Uma dúvida a ser dirimida pelos entendidos. A colonização cultural da música Brasileira começou com os “Oito Batutas”, com Carmem Miranda ou com o fatídico show de 1962 no Carnegie Hall?Agora, uma pergunta: Qual a influência das censuras ditatoriais( Estado Novo e Redentora)nesse processo de aculturação, acelerado enormemente pela mídia e por outros fatores exógenos à toda a industria cultural e os movimentos conflitantes existentes no seu escôpo?
Estou escrevendo um projeto sobre o conflito entre a geração pós-armistício, que se perdeu na segunda grande grande guerra e a geração que aceitou esse conflito, já nascendo em combate(Coréia) e que, até os seus 50 anos de nascida, não quis assinar nenhum tratado de paz com quem quer que fosse(2000 como ano limite). E é aí que surge a dúvida a ser dirimida: Pixinguinha? Carmem Miranda? Ou João Gilberto?
Segundo palavras de Johnny Alf – a quem eu considero um grande colonizado musical – a desculpa que deram para não levá-lo ao show do Carnegie Hall foi a de que ele não havia sido encontrado para que lhe fizessem o convite. O problema é que, naquele momento, ele estava em cartaz como atração numa boite paulistana já faziam oito anos! Na verdade, Aloísio de Oliveira não gostava dele e impôs a sua não participação na coisa. Entre um fã de Frank Sinatra e um imitador de Chet Baker, acredito que a coisa seja apenas uma troca de seis por meia-dúzia e estamos conversados.
Acho que essa rejeição a Johnny Alf por Aloísio de Oliveira é apenas uma compensação retaliatória à influência que têve no processo colonizatório de Carmem Miranda- omitida no documentário “Banana is my Business” propositalmente e, em outro sentido, para se livrar da imagem de agente da Ditadura Vargas junto à Holywood( ver sua participação no personagem Zé Carioca). É bom lembrar também que assinalar essa demonização de Aloísio de Oliveira agora deve deixar os comemoradores dos 50 anos da Bossa Nova em palpos de aranha já que- segundo a história oficial do movimento – se não fosse a gravadora ELENCO( de sua propriedade) não haveria nem banquinho nem violão.
Em minha modesta opinião, a bossa nova foi criada pela geração pós-armistício para mostrar que a colonização cultural poderia ser usada para injetar sangue novo em algo que eles consideravam decadente( A Velha Guarda, O Rádio, seus cantores e seus músicos). Ser moderno era tocar samba com trio de jazz(piano,baixo e bateria) numa batida diferente. Ou dedilhar o violão num sincopado diferente de Cesar Faria e Dilermando Reis. Ser moderno era ser assim. O resto era lixo. Hitler pensava do mesmo jeito. A Bossa Nova compensava seu fascismo cultural com o engajamento de alguns de seus membros no CPC da UNE.
O som da geração que aceitou o conflito e não teve paz só foi ouvido e consumido ad nauseam no BRock . Ele já vinha sendo gestado nas bandas de garagem que povoavam o Brasil com a invasão dos Beatles na mídia controlada a ferro e fogo pela ditadura, que calou a força o movimento musical da geração pós-armistício( vide Vandré e Chico Buarque).
O BRock se engajou no conflito e modificou seu formato. Não deu mais chance aqueles que se diziam portadores da voz do morro ou da voz do morto. Renato Russo tornou Chico e Caetano letras mortas na poesia musical. Era a vez dele (BRock) ser o rei do terreiro. A indústria musical nacional nunca faturou tanto! “Muito Estranho”(Dalto) vendeu 1.200,000 compactos! “Radio Pirata ao vivo”(RPM) vendeu 2.600.000 Elepês, num mercado onde o grande vendedor(Roberto Carlos) nunca havia passado do 1.500.000 .
O Movimento musical da geração que aceitou o conflito continua. Ainda tem muito caldo para verter. Ainda vamos assistir da ponte a um panorama em 360 graus. O resto é o que o título admite: uma via sul-americana de expressão musical até o hoje em dia. A Oxum nascida em Marco de Canavezes não é a grande culpada. Carmem foi apenas uma vítima do sucesso, sem o reconhecimento devido e que não aguentou a pressão da inveja e do despeito. O mesmo processo se repetiu com o RPM e vai se repetir sempre em cima daquele que for destaque nessa terra de gigantes. Será que já não ouvimos isso antes?

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