quarta-feira, 15 de julho de 2009

SOU DEMENTE!!!!!!!!

Andar pela rua sempre foi para mim um exercício no sentido de aguçar sentidos e imaginação, numa versão multimídia orgânica de aprendizado. Sempre gostei de botar o ouvido na escuta e sair pela rua escutando os sons da cidade. Na transmissão esportiva de uma tarde de domingo, diferenciar, pelo eco, qual a rádio mais ouvida. Se a Globo( assobio das flautas) ou a Tupi( as pancadas de sirene). Se fosse no noticiário, o amarelinho da Globo ou as sentinelas da Tupi.
Da Mayrink Veiga eu só me lembro dos humorísticos: “Vai da Valsa”, “A Cidade se Diverte”, “Miss Campeonato” e “Esse Norte é de Morte”. Todos com Chico Anísio, Altivo Diniz, Wellington Botelho, Leda Maria e uma série de artistas que hoje passam em branco na maioria das histórias e fatos mais ou menos pitorescos que aconteciam no veículo.
E na Rádio Nacional eu ouvia o Sombra, Jerônimo- O Herói do Sertão, Inspetor Marques e alguma coisa do Teatro de Mistério. Devo ter ouvido umas três vezes aquela célebre “Paixão de Cristo”- com todo o elenco de radioteatro e da qual nem sei se existe alguma gravação audível.
Da “Prk-30” eu tenho dos elepês e aqueles CDs que vieram no livro que conta a história do programa. E , do mais, quase nada tenho a não ser algumas vinhetas vindas no disco dos cinqüenta anos da Rádio Nacional.
Sempre ouvi Rádio e nunca pensei que trabalharia nele um dia. Era ótimo trabalhar e fazer o veículo do qual eu nutria uma paixão não muito doentia, mas capaz de me fazer ficar sete anos sem tirar férias e trabalhar de segunda a segunda, num ritmo incansável.
Um dia desses, o amigo Janos Biro, que faz parte junto comigo do coletivo Sabotagem, me mandou uma pesquisa feita por Finlandeses que chegou a conclusão que trabalhar em excesso causa demência.
A pesquisa, feita com funcionários ingleses na minha faixa de idade, apontou que 55% dos pesquisados desenvolveram demência, trabalhando uma média de 30 anos, cobrindo horas extras e plantões além do expediente.
Eu trabalhei de 1969 a 2000 em rádio e Jornal. Depois da última vez que fui demitido, nunca mais procurei trabalho, virei autônomo e me vejo completamente fora desse extrato, caso consideremos “demência” uma rateada das faculdades mentais. Como eu ainda não cheguei a rasgar dinheiro nem desenvolvi Alzheimer, não sou demente no sentido estrito.
Minhas demências todas começam com M: música, mulher e outros emes políticamente incorretos. No mais, o resto é suportável.

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