grande divulgador do Rock and Roll.
A solução encontrada foi o “Radio Express” – uma compilação das “faixas de trabalho” de todos os lançamentos de todas as gravadoras, distribuídas mensalmente à todas as emissoras de rádio, de costa à costa. O serviço existe até hoje e é feito por assinatura, cobrindo todo o segmento considerado pop e, teóricamente, é usado como base para a pesquisa de execução da Billboard.
As faixas de trabalho são as faixas que a gravadora aposta e quer que se torne sucesso dos lançamentos distribuídos em seu suplemento mensal. Antes do Radio Express, a gravadora era obrigada a entregar pessoalmente todo o suplemento mensal em toda a rádio musical de audiência.
Hoje é bem mais fácil se entregar o Radio express, além da economia que é feita nesse tempo de vacas magras. Desde os anos 80 do século passado que o serviço é distribuído mundialmente e, toda a rádio considerada atualizada, é obrigatóriamente assinante. Senão, ela dança legal no high society.
É porisso que é bobagem o artista ir entregar pessoalmente seu lançamento em uma emissora, a não ser que seu empresário negocie uma “promoção”. Sem esta última, a música não vai tocar mesmo que tenha todas as características de sucesso. Quanto as gravadoras, essas disponibilizam os Mp3 interessantes via BBS. É mais fácil, menos custoso e acaba de vez com o jabá desinteressante. Quanto às promoções, elas são negociadas diretamente no departamento comercial da emissora. É assim que a coisa é feita. Na ilustração, um CD da versão latina do Rádio Express, lançada nos anos 90.

domingo, 8 de junho de 2008

30 anos de "Dancin Days"

Eu tinha já escrito meu post de hoje quando, por uma cagada do destino, fiz uma merda operacional e lá se foi pelo ralo a história de como Tárik de Souza foi apelidado de “croquetão do maraca”, por Cássio Loredano, em um vibrante Flamengo e Vasco no Mário Filho, depois de uma garfada arbitral dada em Roberto Dinamite.
O post tinha a ver também com bundamusic e o título “Quica o Melão”, dado por um cara que se assina MC Frank e fez sua melô em homenagem a mulher melão. Para quem não sabe, a nova bundona é.....musa dos taxistas! O título do post era “joga a mãe prá ver se quica”, frase dita nos anos 60 quando um mané quarqué te jogava algo em cima. Daí veio na lembrança a história do croquetão, etc e coisa e tal.
Graças a Deus eu não tinha dado uma olhada no jornal e , descobri lendo a capa, que “Dancin Days” está comemorando 30 anos, com direito, inclusive, a artigo de Gilberto Braga.
A novela, que consagrou Sonia Braga, serviu de trampolim para as Frenéticas e lançou oficialmente a disco music no país. Devido a ela, a febre disco tomou conta da mídia e as gravadoras entupiram o mercado de produtos de alta diversidade, indo de coisas ótimas(Grey and Hanks – “You Fooled Me”) até a atentados como Dee D. Jackson(“Automatic Lover”) e Gretchen, a pioneira da bunda music!
Além de não cantar, Gretchen tinha uma bunda horrível. A de Sula Miranda, sua irmã, era bem mais bonitinha. E, depois da aparição de Scheila Carvalho e das atuais musas da bunda music, a bunda da Gretchen ficou que nem seus vocais- uma bosta!
E, nesses 30 anos de idade, “Dancin Days” está gerando clones. “A Favorita” tem o mesmo roteiro inicial, com a Patrícia Pillar sendo a nova Júlia. Aguardem para ver se a cópia continua. E, associando idéias, a montagem de hoje fica para o visual da bunda music, com bundas de fazer a Gretchen chorar de raiva.

sábado, 7 de junho de 2008

Emenda & Soneto

Não sei se algum dos meus leitores já foi a algum lugar devido a uma letra de música, mas eu já: Fui a Galveston( Texas) por causa da letra da música de mesmo título que o Glenn Campbell cantava. E realmente a cidade funciona, dentro do padrão texano de exagero, com praias razoáveis e tudo mais. O soneto foi legal e nele aconteceu uma tremenda emenda! Van Halen passava pela cidade com a tour do “Woman and Children First”. E lá fui eu em direção para ver um show do qual eu saí siderado.
Repeti a dose aqui no Maracanazinho, fudido devido a um acidente de moto, sentado numa cadeira de rodas e carregado pela namorada de então. Acho que a formação que eu assisti- com David Lee Roth nos vocais- foi a melhor delas, apesar do Sammy Hagar não cantar mal. Mas, Lee Roth era Lee Roth e sua piroctenia corporal complementava a loucura das seis cordas agredidas com presteza por Eddie.
Já se passaram mais de 20 anos e hoje a banda apresenta um Van Halen vítima de cancer e, apesar dele e Michael Anthony terem voltado às boas, o pique não é mais aquele. Li no G1 que, nessa última tour, o grupo faturou mais de 90 milhões de dólares, etc e coisa e tal. Acontece que, na atual fase, a emenda fica bem pior para o soneto daquele que eu considero o mais espantoso guitarrista que eu já vi em live appearance. Mais showman só Jimi Hendrix. O resto não dá nem para o começo.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Vale a Embalagem




