domingo, 12 de abril de 2009

Take it....Or Leave it

Ontem eu revi “Vinicius”. Um grande documentário e que deve ser revisto sempre, ao lado de todo o resto em que se retratou a música Brasileira, que- no meu entender – é a minha coisa única na escala tônica- aquela que está no sangue e da qual vou sempre lembrando fatos e sons que ouvi e guardei na memória.
Lembro de Monsueto Menezes e “Eu quero essa mulher assim mesmo”. Lembro de “Ele é Engraxate/Ele é Engraxate/Ele é Engraxate// Batendo com a escova/ Como a vida lhe bate”. Lembro de Carlos Gonzaga , que se dividia entre o rock e o “Baião da Serra Grande”.
Lembro de uma apresentação de Jerry Adriani no SESC de Vitória(ES) na qual ele teve que tocar “Quem não quer”(Black is Black) no baixo, pois o baixista da banda que puseram para acompanha-lo não sabia a música(era novidade)- Foi em Vitória que eu aprendi, de cor e salteado – o repertório de Renato & Seus Bluecaps e Erasmo Carlos. Aqui no Rio eu sabia pouca coisa, pois a diversidade era maior e tinha mais coisa preu prestar atenção, como Wanderléia, Cleide Alves e todos aqueles que se apresentavam nos programas de rádio que eu perseguia pelo dial.
Ia sábado de tarde para o auditório da TV Rio no cassino Atlântico e depois voltava a pé para o Leblon, bundeando pela Vieira Souto e acompanhando o por do sol por trás das ilhas tijucas. Ipanema ainda tinha cheiro verde de praia e ainda pintavam algumas marias farinhas na areia.
Minha infância e adolescência foi um milk shake de Brasil com todos os sabores de calda e sorvete, fossem Bob´s ou Kibon, Lopes ou Morais. Esse tempo eu sei que não volta nunca mais e recordar essa coisa toda é mostrar a mim mesmo que eu vivi e, parafraseando Alceu Valença, sei que estou muito vivo.
Em Vitória havia um bar num edifício em frente ao Parque Moscoso que tinha um sundae de Ameixa que era repetível ad nauseam. O gosto de quero mais que ele tinha até hoje me volta na boca. Minha Vitória de criança foi soterrada pelos arranha-céus, que hoje riscam a atmosfera, transformando a ilha num paliteiro sem precedentes. Minha bisavó morava na Ladeira Caramuru e,nos fundos do terreno, meu tio-avô filho mais novo dela construiu uma casa que dava frente para a rua Imaculada Conceição. O bonde passava por trás, subindo na direção da igreja de São Gonçalo e a catedral- no caminho de ida para o palácio Anchieta.
Hoje tá tudo escondido e degradado. E não é só Vitória que degenerou. O Rio também. A especulação imobiliária dos final dos anos 60 pôs tudo por terra, literalmente falando. Até para mim que vivi pelas ruas de ipanema, lembrar do Zepelin e da casa do Plínio Doyle é um exercício de memória, pois não bate direito nada.
Do bar só lembro de um quadro na parede e da disposição das mesas. Da casa de mestre Plínio sei apenas onde ela ficava. Do mesmo jeito que a primeira academia do Jorge Francês, da oficina do Parmênio e do “seu” Artur. Localizar exatamente só vendo foto. Acho que nem o Jaguar consegue essa proeza, de ir ao local, apontar e dizer: “Era aqui”.
Lembro do dia em que aquela estátua que têm na praça da paz amanheceu com um pinico na cabeça. Ninguém nunca soube quem foi o engraçadinho. Deve ter sido excomungado por Frei Leovigildo.
Lembrar é um bom exercício. Fico mudo num canto e meu canto de silêncio me deixa delirando. Viajo no tempo. Gosto disso. To ficando véiuuuu, gentiboa.........sessentinha tá batendo.....pelanca chegando.... E eu lembrando como era bom ser só gordinho, sarado e ter o corpo todo durinho.......As meninas........Ah! As meninas..............................(Chega, porra!)

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