sexta-feira, 24 de abril de 2009

A Mão de Mao

A mão de Mao esteve metida em muita coisa. Desde o bolso de sua túnica fedida( segundo a biografia, ele não tomava banho) até em título de disco do Rock Brasileiro( ver “Metro”).
Mao não foi o único líder às voltas com a música popular. Em “No More Heroes”, os Stranglers falam de Lênin, Trotsky e Sancho Pança.
Quanto aos políticos e suas mentiras, “Politician”(Trad. Arranjado por cada bluesmen à sua maneira), regravada pelo “Cream”- em estúdio e em três versões ao vivo- é uma descrição sucinta do que alguém, investido em um mandato popular, pode fazer de mutreta.
A arte- tanto gráfica quanto sonora – sempre esteve engajada na luta política. Os grandes exemplos nos últimos 150 anos são os compositores nacionalistas(Dvorak, Sibelius e Chopin), os cartazistas soviéticos, os muralistas Mexicanos e a geração que renovou a literatura a partir dos anos 20, posteriores a Mann e a Joyce.
Alguns consideram Bob Dylan um engajado. Eu, em minha modesta opinião, considero parte de seu trabalho uma “sample copy” de Woody Guthrie- de quem, numa de suas plantações de lendas- tentou espalhar que era filho, apesar de carregar um Zimmermann denunciador na carteira de motorista.
Woody sim, foi engajadaço. Esse engajamento pode ser traduzido em duas faixas definitivas e seminais de sua autoria: “This Land is Your Land” e “The House of the Rising Sun”. A música folk americana se divide em antes e depois de suas gravações.
As gravações originais estão nos papers da Livraria do Congresso. “This Land is Your Land” teve uma regravação diluída na voz de Trini Lopez e “The House of the Risinh Sun” foi a primeiro lugar na voz de Eric Burdom, lançando o “Animals” nos Estados Unidos.
Woody teve alguns seguidores. Engajados como Pete Seeger e Leonard Cohen, e desengajados como Willie Nelson, Hank Ballard Jr, John Sebastian e Bruce Springsteen.
Este último foi até tachado de fascistão devido a “Born in the USA”, entendida errôneamente tanto pela esquerda quanto pela John Birch Society. É bom lembrar que até Ronald Reagan andou elogiando Bruce pela faixa, homenagem que depois ele deplorou em várias entrevistas.
O Homem é um animal político. Aristóteles disso isso há um tempão. E se a lógica do primeiro período deste texto provar que Política também é música, desde lá, a frase vem semeando ventos, colhendo tempestades, subindo 1800 colinas, indo de Jerusalém a todas as cidades santas conhecidas, recebendo vibrações rastas e tudo o mais que a mente humana possa colar em sua escala de oito notas. Na verdade, música serve pra isso. Para deixar o formalismo lógico-racional de lado e transmitir um recado mítico a respeito do homem e de suas criações, sejam elas boas ou ruins.

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