Isso é que pode se falar da ilustração, que é capa de “Rock´n´Roll Queen”(Mott the Hoople). Tirando a faixa-título, o resto é lixo. Essa conclusão pode ser aplicada a um monte de lançamentos, incluindo grandes títulos da lista “Os 1000 discos que você precisa ouvir antes de morrer”. Exemplos? “Araçá Azul”(Caetano Veloso), “Espuma Congelada”(Piti- o da Tropicália), “Tales of Topographic Ocean”(Yes), a maioria dos Elepês de Cat Stevens, todos os recitativos de Bethania escritos pelo Fauzi Arap( as capas dos LPs são ótimas!) e muitos mais discos lançados durante o século passado.
Escrevo sobre ele porque, a partir de 2001, não acompanhei mais profissionalmente a coisa. Vez por outra baixo alguns Mp3 e assim vou ouvindo música, descartando o que prá mim é lixo e estocando o que resta num dos n pendrive que tenho.
No século XX, a embalagem era um componente importante de qualquer lançamento. Quando o padrão CD foi adotado( 1982), a embalagem caiu por terra, pois a miniaturização do produto levou a uma perda de qualidade da imagem apresentada e a embalagem ficou reduzida à proteção, deixando para trás a chamatividade que era uma de suas características.
Ler uma contracapa era fundamental para o entendimento e dava gosto de ir ouvindo o produto e lendo o texto, muitas vezes escrito por alguém de nome e não pertencente a gravadora que bancava a produção. Para falar a verdade, o último grande texto que lí foi o do Tárik na caixa de CDs da Elis Regina. Depois dele, já encontrei texto assinalando a norte-americanidade de Ozzy Osbourne e alguns redigidos à base de ctrl-c/ctrl-v, numa pobreza total e indescritível.
Para me sacanear mais um pouquinho, hoje o texto vêm escrito num corpo microscópico e ler até nome de faixa é um exercício. Eu num guento. Té manhã.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Delírio Completo

Querendo ou não, isso mexe comigo. Sou chegado e, quando ouço alguma coisa do gênero, batuco onde puder. Acho que o samba enrêdo é a verdadeira maldição que todo carioca carrega no sangue. Já falei aqui de algo parecido e volto a falar de novo, ainda mais hoje, quando acordei com um time carioca na final da Libertadores, time esse que muitos da montagem que ilustra esse post eram torcedores.
Sei de cor “Avatar”, “Os Cinco Bailes da História do Rio”, “Lapa em Três Tempos”, “Xica da Silva”, “Pega no Ganzê”, “Bum Bum Baticumbum” e canto coisas como “Sorriso Negro”, “Flor e Espinho” e “Ao Povo em Forma de Arte”.
Meu problema é ter sido colonizado pela força da mídia na qual eu sempre tive ligado- o Rádio. Quando ele ficou proibido de tocar coisa nacional e aderiu à música que não era censurada, colei ele no ouvido e fui a luta. Apesar disso, não troquei o surdo de marcação pela guitarra. Juntei os dois e cheguei onde cheguei. Na última fronteira musical. Minha jornada pelas Estrêlas vai além de um simples almôço, como fazia o Aérton Perlingeiro- um dos primeiros picaretas que conheci, tão ou maior que Abelardo Chacrinha Barbosa.
No contato com a coisa Brasil, tive próximo de picaretas de todas as facetas. Elitizados como Guilherme Araújo ou classe Z como Heleno de Oliveira.
Deixando de lado esse material de desconstrução, passei perto de figuraças como Serjão Cabral, Tárik de Souza e Júlio Hungria, da Familia Carvalho(Guti, Mu, Alberto Carlos, Cláudio e Dadi), Liminha, Gregório Nogueira, Chico Neves e outras personalidades universais dentro do meu imaginário musical, que fazem a letra do samba enredo cultural em que vivo pela força do destino.
É chato dizer que escrevi tudo isso numa associação de idéias por ter sentido o Rio pulsar ontem no meu coração, ao ouvir meus vizinhos tricolores berrarem como puros torcedores pela chegada à final da Libertadores. Meu Fogão? Por enquanto tá na cozinha, amargando um 14º lugar no Brasileirão, mais prá samba-canção do que enredo de seja lá o quê.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

