Esse ano não vai ser igual aquele que passou. As expectativas da letra de Zé Kéti vão ser confirmadas em vários pontos. Mas, se a fantasia de papai noel da indústria fonográfica vai ficar guardada, a fantasia de comprador do público consumidor também vai ficar pendurada.Apesar de todo incentivo ao consumo que o govêrno vêm dando, o brasileiro, antes de tudo um forte, também é gato escaldado. Já sentiu na pele crises, mais crises prá lá e prá cá, enquanto uma minoria- por escárnio ou por soberba – ostenta um luxo e uma avidez desmedida, financiada a custa de quem todos sabemos quem é.
Nesse contraste no qual Porsches último tipo e Passats 82 convivem nas ruas e, dentro das casas, MP3 e DVD Players ainda dividem estantes com gravadores/reprodutores de fitas VHS, quem deve fazer a festa é a pirataria.
Um exemplo: o AC/DC não gravava há oito anos. Seu último CD, lançado dia 20 do mês passado depois desse hiato, lidera a lista dos mais vendidos em 28 países e, nos Estados Unidos, com crise ou sem crise, já passou dos hum milhão em vendas. O consumidor poderá optar pelo oficial, a R$ 35,00 na loja ou a R$ 10,00 na rua – numa réplica de fazer inveja ao original de tão bem feito que é.
Apesar da revolução tecnológica ter bagunçado um pouco a sistemática, as gravadoras ainda existentes preparam o suplemento de final de ano, que deverá estar nas lojas até o próximo dia 30. Há quase 40 anos que a pirataria chega primeiro as bancas e vende bem o lançamento anual de muita gente. Vamos ver se esse ano continua a mesma coisa ou se vai ser diferente.
Enquanto chove crise lá fora, dentro de meu quarto de bagunça reina a descoberta de como mexer em um software novo. Baixei uma versão trial do Acid 7.0 da SONY e, usando meu banco de sampleres, estou compondo algumas trilhazinhas para o novo CD do “Laboratório de Sons Estranhos”- minha banda de música eletrônica. Já tenho quatro porretas, de fazer Carl Cox babar de inveja.
O “LSE” já vai para o terceiro CD ainda sem título. Os dois primeiros, “Clubber Lobotomy” e “Surfando no Caos” não podem ser encontrados na loja de CD mais próxima de sua casa. Por uma simples razão. Nunca mostrei eles para ninguém. Sempre considerei o “LSE” um projeto pessoal e nunca me interessei em mostrá-los. Talvez um dia eu mude de idéia.

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