Para muita gente da minha faixa, é muito mais fácil se apegar aos anos 70 e ficar tentando resgatar a juventude do que encarar a decrepitude neste terceiro milênio. E, dentro dessa visão mítica do período, existe material de sobra para alimentar em quem não viveu aquele passado remoto uma visão “terra do nunca” a seu respeito.Eu, pessoalmente, gostei bem mais dos anos 60 devido às descobertas que fiz, aos sons que fui apresentado e ao estilo de contexto no qual vivia, percorrendo o caminho de Liverpool à San Francisco. um pouco descolado da visão desbundada que se seguiu, quando a contracultura caiu em mãos não muito contra e completamente a favor de um nada intelectual, onde muito pouca coisa se salvava em termos de produção local, pois, na minha visão, a produção local dos anos 60 foi infinitamente superior a da década que se seguiu( vide Mutantes, Milton Nascimento, Chico Buarque, Geraldo Vandré e a Tropicália).
Vendo o panorama de forma crítica, os anos 70 tem início com a perda de seus três maiores ídolos: Jimi Hendrix, Che Guevara e Janis Joplin.
E com a alteração da formação original dos Rolling Stones, realizou-se no inconsciente coletivo que a sensação de perda causada com o fim dos Beatles teria como acréscimo o saber de que Brian Jones nunca mais poderia voltar a figurar no grupo.
Outro demérito que vejo no período é a crise de egolatria que surgiu no rock com a formação dos chamados “supergrupos” que, em alguns casos, não disseram ao cenário para que se formaram.
Em compensação, diversos trabalhos consistentes ou novos caminhos de tocar música foram implementados, como o trato erudito de Emerson, Lake & Palmer, a entrada para o pop do Fleetwood Mac, o surgimento do Dire Straits e as carreiras-solo de Eric Clapton e Peter Frampton. No cenário local, as únicas coisas dignas de nota são a volta de Caetano e Gil e o surgimento de Raul Seixas, já que o subrock sem visão crítica que se fazia nunca teve apelo nem apoio da indústria cultural e sua batida estava com pouco açucar e sem gelo.
Sempre é bom lembrar que Tim Maia surgiu nos anos 60 e Luiz Melodia não é lá uma Brastemp que mereça ser citada como marco. É apenas mais um no cenário.
Alguns poderão justificar esse marasmo com o estado policial e a censura a qual nossa cultura estava submetida, mas – na minha visão – isso é apenas detalhe – pois , mesmo com ela, o “Almanaque Orion”(Ernesto Bono) circulava e os Novos Baianos diziam presente. Marinaldo Guimarães e Carlos Alberto Sion produziam shows e performances. Haviam eventos e havia mídia. O que faltava era material criativo para ser veiculado. É tudo verdade. Durmam com esse barulho.
Outro demérito que vejo no período é a crise de egolatria que surgiu no rock com a formação dos chamados “supergrupos” que, em alguns casos, não disseram ao cenário para que se formaram.
Em compensação, diversos trabalhos consistentes ou novos caminhos de tocar música foram implementados, como o trato erudito de Emerson, Lake & Palmer, a entrada para o pop do Fleetwood Mac, o surgimento do Dire Straits e as carreiras-solo de Eric Clapton e Peter Frampton. No cenário local, as únicas coisas dignas de nota são a volta de Caetano e Gil e o surgimento de Raul Seixas, já que o subrock sem visão crítica que se fazia nunca teve apelo nem apoio da indústria cultural e sua batida estava com pouco açucar e sem gelo.
Sempre é bom lembrar que Tim Maia surgiu nos anos 60 e Luiz Melodia não é lá uma Brastemp que mereça ser citada como marco. É apenas mais um no cenário.
Alguns poderão justificar esse marasmo com o estado policial e a censura a qual nossa cultura estava submetida, mas – na minha visão – isso é apenas detalhe – pois , mesmo com ela, o “Almanaque Orion”(Ernesto Bono) circulava e os Novos Baianos diziam presente. Marinaldo Guimarães e Carlos Alberto Sion produziam shows e performances. Haviam eventos e havia mídia. O que faltava era material criativo para ser veiculado. É tudo verdade. Durmam com esse barulho.

Um comentário:
MARINALDO GUIMARÃES era meu irmão. Digo era, pois acabei de ficar sabendo de seu falecimento ocorrido em 2003.
Agitador cultural, contra-cultura, putz, me lembro muito bem, subimos muito morro, pra fazer política, aquela época da fundação do PT, final de 70, início de 80, anistia, constituinte, une, conclat, cut; a gente tava sempre por ali na cinelândia, com MILTON THIERRY.
Passadas essas décadas, quando a gente procura informação sobre antigo companheiro, fica sabendo de seu passamento, mas ao mesmo tempo feliz de saber que ele é lembrado, aquele louco-doidão, frequentei muito a casa dele em laranjeiras, a Miriam, o Guilherme, músico talentoso... E assim o tempo passou. ..
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