News of the World

As novidades vêm dar a praia, num largo rasgo de sereia. A única deusa maia que achei entre elas foi o Dandy Warhols( capinha da lua). Há também um jazzista, de nome Taylor Egtsi, que tem uma levada boa e o grupo que o acompanha toca bem. Segundo o http://music.download.com/ , ele está na mesma categoria que Oscar Peterson. Na minha opinião, achei ele bem mais para Ramsey Lewis com toques de free. Como gosto não se discute, deixo para você e meus três leitores uma apreciação mais detalhada.
Como não sou avêsso a novidades, continuo a ouvir música do mesmo jeito que sempre, não segregando nada que eu ache que mereça 30 segundos do meu tempo. O problema é que aguentar esses 30 segundos as vezes tem sido de uma dureza atróz. Muito raramente os 30 segundos passam de quatro minutos. Os últimos a receberem tal distinção foram o Dandy Warhols e o Egsti( o cara de mosca na ilustração). O resto que eu baixei não está muito digno de nota, a não ser o velho Mudhoney.
O site do qual eu coloquei o link acima tem mais de 115.000 MP3 para serem baixados e vale a pena uma perscrutada, pois, como quem procura acha, sei que você não vai sair de lá desapontado.
Eu baixei a seguinte lista:
Taylor Egsti - Less Free Will(jazz instrumental)
13Ghosts - Beyond The Door (misto de Clash com Britrock)
Mouse on Mars - Chartnok (Groove eletronico)
Amos Lee - Ease Back(Para quem gosta de Eagles....)
Ed Banger Vol.III Mixed By Feadz - Ed Rec Teaser III
Megaphone - Danger Danger(Ice T nos melhores tempos)
Black Francis - The Seus( Lembram de Sylvester? É isso.)
Chin Chin - Appetite (Um groovy bem suave e ótimo)
The Dandy Warhols - Come On (Ultravox com Pink Floyd)
Mudhoney - I´m Now (Bem grunge, fazendo coisa boa!).
Faça a sua caça e dê cumprimentos para seus tímpanos. Um abração.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Essa "dona" morte num tem jeito, né?

Basta a gente ficar longe uma semana e dona morte vêm aprontar das suas na terra. De uma tacada só, ela levou para junto de si Toinho Alves, Moacir Santos e Bo Diddley. A perda é irreparável, já que, guardando todas as proporções possíveis, os três eram únicos em seus segmentos.
Toinho e seu Quinteto Violado foram os responsáveis pelo resgate de uma parte do folclore nacional que estava jogado às traças desde que Jackson do Pandeiro, Almira Castilho e todo um repositório realmente popular da caatinga tinham deixado de ser cult e haviam voltado à condição de pau de arara pela vontade da então “elite” do disco no país.
Já Moacir Santos por toda a sua contribuição à MPB elitista e colonizada, que foi obrigada a deixar de lado um preconceito e aceitar seus arranjos e suas idéias instrumentais, que resultaram, inclusive, na fundação de um selo dedicado à música instrumental tupiniquim.
Quanto a Earl “Bo Diddley” McDaniels, o rock, o r&b, o funk, o rap e o blues agradecem penhoradamente a sua participação no processo de composição da trilha musical que sonorizou o conflito de gerações.
Bo contribuiu para todos os ritmos citados acima, sendo o único dos rocknrollers que eu conheço a ter música tocada em baile funk carioca(“Hey Jerome”). Foi o primeiro a se confessar “addict” de alguma coisa(“The pill”), numa época em que as pessoas apenas insinuavam(“O homem do braço de ouro”).
Inventou o “Jungle Rhytim”, copiado por Buddy Holly, The Animals e The Rolling Stones(“Mona”, “Not Fade Away”, “The History of Bo Diddley”) e gravou o primeiro rap da história(“Say Man”, em 1959). Além disso, participou de gravações históricas de Muddy Waters, Willie Dixon e Chuck Berry como guitarrista. Segundo Dixon, que além de artista era produtor da Chess Records, Diddley era a guitarra rítmica mais metronômica que havia em Chicago.
Com a morte de Diddley, sobram apenas dois dos primeiros popstars do rock: Little Richard e Chuck Berry. Esse último disse que vem ao Brasil ainda esse ano. Vamos ver se dona morte não sacaneia a gente.