Os dois conceitos andam juntos desde que a harmonia tornou-se um dos pilares da composição, transformando as peças clássicas em elaborados exercícios escalares(vide Bach). A coisa começou a pegar fogo mesmo foi no século XX, quando além da revolução interna(Satie, Ravel, Varèse e a dodecafonia), fatores externos começaram a interferir, como a gravação mecânica, o surgimento do órgão eletrônico(patente Hammond) e os vários conceitos de trilha sonora – fosse para rádio, cinema ou TV.Mas nada mexeu tanto com todo o universo musical como a revolução tecnológica que estamos atravessando e que, pelo andar da carruagem, se encontra muito longe de terminar, já que a todo momento, algo se modifica dentro daquela concepção de que a queda de uma geleira no ártico determina uma tempestade de areia em Atacama.
Um dos grandes exemplos dessa loucura interpolada é o .mp3 . Essa não-patente determinada pela GPL(General Public Licence – sem propriedade, física ou intelectual), além de reduzir em 90% o tamanho dos arquivos musicais anteriormente gravados em CDDA ou em .wav, práticamente está determinando a falência progressiva da indútsria do disco como a conhecemos, e que vinha imutável desde seu surgimento na terceira década do século XX.
Enquanto o surgimento do single, do Lp e da tecnologia microgroove de prensagem serviram apenas para consolidar os meios de produção da indústria do disco, já que precisaram de grandes investimentos no sentido de se estabilizarem, o .mp3 veio na esteira da evolução, da disseminação e do barateamento dos meios de produção.
Um grande exemplo de barateamento pode ser dado na comparação de custos de quanto que o Boca Livre investiu, nos anos 80, para produzir, prensar e distribuir aquele que foi o primeiro grande estouro do disco independente no país(o Lp que tem “Toada” e “Quem tem a Viola”) e quanto ele gastaria hoje para produzir um CD na tecnologia CDDA(CD de Áudio).
Já um exemplo de disseminação pode ser dado quando se sabe que é possível, graças a tecnologia .mp3, montar um CD com um mínimo de.....80 faixas!- o equivalente a seis CDs em CDDA ou oito elepês no antigo vinil. O problema é que essa constatação não é nada interessante a Indústria da música, devido a uma série de fatores, reais e excusos, os quais já falamos aqui ad nauseam.
Quanto a situação computacional, esta tornou a utilização de equipamentos caros e locais específicos letra morta já que qualquer fundo de quintal hoje pode ser tranformado em um estúdio de gravação tão sofisticado quanto o de uma grande gravadora.Basta apenas escolher , dentro das possiblidades de investimento, o equipamento ajustado àquilo que se quer executar.
A única coisa ainda insubstituída pela tecnologia é o talento. Não há tecnologia que faça você tocar ou ter idéias melhores que a de um Jimmy Page(foto), apenas para citarmos um exemplo.

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