Em outubro de 68 fazem 40 anos que o Traffic lançou seu segundo álbum, que levava o mesmo nome da banda. Foi o lançamento de maior cobertura da primeira fase da banda, chegando ao nono lugar na parada britânica e ao 17º lugar nos 100 mais vendidos da Billboard. Foi nesse álbum que a participação de Dave Mason foi mais notável, já que algumas faixas são de sua autoria.Depois de expulsarem Mason do grupo, Winwood, Capaldi e Wood começaram uma excursão pelos EUA, que durou até o início de 1969, quando Steve Winwood anunciou o término da banda e logo após a sua decisão de se juntar ao Blind Faith- ao lado de Eric Clapton, com quem já tinha feito anteriormente uma banda chamada Powerhouse( tem Lp gravado que só saiu na Inglaterra).
O Traffic restante, auxiliado por Dave Mason voltou-se para um projeto chamado Wooden Frog, do qual não existe nenhum registro. Em 1970, Winwood , Capaldi e Wood reuniram-se para gravar “John Barleycorne must Die”(“Glad”- instrumental de abertura do álbum é uma das grandes faixas que você deve ouvir antes de morrer.). E o Traffic voltou a estrada, meio ofuscado, mas com toda a carga.
A carreira de hitmaker de Steve Winwood havia começado no Spencer Davis Group, com “Gimme Some Lovin”-que lançou a vbanda comercialmente nos dois lados do Atlântico, logo seguida por “Keep on Running”. Asduas demoraram 13 anos para serem lançadas aqui, fato que aconteceu quando a recém-criada Ariola(1980) colocou nos pontos de venda um “Best of the Spencer Davis Group”- com uma coletânea dos dois álbuns gravados pela banda para a United Artists.
Já Jim Capaldi lançou-se solo, fez sucesso e até casou com Brasileira, morrendo mais ou menos em evidência. Aqui no patropi, Winwood se consolidou com “While you see a Chance”, faixa que virou até vinheta da Antena 1 RJ. Atualmente, Winwood têm uma carreira errática e lá não muito certa, participando mais de homenagens a outros do que titularizando performances, apesar de seu último lançamento ter sido bem citado na própria Billboard, há mais ou menos uns dois meses.
Todas essas lembranças vêm ao caso de se afirmar que os anos 70 não foram lá grandes coisas para o rock como atitude musical, já que todas as grandes correntes ou tendências, com exceção do punk, foram decididas nos anos 60. Na verdade, a fase áurea do rock como música nova vai da época contida entre a aparição do Mersey Beat( Liverpool) até o Haight-Ashbury time(San Francisco).
O pipoco do The Clash e o som dos Ramones são uma resposta ao Kraut Rock e ao progressivo nojento que Yes et caterva estavam sobrepondo ao backing to the roots tão desejado pelos Stones, que entra os 70 sem a força criativa de um Brian Jones morto, determinante da briga de egos entre os glimmer twins. Para “Dark Side Of The Moon” ter o destaque que têve, dá para se ver que o rock estava mais perdido que cego em tiroteio de filme de Robert Rodriguez.
Já aqui no Brasil, enquanto Beto Guedes tinha a fé cega, a censura tinha a faca amolada.
E continuando nesse "recordar é viver" de hoje, a Sony-BMG está lançando uma caixa com todo o material gravado pelo RPM, incluindo o "Quatro Coiotes", lançado há 20 anos(1988). Na caixa, além do "ao vivo" têm também o primeiro("RPM"), um CD com remixes e outros trashes, além de um DVD com pedaços do show dirigido por Ney Matogrosso. A caixa está cotada em 90 pratas.
Eu, pessoalmente, não jogaria esse dinheiro fora dessa maneira. Com a mesma quantia é possível se fazer uma excursão por sebos e levantar coisas bem mais interessantes. Exemplo? Na feira do livro que está aqui na Praça Antero de Quental(Leblon - RJ) têm uma coleção encadernada da "Hot Jazz", que vai de 61 a 62, com cinco volume, a R$15 cada. Ainda sobram 15 prum sanduiche e um suco na Poli sucos, que é logo alí.

Nenhum comentário:
Postar um comentário