quarta-feira, 15 de abril de 2009

Certezas

Ontem eu falei de Phil Spector e de sua condenação. Hoje vou falar de coisas mais hard ou mais amenas. Depende do estado de espírito de quem lê e nunca de quem o escreve. Transgredir, desrespeitar e partir para o pau é a danação do rock and roll. Basta pegar as letras de “great balls of fire”, riot in cell number nine” e “jailhouse rock”.
Todos nós estamos numa folsom prison. Todos nós estamos vagando com o pé na estrada, lendo Kerouac e ouvindo Jerry Lee. Buddy Holly nunca esteve presente, já que ele, big bopper e Ritchie Valens morreram antes do show. Nenhum deles esteve aqui. Apenas um Bill Haley e depois um Chubby Checker.
O rock não é só jeans, tênis e camiseta. Isso é atitude. O rock é bem mais do que imagina nossa curta filosofia. 55 anos de vida não são 55 dias em Pequim tomando tsingtao beer. Ou se bebe ou se filma. Não dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Orson Welles sabia disso. Hemingway também. E hajam mojitos , baby.
Hajam Kilimandjaros e crateras, hajam Ngorongoro e migrações de gnus pela savana, acompanhando a trilha ancestral, sempre percorrida, sem perguntas e respostas, já que não se discute uma imposição natural.
Da mesma forma que o instinto faz o cachorro ganir quando sente medo, o homem batuca um ritmo movido pela percussão intuitiva. Havendo música para acompanhar, grandes pagodes ou rodas se formam em cantorias. O canto e a batida acompanham a cultura desde a sociedade tribal, já que eles são a primeira marca da identidade. Cada um é membro sabendo cantar o mantra. É assim na Ásia, na áfrica e na América. Áfricásiamérica.
Da trindade acima foi gerada a totalidade da música no planeta terra. Tudo foi gerado no calor dessas três entidades máximas e continentais.
Os sons que vieram para o Brasil se criaram de um jeito diferente daqueles que foram parar em Nova York. Apesar do lugar comum que eles repetem no sentido de procurar leite materno, a mãe áfrica nunca os abandonou. Fez os dois criarem tambores e depois forneceu as baquetas e os teclados. Alguns sentidos se desingrolaram em vibrafones e marimbas. Outros em tambores, tumbas e maracás. Na chacoalhada suprema, a criação daquilo que todos chamam de ritmo, apesar de nunca terem corrido para por música no frenesi gerado. Quando os tambores foram proibidos pela casagrande, a percussão se voltou para o piano. Os melhores batuques ficaram na sala de visitas norte-americana. Mas alguns batuques vieram parar na cozinha. Sinhô sabia disso muito bem e sempre jurou pela imagem que era isso mesmo.
Uma coisa é certa: a música sempre vai existir. Pode ser que você não goste de pagode nem eu disso que eles estão chamando de funk. Para ser sincero, detesto. Tudo que lembre axé eu também faço questão em desconhecer. Mas é sucesso e tem gente mais nova que nós gostando. E quem manda na parada são eles. Não existe retrocesso.
Estamos muito velhos para atuar ou cooptar. Não sabemos como enfrentar nem como mexer. Temos que nos resignar a ouvir nossos flashbacks até quando eles deixarem. Estamos velhos.
É. Velhos que nem o rock and roll. E muito jovens para que algum falastrão apareça com um AR-15 e nos mande para o inferno. Tudo isso que nós acreditávamos já era. Lembra que nós nunca confiamos em ninguém com mais de trinta anos? Pois é: porque é que eles vão confiar? Pena? Porque nós fomos sem destino algum dia? Isso é tão antigo....................Ihhhhhh..........Nem ti conto.......

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