Basta a gente ficar longe uma semana e dona morte vêm aprontar das suas na terra. De uma tacada só, ela levou para junto de si Toinho Alves, Moacir Santos e Bo Diddley. A perda é irreparável, já que, guardando todas as proporções possíveis, os três eram únicos em seus segmentos.Toinho e seu Quinteto Violado foram os responsáveis pelo resgate de uma parte do folclore nacional que estava jogado às traças desde que Jackson do Pandeiro, Almira Castilho e todo um repositório realmente popular da caatinga tinham deixado de ser cult e haviam voltado à condição de pau de arara pela vontade da então “elite” do disco no país.
Já Moacir Santos por toda a sua contribuição à MPB elitista e colonizada, que foi obrigada a deixar de lado um preconceito e aceitar seus arranjos e suas idéias instrumentais, que resultaram, inclusive, na fundação de um selo dedicado à música instrumental tupiniquim.
Quanto a Earl “Bo Diddley” McDaniels, o rock, o r&b, o funk, o rap e o blues agradecem penhoradamente a sua participação no processo de composição da trilha musical que sonorizou o conflito de gerações.
Bo contribuiu para todos os ritmos citados acima, sendo o único dos rocknrollers que eu conheço a ter música tocada em baile funk carioca(“Hey Jerome”). Foi o primeiro a se confessar “addict” de alguma coisa(“The pill”), numa época em que as pessoas apenas insinuavam(“O homem do braço de ouro”).
Inventou o “Jungle Rhytim”, copiado por Buddy Holly, The Animals e The Rolling Stones(“Mona”, “Not Fade Away”, “The History of Bo Diddley”) e gravou o primeiro rap da história(“Say Man”, em 1959). Além disso, participou de gravações históricas de Muddy Waters, Willie Dixon e Chuck Berry como guitarrista. Segundo Dixon, que além de artista era produtor da Chess Records, Diddley era a guitarra rítmica mais metronômica que havia em Chicago.
Com a morte de Diddley, sobram apenas dois dos primeiros popstars do rock: Little Richard e Chuck Berry. Esse último disse que vem ao Brasil ainda esse ano. Vamos ver se dona morte não sacaneia a gente.

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