domingo, 5 de abril de 2009

Ser ou não ser Pop?

O pop não é música, nem texto, nem imagem. O pop é cultura. Multimídia. Ainda mais hoje que a multimídia não é mais uma ficção. Ela é uma possibilidade acessível a quem quiser transar com ela.
A arte popular hoje passa pela tecnologia. Passa pelo editor de imagem, pelo Sampler e pelo processador de texto, gerando processos, inventando-os ou re-inventando tudo a gosto do artista.
Se antes tudo tinha que ser concreto e palpável, hoje o virtual é mais que uma questão de ordem. Tudo pode ser exibido na rede- a pele que cobre o mundo, levando dados de uma máquina computacional para outra, que, em suas metamorfoses podem ser monitores, terminais, receptores ou emissores. De dados, de cultura, de entretenimento , de coisa séria ou de simples passatempo.
Nunca a humanidade se divertiu tanto como nesse milênio no qual a revolução tecnológica engatinha. As artes exploram os sentidos, que agora incluem entre eles a interação. Nada mais se processa num só sentido. Tudo tem mão e contramão. Dois sentidos. Vida dupla e mais que uma intenção.
Não se sentir pop e se sentir numa ilha, a milhas e milhas daqui. O daqui é qualquer lugar que escolhamos para base. Nele somos o centro do universo. Andamos para frente e para trás. Temos liberdade de ação, expressão e opinião. A tecnologia nos dá acesso ao discurso e nos transforma em veículos de um homem só.
Viver o pop é viver a própria existência, numa massagem de ego comparável e comparada a qualquer atividade. Os nossos 15 minutos de fama viraram a eternidade, armazenada em diversas formas de mídia- da impressa a magnética. Seremos sempre o que queremos ser. Únicos e indivisíveis. Para um domingo cinza, chega de filosofia barata. Até amanhã. Pode ser que eu volte com música. Pode ser que eu volte com mais filosofia. Num jogo de palavras barato e obsceno, é fácil confundir a obra do mestre Picasso com a pica de aço do mestre de obras. Essa é a dúvida.

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