quinta-feira, 31 de julho de 2008

Tok, Stok & Rock

Cultura é um negócio muito chato de se lidar. Depois da frase de Hermann Goering, quando Ministro do Interior da Prússia, que disse “Toda vez que ouço a palavra cultura me dá vontade de puxar um revólver”, ninguém da elite mostrou mais sua aversão em “iniciativas” desse porte. Já seu colega de Ministério no Reich, Joseph Goebbels, quis, ao lado de Alfred Rosenberg( outro coleguinha!) refazer o conceito de cultura, usando a propaganda para tal. A coisa funcionou por 12 anos, com alguns explorando a nação alemã em proveito próprio, levando- a aquele estado de coisas em que ela se encontrava em abril de 1945.
Depois entrou em ação a guerra fria de um lado e a dita pax americana do outro. Esta última trouxe a massificação cultural e novas formas de se ganhar dinheiro com cultura ou então explora-la em proveito próprio. Com ela, o conflito de gerações, antes sufocado, ganhou sua linguagem de expressão: o rocknroll, que, com,o não podia deixar de ser, também foi e ainda é explorado por uma porção de gente em proveito próprio. Nesse ponto, o Coronel Tom Parker manda lembranças, junto cuma porção de Brasileiros não muito bem identificados. Até o Flávio Cavalcanti ganhou grana quebrando 78RPM de Rocknroll!
Aí, fiquei dando tratos a bola de quanta gente já explorou em proveito próprio o Rock and Roll desde que eu entrei na mídia e me lembrei de tanta coisa que passou, que é um assombro ver quanta gente faturou com isso e hoje nem deve mais lembrar da coisa. Ninguém deve lembrar da “toca do rock”- uma armação do Willer Butica num subsolo do antigo cine pax, na praça da paz. Lulu, Lobão, o Rock Ebó, Sergio Bandeira e muito mais gente se apresentou lá, levando canos tremendos, já que o Butica nunca foi bom de pagar.
Já que estamos falando em Rock Ebó, a Ana Maria Vale continua até hoje vagando por Ipanema, completamente doidona e tatuada, como se fosse a mulher de branco fantasma. Ana foi a primeira vocalista que eu vi fazer topless e, na época da coisa, ela dava um caldo. Hoje, ta véia, desidratada(maracujá de gaveta perde) e sem falar coisa com coisa. O restodo grupo(Carleba, Perinho Santana, etc) deu as de vila Diogo. Carleba(dizem!) morreu de overdose há mais de uma década e nunca mais tinha pego numa bateria.
Outra coisa que quase ninguém deve lembrar é da pedreira que havia onde hoje é o shopping Leblon. Tirei lá fotos junto com Paulo bagunça o Osvaldo para a antiga Rolling Stone. A foto saiu no almanaque dos anos 70.
Outro que continua vagando por Ipanema é o Carlinhos Verdade, autor das canções menos politicamente corretas que conheço e que devem matar de raiva feministas e o movimento negro, não necessariamente nessa ordem. Uma das letras do Carlinhos diz que enquanto os negros levavam porrada nos pelourinhos, as negras davam pros senhores brancos no sentido de escapar da pancadaria e viver numa boa, numa sacanagem generalizada. Todo domingo, Carlinhos passeia pela orla vendendo seus CDs gravados em fundo de quintal.
Marinaldo Guimarães morreu. Marinaldo foi um dos líderes da revolta dos sargentos, em Brasília e, no início dos anos 70, reformado, era empresário do “Módulo 1000”- um grupo de rock progressivo, integrado pelo Candinho, Luiz Paulo Simas( que mora nos EUA), Daniel e um guitarrista que eu não lembro o nome, mas não era lá essa virtuose nas seis cordas. Luiz Paulo é autor do “plim-plim” global e faz hoje uma música meio-eletrônica, meio barro e meio tijolo, do mesmo jeito que era o rock do Módulo.
Outro desaparecido é Luiz Carlos Cabral. Cabral era de “O Sol” e depois foi da Rolling Stone. Nos anos 70 esteve na Globo e protagonizou o lance entre a Globo e o Brizola- na qual a emissora estava informando errado a apuração das eleições, como um dos editores do “Jornal Nacional”. Nunca mais.
Outro que tava desaparecido para mim , mas não para todos era o Cláudio Carvalho, que eu não via desde a época da Warner, lá na avenida Paulo de Frontin. Descobri que ele tá vivinho porque seu nome integra a lista de investidores do Opporttunity que o Paulo Henrique Amorim divulgou. Cláudio era gente boníssima e fez de tudo para me colocar na promoção da gravadora, mas eu ainda era meio metido a certinho e, se ele apostasse neu, ia dar a maior merda. Eu não tava preparado para o jogo. Seis anos mais tarde eu aderi e consegui agüentar nove meses. Já tava meio errado, mas não totalmente corrompido. O que fazer, né?

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