sexta-feira, 11 de abril de 2008

GABBA GABBA HEY!

Fui apresentado aos Ramones na casa do Ezequiel, numa tarde memorável, onde também o cardápio dispunha de Eddie&The Hot Rods, Ultravox, Bow Wow Wow, The Clash e muito mais drogas do Rock. Ser punk era a palavra de ordem. Quem não era punk ou skinhead era new wave, numa bichice coletiva- na qual até o falecido Guilherme Araújo participava. Todos queriam ser e porque não a gente, né mesmo?
O impacto dos Ramones naquilo que eu entendia como música foi devastador. Aquela muralha sonora básica, composta de distorção e um espasmo vocal demonstrava que voltar para uma raíz não passava apenas por três acordes. Passava também pela não-postura e por letras bem mais condizentes à realidade do que o be-a-bá de Chuck Berry e seus pontos de contato. Se, nos anos 50, Johnny era líder de uma banda de Rock e tocava guitarra com o som de um sino, o Johnny dos anos 70 era um reles cheirador de cola. Tudo era muito relativo e era isso o que Dee Dee Ramone me mostrava.
Enquanto os politizados babavam ouvindo Clash, eu, como autêntico Botafoguense, fiquei fascinado pelo som alvinegro daqueles novaiorquinos dementes. Eu sempre fui mais básico que qualquer modelito e essa simplicidade me acompanha ainda no sampler que faço em meu laboratório de sons estranhos. Entre o massacre da serra elétrica e o sétimo selo, escolho o primeiro. Meu conflito reside dentro da minha própria geração, num desajuste total, explícito e completamente trash. Está aí a bolsa- ditadura para comprovar o que escrevo. Se Caetano pode abrir mão da politização e engajamento em sua licença artística, por que Ziraldo e Jaguar não podem ser reembolsados pecuniariamente pelo prejuízo danoso que a realidade do terrorismo de estado lhes causou, sem pedir licença alguma? Pimenta só é refresco no rabo dos outros. Gabba Gabba Hey.

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