sexta-feira, 3 de abril de 2009

Cult Pero no Mucho!

Ontem o Telecine Cult projetou o filme bio-tributo de Bob Evans, que bem podia ser um Remembers(conta tudo) daqueles, mas que, na verdade, contou só as coisas boas, um declínio perigoso( o fascínio pela coca) e uma crise de depressão braba. No mais, todo o roteiro é uma elegia ao famoso “trabalhar-naquilo-que-gostar-e-ficar-rico”.
Para quem não sabe, Robert Evans foi um dos grandes executivos da Paramount por mais de 30 anos e teve a seu cargo produções como “O Poderoso Chefão”, filme pelo qual trocou Ali McGraw pelo Oscar e esta foi parar nas mãos de Steve McQueen. Na minha visão, foi uma boa troca. Na tua não tenho a mínima idéia.
Como sempre acontece, o grande erro de Evans foi a cocaína. Numa Hollywood fingida e cruel, sua dançada lhe fechou todas as portas. A recuperação aconteceu e os amigos( Jack Nicholson é um deles) lhe prestaram um auxílio luxuoso no sentido da recuperação.
Na verdade, todo esse nariz de cera acima serviu para introdução num assunto delicado: Trabalhar naquilo que se gosta. E conseguir viver disso. Tiro isso por mim. Trabalho fazendo o que eu gosto e dinheiro que é bom, neca de pitibiribas. Só ganhei dinheiro na época áurea da Antena 1. Vivia despreocupado e consegui não juntar nada. Torrei tudo.
Não vou dar uma de fanfarrão e proclamar que não me arrependo disso. Na verdade, se eu tivesse um pouquinho mais de cabeça, teria hoje uma casa própria da forma que eu sempre desejei e uma folga financeira que me permitiria gastar com o produto que mais admiro: cultura.
É duro entrar numa livraria como a Travessa e não levar tudo aquilo que deseja. Como é duro ir até a Modern Sound e sair com três Cedes. Nunca fui chegado a roupas e outros adereços corporais. Sou capaz de usar a mesma camisa durante seis anos. Tenho calças velhíssimas e jurássicas. Todos os meus sapatos são do período cretáceo e minha carteira de dinheiro e documentos presenciou a descoberta do fogo.
Minha grande diversão é reouvir e reler, já que a última coisa nova que passou pelos meus olhos foi a trilogia suja de Havana. Um dia eu ganho na Mega-Sena e aí vai ser difícil. Se eu não enfartar com a notícia, a lista de coisas a serem feitas já tem três folhas manuscritas. Um dia eu falo dessa lista.

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