Há uns 20 anos atrás, eu ia pegar um monte de CDs e ia zapeá-los atrás de alguma coisa boa e tocável.Eu também ouvia a concorrência atrás de alguma coisa que eu gostasse para tocar também. Fiz isso com muita coisa boa e alguma coisa ruim que, não entendi como, foi um sucessão. Hoje eu prefiro ver clips na VH1 mais do que qualquer outra coisa. Já ouviram e viram The Veronicas? Nunca tinha visto. Vi ontem e gostei daquelas gatonas e do arranjo de cordas.É o terceiro grupo que descubro de cagada. O primeiro foi o Paramore. “Crushcrushcrush” é uma delícia. O outro grupo foi o Le Tigre- este me lembra bastante um B-52´s , só que um pouco mais energizado.
Música serve prá isso. Para divertir. Para, de cagada em cagada, você ir arrumando um playlist de sucessos próprios independentes daquilo que a moda estatística repete a exaustão nos sete buracos de tua cabeça. E haja exaustão. Hoje, todos os veículos optaram por ela, pois para se chegar ao sucesso de audiência, nada como massificar aquilo que “o público pede”. E será que pede mesmo? Será que existe alguma participação, alguma interação ou todos aqueles indivíduos que vemos em Faustão, Huck, Pânico et caterva não passam de vacas de presépio?
Eu , na minha época de produtor, trabalhava com tudo aquilo ensaiado. Auditório batia palmas na hora que a produção queria. Artista tinha roupa rasgada quando a produção queria. Qualquer aplauso era mínimamente estudado. Todos ali estavam representando um papel e cientes que os outros também representavam. O cantor fingia que cantava(geralmente era playback), o animador fingia que animava e o público fingia que aplaudia(era comandado pelos puxadores de aplauso- que regiam a galera mediante estímulos visuais).
Foi porisso que o Gugu dançou naquela história do PCP ameaçando as autoridades. Ele sabia que aquilo ia ao ar e tinha ciência do conteúdo. Só pensou que a coisa fosse passar batida. Quem mandou mexer logo com o Hélio Bicudo? Não adiantaram as desculpas fajutas. E o Gugu cometeu uma falta daquelas. Colocou toda a culpa em sua produção, em vez de assumir uma parcela. Resultado: transformou-se no César de Alencar da TV. Dedo duro nojento. Eu não trabalharia mais com ele nem que a vaca tossisse.
Aliás, depois que fiquei velho, fiquei meio seletivo. Como já afirmei antes, nunca mais colocarei os pés numa redação de jornalismo. Jamais em tempo algum Se me virem dentro de uma, é porque fui tacar fogo no local. O jornalismo virou um cruzamento de JB com SBT. Não se trabalha direito nem ninguém se informa.

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