Comecei a fazer colagens no Jardim da Infância. Cortava revista, catava daqui, juntava dali e colava em cartolina. As minhas obras-primas desse período se perderam todas, já que ficaram no colégio e devem ter sido jogadas no lixo. Não se sabe quanto o mundo perdeu com esse ato tresloucado de “Tia” Celinha- minha professora- de quem eu guardo as feições como se fosse uma fotografia.No Primário e no Ginasial continuei colando. Aqui, a colagem têm o duplo sentido que merece, já que colar em prova todo mundo colou. Quem não colou que atire o primeiro tubo de cola polar, tá sabendo?
No Científico e depois no Clássico( na minha época havia disso, meus filhos.....believe in it!)até que eu não colei como eu devia. Minha colagem, agora, era mais musical. Era colar a interpretação idêntica a original para tocar em bailinhos e em noites de dança em clubes como Radar, Caiçaras, Piraquê, ou então em festas de colégio – que não faltavam.
Quando comecei a trabalhar como operador de áudio e de gravação( bons tempos da Nacional, em 71),a mania de colar voltou na edição de trilhazinhas e comerciais para encartuchar. Tinha vontade alucinada de comprar um sintetizador Moog, mas ele era caro para caralho e fora das minhas posses. Com ele eu sabia que ia aprontar o capeta e a trajetória do “Laboratório de Sons Estranhos” seria outra, inclusive acredito que o Daniel Azulay fosse enveredar comigo pela senda em vez de ouvir a Beatriz Sidou e ir fazer moda naquela loja da Praça General Osório.
Até a invenção do sampler, minha mania de colar ficou restrita aos estúdios, que nunca foram meus e sim de rádios ou de alguém, como o Mané(Vambier), que, numa cagada financeira do destino, tinham conseguido algum e comprado o equipamento. Com o sampler, a revolução tecnológica e o barateamento do equipamento, eu cheguei onde estou. O “Laboratório de Sons Estranhos” está no terceiro CD e eu, até o momento, continuo feliz.
Pode ser que eu fique infeliz. Caso o PL 1999, patrocinado pelo Senador Eduardo Azeredo, seja aprovado, eu e muitos outros ficaremos impedidos de usar a Internet para música experimental, gravura concreta e outras atividades que necessitam de samplear, pesquisar e colar. Assine a petição contra o projeto, que vai trazer a Democracia Chinesa à Internet Brasileira, clicando aqui. Participe dessa campanha junto comigo, Sergio Amadeu e toda a comunidade GPL Nacional. Viva o Software Livre e Viva a Liberdade de Expressão.

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