quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Cultura e Civilização - Parte 2

Estamos ou não estamos a um passo da utopia? Nossos ídolos são os mesmos dos nossos pais? A saber, John Lennon, Toni Tornado, Martin Luther King Jr, Arlete Sales, James Brown, Wilson Simonal, Pelé, Curtis Mayfield, Sidney Poitier, Robert Nighthawk e uma série de artistas, brancos e negros, que lutaram contra as formas de preconceito em vigor no planeta, desde que a mídia fez por onde levar todas as vozes a todos os cantos?
Eu ainda acho que não, pois o preconceito existe e , por incrível que pareça, está ao nosso lado, escondidinho da silva. Existem ainda em bairros chiques e classudos, muitos senhores que discriminam seres humanos instituindo entradas e elevadores sociais e de serviço. Apartamentos de luxo são vendidos com DCE- “dependências completas de empregada” e o subemprego ainda marginaliza grande parte da população a quem a chamada elite sempre roubou os meios e os caminhos para que ela tivesse uma finalidade específica, especializada e recebesse o merecido e não dentro dessa mais valia exploratória que o sistema institucionalizou.
Apesar da eleição de Barack Obama estar sendo considerada uma vitória sobre o institucional da dominação e a realização do sonho pelo qual Martin Luther King discursou aos pés da estátua de Abrahan Lincoln, eu, dentro da MINHA visão crítica, considero a escolha de Gilberto Passos Gil Moreira para Ministro da Cultura por Lula como um dos maiores golpes que o preconceito racial disfarçado recebeu em toda a sua história.Um fato tão importante quanto o resultado dessa eleição que consagrou um negro como o cavaleiro da esperança de lá- um New Rider of the Purple Sage bem ao estilo Zane Grey.
Aqui foi preciso um governo eleito pelo povo mostrar a todos aquilo que alguns sempre quiseram esconder- a negritude da nossa cultura. E lá aconteceu a mesma coisa. Foi necessário o povo correr atrás para mostrar aquilo que todos sabem e alguns ocultam – a chicanização da cultura wasp.
E é essa chicanização que vai acabar com o ranço Bush e o seu neo-liberalismo venal, que transformou um país organizado em escombros(Iraque) e que quase destrói- em proveito de alguns executivos – a economia de maior consumo que já existiu na história do homem.
Numa análise fria e calculista, a eleição de Obama não vai significar muito para nós. Vamos continuar a ser o quintal do Departamento de Estado e, com a possível estatização de alguns setores da economia de lá, protecionismos virão e nossas exportações vão dançar a dança que eles colocarem no player, já que eles são nossos maiores consumidores a qualquer nível.

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